Capítulo 45 – Lua.
Capítulo 45 – Lua.
Avistei uma figura feminina com longos cabelos negros, olhos alaranjados e uma tiara de sol que resplandecia no topo da sua cabeça.
“Então essa é Amaterasu…” Pensei, impressionado.
Fitei a outra figura. Um homem, alto e com longos cabelos brancos que deslizavam até o meio de suas costas, olhos esbranquiçados e brilhantes e um semblante estressado.
— Já faz tanto tempo… — Satoshi disse.
— Vocês… O que fazem aqui?! — Amaterasu perguntou, preocupada.
— Um humano, Amaterasu…? — o indivíduo desconhecido indagou, indignado.
— Não era pra vocês estarem aqui… — Amaterasu disse enquanto nos encarava com preocupação.
O semblante de Kenshi se transformou em raiva e ele fitou o indivíduo de cabelos brancos. Ele se aproximou do outro, raivoso, e então cerrou os punhos.
— O que você tá fazendo com ela, maldito?! — Kenshi perguntou, furioso.
Amaterasu rapidamente foi até Kenshi e entrou na sua frente, ficando entre ele e o indivíduo desconhecido que curvou seu torso para mais perto do principado, também claramente irritado.
— Kenshi, se acalme… — Amaterasu disse tentando apaziguar seu companheiro.
O homem alto olhou Kenshi de cima para baixo e estendeu seu braço, porém foi interrompido por Amaterasu que o segurou.
— Não precisa disso, Tsukuyomi. — Amaterasu disse com firmeza.
— Quem é esse, Amaterasu? — Sora perguntou, se aproximando.
Kafka deu passos à frente, fitou o homem de cabelos brancos e colocou a mão no ombro de Sora, então disse com certeza:
— É a lua. Esse homem é a lua…
— Tsukuyomi… — sussurrei comigo mesmo.
— Esse cara com certeza é perigoso. É melhor você se afastar, Kenji. Ele deve ser tão poderoso quanto Amaterasu… — Satoshi alertou.
Tsukuyomi se desvencilhou de Amaterasu e então se afastou e virou-se de costas com a mão no rosto, balançando a cabeça em negação.
— Primeiro você me abandona, depois você ajuda os humanos, manipula irmãos para conviverem com humanos, traz um deles até aqui e ainda faz irmãos se voltarem contra mim! — o homem diz, indignado.
— Eu não te abandonei! — Amaterasu exclama.
— Você é uma traidora! Você nasceu do céu e se junta com esse tipo de criatura baixa… — Tsukuyomi responde e me encara diretamente.
— Não fala assim com ela! — Kenshi exclama de volta.
— Kenshi, ele é tipo um deus… Assim como ela. — Kafka alertou Kenshi e colocou a mão em seu ombro.
Kenshi se desvencilhou de Kafka, caminhou até Amaterasu e a puxou pelo braço, então disse:
— Eu exijo uma explicação! O que é tudo isso? — Kenshi disse confuso, irritado.
— Me desculpem… Eu vou explicar. Só saiam daqui agora, por favor. Eu prometo que encontro vocês… — Amaterasu disse, chorosa.
— Não! Vocês vão sofrer as consequências agora. — Tsukuyomi exclamou e cerrou os punhos.
O homem estendeu os braços juntos para frente e bateu as mãos uma na outra com força, resultando em um som agudo alto que emitiu uma pressão que lançou todos nós para trás.
Colocou meus braços na frente do corpo para me proteger da onda de choque e mantive os pés firmes no solo para não ser lançado contra as pedras.
— Por favor para! — exclamei.
— Não precisa acabar assim… — disse preocupado.
Amaterasu rapidamente se colocou a frente de nós, de costas e abriu os braços como se fosse nos proteger.
— Irmão, já chega! Eu não te traí! Não precisa ser desse jeito. — Amaterasu disse, nervosa.
Os cabelos negros da mulher pareciam ondular e flutuar conforme a pressão no local aumentava e o nosso redor esquentava.
Satoshi infundiu meu olhar com energia e eu pude perceber o fluxo percorrer aquelas duas figuras igualmente poderosas. A energia de Amaterasu irradiava, porém não o suficiente para nos machucar.
— Nós também somos capazes de lutar! — Kenshi disse e cerrou os punhos, convicto e furioso.
— Ela não quer lutar… Só precisamos acalmá-lo, conversar. — Kafka disse com razão.
Sora também cerrou os punhos e pareceu furioso, se pôs ao lado de Kenshi e encarou Tsukuyomi furioso que ofegava.
— Eu posso lutar. — Sora disse.
— Todos vocês…traidores! Que decepção!!! — Tsukuyomi esbravejou.
O semideus fez um movimento circular com as mãos e bateu as palmas uma na outra, o que gerou uma onda esférica de energia esbranquiçada violenta. A esfera energética expandiu e consumiu o que estava na sua direção.
Amaterasu rapidamente agiu e com seu poder gerou uma barreira de energia flamejante que nos protegeu do poder de Tsukuyomi que simplesmente destruiu a caverna, nos levando a céu aberto. O eclipse acabou.
— Pare com isso, Tsukuyomi!!! — Amaterasu exclamou com firmeza.
Sora e Kenshi dobraram as suas mangas e se aproximaram de Tsukuyomi com passos firmes. O principado de um olho só cerrou o punho direito e de dentro do buraco onde havia seu olho uma flor vermelha florece e suas tatuagens de flores brilham em vermelho e ele diz:
— Floresça.
Raízes florais brotam do braço direito de Kenshi e a tatuagem brilha escarlate quando ele dispara em velocidade na direção do oponente em sua frente.
— Aprisione! — Kenshi exclamou e se lançou na direção do semideus na tentativa de agarrá-lo com os espinhos e flores que brotavam de sua mão.
— Logo de cara usando duas chaves… Kenshi está completamente alucinado! — Kafka diz, preocupada.
Sora flanqueia Tsukuyomi e em velocidade avança preparando o punho para um soco diretamente na mandíbula do semideus.
Tsukuyomi com agilidade inclina seu tronco para trás e esquiva do agarrão de Kenshi, agarrando o braço do mesmo com uma fina camada de energia que protege sua mão e o lançou na direção de Sora, fazendo com que os dois se esbarrem e o poder do principado de um olho só atingisse seu companheiro.
Raízes, espinhos e flores se entrelaçaram nos membros de Sora e o lançaram machucado na areia do deserto. O principado resmunga e geme com dor, porém tenta se desvencilhar usando a força bruta, o que não funciona.
Kenshi fecha a palma e as raízes floridas que aprisionavam seu amigo desaparecem em um instante, como se o homem as comandasse.
Tsukuyomi rapidamente parte na direção de sua irmã e estende o braço para a agarrar, porém falha assim que a mesma se esquiva e tenta segurar o seu braço.
O semideus rebate com um tapa a mão de sua irmã e novamente se afasta. Sua expressão é de fúria e seus olhares logo fitam os dois principados caídos à frente.
— Que maldição, me deixe em paz!!!