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Capítulo 54 — Capela de Santo Agostinho

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Capítulo 54 — Capela de Santo Agostinho

As mudanças trazidas pela ativação da habilidade Comer puderam ser sentidas já na primeira refeição.

Não era apenas o fato de conseguir comer mais. Depois de ingerir a mesma quantidade de comida, a sensação de saciedade permanecia por mais tempo. Antes, duas horas depois de comer ele já começava a sentir fraqueza; agora, ainda tinha energia até o meio-dia.

As mudanças mais sutis só apareceram no terceiro dia. Ele percebeu que suas unhas estavam crescendo mais rápido.

Unhas crescendo depressa significavam que a síntese de queratina estava mais eficiente, o que confirmava que a eficiência da absorção de proteínas estava realmente aumentando.

Originalmente, mais da metade dos nutrientes presentes nos alimentos era desperdiçada. Agora, seu corpo começava a transformar na própria energia tudo aquilo que conseguia absorver.

As melhorias trazidas pela habilidade Dormir eram ainda mais evidentes.

Na primeira noite, ele adormeceu menos de três minutos depois de se deitar.

Antes, levava pelo menos dez a quinze minutos para pegar no sono. Seus pensamentos ficavam indo e voltando, enquanto ele mudava de posição sete ou oito vezes debaixo das cobertas antes de finalmente conseguir relaxar.

Agora, o processo de adormecer era tão fluido que chegava a ser exagerado. Assim que sua cabeça tocava o travesseiro, o ritmo da respiração automaticamente passava para um padrão de ondas lentas, e sua consciência era suavemente envolvida por aquela sensação.

A profundidade do sono também havia aumentado. Durante três noites seguidas, ele dormiu até o amanhecer sem acordar uma única vez.

Na manhã do quarto dia, quando se levantou, viu no espelho um rosto que até para ele parecia um pouco estranho.

Seus olhos estavam mais brilhantes.

Embora ainda não chegassem ao ponto de irradiar uma luz intensa, o branco dos olhos estava mais claro e as pupilas, mais nítidas.

As três habilidades de Corpo funcionando em conjunto realmente produziam um efeito que se acumulava de maneira quase exponencial. Respirar otimizava o fornecimento de oxigênio; Comer otimizava a absorção de nutrientes; Dormir otimizava a recuperação durante a noite.

Aquilo que era ingerido durante o dia era absorvido com eficiência e, durante o sono, aproveitado de maneira igualmente eficiente, enquanto a respiração continuamente otimizada servia de base para todo o processo.

O pote quebrado estava sendo consertado aos poucos.

Ele voltou a se sentar diante da escrivaninha e reabriu o livro sobre Cícero. Sua disposição estava quase luxuosamente boa, e sua mente funcionava a toda velocidade.

As barras de progresso no painel também avançavam de maneira constante.

【Respirar nível 2】 Progresso: 46%

【Conhecimento nível 2】 Progresso: 26%

【Dormir nível 1】 Progresso: 3%

【Comer nível 1】 Progresso: 2%

As quatro linhas avançavam ao mesmo tempo, cada uma seguindo em ritmo constante rumo ao próprio objetivo.

No dia da Taça Cícero, a Capital Imperial finalmente teve um raro dia de céu aberto.

A família Ashford enviou uma carruagem para levá-lo até lá. O cocheiro parou na área de carruagens a oeste da capela.

— Jovem mestre, estarei esperando pelo senhor na Praça de Santo Agostinho depois da competição.

— Certo.

Richard desceu da carruagem com a mochila na mão.

Não demorou para encontrar a equipe de Greenwood no meio da multidão.

Holland estava parado sob uma coluna de pedra ao lado da entrada lateral da capela, segurando uma folha dobrada na mão, provavelmente o programa ou a tabela da competição.

Ao ver Richard se aproximar, o homem de meia-idade calvo o examinou de cima a baixo.

— Você ganhou um pouco de carne ultimamente?

— Talvez a comida da Capital Imperial seja um pouco melhor.

Sr. Holland deu um tapinha em seu ombro e, depois, apertou-o uma vez.

— Não. Você realmente parece um pouco mais forte. O que está comendo todos os dias na residência dos Ashford?

— Ovos fritos, bacon, leite… Enfim, o quanto eu quiser.

— Eu sabia. Só com o estômago cheio o cérebro consegue funcionar direito.

Sr. Holland sacudiu a folha que tinha nas mãos e a abriu. Nela estava o cronograma da competição daquele dia.

— Tem ficado acordado até tarde estudando? Está com disposição suficiente?

— Estou.

— Ótimo.

Ele dobrou novamente o papel. O bolso do paletó não era fundo o bastante, então uma das pontas ficou para fora.

Ao lado deles estava Sr. West, com as mãos nos bolsos do sobretudo e o distintivo de Greenwood preso ao peito.

Sua expressão era completamente diferente daquela postura avaliadora que demonstrara na pequena exposição da última vez. Hoje, ele tomou a iniciativa de assentir para Richard.

— Está preparado?

— Estou, senhor.

Sr. West fez um “hum” e voltou os olhos para a multidão na praça.

Uma professora estava parada ao lado dos dois homens.

Ela tinha cabelos escuros e cacheados, com um par de óculos de armação dourada sobre a ponte do nariz.

Ela também estivera na sala de aula em degraus durante a pequena exposição anterior. Richard se lembrava daquele rosto, mas naquela ocasião não tivera oportunidade de conhecê-la.

— Esta é a Sra. Gran — apresentou Sr. Holland. — Do grupo de pesquisa de retórica.

Sra. Gran inclinou levemente a cabeça.

— Ouvi sua apresentação de teste da última vez. Estou ansiosa para ver seu desempenho oficial hoje.

— Obrigado.

— Está nervoso?

— Mais ou menos.

— “Mais ou menos” significa que está um pouco nervoso.

Sra. Gran empurrou os óculos para cima.

— Um pouco de nervosismo é bom. Significa que você leva isso a sério.

Richard olhou para o outro lado. Dois alunos veteranos estavam agachados ao lado de uma coluna de pedra.

Um deles estava remexendo em alguma coisa dentro da mochila; o outro mantinha as duas mãos nos bolsos enquanto olhava para o teto abobadado da capela.

Ao perceber que Richard havia chegado, o que estava folheando alguma coisa levantou a cabeça.

— Williams.

— Olá.

— Meu nome é Palmer, e este é Hutchinson.

Ele apontou para o colega.

Hutchinson desviou o olhar da cúpula e assentiu para Richard.

— Você é o gênio dos discursos de quem Sr. Holland falou?

— Não sou nenhum gênio. Sou apenas o competidor da escola.

— Nós viemos só para cumprir tabela.

Palmer deu um tapinha no livro didático que segurava e foi bastante sincero:

— Já folheei isto três vezes e ainda não consegui decorar. Até agora não sei dizer se o perfeito dos verbos da primeira conjugação é i ou isti .

Hutchinson entrou na conversa:

— Pare de arrumar desculpas para si mesmo. Eu nem sequer abri o livro.

Palmer olhou para ele.

— Então veio fazer o quê?

— Sr. West disse que podemos ganhar um crédito de atividades sociais.

— …Você veio até a Capital Imperial por um crédito?

— A passagem de trem é reembolsada.

Depois de dizer isso, Hutchinson pensou por um instante.

— E ainda dá para passear pela Capital Imperial. Você conhece aquela casa de tortas perto da Estação King’s Cross? Minha prima disse que a torta de rim de boi deles é a melhor de todo o Império.

— E eles servem com molho de mostarda?

Palmer também se animou.

— Claro. Dizem que eles mesmos preparam o molho e colocam uma raiz inteira de raiz-forte.

Sr. West não conseguiu evitar interromper a conversa:

— Vocês dois, quando subirem ao palco, não vão me fazer o favor de errar a leitura…

Palmer acenou com a mão.

— Fique tranquilo. Pretendo chegar até o terceiro parágrafo e então fingir que minha garganta está doendo para descer.

Hutchinson olhou para ele.

— Você não tem vergonha?

— Se eu conseguir o crédito, já está bom. Para que preciso de vergonha?

Os dois se entreolharam e riram ao mesmo tempo.

Richard também riu.

Ele ainda estava preocupado que os alunos veteranos talvez tivessem alguma objeção ao fato de um aluno mais novo representar a escola na competição.

Agora, porém, percebeu que havia se preocupado à toa.

Os dois tinham seu próprio ritmo e seus próprios planos: um estava ali pelo crédito, o outro pelas tortas. A tarefa que Greenwood lhes dera era simplesmente comparecer. E eles haviam comparecido.

Quanto ao resultado, aquilo era problema de Richard.

Sr. Holland varreu a praça com os olhos.

— A equipe de Eton chegou.

Ele apontou para um grupo de pessoas no lado leste da praça.

Alguns jovens impecavelmente vestidos desceram de duas carruagens de quatro rodas.

O rapaz que vinha à frente tinha cabelos loiros e uma figura esguia. Cada dobra de seu uniforme parecia ter sido medida com uma régua.

Ele conversava com o professor ao lado e, ocasionalmente, virava a cabeça para sorrir para os colegas. Seu sorriso era descontraído.

Aquela descontração não era algo que ele tentava demonstrar. Vinha da certeza de alguém que sabia, desde o nascimento, que venceria. Não havia como encontrar ferocidade em alguém assim, porque a ferocidade era algo de que somente aqueles sem recursos precisavam.