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Capítulo 06: Ataque e Ataque

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Capítulo 06: Ataque e Ataque

— Não tem uma, né? — A Marionete sorriu, e os dentes tortos apareceram numa fileira irregular que não seguia nenhuma lógica anatômica: comprimentos diferentes, ângulos diferentes, alguns sobrepostos. Era torto e sombrio. — Então.

Num movimento simples, quase entediado, um dos braços girou e lançou uma das espadas na direção de Anya. Não foi um arremesso agressivo — foi o gesto de alguém jogando algo para um cachorro buscar.

Anya a segurou com firmeza. A lâmina era mais pesada do que esperava, com um equilíbrio diferente das espadas de treino da Academia — o peso concentrado mais na base do que na ponta, o cabo mais grosso. Não era a arma dela. Mas era uma arma.

— Se prepare. — A voz da Marionete perdeu o tom divertido por exatamente um segundo, e o que ficou era algo mais antigo, mais sério. — Enquanto estiver de pé, vou te atacar e vou fazer de tudo para te matar. Cada minuto que conseguir se manter viva será uma hora a mais que pode ficar aqui. É o que o Jones gostaria que eu te explicasse.

O Jones combinou isso com ela.

Anya não teve tempo de terminar o pensamento.

A Marionete dobrou a perna dianteira e se jogou para a frente com uma velocidade que não combinava com o tamanho — como uma mola comprimida o tempo todo em que estavam conversando e finalmente liberada. O gramado perfeitamente aparado amassou sob os pés dela com um som surdo, e então ela estava no ar, e então estava perto demais.

Os dez braços vieram em sequência e ao mesmo tempo. Era a única forma que Anya conseguiu descrever para si mesma depois — sequência e ao mesmo tempo — porque cada braço tinha seu próprio ângulo, seu próprio arco, sua própria arma, mas todos convergiam para o mesmo ponto com uma sincronização que não deixava lacuna óbvia entre eles. Era como observar dez lutadores diferentes chegando de direções coordenadas, cada um cobrindo o espaço que o anterior deixava.

Não havia onde bloquear tudo. Havia apenas onde bloquear o suficiente para não morrer nos primeiros dois segundos.

Anya defletiu o primeiro golpe — a lança, vinda de cima — e o impacto subiu pelo braço dela como uma corrente, entorpecendo o cotovelo. Girou o corpo para escapar do machado que vinha pela direita, sentiu o ar da lâmina roçar o ombro do uniforme sem cortar. O chicote de corrente bateu no gramado onde seus pés haviam estado um décimo de segundo antes, arrancando uma tira da terra perfeita.

Recuou. Recalculou.

Ela cobre os ângulos como se soubesse onde vou estar. O pensamento veio rápido, prático — a parte da mente que Krall havia treinado a funcionar mesmo quando o resto estava em colapso. Não está reagindo a mim. Está antecipando.

O problema era que antecipar dez trajetórias ao mesmo tempo era diferente de antecipar uma.

A Marionete pousou a alguns metros, os dez braços se reposicionando com aquela fluidez perturbadora, e o sorriso torto havia voltado.

— Você é mais rápida do que ele era no começo. — Era um comentário casual, quase clínico. — O Jones levou três tentativas para não morrer nos primeiros dez segundos. Você chegou aos quinze. — Uma pausa apreciativa. — Mas ainda vai morrer.

Anya ajustou a pegada na espada emprestada, sentindo o cabo desconhecido na palma. O cotovelo ainda latejava. O coração estava acelerado de um jeito que ela conhecia bem — não pânico, adrenalina — e respirou por baixo disso, buscando o ritmo que Nisha sempre dizia ser mais importante do que qualquer técnica.

Cada minuto de pé é uma hora aqui. Ela gravou aquilo. Então fica de pé.

A Marionete forçou a perna de novo.

Elas se enroscaram outra vez.

Foi mais brutal do que na primeira. A Marionete havia calibrado, aprendido o suficiente da sequência inicial para fechar os espaços que Anya usara para sobreviver. Os golpes vinham mais curtos, mais sobrepostos, sem o intervalo mínimo que ela explorara para recuar e respirar. Cada bloqueio custava mais do que o anterior, e o peso estranho da espada emprestada, que ela começara a compensar, agora era um problema constante no pulso direito.

O gramado sob os pés havia perdido a perfeição. Marcas de impacto, terra revirada, a trilha irregular dos recuos de Anya desenhando um padrão que ela não queria parar para analisar.

A espada estava mais lenta. Ela sabia disso antes de conseguir nomear — sentia no ângulo dos bloqueios, na fração de segundo a mais que precisava para reposicionar. Os músculos do antebraço ardiam com aquela queimação específica de esforço sustentado, diferente da dor aguda, mais traiçoeira porque chegava devagar e de repente era tudo.

Piscou os olhos.

A lança havia perfurado sua perna.

Não fora um golpe dramático. Foi preciso, quase cirúrgico — entrou pela lateral da coxa, abaixo do músculo principal, e saiu. Anya olhou para baixo com uma expressão que ela mesma não conseguia descrever direito, aquela fração de segundo estranha entre o impacto e a dor, quando o cérebro ainda está negociando com o corpo sobre o que aconteceu.

Então a dor veio. Quente, latejante, irradiando para cima e para baixo ao mesmo tempo.

A Marionete soltou uma risada ao ver sua expressão — não uma risada cruel, o que seria quase mais fácil de aguentar, mas uma genuinamente divertida, a de quem achou graça de verdade.

— Pronta. Um minuto.

Um minuto. Uma hora aqui. Anya gravou aquilo enquanto o sangue escorria quente pela lateral da perna, encharcando o tecido do uniforme.

O machado veio rasgando pela direita.

Ela jogou o braço para lá — não havia tempo para posição correta, foi instinto puro — e o impacto do bloqueio subiu pelo cotovelo já entorpecido, espalhando uma dormência pesada até o ombro. A espada vibrou na mão dela com uma intensidade que quase abriu a pegada.

Mas segurou.

E então os outros braços se elevaram.

Todos ao mesmo tempo, diante do rosto dela, as armas diferentes apontando de ângulos que cobriam cada espaço possível de fuga. De perto assim, Anya podia ver os detalhes que a distância havia poupado — as marcas nas lâminas, o metal gasto de uso real, não de treino. Cada uma daquelas armas havia tocado alguém antes.

A perna latejava. O braço dormia. A espada pesava o dobro do que pesava um minuto atrás.

Fica de pé.