Capítulo 76 – Investigando a fantasia: Parte 2.
Capítulo 76 – Investigando a fantasia: Parte 2.
Encontrei as irmãs Yagame sentadas no banco atrás do depósito.
Elas conversavam, tentando encontrar uma possível brecha para arrancar informações da Kiota.
— Oi, meninas. Vocês conseguiram pensar em algo?
Aikyo, ainda com cara zangada para mim, disse: — Não vem com papo, só me diga, conseguiu?
Normalmente, Katsu a repreenderia por falar assim, mas ela também está zangada comigo.
— Bem… consegui sim. Vamos lá procurar? Kiota está nos esperando.
Ambas olharam surpresas para mim, principalmente Aikyo.
Do jeito que ela inclinou a cabeça para trás e corrigiu a postura na hora, demonstrou a surpresa que sentiu. Ela não esperava que eu conseguisse.
— Q-que? Você conseguiu… fazer Ayumi vir? Um professor? É sério?
Ela até gaguejou, seus olhos mal me olhando, mas sim para o chão, tentando encontrar motivos para eu ter conseguido.
— Sim, vamos logo. Vem.
Andei na frente; elas vieram em seguida com expressão incrédula.
Entramos no depósito e fomos até Kiota, que havia pegado no sono de novo.
Foi apenas alguns minutos que a deixei aqui; como pegou no sono tão rápido?
— Kiota!!!
Ela despertou com meu grito, levando um leve susto momentâneo.
— D-droga, garoto, eu estava só treinando meu ronco.
— Treinando… ronco? — murmurou Katsu.
— Enfim, vamos logo ver isso. — disse Aikyo, colocando a sacola por cima do balcão.
— Tá bom, tudo bem. Vejamos, do que você quer saber no histórico?
Aikyo retirou de dentro da sacola a fantasia.
— Isso aqui, quero saber quem pegou essa fantasia por último.
Kiota pegou a fantasia para analisar. Mexeu nela por inteiro, procurando algo.
— Eita, mas cadê o código de identificação?
— Código… de identificação? Como assim? — indagou Aikyo, trocando olhares com Katsu.
— Cada item aqui tem um código de identificação utilizado para fins de rastreamento; assim, é possível saber, no meio de tantos dados, quem pegou e em que dia.
— E essa fantasia não tem esse código? — perguntei.
— Não. Só vou conseguir achar o histórico do item com o código de identificação ou com o nome da fantasia.
— Droga! Mas onde costuma ficar o código?
Aikyo, nervosa e ansiosa, encostou-se no balcão.
Kiota girou a fantasia, procurando o local.
— Bem, no caso de roupas, o código é um papel grudado bem onde ficam as informações de tamanho, na parte traseira interna da gola.
— E só tem as informações de tamanho aqui…
— Exato. Dessa forma, não tem como rastrear. Desculpem por isso.
— Que droga! A pessoa que pegou sumiu com o código? Ela já sabia que iria perder a fantasia? Isso significa que a deixou… de propósito no armário? — disse Aikyo, alterada, andando em círculos.
— Calma, irmã, você não costuma ficar assim; respira um pouco!
Ela está bem diferente mesmo. Aikyo normalmente é fria e analítica, não deixa seus sentimentos tomarem conta da situação, ainda mais num momento crucial como esse.
Será que isso foi culpa da tal criança que ela encontrou hoje?
— Eu sei… desculpa. Eu… vou relaxar um pouco.
Elas deram as mãos uma para a outra.
— Bem, isso está estranho. Se cada item tem seu código e essa fantasia não tem, pode ser que não pertença ao depósito? — indaguei.
— Sim, pode ser isso também. Mas onde vocês acharam isso aqui?
— Achamos no…
Antes que eu terminasse de falar, olhei para Aikyo, tentando ganhar permissão para falar sobre isso, já que a investigação é segredo.
Ela acenou com a cabeça, aceitando.
— Acharam? Onde?
— Achamos no vestiário, no local das piscinas grandes. No vestiário masculino.
Kiota fez uma pose pensativa, olhando para a fantasia.
— Entendi… Deixa eu ver no computador uma coisa. Talvez eu possa descobrir quem pegou ela por último vendo no estoque de fantasias.
— Estoque? — indagou Aikyo.
— Sim. Quando eu aponto no sistema o empréstimo, o item sai temporariamente do estoque e entra no inventário da escola. E se o item for categorizado, então posso descobrir através do estoque da categoria. Entenderam?
— Entendi. Então, se tem uma categoria dessa fantasia, dá para saber quem pegou ela vendo se o item está no inventário da escola? — perguntei.
Kiota acenou com a cabeça, pegando um computador portátil debaixo do balcão.
— Pela estrutura da fantasia, veluda e completa, é uma fantasia de mascote. Então posso ver nessa categoria.
— E se essa fantasia não for do seu estoque, isso significa que ela foi comprada no mercado central?
Aikyo agora está mais calma, sua voz não está tão alterada e está mais racional.
— Pode ser que sim; caso seja, será difícil saber quem comprou.
Kiota começou a digitar nas teclas numa velocidade rápida; ela deve ser do tipo que tem mais facilidade com tecnologia.
— Deixa eu ver… categoria de mascote… hmmm…
Kiota, com os olhos vibrantes fixos na tela, adorando o que está fazendo, feliz por estar sendo útil e nos ajudando.
Peguei a fantasia e olhei onde ela tinha dito que ficava o código de identificação.
Tentei encontrar qualquer detalhe que mostrasse que o código foi arrancado ou talvez algum preço ou detalhe de compra.
— Escuta, você disse que o código fica junto com as informações da fantasia, mas esse ‘junto’ é como? Está escrito no mesmo papel das informações ou em papel diferente?
— Ele é um papel à parte, igual ao das informações, mas é um papel pequeno e fica colado na fantasia.
— Entendi…
— Se fica colado, então, em caso de uma retirada forçada, haveria marcas, não? — indagou Aikyo, analisando a fantasia ao meu lado.
— O problema é que não tem nenhum detalhe. A pessoa realmente fez com cautela e cuidado. — disse, colocando a fantasia de volta a sacola.
Kiota fez um som de decepção com a boca.
— Que estranho, no inventário da escola, tem várias fantasias emprestadas e todas são da categoria mascote.
— E isso complica as buscas… — murmurei.
— Tem como saber qual é a fantasia que está há mais tempo emprestada? — indagou Aikyo.
— Tem, deixa eu ver aqui… o maior tempo aqui é de um mês, e tem quatro fantasias emprestadas.
— Quatro, é? Quais os nomes das crianças que pegaram?
Pode ser quatro, mas se investigarmos os quatro, podemos descobrir.
— Bem, temos um problema sério quanto a isso…
— Qual problema? — indagou Aikyo.
— O problema é que… eu consigo ler o nome de três, mas o quarto… está sem nome. O problema maior agora, é que não tem como apontar um empréstimo… sem um nome.
— Se não tem como salvar sem nome, então por que está sem nome? Isso está com defeito? — indagou Aikyo, com seu tom frio.
— Eu… eu estou confusa também, isso nunca aconteceu antes, está muito estranho, cara. Na real, o que está acontecendo aqui? O motivo dessa fantasia e tal, o que foi?
Kiota agora ficou com uma expressão assustada, tom de voz trêmulo e confuso.
— Calma… isso é segredo, não podemos contar, tanto que a própria Ayumi veio aqui nos dar autorização, isso mostra o quão é importante! — disse, pegando na mão da Kiota.
Ela olhou para minha mão, depois em meus olhos.
Acenei com a cabeça, sorrindo para ela, tentando passar confiança e calma, evitando qualquer outro questionamento vindo dela.
— Certo… eu… Bem, existem duas explicações para isso: a primeira é que alguém alterou as validações para esse perfil em específico, validando no banco de dados o salvamento sem nome.
— Alguém? Isso significa que foi um adulto que trabalha na tecnologia da escola? — indagou Katsu.
Finalmente ela entrou na conversa, estava muito quieta.
— Sim, ou foi alguma criança que hackeou o sistema alterando as validações, pode ser isso também.
— Uma criança tão inteligente assim em tecnologia… algum nome em mente? — indaguei.
Kiota pensou, colocando a mão no queixo.
— Só consigo pensar… no Gyutaro e na Rita, ambos estão no top dez no ranking tecnológico. Mas, para hackear um sistema tão seguro quanto este aqui, só poderia ser feito por um adulto que trabalha no próprio sistema.
— Que infelicidade! Chegamos tão perto e agora foi por água abaixo. — comentou Katsu.
— E qual era a segunda explicação? — indaguei.
— Bem, a segunda explicação é que pode ser uma falha no sistema; o item pode ter sido devolvido e, na hora de voltar o item para o estoque, salvou o nome no histórico, mas ficou com a interface bugada no inventário.
Aikyo ajeitou seu corpo, ficando com o cotovelo no balcão, e disse: — Se isso for possível, então o nome da criança vai estar por último no histórico do estoque?
— Não por último, mas dá para ver pela data caso tenham devolvido, mas olha aqui, a fantasia estava com vocês, logo não foi devolvida, né?
O olhar de Aikyo direcionou-se para a fantasia, e sua expressão decaiu.
— Então significa que só pode ter sido a primeira possibilidade! Alguém hackeou o sistema retirando o nome de quem pegou essa fantasia. — disse.
Aikyo se posturou, cruzando os braços.
— Ou foi a mesma pessoa que fez isso, ou ela tem um cúmplice bem inteligente.
— Isso está estranho… — murmurou Kiota.
— Está começando a ficar… interessante. — comentou Aikyo.
Perplexo com essa frase, perguntei: — Interessante? Por quê?
— No começo, pensei que fosse apenas uma criança com raiva de você por ser revoltante. Mas agora, vendo que envolve até um gênio da tecnologia, significa que tem um… motivo bem interessante por trás.
— Motivo… interessante? — indaguei, curioso.
Aikyo estava olhando de forma incisiva e ofensiva para mim. Ela tentava pensar em algo bem complexo.
— Sim. Não acredito que quem te jogou na piscina queria te matar. Mas sim, para desencadear algo benéfico para ele… eles, no caso!
— O quê?? Alguém tentou te matar?? — gritou Kiota.
Aikyo arregalou os olhos, olhando para mim.
Única coisa que me deu vontade de fazer… foi dar um tapa na minha testa.
— Eh… não… eu falei… ah…
Aikyo tentou explicar, mas ficou sem graça, justamente por ter dado um vacilo desse.
— Kiota. É isso mesmo que escutou. Não vou mentir, só peço que deixe isso em segredo, por favor, você pode?
— Mas… mas é claro! Por que não me contaram que era isso? Agora faz sentido a presença da Ayumi.
— Não podemos contar a ninguém sobre isso. — disse Aikyo, com um tom abatido.
— Saquei. Tudo bem, faz sentido agora. Mas caramba, tem um assassino aqui na escola??
— XIU, para de falar alto, maluca!
Aikyo tampou a boca da Kiota.
— Calma. Não exagera tanto assim, não é bem assassino… é só que me empurraram na piscina e eu não sei nadar.
Kiota tirou a mão da Aikyo de sua boca.
— Espera, se ela te empurrou, ela sabia que você não sabe nadar?
— Sim… sabia.
— Então é alguém próximo a você. Já sei!!! Foi Aikyo!! Olha a cara de maníaca dela!
— O quê, garota?? Tá maluca? — gritou Katsu, nervosa.
— Calma, irmã! Tá tudo bem, relaxa, ela está brincando!
— É óbvio que estou! Enfim, eu vou guardar segredo! Mas isso é assustador, ter alguém com essa malícia aqui na escola? Misericórdia.
— Pois é. Por isso mandaram a gente não contar, para não causar casualidade e medo. — disse.
— Entendo! Mas engraçado. Por que tem uma fantasia de mascote no armário no vestiário dos nadadores? Tipo, qual o sentido? Nem nada com fantasia, haha.
— Pois é, isso está estranho! — disse Aikyo.
— Olha, se precisarem de qualquer outra ajuda, vou estar à disposição. Não vão precisar de autorização, já que o caso é sério!
— Agradeço! Muito mesmo, Kiota.
— Espero que vocês encontrem logo esses culpados!
— Também espero!
— Kiota, você pode fazer um favor para mim? — indagou Aikyo.
— Claro!!! Pode falar! — disse Kiota, bem animada.
— Quando pega algo aqui, tem que dar a digital; dessa forma, o sistema captura o nome de quem está pegando emprestado junto com o código de identificação do produto, certo?
— Certo. Isso mesmo.
— Então faz o seguinte: aponta no sistema que foi o Yuki quem devolveu a fantasia. Mas pega a minha digital!
— O quê? Não tem como fazer isso, porque se pegar sua digital, o sistema capta seu nome e não o do Yuki!
— Mas o campo de validação do nome está alterado, certo? Logo, só trocar manualmente o meu nome pelo do Yuki!
— É, isso faz sentido! Mas por que você quer fazer isso?
— E por que meu nome?? — indaguei.
— Calma, vocês vão entender depois. Só faça isso, por favor?
Kiota acenou com a cabeça.
Pegou a digital da Aikyo e alterou o nome dela para o meu.
Agora o histórico mostra que fui eu quem devolveu a fantasia, mas a digital não é a minha.
Qual será o plano da Aikyo?
— E a fantasia, quero que você a esconda; vamos sair daqui sem ela em mãos.
— Certo… vou fazer isso… você não vai contar o plano mesmo?
Aikyo balançou a cabeça, negando.
Kiota entendeu, pegou a fantasia junto com a sacola.
— Bem, vamos embora agora. Obrigado pela ajuda, Kiota. Você é bem útil.
Os olhos de Kiota brilharam de alegria.
— Valeu mesmo, Kiota, até a próxima, viu! — disse.
Ela deu um sorriso alegre.
— Tchau, genteee! Qualquer coisa eu aviso vocês!
— Certo! — disse, acenando para ela enquanto me afastava.
Saímos do depósito, deixando a fantasia para trás e um plano secreto da Aikyo.
— Vai dar uma de misteriosa agora, é? Não confia o plano em mim?
— Cala a boca, garoto! Eu falo quando eu quiser!
— Grossa…
Aikyo pegou na mão da Katsu, que estava bastante silenciosa.
— Nosso alvo agora é a sala de vigilância!
Partimos para nosso próximo alvo.
Arco:Investigação