Capítulo 33 — Identificação de Selos
Capítulo 33 — Identificação de Selos
Hugh tinha acabado de pegar o lápis quando o Sr. Holland entrou na sala de aula.
Ele trazia uma bandeja de papel sobre a qual, de maneira bastante evidente, havia duas coxas de frango frito.
A crosta dourada e crocante ainda brilhava de óleo, e o aroma tostado da farinha de rosca se espalhava desde a porta até a primeira fileira.
O banheiro e o refeitório ficavam em direções diferentes. Ele provavelmente tinha ido comprar as coxas de frango de propósito e nem sequer havia passado pelo banheiro.
Hugh olhou fixamente para as duas coxas, e seus olhos imediatamente se iluminaram.
O Sr. Holland colocou a bandeja de papel sobre as carteiras dos dois alunos.
— Passei pelo refeitório, senti o cheiro e comprei por impulso.
As duas coxas de frango que ele comprara por impulso não incluíam nenhuma para si.
Ele empurrou a bandeja na direção dos dois alunos, sentou-se na segunda fileira e tirou um lenço do bolso para limpar o óleo dos dedos.
— Depois de treinar a tarde inteira, vocês não vão conseguir nem andar se não comerem alguma coisa.
Hugh já não tinha como se dar ao luxo de ser educado. Agarrou uma coxa com as duas mãos e deu uma grande mordida.
A casca estava crocante e estalou entre seus dentes, enquanto o suco da carne se espalhava por sua boca.
Depois de mastigar duas vezes, uma expressão de satisfação quase religiosa surgiu em seu rosto. Comparada à coxa de frango que ele havia desenhado antes, a verdadeira obviamente era muito mais convincente.
Richard pegou a outra e deu uma mordida.
Os três se reuniram ao redor da primeira fileira de carteiras: dois alunos devorando coxas de frango e um professor sentado atrás, limpando as mãos.
Acima do quadro-negro, a placa com o lema da escola, “ Lux Rationis Semper Vincit ”, contemplava a cena.
Provavelmente nem ela esperava que, sob a luz da razão, professores e alunos transformassem aquele lugar em um piquenique.
O Sr. Holland recostou-se na cadeira e lançou um olhar para Hugh.
— Hugh, você está com uma aparência péssima.
Hugh estava com a boca cheia de carne de frango e respondeu de maneira indistinta:
— Não dormi bem ontem à noite.
— Estudando para recuperar o atraso?
— Não era estudo… — Hugh mastigou duas vezes e engoliu a carne, um pouco constrangido. — Eu estava ouvindo a transmissão do jogo.
— Qual?
— O jogo fora de casa do Stanfield.
O lenço do Sr. Holland parou entre seus dedos.
— Aquele que terminou em dois a dois?
Hugh levantou a cabeça, ainda com algumas migalhas de farinha no canto da boca.
— O senhor também ouviu?
— Não ouvi a transmissão. Li no jornal esta manhã.
O Sr. Holland dobrou o lenço e o guardou no bolso. Seus três queixos se amontoaram sobre a gola da camisa.
— Aquela bola no acréscimo, que bateu na trave e voltou… foi o McKinney que chutou?
— Foi! Foi ele! — Os olhos de Hugh brilharam.
Entre os torcedores dos times da cidade existe uma espécie de entendimento que atravessa gerações. Normalmente, esse entendimento nasce de uma decepção compartilhada: ano após ano, eles esperam; ano após ano, justamente no momento mais importante, a trave, um rebote ou o próprio destino os manda de volta para casa. 1
Mas, quando o rádio volta a tocar no dia seguinte, quem deveria estar ao lado dele continua ali.
Mastigando sua própria coxa de frango, Richard observava a interação entre os dois com uma sensação de estranheza.
Pouco mais de dez minutos antes, o Sr. Holland ainda era aquele professor severo que arrastava cadeiras para produzir ruído e corrigia a pronúncia com o rosto fechado.
Agora estava sentado ao lado do aluno, de pernas cruzadas, conversando sobre bolas na trave esquerda e cabeçadas de rebote, enquanto seus três queixos tremiam levemente conforme falava.
— Sr. Holland — Hugh ergueu a cabeça de repente.
— Hum?
— Na próxima quarta-feira, o Stanfield joga em casa contra o Bolton. O jogo começa às sete e meia.
Ele tirou o lápis de trás da orelha e o girou entre os dedos.
— O senhor quer… ouvir a transmissão comigo?
O Sr. Holland pareceu surpreso.
— Você está convidando seu próprio professor para passar a noite sem dormir ouvindo uma partida?
— O senhor não disse que assistiu a três temporadas inteiras sem perder um jogo…
— Isso foi quando eu era jovem. Agora sou um homem de meia-idade que precisa acordar cedo para dar aula.
Ao passar por Hugh, tirou o lenço do bolso.
— Limpe a boca. Está toda cheia de gordura.
Hugh rapidamente passou o lenço no rosto, levantou-se e começou a dobrá-lo para devolvê-lo.
— Pode ficar. Já está sujo mesmo.
O Sr. Holland prendeu o material das aulas debaixo do braço.
— Amanhã, no mesmo horário. Prepare também os trechos do segundo discurso, com as duas versões.
Ele abriu a porta e caminhou alguns passos para fora, mas então se virou.
— Hugh.
— Sr. Holland!
— Vá dormir cedo hoje. Não ouça a transmissão. Se voltar a cochilar na aula, não vou ser nada gentil com você.
A porta se fechou.
Hugh permaneceu parado, olhando para o lenço.
Era de linho, com um “H” bordado em letra cursiva no canto. Os pontos eram delicados e, embora tivesse sido lavado muitas vezes, o tecido não estava puído.
Um lenço que certamente não era barato, e que seu dono cuidava muito bem.
— Ele é uma pessoa muito boa — murmurou Hugh.
— É claro que é — disse Richard, jogando o osso da coxa de frango no lixo.
— Eu sempre achei que o Sr. Holland fosse um daqueles professores muito assustadores.
— Ele não é assustador. Você simplesmente ficou traumatizado porque ele já te chamou muitas vezes para responder nas aulas de latim e você não soube responder.
— É verdade. — Hugh soltou uma risadinha.
Dobrou cuidadosamente o lenço, guardou-o no bolso e deu alguns tapinhas para se certificar de que estava bem colocado.
— Quando eu voltar, vou lavá-lo direito. Para tirar manchas de gordura, é só deixá-lo de molho em água fria e depois esfregar com sabão. Minha mãe já me ensinou.
Quando os dois pegaram as mochilas e caminharam até a porta, os passos de Hugh estavam visivelmente mais leves.
— Richard.
— Hum?
— Você não fica cansado de ficar tanto tempo em pé? Antes você não conseguia ficar dez minutos sem sentir tontura?
— Tenho treinado ultimamente.
— Você mudou bastante ultimamente. — Hugh suspirou. — Suas notas melhoraram, seus reflexos ficaram mais rápidos e agora consegue ficar quarenta minutos em pé sem ficar tonto… Não me diga que tomou algum elixir milagroso?
— Tomei. Chama-se “comer direito e dormir direito”.
— Então por que não funciona comigo, se eu tomo todo dia?
— Porque você não dorme direito.
— É verdade. — Ele admitiu prontamente.
Quando chegaram à porta da sala, Hugh falou de repente:
— Quando você for à Capital Imperial para a competição, eu não vou conseguir ajudar muito… mas, quando você voltar, eu pago sua primeira refeição.
— Você paga?
— Já estou juntando minha mesada há duas semanas. — Ele abriu um sorriso, e a franja balançou sobre a testa. — Dá para pagar uma tigela de sopa de rabada com tomate.
— Está bem. Você paga a primeira, eu pago a segunda.
— Você já está organizando tudo direitinho.
Na última semana, Richard também terminou de examinar todos os livros restantes da estante do terceiro andar.
Livro por livro, ele verificou cada um; trecho por trecho, decifrou os textos ocultos. As anotações nas folhas brancas se acumulavam cada vez mais.
A maior parte do conteúdo cifrado se sobrepunha ao que ele havia encontrado nos primeiros livros.
Os mesmos termos, a mesma estrutura de classificação, apenas com diferenças de formulação e de ênfase, além de uma ou outra informação complementar que não aparecera anteriormente.
As informações realmente novas estavam concentradas em dois livros.
Dentro das páginas de uma brochura fina havia diagramas desenhados à mão, mostrando algumas estruturas comuns de selos de baixo nível.
Selos sobre prata, selos sobre cobre, selos gravados em pedra e selos de madeira. Cada um dos quatro meios tinha suas próprias aplicações.
A prata era a mais estável, adequada para selos passivos que precisavam ser mantidos por longos períodos.
O cobre conduzia éter com a maior eficiência, sendo apropriado para selos ativos que precisavam ser ativados com frequência.
A pedra tinha a maior capacidade, mas era difícil de gravar, sendo usada principalmente em grandes selos permanentes.
A madeira era a mais leve e também a mais frágil, adequada apenas para emergências temporárias.
O livro também abordava a gramática básica dos símbolos de inscrição.
Traços retos e angulares representavam restrição; linhas curvas representavam condução.
A essência das inscrições de selamento era dar instruções ao campo de éter por meio de uma linguagem geométrica: trancar aquilo que estivesse dentro de uma determinada área, não permitindo que entrasse nem saísse.
Os trechos cifrados do outro livro eram ainda mais detalhados. Eles apresentavam diagramas de três estruturas básicas de selamento, acompanhados dos tipos de entidades malignas para os quais cada estrutura era adequada e de seus respectivos ciclos de manutenção.
Richard comparou essas informações com o selo na base daquela lamparina de óleo da esfinge.
Um círculo envolvendo um triângulo, com linhas curtas se estendendo pelos três lados do triângulo.
O círculo significava “delimitar o alcance”; o triângulo, “ancorar o conteúdo”; as linhas curtas eram “válvulas de segurança para liberar o excesso de éter”.
Uma estrutura padrão, um selo perfeitamente adequado aos livros didáticos.
O projetista era extremamente profissional. Cada símbolo estava exatamente em seu devido lugar.
Ele conseguia até determinar aproximadamente quando e por qual escola aquela inscrição havia sido estabelecida.
A direção da curvatura das linhas curtas correspondia aos hábitos de escrita das inscrições sacerdotais do curso médio do Rio de Terra Negra. A época provavelmente era pouco posterior à fundição da lamparina de óleo.
A análise teórica havia chegado até aquele ponto.
Naturalmente, a próxima pergunta surgiu: É possível abri-lo?
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- Nosso Hexa… ↩