Capítulo 43 – Especulações.
Capítulo 43 – Especulações.
— Eu tenho um plano. Senta aí. — Kiryū foi até a mesa e puxou duas cadeiras.
Fui até a mesa e sentei em uma das cadeiras enquanto ele se sentou na minha frente. Fitei seus olhos e usei a mesa de apoio para meus braços.
— Diga.
— Antes de destruírmos Daichi eu preciso encontrar a minha irmã, e depois que eu resgatá-la você pode acabar com isso tudo.
— Isso é óbvio.
— Obviamente ele nunca me levaria até onde me irmã está, mas será que outro funcionário? Ele não costuma reunir os seus trabalhadores “pessoais”, para evitar rebeliões desse tipo. — Kiryū prosseguiu.
Inclinei meu corpo para frente e cruzei as mãos com o rosto apoiado nelas, interessado mas confuso com a ideia do homem.
— E quem seria esse outro funcionário? — perguntei.
— Eu não tenho contatos assim como ele, mas eu tenho algo que se foi, um elemento surpresa.
— O quê?
— É de você que ele está falando, Ken. — Satoshi disse.
— Já entendi. — respondi a mim mesmo antes que Kiryū pudesse dizer algo.
— E como faríamos isso? Ele me reconheceria facilmente e com certeza desconfiaria de você, e pior, mataria a sua irmã…
— Aquele homem é astuto mas nada que um bom disfarce e alguns truques sujos não resolvam… Você irá precisar se tornar diferente.
— Talvez eu consiga te ajudar com isso, Ken. — Satoshi falou.
— Não entendo bem o que você é capaz fazer, mas o que vi naquele dia me diz que você com certeza pode fazer essa tarefa. É magia.
— Não é bem assim que funciona… — Satoshi falou mentalmente.
— É uma boa ideia, mas como eu seria contratado? Eu não posso ser apresentado como um conhecido seu.
— Podemos forjar uma situação.
— Apenas me dê um tempo até eu estar preparado… Precisamos fazer isso do jeito certo.
— Se prepare e me avise quando estiver pronto. Precisamos de uma boa vingança, e sem envolver mais nenhum inocente. Já chega de sangue, apenas o dele vai ser derramado.
— Com certeza… — afirmei em um ranger de dentes.
…
Em uma cama de hotel qualquer, meu corpo cedeu ao cansaço e adormeceu ali mesmo assim que me deitei.
Os pensamentos eram conturbados, mas o que a mente era capaz de aguentar, o corpo já não era tão capacitado.
Durante meu sono, fui puxado até um salão totalmente branco, onde algumas figuras já conhecidas me aguardavam.
— O eclipse é amanhã, Ken. — Satoshi me recordou.
— Como pude esquecer… Desculpem, mas a situação não é das melhores. — lamentei.
— Quer que eu conte, Kenji? — Satoshi perguntou.
— Não. É algo que deve sair de mim… — respondi, já com o queixo trêmulo e olhos enchendo de lágrimas.
Kafka e Sora franziram as sobrancelhas enquanto Kenshi permaneceu ao fundo, quieto como sempre, mas atento.
— Um homem, inimigo de tempos, ele matou a minha mãe… A única pessoa que me restou, que eu realmente amava. Assim como a Amaterasu significa pra vocês, ela também significa pra mim. — contei o ocorrido em meio a soluços e choro.
— Por que não pediu a nossa ajuda? — Kafka perguntou, perplexa.
— Nós vamos matar esse desgraçado. — Kenshi sentenciou.
— Ele vai pagar por isso. — Sora disse irritado.
— Não. Eu vou lidar com isso. Eu mesmo. Vocês estavam tão preocupados e ocupados com Amaterasu, e é um caso tão pessoal que nem sequer pensei em pedir a ajuda de vocês. Agora que ela se foi, cabe a mim fazê-lo pagar.
— O que você fez pra ajudar, Sato? — Sora perguntou.
— Nada. — Satoshi suspirou.
— Como assim nada? — Kafka perguntou, confusa e irritada.
— Eu não pude fazer nada! Eu já disse, estou com dificuldades, ainda não pude me recuperar, tem algo que me bloqueia… — Satoshi respondeu.
— Fraqueza. Esse é o problema. Nós somos fracos, todos fracos! É essa impotência que nos faz perder tudo. — Kenshi lamentou, irritado.
Apenas deixei meu corpo cair e sentei no chão daquele salão branco, com os olhos inundados de lágrimas. Tentei conter os soluços mas não conseguia pronunciar mais nada, porque depois que deixei o ódio em segundo plano, pude relembrar do vazio que restou.
— O Ken despertou… Ele adentrou a primeira zona durante o incidente. — Satoshi informou, de cabeça baixa.
— Já é um passo…
— Que merda! Tudo dá errado!!! — Sora exclamou.
— Precisamos estar preparados, logo. — Kenshi disse.
“Espera… Se Amaterasu é o sol, não há possibilidade de existir a lua?” Cessando as lágrimas aos poucos, ponderei a possibilidade de existir outro “semideus”.
— Se toda essa mitologia é real, já que Amaterasu e vocês existem, não é loucura pensar que uma lua pode existir…
— Isso até poderia ser considerado se Amaterasu tivesse dado algum sinal da existência de outro como ela. — Satoshi respondeu.
— Talvez exista sim… — Kenshi fixou seu olhar no nada e pareceu recordar alguma informação.
— Amaterasu parecia sempre estar preocupada com algo, alguém… Quando não estava interagindo conosco, sempre parecia distante. Eu não queria me intrometer, não queria que ela pensasse que eu estava invadindo seu espaço. Não queria que fosse embora…
— Talvez o carinho dela fosse “despejado” em nós, mas deveria ser para outra pessoa… Um reflexo do que ela gostaria de receber ou entregar para alguém. — Kafka refletiu.
— E se a realidade for realmente como na mitologia? — Sora indagou.
— Acho que não exatamente, já que a existência dos pedaços de Kagutsuchi e seus descendentes não é algo escrito, mas vocês existem. Pode ser que se aproxime… — Satoshi supôs.
“Parece que minha dúvida serviu de algo.” Assenti comigo mesmo e enxuguei os olhos com as mangas da blusa.
— E se ela sumiu para procurar a lua? — disse.
— Ela contaria… — Kenshi disse hesitante.
— Não contaria, Kenshi. Você sabe como ela era fechada sobre a própria vida… — Kafka retrucou.
— O disco solar naquele lugar e durante o eclipse com certeza vai nos revelar algo, nos levar a algum lugar. — Satoshi concluiu.