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Capítulo 61 — Tia Isabella

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Capítulo 61 — Tia Isabella

Após a cerimônia de premiação, o Sr. Holland veio rapidamente da área dos espectadores.

Ele praticamente atravessou metade do salão correndo e, assim que chegou, passou um braço sobre o ombro de seu aluno.

— Richard.

— Senhor.

O homem de meia-idade e careca parecia querer dizer alguma coisa bonita, mas achou que soaria sentimental demais. No fim, conseguiu espremer apenas uma frase:

— Você honrou todo o Greenwood.

— Obrigado, senhor.

— Não me agradeça. Agradeça a si mesmo.

Sua mão bateu com força no ombro de Richard.

— Quando voltar, estude direito. Não fique convencido.

— Entendido.

O Sr. West aproximou-se. Não disse nenhuma palavra desnecessária, apenas estendeu a mão.

Richard apertou-a.

Ao lado deles, a Sra. Grant assoou o nariz. Provavelmente vinha contendo as emoções desde o fim da segunda rodada e, agora, finalmente não conseguira mais segurá-las.

— Sra. Grant, está tudo bem? — perguntou o Sr. Holland, preocupado.

— Estou ótima.

Ela guardou o lenço no bolso e ergueu a cabeça.

Os olhos por trás dos óculos de armação dourada estavam vermelhos e brilhantes.

— É só que achei que Richard falou muito bem. Só isso.

Palmer e Hutchinson vieram do canto da plateia, ainda carregando os embrulhos de papel dos pastéis que haviam terminado.

Palmer amassou o papel, jogou-o na lixeira ao lado e bateu as mãos para tirar a gordura.

— Richard, falando sério. — Ele inclinou a cabeça e olhou para Richard. — Você estava escondendo suas habilidades na escola esse tempo todo?

— Não.

— Então como é que, de repente, você ficou tão bom em falar?

— Tive uma febre, pensei em muitas coisas e acabei entendendo algumas delas.

Richard recorreu à explicação que servia para qualquer pessoa.

— Caramba. Todo ano, durante a temporada de gripe, vou pegar uma febre também. Quem sabe não acabo iluminado.

Hutchinson deu um tapa na nuca de Palmer.

— Mesmo que seu cérebro cozinhe, você não vai ficar mais inteligente.

— Como sabe se não tentar?

— Porque você ficou em terceiro de baixo para cima.

— Ainda existem dois piores do que eu\!

— … E isso é motivo para se orgulhar?

Os dois seguiram em direção à porta enquanto discutiam.

Palmer andou alguns passos, depois voltou-se. Pela primeira vez, assumiu uma expressão séria.

— Richard, vai voltar conosco? Eu te pago uma torta de rim bovino.

— Não precisa. Tem um carro vindo me buscar.

— Olha só, ficou importante. — Palmer assobiou. — Tudo bem, então desejo que você continue assim, cheio da grana.

Depois disso, os vencedores ainda seriam convidados para participar de uma recepção acadêmica com chá.

A recepção acontecia em uma sala de visitas anexa. O teto era consideravelmente mais baixo que o do salão principal, mas a decoração era mais refinada.

Três mesas compridas estavam dispostas ao longo da parede sul, cobertas com toalhas brancas e repletas de utensílios para chá e doces. As xícaras e pires de porcelana estavam organizados em fileiras impecáveis, cada xícara acompanhada por uma pequena colher banhada a prata.

Os doces eram servidos no estilo da Capital Imperial, em suportes de três andares.

No andar inferior havia sanduíches de dedo; no intermediário, scones acompanhados de creme e geleia; no superior, várias fileiras de pequenos bolos delicados.

Sua irmã provavelmente ficaria com os olhos brilhando ao ver uma torre de doces dessas. Richard sentiu por ela um breve pesar por não estar ali.

Participantes e avaliadores misturavam-se uns aos outros, andando de um lado para o outro com suas xícaras nas mãos, trocando cartões de visita e palavras de cortesia. Na comunidade acadêmica, esse tipo de recepção provavelmente era tão corriqueiro quanto o chá da tarde em um distrito fabril. A diferença estava apenas na qualidade do chá e no grau de especialização das conversas.

Richard pegou uma xícara de chá preto da mesa comprida e foi para um canto próximo à janela.

Ele não tinha talento nem gosto para esse tipo de ocasião.

Ficar no meio das pessoas segurando uma xícara, manter um sorriso apropriado, dizer algumas palavras irrelevantes e então encontrar uma oportunidade para escapar… Todo o processo era, para ele, na verdade mais cansativo do que decifrar códigos.

Códigos ao menos tinham padrões que podiam ser seguidos. As formalidades sociais, não.

Assim que se instalou no canto, preparando-se para terminar o chá e ir embora, uma voz veio da esquerda:

— Você é o filho da minha irmã.

Richard virou a cabeça. Isabella estava a alguns passos de distância, segurando uma xícara de porcelana branca. Ela havia trocado o conjunto azul-marinho que usara na mesa dos avaliadores. Agora vestia um longo vestido de tricô.

Um fino colar de prata pendia de seu pescoço. Havia alguma coisa presa à extremidade, escondida pelo colarinho.

Essa tia tinha de sete a oito décimos das feições de sua mãe, mas sua personalidade era completamente diferente.

Mesmo nos dias em que sua saúde ainda estava razoavelmente boa, sua mãe sempre transmitia uma sensação de fragilidade. Ao andar, costumava pressionar o peito, e sua voz era tão baixa que era preciso inclinar o ouvido para escutá-la.

Os contornos do rosto de Isabella eram igualmente delicados, mas seus olhos sempre carregavam certo ar de escrutínio quando olhavam para alguém.

Era como se estivesse sempre esperando você dizer alguma coisa inadequada, para então corrigi-lo.

— … Tia.

— Aqui, pode me chamar de Sra. Ashford. — Ela corrigiu o tratamento, sem parecer fria.

Em um ambiente acadêmico, usar um tratamento de parentesco facilmente faria as pessoas ao redor começarem a especular.

Richard assentiu.

Isabella puxou uma cadeira ao lado e sentou-se junto dele.

— Seu discurso da segunda rodada foi muito interessante.

Ela segurava a xícara, enquanto o vapor do chá se espalhava diante de seus olhos e sobrancelhas.

— Os canos dentro da parede… De onde você tirou essa metáfora?

— Li em um livro e acrescentei algumas reflexões próprias.

— É mesmo?

Isabella levou a borda da xícara aos lábios e tomou um pequeno gole.

— Paracelso usou uma analogia quase idêntica no terceiro volume de Sobre a Natureza das Coisas 1 .

Enquanto dizia isso, não desviou os olhos. Seu olhar permaneceu fixo no rosto de Richard.

— Ele falou do “mercúrio que flui pelos ossos das construções”. Sua versão substituiu isso por tubulações, o que se adapta melhor à estrutura cognitiva do público moderno. Foi uma adaptação muito inteligente.

Richard afastou a xícara dos lábios.

— Conheço o nome Paracelso, um dos pioneiros da alquimia moderna, mas nunca li a obra original.

O termo “Infusão” também havia sido cunhado por Paracelso, e seu avô já o mencionara no escritório.

Mas, de fato, Richard nunca tivera a oportunidade de entrar em contato com o texto original.

— Meu pai me contou sobre você antes da competição. Agora que vejo com meus próprios olhos, realmente parece que você tem talento para esse ramo.

Isabella falou com absoluta convicção:

— O discurso que você construiu em quinze minutos… a estrutura lógica, a escolha das palavras, as camadas das metáforas… tudo ultrapassou o nível que sua idade e formação deveriam permitir.

Ela pegou a xícara da pequena mesa e tornou a colocá-la sobre a superfície.

— Você deve saber como sua pontuação da segunda rodada foi composta. Nos quesitos de compreensão retórica e profundidade de expressão, você recebeu a nota máxima da maioria dos avaliadores.

— Montague só foi superior a você na parte técnica. Essa diferença pode ser compensada com um ou dois anos de treinamento especializado.

— Mas aquilo que você demonstrou na segunda rodada…

Ela tocou suavemente a superfície da pequena mesa com o dedo indicador.

— Montague e Catherine são ambos excelentes. Um tem uma base profunda; a outra, um talento afiado e evidente.

— Mas os discursos dos dois permaneceram dentro do significado convencional da palavra “civilização”.

— Você saiu desse enquadramento e levou a discussão para outro nível.

— Usou uma imagem cotidiana que todos conseguem compreender como recipiente e colocou dentro dela um conteúdo muito além do cotidiano.

— Quem consegue fazer isso ou leu o suficiente, ou pensou profundamente o suficiente, ou possui as duas coisas.

Depois de terminar, ela tirou um cartão de visita da bolsa que estava aos seus pés.

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  1. Nome original do livro é: De Natura Rerum ↩