Capítulo 21: Jurax
Capítulo 21: Jurax
Eles entraram em um tipo de hotel, mas era praticamente a fachada para Ione. Ele deixou Anya entrar primeiro e quando o fez, respirou fundo e colocou as mãos na cintura.
— Como é bom estar em casa!
O lugar era empoeirado, cheio de cadeiras e mesas jogadas pelos cantos aos prantos. Nada além de uma pequena lareira estava realmente limpo, com pedaços de madeira queimando no centro. O segundo andar estava vazio, mas quando Anya abriu a boca pra perguntar, a porta se abriu em cima.
Um loiro de cabelos curtos saiu bocejando, com os olhos marejados e uma postura relaxada.
— Ah, Ione. – Ele acenou com uma mão, ainda se espreguiçando. – Achei que demoraria mais com o Tenente. Como foi lá?
— Dex. – Ione passou pela Anya e abriu os dois braços. – A mesma merda de sempre. Eu trouxe uma garota. Ela vai se juntar a gente. O que acha?
Estava parada o encarando, então o loiro repousou seus olhos nela. Foi como se cada músculo de seu corpo estivesse sendo pressionado. Sua pele arrancada e seus sentidos aguçados de uma só vez. E então, de repente, tudo sumiu.
Dex voltou-se para Ione.
— Não é grande coisa, mas dá pro gasto.
As sobrancelhas dela se arquearam na hora.
— Como é? Desce aqui, seu bosta. Com quem acha que está falando?
— Com uma garota que está segurando uma espada sem qualquer intenção de matar. – Dex ainda olhava para Ione. – Por que trouxe ela aqui? Não precisamos de mais ninguém.
Ione encarou Anya e depois Dex, e sorriu.
— Ela precisa disso tanto quanto a gente. Mas, ela é boa com a esgrima. Krall era o irmão dela.
Dex, mais uma vez, encarou Anya. Os olhos dele eram cansados, e sua expressão indiferente. Ele apenas concordou.
— Isso explica muita coisa. Espere só um pouco.
Ele deu as costas para os dois. Caminhou de volta para o quarto. Quando retornou, tinha uma espada lisa em mãos, do tamanho de sua cintura, arrastando sua bainha pelo chão, e desceu as escadas lentamente.
O som da arma batendo na madeira parecia um tambor seco, mas Anya sentia algo diferente. Era uma caminhada agoniante, o som encontrava sua alma. E quando ele apareceu da escada, Anya sentiu seu instinto gritar.
Se esquive.
Ela levou a mão ao pomo de Bug rapidamente, mudando a postura. Dex continuou caminhando em sua direção.
— Pelo menos ela sabe quando vai morrer – comentou Dex ao ficar mais próximo e não parando. – Anya, não é?
Ele puxou a bainha e jogou pro lado, erguendo sua arma. E Anya recuperou o movimento, fazendo o mesmo. Não importava o inimigo, não importava quem estava a sua frente. Se ela perdesse agora, seria o mesmo que declarar que não poderia ir atrás do assassino dos seus irmãos.
— Qual o seu objetivo aqui, Anya?
Num puxão, Dex jogou a espada para o lado e fez ela cair com uma bomba de cima pra baixo. Anya usou Bug para segurar o golpe. Suas pernas sentiram o impacto junto do seu punho, com uma pressão enorme.
Ela soltou um rugido de dor. Era totalmente diferente de Ragnar ou Jerico. Completamente sem nenhuma precisão, só um baque surdo vindo de cima. Dex puxou a espada de novo, e Anya afrouxou o pulso, mas antes de conseguir se mexer…
Outro golpe pra baixo, a forçando a se ajoelhar. Ela soltou outro gemido. O pulso estava doendo e ela não conseguia sair daquela posição.
— Por mais que Krall tenha ensinado, existe um limite até onde o treinamento vai. – Dex ainda forçava os dois braços para baixo na arma. Mas seu rosto não era mais indiferente. – Precisa entender a batalha, precisa entender que não está mais na Academia. Ele era certinho demais, e você também é.
Anya levantou os olhos, ardendo em raiva. Então, jogou toda a força para o lado e subiu, não com a espada, mas com a mão fechada. Seu punho ia colar no queixo dele, mas Dex ergueu a perna, chutando sua barriga e a jogando para trás, rolando na madeira.
Alguns ruídos de portas soaram de cima. Havia mais quatro pessoas paradas nos beirais dando uma olhada, cada um deles usando uma roupa avermelhada, em seus próprios estilos, mas Anya sequer tinha tempo para encará-los.
— Não fale dos meus irmãos como se você os conhecesse. – E levantou a espada para frente, do mesmo jeito que fazia contra a Marionete. – Vou te partir no meio.
— Duvido que consiga, mas é uma boa determinação. – Dex não tinha postura, e isso incomodava Anya. Ele não segurava para ataque, nem para defesa. Apenas segurava a espada e esperava com aquele olhar estranhamente cansado. – Nós não vivemos como seus irmãos que se aventuravam do lado de fora. Nem somos conhecidos por sermos as melhores pessoas do mundo. Se espera que vai conquistar o coração dos Comandantes ou da Academia, está longe disso. Então, vou repetir a pergunta antes de te partir em duas. O que você veio fazer aqui?
— Eu… — Anya hesitou. – Eu vim para vingar… os quatro.
— Vingança? – Dex encarou Ione. – Ela está falando sério?
Sentado no canto apenas de espectador, Ione deu de ombros.
— Não sou eu quem decide. Aspas apenas me deu as instruções.
Dex balançou a cabeça, claramente decepcionado.
— Tem muito a aprender ainda, nem mesmo fundação ela tem. – Esticou a mão para o lado e a bainha rapidamente voltou do chão para sua posse. – Se esse é o único desejo que você tem, Anya, então que seja.
Ele deu de costas, a deixando sem entender absolutamente nada.
— O que você quer dizer isso com isso?
— Nós somos uma equipe. – Ele levantou o dedo. As pessoas do segundo andar, todas elas, levantaram os punhos. – Seu desejo é o nosso desejo, e o nosso desejo é o seu desejo. Se quer vingança, te daremos vingança. Fique forte para realizar os nossos.
Dex sumiu na escada, voltando a subir lentamente os degraus. E quando chegou lá em cima, continuou:
— Bem-vinda aos Red Hunters.