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Capítulo 54: Salão Contagiante

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Capítulo 54: Salão Contagiante

Não foi Aspas que se mexeu. Foi Dex quem deu um passo à frente.

Puxou a espada — devagar, cansado, o corpo ainda cobrando os dias de mar e sangue —, e mesmo assim, quando a lâmina saiu da bainha, a sala inteira sentiu. Ele passou pela frente da Anya, pela frente de todos, e parou entre o inimigo e o resto.

— Segura ela — disse pra Joana, sem olhar pra trás. — Ninguém sai por aquela porta. Ninguém chega naquele portal.

O impostor sorriu. E veio.

Foi rápido. Rápido demais pra Anya acompanhar com os olhos. As adagas vermelhas do falso Jimmy encontraram a espada cansada do Dex, e o som ecoou pela sala, uma, duas, três vezes, os dois se cruzando, trocando de lugar, indo de um canto a outro do salão num vaivém que rasgava as mesas e as cadeiras no caminho. O Dex aparava, cortava, recuava, avançava. O inimigo era mais rápido. O Dex era mais fundo. Nenhum dos dois cedia.

E então o resto se moveu.

— Precisa de uma ajuda?

O Bruto entrou pela direita. Sem arte, como sempre, um punho do tamanho de uma cabeça buscando a lateral do impostor, obrigando ele a quebrar o ritmo com o Dex pra desviar. E, no mesmo instante, o Astrax fechou pela esquerda, a faca rápida achando o vão que o Bruto tinha aberto.

Três de uma vez. De três lados.

O impostor rosnou, e o sorriso começou a sair da cara dele.

Atrás, o resto do salão não ficou parado. Anya viu o Leonidas e mais uma dúzia se espalharem — metade correndo pra porta dupla, fechando o vão com os corpos e o aço; a outra metade indo pro canto, pro portal, pro círculo brilhante que era a única saída do desgraçado. Em segundos, as duas rotas estavam trancadas de gente.

Não tinha mais pra onde ir.

Anya, presa atrás da Joana, sem a Bug, sem fôlego, só pôde assistir. E, assistindo, entendeu uma coisa que apertou o peito dela mais do que a corrida inteira.

Ele é forte ao ponto de se segurar contra todos.

Num movimento só, o “Jimmy” desviou de um chute poderoso do Bruto e se jogou em cima de uma das mesas. Chutou um copo de vidro na direção do Astrax pra atrasar ele, e saltou de novo. Usou o teto pra se lançar contra o Dex.

Ele precisava de um abate. Só um. Se derrubasse o líder, os outros iam sentir, e uma brecha ia se abrir. Os dois trocaram golpes de novo, o estalo das lâminas enchendo a sala. Mas o “Jimmy” viu o olhar daquele homem.

Não vai me deixar ir fácil.

O olhar dele então caiu na Anya. E na outra mulher do lado dela. O resto tinha se dividido — metade na porta, metade no portal.

— Não preciso de vocês pra ganhar. — Ele recuou do Dex. — Preciso só dela.

Deu um passo, e o corpo dele pareceu ficar translúcido, em câmera lenta.

A “Avalanche” fazia o corpo dele se mover deixando pra trás uma imagem residual — uma sombra pra enganar o inimigo. Foi nela que o Bruto tinha acertado antes. Depois, mais uma imagem, presa no ar, caminhando na direção da Anya.

Esse é o único defeito dela. Me deixa lento demais.

Uma habilidade de avanço que deixava lento. Que coisa mais tosca. Mas era perfeita pra alcançar a garota e matar ela ali mesmo. Depois faria tudo de novo. Acharia um jeito de pegar o que os irmãos tinham deixado pra ela.

O Astrax usou a faquinha pra cortar o inimigo, mas a imagem sumiu de novo. E ele chegou mais perto da Anya.

Faltam só alguns passos. Só mais um.

O braço dele foi subindo devagar, tão lerdo que levaria dez segundos pra tocar de verdade na garganta da garota. E aí os dedos se fechariam de uma vez.

— O que você acha que tá fazendo com a minha soldada?

O espaço lento — a “Avalanche” do “Jimmy” — ficou ainda mais lento. O rosto dele girou na direção de uma das mesas.

Era outro soldado. Magricelo, os dedos cruzados na frente do rosto, um fio de sangue escorrendo da boca. Ele conhecia seu rosto, era… Ione?

— Você não pode me travar aqui pra sempre. — O “Jimmy” se divertia. — A sua habilidade é diferente da minha. Você não me trava no tempo.

— E quem disse que eu tô travando você, seu idiota de merda?

Os dedos do soldado se desfizeram, e o som veio pelas costas.

O “Jimmy” voltou à velocidade normal — mas o resto da sala continuou travado. Quando ele se virou, o punho seco do grandalhão já estava chegando no peito dele.

Uma fumaça escapou da boca do Bruto. E os olhos dele estavam transtornados de raiva. O “Jimmy” foi jogado contra uma mesa, que quebrou na hora. Depois a segunda. A terceira. Até bater na parede e amassar o concreto.

Num estrondo, o Bruto se jogou pra frente. Dessa vez, era ele a “Avalanche”.

O “Jimmy” ficou de pé e girou as adagas, pronto pra cortar aquele desgraçado. O pé dele foi à frente, e ele levantou uma das mãos pra enganar o Bruto — mas a expressão dele azedou.

O Bruto não deu tempo nem dele pensar. Segurou o outro braço dele, depois a garganta, e jogou ele contra o teto, estourando o concreto.

Cacete, o que é esse cara? Se continuar assim, a minha proteção vai…

Alguma coisa estalou nas costas dele. A roupa que ele usava por baixo do uniforme de Sargento rachou. E a expressão dele mudou.

— Merda. — Ele juntou as adagas depressa, forçou o pé contra o teto e mirou no Bruto, que ainda o encarava com muita raiva. — Tá na hora de mostrar do que eu sou capaz, garoto.

— Eu tô pronto pra morrer. — O Bruto tensionou as pernas e os braços, pronto pra saltar. — Você tá?

Não era mentira. O moleque estava pronto pra morrer de verdade.

Como é que um soldado tem tanta presença assim?

— “Dança da Sombra.”

— “Corpo de Ferro.”