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Capítulo 46 – Contra-ataque.

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Capítulo 46 – Contra-ataque.

# — Capítulo 46:

— Você precisa me ouvir, me entender! Nem tudo é como você pensa, Tsukuyomi. — Amaterasu disse com firmeza.

Tsukuyomi ofegava de irritação encarando sua irmã. Sem dar ouvidos a ela, avançou novamente e ergueu a perna ágil na direção da cabeça de Amaterasu.

Amaterasu antecipou o movimento e foi ágil. A mulher levantou o braço esquerdo e bloqueou firmemente o chute, o que fez a mesma ser arrastada alguns metros com o impacto.

Kenshi e Sora se ergueram, enquanto Kafka se manteve ao meu lado. Todos estávamos surpresos com o nível de poder.

“Existe um abismo tão grande…” Pensei, impressionado.

A pressão que aquela troca de golpes exalava era absurda, com a energia de ambos poderosos emanando e abalando todos nós.

Tsukuyomi disparou novamente e no caminho lançou arcos de energia na oponente apenas balançando os braços para a atacar em movimento, facilitando a antecipação.

Amaterasu dissipou o primeiro arco cortante com um tapa carregado de energia, em seguida esquivou do outro na direção de sua costela. Atenta aos golpes velozes à distância, ficou vulnerável ao avanço de Tsukuyomi.

Os cabelos alvos do homem esvoaçaram com a velocidade do seu movimento e ele aproveitou da distração que lançou então atacou o estômago de Amaterasu com um poderoso golpe de palma que expeliu energia e causou um impacto que a lançou metros de distância.

— Ei maldito! Como ousa?! Você vai pagar por isso!!! — Kenshi provocou e então a flor novamente floresceu de seu olho vazio.

As raízes entrelaçaram os braços do principado e os espinhos pareceram crescer. Sua feição era ainda mais furiosa, fitando Tsukuyomi que o encarava também raivoso.

— Kenshi não seja imprudente! Se nem mesmo Amaterasu pode contê-lo, você vai morrer desse jeito! — Kafka alertou, preocupada com o amigo.

Kenshi acelerou e alcançou Tsukuyomi rapidamente, já recitando a sua chave e com as raízes espinhosas no braço direito desferiu um corte na região do estômago do semideus. O principado balançou o braço em um movimento descendente e abaixou o corpo juntamente do ataque.

O mais alto apenas intensificou a energia que circudanva o seu corpo e já foi o suficiente para quebrar os espinhos com facilidade e deixar Kenshi impressionado e frustrado.

Vendo a cena, Sora partiu com urgência na direção do amigo. Tomado pela fúria o principado saltou uma altura impressionante e balançou a sua perna na direção do rosto do semideus, um chute carregado e poderoso.

O chute foi bloqueado pelo braço poderoso de Tsukuyomi que apenas fortificou o mesmo com o seu poder. Assim que defendeu o golpe, o mesmo balançou o braço e lançou o principado longe.

Eu estava jogado na areia, atônito, apenas observando todo o confronto que se desenrolava sem agir, sem conseguir. O abismo de poder parecia intransponível.

“Que merda, eu estou sendo um fardo…!” Reclamei comigo mesmo.

Vi Kafka se movimentar com velocidade e se aproximar dos dois amigos e do semideus enquanto Amaterasu ainda recobrava os sentidos e se erguia novamente. A mulher tomou Kenshi pelo braço e o arrastou pela areia junto consigo e tomou distância de Tsukuyomi.

— Você quer se matar?! — Kafka exclamou com Kenshi que resmungava.

— Eu preciso fazer alguma coisa, Satoshi! O que eu faço? — perguntei em desespero.

Imergi dentro do espaço mental e avistei Satoshi nitidamente estressado, pensando em algo, preocupado e também desesperado assim como os outros.

— Merda, eu não sei! Eu sou inútil preso aqui dentro. Não posso fazer nada!!! — Satoshi exclamou.

— Então saia! Eu te permito sair, você precisa ajudá-los. — respondi.

— Não é tão simples assim! Se eu tomar a sua consciência, o “você” pode ficar aprisionado pra sempre ou pior, deixar de existir. É arriscado demais!

— Então tenta! Eu posso resistir, eu consigo. Eu nunca vou me vingar sendo um covarde, eu preciso me arriscar!

Satoshi colocou as mãos na cabeça e pressionou, como se seus pensamentos voassem a mim. Após alguns instantes ele suspirou e me encarou seriamente.

— Tudo bem.

Em um instante meu espaço mental branco e vazio escureceu e se tornou totalmente preto. Mergulhei em uma escuridão onde apenas uma luz brilhava no horizonte, as janelas da minha visão.

“É tão estranho… Eu me sinto tão leve.” Pensei comigo mesmo e me acomodei no vazio escuro que eu flutuava.

— Não é tão ruim. — disse.

— É só o começo. Não se descuide. — a voz de Satoshi reverberou no vazio.

…

O cabelo que descia sobre o meu rosto estava loiro e apenas algumas mechas se mantinham pretas. Meus olhos amarelo e vermelho também continuaram, mas o semblante em meu rosto mudou.

Kafka olhou para mim confusa. Sora me observou e sorriu de canto enquanto Kenshi apenas assentiu com a cabeça.

— Bem-vindo de volta. — Sora disse.

Meus movimentos já não era mais controlados por mim, e eu apenas podia assistir mesmo que sentisse que o corpo se movia ao meu comando.

“Que sensação esquisita…”

— Vamos quebrar esse cara. — Satoshi respondeu.

Me movi com velocidade na direção de Tsukuyomi e antes que ele pudesse reagir me abaixei e passei a minha mão pela areia.

— Consumir. — recitei em uníssono com Satoshi.

O líquido negro revestiu minha palma quando o símbolo carmesim brilhou no dorso de minha mão e o ar chiou. A areia tocada pela minha mão e o bréu que a cobria desapareceu como se fosse destruída.

Balancei a mão para frente enquanto me movia e consumi a areia em um rastro até Tsukuyomi, o que fez o solo abaixo ceder e o homem afundar os pés.

Quando Tsukuyomi foi pego de surpresa e afundou os pés na areia, corri e saltei até o mesmo e com o fluxo envolvendo a minha mão direita soquei seu rosto.

Um golpe limpo que fez o homem virar o rosto e ficar atordoado por um instante, tempo o suficiente para Amaterasu se recompor e avançar novamente.

A mulher correu e saltou no irmão e com as mãos flamejantes agarrou seu braço e o puxou, logo em seguida desferindo um soco em brasas no seu rosto.

O impacto do ataque estremeceu onde estávamos e fez o homem recuar com o nariz escorrendo sangue.

— Maldita. — Tsukuyomi xingou.