Capítulo 68 — Figuras em Ascensão
Capítulo 68 — Figuras em Ascensão
Na primeira noite de volta a Bristol, Richard se trancou no quarto.
O caderno que trouxera da biblioteca da Universidade Imperial estava aberto sobre o lado esquerdo da mesa, enquanto a gárgula permanecia no canto direito, servindo de peso para as folhas.
As cortinas estavam bem fechadas, e o abajur iluminava a mesa com um círculo de luz amarelada e quente. Lá embaixo, na sala de estar, o pai folheava o jornal, enquanto Evelyn cochichava alguma coisa com a mãe. As vozes subiam através do assoalho, indistintas.
O material bruto do caderno já havia sido repassado repetidas vezes em sua mente durante a viagem de trem, até ele finalmente adormecer.
Ao voltar para o quarto, primeiro organizou cuidadosamente no caderno tudo aquilo que havia forçado a entrar na cabeça.
Por mais resistente que fosse a memória de longo prazo, ela nunca seria tão confiável quanto um registro escrito.
Trabalhou até passar da uma da manhã. A luz do quarto de Evelyn já havia se apagado fazia muito tempo quando ele finalmente largou o lápis, esfregou os olhos e se preparou para dormir.
Quando voltou a Greenwood na manhã de quinta-feira, Richard pensou que havia entrado na escola errada.
Assim que atravessou a porta do prédio principal, dois rapazes que vinham pelo corredor pararam ao mesmo tempo.
— Williams! — um deles acenou para ele, com um sorriso estampado no rosto.
Richard não os conhecia e apenas assentiu educadamente.
Não havia caminhado nem vinte passos na direção da sala quando foi novamente interceptado.
Dessa vez era uma garota da turma ao lado. Ela saiu pela porta lateral carregando os livros e quase esbarrou nele.
— Desculpe… Ah, você é o Williams? O da Taça Cícero?
— Sou.
— Que incrível!
A garota terminou de falar e saiu correndo, deixando no ar um leve cheiro de água com sabão.
Richard franziu a testa e acelerou o passo em direção à própria sala.
Já tinha uma ideia aproximada do que havia acontecido, mas vivenciar aquilo pessoalmente era muito mais barulhento do que imaginara.
Quando abriu a porta da sala, dezenas de olhos se voltaram para ele ao mesmo tempo. Depois de um breve silêncio, os aplausos começaram no fundo da sala e rapidamente se espalharam por todo o ambiente.
Warren estava de pé ao lado da própria carteira, batendo palmas com as duas mãos e produzindo o som mais alto de todos.
Mason entrou na algazarra, erguendo o punho acima da cabeça.
Hugh estava encolhido em um canto, mas também batia palmas com toda a força, até as mãos ficarem vermelhas.
Richard colocou a mochila sobre a mesa e fez um aceno para todos em sinal de cumprimento.
Antes mesmo que os aplausos cessassem por completo, a porta da frente da sala tornou a se abrir.
O próprio diretor entrou.
O diretor Fletcher era um senhor de pouco mais de sessenta anos, com os cabelos repartidos ao meio e penteados para os dois lados com uma fina camada de brilhantina. Normalmente, ele raramente aparecia pessoalmente nas salas de aula; em cada semestre, dava as caras apenas na cerimônia de abertura.
O barulho da sala desapareceu rapidamente assim que ele entrou.
Fletcher parou diante da mesa do professor, percorreu os rostos dos alunos com os olhos e, por fim, pousou o olhar sobre Richard.
— Vim anunciar uma coisa hoje.
Ele tirou uma carta do bolso do paletó, abriu-a e começou a ler com o mesmo tom de voz que usava para recitar discursos no auditório:
— Na competição de discursos em latim da Taça Cícero realizada este ano na Capital Imperial, o aluno Richard Williams, desta escola, conquistou o segundo lugar em todo o Império.
A sala explodiu novamente em aplausos.
Dessa vez, foram ainda mais altos, porque o próprio diretor estava batendo palmas.
— Este é um dos melhores resultados já alcançados na história de Greenwood. — O diretor dobrou a carta e guardou-a no bolso. — A última vez que um aluno conseguiu ficar entre os três primeiros em uma competição de nível imperial foi há vinte anos.
Ele ainda falou por dois minutos, com palavras de incentivo que não passavam muito de “estudem com afinco”, “tragam glória para a escola” e “sejam um exemplo para os demais”.
Depois disso, inclinou levemente a cabeça para Richard e saiu da sala.
Quando os aplausos cessaram, os colegas que antes mal conseguiam lembrar seu nome completo passaram a olhá-lo de maneira um tanto diferente.
Era difícil dizer se aquilo era respeito ou curiosidade. Provavelmente, ambos.
Richard tirou o livro da mochila, abriu no capítulo que teriam naquele dia e esperou pelo sinal para o início da aula sem demonstrar qualquer perturbação.
Na hora do almoço, quando Richard caminhava com a bandeja em direção à mesa de Warren, pelo menos quatro pessoas o cumprimentaram no caminho — e ele não sabia o nome de três delas.
Warren já estava sentado, e o prato à sua frente estava mais farto que de costume: duas porções de bife, uma tigela de sopa cremosa, um copo grande de leite fresco e, além disso, um prato de pudim assado.
— Hoje tem refeição extra? — Richard perguntou, sentando-se ao lado dele.
— É para você. — Warren empurrou a segunda porção de bife na direção dele. — Para comemorar.
— Sua família abriu um refeitório?
— Meu pai disse. — Warren mastigou um pedaço de pão e falou de boca cheia: — As palavras exatas foram: “Você deve entrar mais profundamente no círculo social daquele Williams. Todas as despesas ficam por nossa conta. Se surgir uma oportunidade, pode até convidá-lo para nossa casa”.
Ele engoliu o pão e apontou com o garfo para o bife:
— Tecnicamente, essa carne foi paga pelo meu pai para você. Eu só fui o mensageiro.
— Agradeça ao Sr. Crowley por mim.
Richard realmente estava com fome. No dia anterior, durante a viagem de volta da Capital Imperial, havia comido apenas algumas fatias de pão seco e, pela manhã, também não comera quase nada.
Ele cortou um pedaço do bife e o levou à boca. A otimização proporcionada pela habilidade Comer fazia com que a sensação do suco da carne em sua boca fosse um pouco mais nítida do que antes.
Enquanto mastigava, lançou um olhar ao painel.
A barra de progresso estava avançando mais rápido do que esperava, provavelmente por causa da qualidade dos alimentos.
Comida rica em proteínas e de alta densidade nutricional proporcionava uma entrada efetiva maior para o corpo a cada mordida, fazendo com que o painel registrasse mais progresso.
O bife patrocinado por Warren já não servia apenas para “economizar o dinheiro do almoço”. Ele estava impulsionando diretamente o crescimento da habilidade.
Mason estava do outro lado, na diagonal, devorando uma coxa de frango com os lábios brilhando de gordura.
— Afinal, sobre o que foi aquele seu discurso? Você passou por cima de todos aqueles jovens ricos da Capital Imperial.
— Não passei. Fiquei em segundo. O primeiro lugar foi para alguém da família Montague.
— Família Montague? Então não há nem o que discutir… Segundo lugar também é incrível, está bem? Quando Greenwood já teve um segundo lugar em todo o Império?
— O diretor acabou de dizer, não disse? Vinte anos atrás.
— Então isso quer dizer que você é um gênio que aparece uma vez a cada vinte anos?
— Não sou um gênio. A pergunta caiu bem e, por acaso, era um assunto que eu já havia estudado.
A frase era meio verdadeira.
O tema da etapa improvisada realmente havia caído por acaso em uma área que ele havia estudado inúmeras vezes, mas conquistar o segundo lugar definitivamente não dependia apenas de sorte.
Durante o intervalo do almoço, Richard pegou emprestado o telefone do prédio administrativo da escola e discou o número que Warren lhe dera.
O telefone tocou seis vezes antes de ser atendido.
— Antiguidades Clement. — A voz do velho veio pelo aparelho, seca.
— Sr. Clement, aqui é Richard Williams, o estudante que viu aquela lamparina de óleo de esfinge da última vez.
Do outro lado, houve dois segundos de silêncio.
— Ah… é você. — O velho pareceu se lembrar. — A lamparina ainda está aqui. Ninguém quis comprá-la por enquanto.
— Duas libras, certo?
— Duas libras. Eu disse que poderia guardá-la para você por no máximo dois meses. Já está quase na hora.
— Se eu tiver tempo neste fim de semana, vou buscá-la.
— Está bem. Lembre-se de trazer dinheiro em espécie.
A ligação terminou.
À noite, a família terminou o jantar.
O pai estava na sala de estar folheando o jornal, enquanto Evelyn permanecia debruçada sobre a mesa de jantar fazendo os deveres.
A mãe estava de bom humor naquele dia. Enquanto arrumava os pratos na cozinha, chegou até a cantarolar baixinho algumas notas de uma melodia qualquer.
— Eu vou subir.
— Terminou a lição? — Evelyn perguntou sem sequer levantar a cabeça.
— Mais ou menos.
— Vai trancar a porta de novo?
— Ah… vou.
— Está bem… Descanse cedo. — A irmã suspirou. 1
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- KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ↩