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Capítulo 1 – Prólogo

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Capítulo 1 – Prólogo

“ Dentro dos limites do Abismo, minha espada é a única certeza que tenho.”

— Lembre-se do que eu ensinei, Anya! — Krall gritou de cima do terreno rochoso. Ele sempre se sentava ali quando queria vê-la batalhar, e mais ainda quando a ensinava. A armadura leve ousada mesmo dentro próprio inferno já era de longe uma das suas características.

O odor dos ovos podres era a marca registrada do Abismo no nível 1, e mesmo os dois indo sempre para lá todos os dias, não se acostumavam por nada. Anya, no entanto, tinha seus sentidos focados em outro ponto, não no cheiro.

A espada desceu pela diagonal, rasgando a pele do demônio, abrindo seus órgãos e o fazendo gritar. Anya agarrou sua garganta, forçou para trás e o pressionou contra o outro, seu braço recuou dobrando e esticou para frente, rasgando os dois juntos.

Ambos soltaram um berro, mas não haviam morrido.

— Que inferno! — Ela recuou dois passos. Segurou o cabo da arma com as duas mãos, respirando fundo. O suor escorria da sua testa para a bochecha, mas não chegava a cair pelo queixo. Os cabelos grudados em sua pele seguravam-nos ali. — Quantos mais tenho que fazer, Krall?

— Quantos conseguir até os outros voltarem. Você não disse que queria treinar mais? — Ele soltou uma gargalhada. — O que é melhor do que os demônios do Abismo?

— Achei que seria um treino com os soldados ou nas Cavernas do Saró. — A espada dos dois demônios eram rápidas. Ela bloqueou a primeira, defletindo para cima, e desviou o ombro da segunda. — Qualquer merda seria melhor que isso aqui.

Num ataque firme, ela cortou o ombro do demônio, girou a perna para frente e fez sua lâmina brilhar em verde. Num pequeno instante, Anya sentiu o corpo se arrastar para frente. E arregalou os olhos, sabendo que não era para acontecer.

Quando piscou, ela estava cerca de dois metros para frente. O coração batendo fortemente, e sua respiração completamente desregular. Sentiu os dedos trêmulos, quase soltando a arma. Não. Ela os prendeu no cabo.

Tinha feito um juramento muitos anos atrás. Nunca, em nenhuma hipótese, soltaria sua arma contra um inimigo.

Ao girar a cabeça, sentindo os olhos e ombros pesados, viu o corpo do demônio. O peito tinha sido aberto ao meio, e o segundo havia uma fissura no ombro, indo até a cintura. Ambos ainda de pé, no entanto, mortos.

Eles a fitavam, incrédulos, sem entender.

E Anya tinha a mesma sensação.

— O que… aconteceu?

Os joelhos dela não suportaram o peso. E ela caiu pra frente. O mundo parecia estar praticamente imóvel, e prestes a sentir o chão em seu rosto, algo a segurou. Algumas mãos, firmes e fortes, a puxaram.

— Krall. — Nisha, a Lanceira de Rhodes, encarou seu líder com preocupação. — Isso não é físico nem mental. É uma habilidade especial.

Jones, o Escudeiro, a puxou para si, colocando a mulher em seus braços e levantando. Grande, com dois metros, nem parecia estar pegando uma mulher entrando na fase adulta. Seu escudo nas costas pesavam praticamente trinta quilos, e sua armadura era extremamente pesada.

A garota em seus braços não era nada pra ele.

— Chefe, vamos reportar isso?

— Se reportar, ela já era — Bagre respondeu com a adaga em mãos, girando. O capuz que caía na cabeça dele escondia praticamente o medo do futuro. — Os Comandantes vão querer prender ela a qualquer custo. Ela deu sorte de aparecer aqui no Abismo.

Krall veio caminhando lentamente até o grupo. Parou próximo de Anya, apenas para encará-la com afeto. Tocou o ombro dela, fazendo um pequeno carinho e sorriu.

— Anya é nossa irmã. Guardemos esse segredo com a gente. — Ele fitou todos presentes. — Entendido?

— Sim, senhor!