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Capítulo 67 — Segunda Classe

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Capítulo 67 — Segunda Classe

Na sala de jantar, a família já esperava havia bastante tempo.

Quando Evelyn o viu entrar, baixou a colher.

— Mano, por que você saiu tão cedo e ainda por cima não me levou?

— A Universidade Imperial não deixa qualquer um entrar.

— Eu não sou qualquer uma. Posso esperar você lá fora.

— Esperar do lado de fora da universidade o dia inteiro?

A garota imaginou a cena por um instante e também achou que não teria graça nenhuma. Resmungou alguma coisa e voltou a enterrar a cabeça na tigela de sopa.

A mãe lançou um olhar para Richard, mas não perguntou por que ele fora à biblioteca.

Ela colocou um pedaço de carne de coxa de frango no prato dele.

— Coma mais. Você deve ter estudado bastante hoje, não?

— Sim.

Do outro lado, o pai comia em silêncio, levantando os olhos para ele de vez em quando.

Durante aqueles dias na casa dos Ashford, Roger tivera uma presença bastante discreta.

Ele não se intrometia nos assuntos entre o sogro e o filho, nem tentava deliberadamente estreitar relações com a família Ashford. Fazia o que tinha de fazer: comia na hora das refeições, dormia na hora de dormir.

Mas, sempre que o filho voltava, ele lançava casualmente um olhar para o relógio da sala.

Era a maneira de dizer: já está quase na hora de nossa família voltar para casa.

Na manhã seguinte, antes de partir para a estação ferroviária, Richard se despediu do avô materno na sala de estar.

Gerard estava sentado no lugar de sempre, esperando por ele.

— Quando pretende voltar à Capital Imperial?

— Depende das circunstâncias — disse Richard. — Se tudo correr bem, o senhor deve conseguir me ver durante as férias de verão.

Gerard assentiu. Não demonstrou surpresa alguma com a decisão do neto de retornar tão rapidamente a Bristol.

— Sempre deixarei aquele seu quarto reservado. Quando quiser vir, pode vir a qualquer momento.

— Obrigado, avô.

Richard carregou a mala para fora da mansão Ashford. O vento de outono soprava desde o fim da rua.

A viagem à Capital Imperial lhe trouxera muitas coisas.

A gárgula, o prêmio da competição, a Rua das Flores da Lua, a recomendação da Sociedade de Estudos Clássicos, os conhecimentos copiados da biblioteca, as informações reveladas por Isabella… cada uma dessas coisas ainda fermentaria lentamente nos dias que viriam.

Os quatro membros da família estavam no saguão de bilheteria da Estação Central da Capital Imperial.

— Quatro passagens de segunda classe para Bristol.

Richard entregou o dinheiro pela janela.

Sua mãe estendeu a mão para impedi-lo, mas ele já havia recebido as passagens.

— Esse dinheiro você deveria guardar para depois…

— Já comprei. Não dá para devolver.

Margaret observou o filho separar as passagens e entregar uma a cada pessoa. Seus lábios se moveram, mas, no fim, ela não disse nada.

Quando o pai recebeu a sua, apertou o papel entre os dedos.

Segunda classe. A passagem de ida custava quase o dobro da terceira classe e, para quatro pessoas, representava uma quantia considerável.

— Eu originalmente queria comprar primeira classe — disse Richard enquanto desabotoava o casaco, num tom despreocupado.

Evelyn foi a primeira a protestar:

— Primeira classe? Você enlouqueceu? Uma passagem de primeira classe custa mais de uma libra por pessoa\!

A mãe imediatamente ficou do lado da filha:

— Segunda classe já está ótima. Com o dinheiro da primeira classe, você poderia comprar vários livros.

O pai também entrou na conversa:

— Esses trinta libras foram ganhos na competição. Você ainda vai precisar gastar dinheiro com seus estudos. Se começar a gastar assim agora, depois vai acabar passando fome.

Os três o pressionaram de três ângulos diferentes e, para sua surpresa, estavam estranhamente de acordo.

Richard percebeu uma coisa: em nenhum momento, direta ou indiretamente, qualquer um deles sugeriu que ele deveria usar aquele dinheiro para ajudar nas despesas da casa.

O pai não disse. A mãe não disse. Evelyn, muito menos.

Trinta libras eram suficientes para cobrir as despesas de vida da família por bastante tempo.

Mas a atitude dos três era a mesma: esse dinheiro é seu. Use-o para fazer algo importante.

Richard guardou as passagens e carregou a mala em direção à plataforma.

O vagão de segunda classe era muito melhor que o de terceira.

Os assentos eram acolchoados, com molas sob o revestimento de tecido. Embora o tecido estivesse um pouco gasto e começasse a desfiar, era muito mais confortável do que aqueles bancos de madeira rígida e lisa da terceira classe.

Não havia gaiolas de galinha, sacos de estopa ou passageiros espremidos uns contra os outros. O ar também não carregava aquela mistura de cheiro de animais e tabaco barato.

Os assentos ficavam frente a frente em duas fileiras, separadas por uma pequena mesa dobrável. Sobre ela havia um pequeno anel de ferro para apoiar xícaras de chá.

As janelas eram maiores e os vidros, mais limpos. As molduras ainda tinham cortinas que podiam ser puxadas.

Assim que entrou, os olhos de Evelyn começaram a percorrer o vagão de um lado para o outro. Primeiro, ela tocou o revestimento de tecido do assento. Depois, testou a resistência das molas e, por fim, apoiou a mão sobre a pequena mesa dobrável e empurrou-a.

— É muito melhor do que na ida.

Ela se recostou satisfeita no assento.

A mãe sentou-se diante da filha e a ajudou a tirar o casaco, colocando-o sobre seus joelhos.

O pai sentou-se no lugar diante de Richard e, como de costume, tirou um jornal velho que ninguém sabia de onde ele havia conseguido.

O trem começou a se mover lentamente, enquanto os pilares de ferro fundido da plataforma recuavam um a um.

O horizonte da Capital Imperial foi diminuindo lentamente dentro da moldura da janela. Torres de igrejas, campanários e fileiras de chaminés desapareceram sucessivamente atrás da linha do horizonte.

Evelyn ficou algum tempo debruçada na janela, observando a paisagem. Quando as colinas e pastagens começaram a se repetir, perdeu o interesse.

Na viagem de ida já tinha visto tudo aquilo. Conseguia até adivinhar o que apareceria depois de cada curva. Mais uma campina, mais um grupo de ovelhas, mais uma pequena estação onde o trem não parava e mais um cachorro agachado sobre um banco.

Ela se afastou da janela e virou a cabeça, querendo conversar com o irmão ao lado.

Antes que pudesse abrir a boca, a mãe balançou discretamente a cabeça.

Evelyn acompanhou o olhar da mãe.

A cabeça de Richard estava ligeiramente inclinada para o lado da janela, com a têmpora encostada no vidro.

Os olhos estavam fechados. Sua respiração era profunda e lenta.

Ele havia adormecido. A posição com a testa encostada no vidro não era exatamente confortável. Sempre que o trem dava um solavanco, a cabeça dele batia levemente na moldura da janela.

Mas ele sequer franzia a testa. Continuava dormindo mesmo depois das batidas.

Evelyn ficou olhando para o irmão durante um bom tempo.

Naqueles últimos dias na Capital Imperial, Richard praticamente não tivera um único momento de descanso. Durante o dia, ou estava se preparando para a Taça Cícero ou saía para algum lugar sem dizer o que iria fazer. À noite, ainda estudava no quarto até a madrugada.

No dia anterior, tinha passado o dia inteiro na biblioteca da Universidade Imperial.

Hoje, finalmente, estava no trem, sentado em uma poltrona relativamente macia.

O ritmo das rodas sobre os trilhos tinha exatamente aquela frequência hipnótica que induzia ao sono, e ele simplesmente não conseguira mais resistir.

— Ele deve estar muito cansado esses dias — murmurou Evelyn, baixando bastante a voz.

Margaret assentiu.

— Deixe-o dormir.

Evelyn colocou as duas mãos sobre os joelhos e, de repente, percebeu que não sabia o que fazer.

Não podia conversar, não podia fazer muito barulho e já estava cansada de olhar a paisagem pela janela.

A garota só pôde se recostar no assento, esconder o rosto entre os braços e fechar os olhos.

O vagão ficou silencioso.

Restou apenas o som ritmado das rodas passando pelas junções dos trilhos: clac, clac, clac, uma batida após a outra, regular e contínua.

Margaret observou os filhos adormecidos lado a lado diante dela e, por um instante, ficou absorta em pensamentos.

Do lado de fora da janela, o contorno das colinas tornava-se cada vez mais baixo. Ao longe, começavam a surgir as silhuetas de grupos de chaminés.

Depois de atravessar aquela região industrial, Bristol estaria logo à frente.