Capítulo 47 – Desastre.
Capítulo 47 – Desastre.
Dei um passo firme e avancei até Tsukuyomi, Amaterasu me acompanhou. Juntos flanqueamos o homem que fitou nossos movimentos com cuidado mesmo em alta velocidade.
Lancei o punho esquerdo nas costelas do homem enquanto Amaterasu chutou a sua canela do outro lado. Tsukuyomi defendeu meu soco com o próprio cotovelo na altura do golpe, também esquivou do chute da irmã apenas movendo a perna em um passo rápido.
“Ele é bom…” Apreciei o combate.
Quando Amaterasu ergueu a mão direita para lançar outro golpe, o irmão se virou e agarrou seu pulso para cima. Aproveitei que ele estava de costas para mim e condensei energia no punho direito para golpeá-lo na coluna, porém fui surpreendido com um giro de corpo rápido e uma cotovelada no meu rosto.
— Seu otário! — Satoshi cuspiu o sangue que escorreu.
Tsukuyomi projetou lâminas de energia em formato de lua do seus antebraços e balançou um golpe cortante no peito de Amaterasu que o mesmo segurava pelo braço.
A mulher só teve tempo para mitigar o dano utilizando seu braço livre como escudo. Não conseguia competir com a força do irmão que a agarrava então saltou e projetou chamas de seus pés, chutando o peito do homem e se impulsionando para longe, finalmente se desvencilhando.
Levantei e entrei em postura de combate, com os pés firmes no chão e encarando Tsukuyomi que estava de costas para mim.
— Pra cima de mim, seu babaca!!! — Satoshi provocou.
Amaterasu se preparou ao ouvir a provocação. No instante que Tsukuyomi virou na minha direção a mulher correu e utilizou as chamas de propulsão. Em alta velocidade a mesma saltou e juntou as duas pernas flamejantes no ar, desferindo uma voadora poderosa nas costas do irmão.
O golpe foi violento e lançou o homem na minha direção, desequilibrado. Condensei poder no punho direito e lancei um soco poderoso no estômago de Tsukuyomi que voou até mim.
Afundei a mão no abdômen do semideus que gemeu de dor e cambaleou para trás com o impacto do golpe, levando as mãos até o estômago por um instante.
— Florescer.
Kenshi tocou na areia abaixo de si e as flores e raízes floresceram do seu olho e braço por baixo do solo até o semideus assim que o principado recitou a chave.
Os espinhos se entrelaçaram nos tornozelos de Tsukuyomi e perfuraram sua carne o fazendo sangrar. Sora correu até o semideus e lançou um soco violento na sua costela.
— Seus idiotas!!! — Kafka resmungou.
A mesma suspirou e resmungou consigo mesmo antes de avançar junto de nós. Kafka correu até o homem e lançou um chute no joelho do semideus que recobrou a consciência no mesmo instante.
Tsukuyomi moveu um passo e esquivou do golpe de Kafka, desferindo o contra-ataque em um instante, o homem girou e com a outra perna chutou o rosto do mulher e em seguida rotacionou e balançou a lâmina no antebraço na direção do rosto de Sora, marcando seu rosto com um corte horizontal que logo escorreu sangue e banhou a metade de baixo da sua face.
— Maldito!!!
O homem alto caminhou imparável até Sora que se erguia com dificuldade. De frente para o outro, lhe encarou de cima com um semblante sério e frio.
— Vocês são corajosos, mas isso não basta. Vocês traíram o próprio povo e a sentença já foi dada. — as palavras duras estremeceram o coração de todos presentes.
Tsukuyomi ergueu a mão sobre a cabeça de Sora e sua palma emitiu um clarão e um feixe de energia disparou na testa do principado que rangia os dentes, cheio de ímpeto e fúria.
“Não!!!” Exclamei com a alma.
Me lancei sobre as costas do homem e com as palmas tocando seus ombros e Satoshi entoou a chave do poder que estava inscrita na alma.
— Consumir!
O símbolo carmesim brilhou no dorso da mão que escureceu completamente, banhada no bréu do poder. A escuridão nas mãos queimou o ar e o homem agiu de imediato, receoso com o efeito do toque.
Tsukuyomi girou rapidamente e ergueu a perna em um chute no meio do meu peito, o que me lançou alguns metros longe. Vi Kafka se aproveitar da situação e ligeiramente resgatar Sora que estava gravemente ferido.
Me senti afundar ainda mais no vazio da minha mente quando a fadiga consumiu meu corpo. A voz de Satoshi ecoou pelo abismo:
— Ei, Ken! Tente permanecer consciente, entendeu? Vai ficar tudo bem…
Me senti cada vez mais fraco, como se houvesse um peso enorme sobre minhas pálpebras e um conforto em todo corpo conforme afundava e me distanciava das janelas da visão.
Podia ver através das turvas janelas da visão que Tsukuyomi correu até Kafka e Sora que tentaram escapar porém rapidamente foram alcançados pelo homem sedento por sangue.
— Cansei de conter o meu poder… Todos vocês merecem o fim.
Tsukuyomi ergueu os dois braços e materializou duas lâminas gigantes em formato de lua feitas de pura energia. Ele segurava elas acima da própria quando lançou contra os principados caídos sobre seus pés.
“Mas que porra é essa…?” Desesperado tentei me mover na profunda escuridão que me manteve imerso, quase dormente.
A energia em formato de lua cortou violentamente os corpos de Sora e Kafka que não puderam reagir, sendo totalmente dilacerados.
— DESGRAÇADO MALDITO!!! — Kenshi gritou em completa fúria.
O principado correu furioso até o homem alto que apenas olhava para os seus amigos mortos sobre a areia como se fossem nada.
As raízes espinhosas enrolaram o braço de Kenshi e floresceram rosas através da extensão e até mesmo do olho que faltava. Ele correu até o homem e os espinhos que se entrelaçaram formaram uma grande e afiada ponta letal.
Tsukuyomi apenas ergueu o braço lentamente conforme Kenshi se aproximava, sem virar o corpo, parado no mesmo lugar.
“Kenshi não!!!” Exclamei dentro de mim mesmo.
A voz de Satoshi ecoava baixa dentro do vazio mesmo que ele gritasse com todas as suas forças. Já não me alcançava mais em meio todo aquele desespero.
“Onde está Amaterasu?! O que eu faço?!”
Tsukuyomi não foi tocado. O homem segurou Kenshi pelos cabelos e o ergueu no ar. O principado balançou o grande espinho formado no seu braço.