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Capítulo 77 – Lágrimas das Irmãs.

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Capítulo 77 – Lágrimas das Irmãs.

Yuki, juntamente com as irmãs Yagame, dirigiu-se à sala de vigilância no prédio dos professores para dar continuidade à investigação.

Enquanto isso, Ayumi estava ocupada resolvendo seus problemas com o diretor.

Dentro do escritório dele, a famosa janela grande e redonda atrás da mesa não estava à mostra como de costume.

Dessa vez, estava coberta por uma cortina que, ao que parecia, havia sido colocada recentemente.

A mesa estava cheia de documentos trazidos pela secretária Toshiba, que tratavam da transferência do novo professor de dedução, além do histórico do antigo professor que desapareceu recentemente.

— Antes de tudo, Ayumi, como está seu estoque das pílulas ONI? — perguntou Saulo, segurando uma xícara com um pouco de bebida.

Ayumi, com um olhar intenso voltado para o chão, não esboçou reação à pergunta.

— Ayumi? Você está me ouvindo?

— Ah… estou sim… só estou focada em algo na minha mente.

Com voz falha e trêmula, suspirou profundamente enquanto cruzava as pernas.

— E o que está te incomodando? Provavelmente é algo muito problemático, já que está te consumindo em um momento importante como este.

— Você tem razão, diretor. Tem algo me incomodando sim, vim aqui exatamente para resolver essa questão.

— Hmm, compreendo. Por favor, me diga o que te aflige, vou tentar ajudar no que puder.

Saulo, enquanto respondia de costas para Ayumi, observava o lado de fora da escola pela janela, usando a fresta da cortina.

— A questão, diretor, é que preciso de acesso às gravações das câmeras de segurança.

— Por que isso do nada? — indagou Saulo, com os olhos arregalados.

Um leve desconforto surgiu no diretor, que se jogou na cadeira.

A bela moça preocupada percebeu o comportamento dele, desviando o olhar por um segundo.

— O motivo é um sentimento que venho tendo. Sabe aquela sensação de que algo vai dar errado, mas não sabe o quê, nem onde, nem quando? Só a sensação!

Saulo coçou a cabeça, com uma expressão de quem está entendendo.

— Essa sensação que você está descrevendo, eu a compreendo bem. Geralmente sinto o mesmo durante o dia. E quer saber? Sempre acontece algo ruim.

Um leve barulho emergiu no som suave da sala; era Ayumi engolindo seco após a fala do diretor.

— Sério? E você previne algo após sentir essa sensação? — indagou Ayumi, segurando o braço da cadeira.

— Mais ou menos. Na realidade, apenas tento ser mais atento aos mínimos detalhes. Mas, no seu caso, quero entender por que quer usar as câmeras.

— Eu preciso… confirmar algo… diretor. Por favor, não negue meu pedido…

— Você sabe muito bem que tudo que faz aqui, eu preciso saber para qual fim. Sem isso, não posso permitir.

— Mas… senhor!

Com o rosto vermelho e suor descendo pela nuca, Ayumi levantou-se apressadamente, colocando as mãos no cabelo.

Saulo também se levantou.

O som da cadeira arrastando no chão ecoou desconfortavelmente pela sala.

— Ayumi? O que está acontecendo? Você está bem? Tem tomado as pílulas pretas?

— Eu… tenho… só que esqueci de tomar esta semana.

Seu coração acelerado a impedia de respirar direito, dificultando terminar a frase.

Mas Saulo, segurando seu braço, tentou acalmá-la.

— Por que não tomou a pílula? Sabe muito bem que não pode deixar de tomá-la por causa dos efeitos colaterais da pílula branca.

— Sei disso… mas estava ansiosa para ver as câmeras.

Sem forças, Ayumi mal conseguia ficar em pé. Saulo percebeu e tentou colocá-la de volta na cadeira.

No entanto, ao puxá-la, Ayumi se jogou em seus braços.

— A-Ayumi!? — gritou Saulo.

Seu coração começou a bater vagarosamente, diminuindo a cada minuto.

Sua consciência se foi e seus olhos, sem forças para se manterem abertos, fecharam-se completamente.

— Droga… Ayumi! Toshiba! Toshiba! Venha aqui rápido!

Logo após o grito, a secretária Toshiba entrou na sala do diretor apressadamente.

Sem saber o contexto, mas estranhamente ciente do que precisava ser feito, abriu rapidamente sua bolsa.

Pegou uma caixinha preta de cerca de dez centímetros, abriu-a delicadamente e retirou uma pílula preta.

Saulo, sem delicadeza, abriu a boca de Ayumi.

— Coloque, rápido! — disse Saulo, desesperado.

Toshiba, com calma misturada com nervosismo, jogou a pílula garganta abaixo.

Nesse momento, com o clima pesado na sala, um silêncio acompanhado de respirações ofegantes e desesperadas tomou conta.

Um som que parecia se perder começou a reagir novamente.

O coração de Ayumi, que aos poucos se apagava, encontrou forças para bater mais rápido.

— Meu Deus! Por que ela não tomou a pílula? — indagou Toshiba, limpando o suor da testa.

— Não faço ideia… o que importa agora é que ela se recupere logo.

Saulo, tirando a gravata com a mão esquerda, enquanto segurava Ayumi com a direita, agachado no chão, comentou:

— Que sorte a nossa ela ter tido o ataque aqui, não acha?

Toshiba, com um leve sorriso aliviado, guardava a caixinha na bolsa.

— Sorte estranha, mas com sentido. Ela queria algo importante, e eu era a barreira para isso. A ânsia a deixou mais nervosa, alimentando os efeitos da pílula branca em seu corpo.

— E o que ela queria?

Um suspiro alto saiu do corpo de Saulo.

— Bem…

Antes que Saulo começasse a falar, Ayumi despertou abruptamente, segurando a gola do terno.

— Por favor… diretor… preciso tirar essa… sensação estranha.

— Sensação estranha? — perguntou Toshiba, encarando Saulo fixamente.

— Você não vai desistir disso, né, Ayumi? — disse Saulo, olhando intensamente para as pupilas dilatadas dela.

Ela segurava a gola com as poucas forças que tinha, mas sua determinação era enorme.

— Certo. Vou te dar acesso às gravações, ok? Mas você deve descansar primeiro.

Toshiba, surpresa, cutucou o ombro de Saulo.

— Como assim? Tem certeza disso?

De forma lenta, Ayumi soltou a gola do diretor, fechando os olhos aos poucos.

— Não se preocupe, Toshiba. Antes, eu não permitiria que ela visse as gravações. Mas agora, posso usá-la como suspeita de alteração de provas.

Toshiba reagiu inesperadamente, arregalando os olhos.

— Tem certeza? Por causa da investigação das meninas Yagame?

— Exatamente. Não permitiria antes, já que ela autorizou que o garoto visse informações, o que demonstra que está se deixando levar facilmente pelo papo dele, e isso é horrível.

— Faz sentido. E agora, ao autorizá-la, o que vai acontecer? — indagou Toshiba, retocando o protetor labial.

— Bem, ao ver as gravações, ela terá provas de que procurava algo, e isso posso usar para abalar a confiança do garoto nela, entende?

Um sorriso maligno surgiu em seu rosto.

Toshiba, acompanhando o raciocínio, assentiu.

— Se entendeu, então pegue o corpo dela e leve-a para a enfermaria.

— O quê? Eu? Mas ela é pesada!

— Chame o Okawara então, se vire.

Saulo deixou o corpo de Ayumi encostado em Toshiba e colocou a gravata novamente enquanto saía da sala.

Enquanto eu e as irmãs Yagame seguíamos para a sala de vigilância, surgiram dúvidas sobre a fantasia, principalmente sobre o motivo de Aikyo ter colocado meu nome no sistema — um plano que ela se recusava a mencionar.

Aikyo caminhava à minha frente, segurando a mão da irmã gêmea, Katsu.

O céu azul sem nuvens brilhava sobre nós, junto com o calor do sol da tarde.

Por um breve momento, Aikyo virou-se para trás, me encarou por alguns segundos com expressão fechada e desviou o olhar.

— Aikyo, posso te fazer uma pergunta? — indaguei, apressando os passos para alcançá-la.

Katsu virou a cabeça na minha direção, curiosa.

No entanto, Aikyo continuou firme, olhando para frente.

Cutuquei o ombro dela, chamando-a novamente.

— Que foi? — disse Aikyo, com tom grosseiro.

— É que… você está nervosa desde cedo. Por que não me fala o motivo?

— Não é da sua conta.

Katsu puxou levemente o braço de Aikyo, lançando um olhar de aviso.

— Irmã, para com isso. — murmurou Katsu.

— Eu sei que não é da minha conta. Mas, poxa, somos uma equipe. Mesmo que você não veja assim, é a verdade. Então, peço que pelo menos me deixe ajudar.

— Não tem nada para ajudar, revoltante. A única coisa que pode fazer é ficar calado.

Aikyo fez um gesto com a mão, mandando-me embora.

Sem opções, fiquei calado.

Ela é complicada, deve ter tido um passado difícil na CDA.

Porém, farei de tudo para ganhar sua confiança, para que conte até os segredos que a atormentam.

Assim, terei mais facilidade para ganhar pontos.

— Onde fica a sala de vigilância? — perguntei, com as mãos atrás.

— Fica no prédio dos professores, Yuki-kun. — disse Katsu, olhando de canto para mim.

— Kun? O que é isso, Katsu?

Não percebi antes, mas ela já havia falado quase a mesma coisa no refeitório.

Se não me engano, é um sufixo usado nos nomes no Japão, mas por que ela usa?

— É… isso é…

Seu tom mudou, Aikyo virou-se para a irmã e falou algo que não ouvi.

Pela expressão de Katsu, ela ficou um pouco envergonhada.

Pararam de caminhar, Aikyo virou-se para mim, cruzando os braços.

— O que ela fala não te interessa! Por que quer saber tanto das nossas vidas? — indagou Aikyo, com tom grosseiro.

A raiva estampada em seu rosto congelava o ambiente, seu dedo batia inquieto no braço cruzado, sincronizado com os segundos do meu relógio.

— Sério que está me fazendo essa pergunta? Somos uma equipe! É óbvio que me preocupo e quero saber de vocês.

— Quem disse que somos equipe? Apenas nos juntamos para resolver um problema. Foi decisão do diretor, por mim nem estaria com você, seu estorvo!

— Só sabe dizer isso? Revoltante isso, revoltante aquilo, só me diminui para se sentir superior?

— Gente… não briguem. Irmã, mantenha a calma, por favor. — disse Katsu, tentando intervir.

— Superior? Não diga asneiras. Digo apenas a verdade, seguindo minhas deduções e análises. E, segundo elas, você é uma má influência e uma criança horrível!

— O que quer dizer com isso? — perguntei.

Katsu abraçou Aikyo.

— Por favor! Irmã, pare com isso…

Com voz trêmula e nariz escorrendo, Katsu esfregava o rosto na irmã.

— Katsu… você…

A raiva e o tom grosseiro de Aikyo foram se acalmando.

Seus olhos intensos começaram a brilhar vibrantes.

Abraçou a irmã ombro a ombro.

Um suspiro enorme saiu dela — lágrimas desceram pelo rosto como gotas de chuva na janela.

Sem entender o contexto, apoiei-me em uma árvore próxima, observando o momento entre as irmãs.

Folhas caíam sobre minha cabeça, um vento leve com aroma cítrico passava, levando o clima pesado que até pouco antes estava estressante.

Mas o que vinha à minha mente enquanto as observava abraçadas e chorando era uma questão recente.

Quem é essa pessoa que Aikyo encontrou? O que fez para deixá-la nervosa? Se esse momento dramático entre elas foi culpa dessa pessoa.

Foi algo tão intenso que fez uma garota fria como Aikyo chorar.

Preciso saber sobre isso.

Elas ficaram mais alguns segundos abraçadas, conversando baixo sobre algo que eu não podia ouvir.

Inquieto, aproximei-me para perguntar.

— Ei… meninas… desculpem pelo meu comportamento. Prometo não perguntar mais sobre vocês, tá bom?

Aikyo soltou Katsu do abraço, escondendo o rosto vermelho e triste.

Katsu estava igual, mas olhava para mim com um sorriso — ao menos tentando mostrar força.

— Yuki… peço perdão também pela minha irmã ter dito aquilo. Ela está fora de si, não é culpa sua. Você consegue perdoá-la?

Olhos focados em mim, expressão dócil e contagiante.

Analisando seu rosto, pequenas lágrimas ainda caíam lentamente.

Não aguentei e levantei o braço para enxugar o líquido misturado com tristeza em sua face.

— Tudo bem, Katsu. Não fiquei bravo nem ferido com o que ela disse, estou mais inquieto e curioso sobre o motivo dela estar assim. Me preocupo de verdade com vocês.

Mesmo com as bochechas quentes e rosadas, sentia seu coração pulsar muito mais rápido que o de Aikyo.

Seu olhar vibrante desviou para minha mão na bochecha — um lindo e tranquilizante sorriso apareceu.

— Sei que você se preocupa… e minha irmã também entende isso… mas um dia você vai compreender completamente os motivos dela.

Com a mão gélida e macia, fez um movimento delicado pegando meu braço.

— Um dia… né? Quero entender isso.

Com tom grosseiro e abrupto, cortando o clima, Aikyo gritou enquanto puxava Katsu pelo braço.

— Vamos logo! Temos coisas para fazer!

Com uma risada, Katsu pegou meu braço, levando-me junto.

Seja o que for, esse assunto pessoal delas é algo que não devo esquecer.

Com certeza, será um problema para mim no futuro se não compreender agora do que se trata.

Arco:Investigação