Capítulo 44 – Reencontro.
Capítulo 44 – Reencontro.
Acordei na mesma cama de hotel no dia seguinte, ainda cansado após a longa conversa dentro do espaço mental no dia seguinte.
— É hoje… — suspirei.
“Como vou me preparar pra isso?” Questionei.
— Ken, vou te guiar até o Deserto dos Cem Espíritos antes do eclipse. Lá você vai encontrar meus amigos pessoalmente com o disco solar, e veremos o que vai acontecer. — Satoshi disse.
— Certo…
…
O vento soprou areia nas minhas roupas enquanto eu caminhava até algumas dunas. A temperatura subitamente caiu e o céu já avisou o fenômeno que pareceu nos aguardar.
“Devia ter pego uma roupa mais quente…” Pensei, arrependido.
Olhei ao redor para o grande deserto e não pude enxergar nada nem ninguém além dos cactos e bancos de areia.
— Onde eles estão? — perguntei a Satoshi.
— Eles estão chegando, relaxe.
Após alguns instantes, pude ver três silhuetas familiares ao longe, caminhando na minha direção.
— Ei, Kenji! — a voz de Sora ecoou de longe.
— Aqui! — gritei e acenei para eles.
Kafka, Kenshi e Sora caminhavam até mim enquanto o céu lentamente escurecia e ficava com um tom estranho. Kenshi tinha em suas mãos um disco dourado de superfície reluzente e com adornos que pareciam raios de sol.
“Parece algo tão simples, mas…lindo.” Admirei o objeto simplória mas que reluzia.
— Vai começar… — Kenshi suspirou e posicionou o disco solar na areia, fincado no solo.
Todos rodeavam o disco solar fincado na areia abaixo de nós quando o céu escureceu e ganhou um tom cinza metálico e o sol desapareceu assim que a lua o sobrepôs e apenas era visível o anel de luz ao redor da sombra.
Linhas finas e onduladas de luz dançaram pelas areias do deserto até percorrerem a superfície reluzente do disco solar e refletirem aquele brilho.
Kafka ajeitou o óculos no seu rosto, Sora fechou os botões de seu casaco de couro, Kenshi arrumou a boina em sua cabeça e eu apertei os punhos. Todos nós estávamos nervosos sem saber o que aconteceria, e se nossa hipótese sequer estava certa.
— O que devemos esperar? — perguntei.
— Uma reação no deserto ou no próprio disco… — Kafka respondeu.
Após alguns instantes, um brilho ondulou a superfície do objeto então todos pudemos ver uma imagem se formar no disco. O disco solar nos revelou uma figura masculina desconhecida.
Na superfície do objeto era possível enxergar a imagem de um homem com cabelos longos e brancos que desciam até seus ombros. A figura tinha olhos vazios que destoavam com sua feição raivosa.
Logo em seguida, uma figura feminina de cabelos negros longos e uma tiara tentava se aproximar do homem e segurar em seu braço, porém o indivíduo desconhecido tirava a sua mão em um movimento brusco.
— Quem é esse junto de Amaterasu…? — Kenshi perguntou.
— Talvez a lua…? — respondi com cuidado.
— Pode ser…
Todos nós prestávamos atenção nas imagens que surgiam na superfície do disco solar até que pudemos ouvir uma voz ecoar no deserto junto de um sopro frio.
— Você trouxe um humano, Amaterasu?
— Quer mesmo me provocar… Que ousadia. — a voz soou raivosa.
Voltei a encarar a imagem que refletia na superfície do disco solar até que pude ver a entrada de uma caverna. O interior era escuro, e apenas era capaz de visualizar duas silhuetas de frente uma para a outra. Ambas figuras de cabelos longos, uma alta e a outra mais baixa.
— Vocês conhecem alguma caverna por aqui? — indaguei.
— Estou tentando me lembrar… — Kenshi respondeu.
Lentamente, o céu passou a clarear novamente e os reflexos no disco dourado foram se apagando com o passar do tempo.
— Ao sul daqui, não muito distante. Tem uma caverna… Já vi Amaterasu lá uma vez. — Sora se recordou.
— Então vamos rápido! — Satoshi disse.
— Vamos lá então!
Todos nós corremos para o sul, na direção para onde Sora, que estava na frente do grupo, nos guiava. Kenshi parecia ansioso, e suor escorria de sua testa.
“É compreensível… Ele era o mais próximo dela. O que será que vamos encontrar lá?” Refleti enquanto corria.
O céu clareou à medida que nos aproximamos da caverna soterrada em meio as dunas que podia ser vista no horizonte.
Em alguns instantes, chegamos até a entrada de uma caverna soterrada pela areia, onde seu interior era escuro e silencioso.
Olhamos uns para os outros e depois para a entrada da caverna escura que parecia assustadora, como se algo habitasse lá.
— Também sentem isso? — perguntei logo após aguçar minha percepção com o fluxo e notar uma energia pesada dentro da caverna.
— Sim… — Kafka respondeu, apreensiva.
— O que estão esperando? — Kenshi disse e tomou a frente do grupo, entrando na caverna.
“Eu entendo essa determinação, essa…preocupação.” Pensei, entristecido.
Fui atrás de Kenshi para dentro da caverna, apreensivo e cauteloso, com os sentidos aguçados e oprimidos pela pressão da energia que aquele lugar emanava.
A escuridão cobriu a minha visão mas quando o fluxo envolveu meu olhar eu pude melhorar a minha vista. Consegui enxergar, não muito, mas era o suficiente para não cair em qualquer pedregulho em minha frente.
Kenshi caminhou na frente, impetuoso. Segui ele enquanto os outros nos. acompanhavam logo atrás.
— E se for uma armadilha? — Satoshi desconfiou.
— Satoshi teme ser uma armadilha… Vamos com calma. — disse enquanto adentrávamos.
Um pouco mais fundo na caverna, era possível enxergar um brilho que refletia na parede, além de duas silhuetas sombreadas nas pedras. A luz parecia de uma chama, já que o brilho tremeluzia.
“Seria Amaterasu…?” Pensei comigo mesmo.
— Kenshi, vá com calma! Pode ser perigoso… — Kafka alertou.
Kenshi parecia não ouvir e seguiu na direção das luzes tremeluzentes. Ele então virou em uma curva e disse antes de o alcançarmos:
— Amaterasu!
Todos nós chegamos atrás de Kenshi e olhamos para as duas figuras que estavam na nossa frente.