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Capítulo 80 – Encapuzados: Parte 1.

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Capítulo 80 – Encapuzados: Parte 1.

Meu tempo é bem mais valioso comparado ao que o mundo tem de oferecer. Portanto, não há motivo para dedicá-lo a você. — desconhecido.

Me pergunto se foi a melhor decisão revelar a cooperação do Okawara com a Emi.

Se algo der errado para ele, Okawara vai me matar.

As meninas ficaram tão surpresas que queriam correr até o quarto do Okawara.

Obviamente, isso levantaria suspeitas, então sugeri que agíssemos como crianças normais.

No caminho, Aikyo insistia em perguntas sobre o apoio de Okawara, mas fui relutante e não revelei nada.

Durou alguns minutos, mas chegamos ao prédio dos professores.

Batemos algumas vezes na porta, porém não fomos atendidos.

Era meio óbvio que ele estava ausente, mas não pensamos nisso.

Provavelmente, ele estava na enfermaria com a Ayumi, já que ela não estava muito bem.

O dia parecia um jogo de simulador de caminhada para nós.

Mesmo com nossos corpos favorecidos pelas partículas, andar tanto é demais até para nós.

— Aliás, Yuki, você recebeu o resultado do exame que fez com a enfermeira Pinkrine? — indagou Katsu.

— Resultado? Ah, verdade. Havia me esquecido disso. E, para ser sincero, não me lembro de ter recebido.

— Ela não te entregou no dia seguinte? Ou você não fez algum exame de sangue?

— Eu fiz. Ela disse que entregaria ao Okawara.

Aikyo virou a cabeça, me encarando, e disse: — Mais um motivo para irmos até ele, então.

Katsu acenou com a cabeça.

— Sim… — murmurei.

Se ela realmente entregou o resultado para o Okawara, por qual motivo ele não me disse?

Talvez ele tenha esquecido, espero. Não quero pensar no pior.

— Chegamos. Bata na porta, garoto. — disse Aikyo, cruzando os braços.

— Hmf… certo.

Bati na porta dupla da enfermaria. Mesmo tendo companhia, mesmo com um aviso para entrar urgente caso fosse necessário.

Na realidade, se é a enfermaria, deveria estar aberta para facilitar a entrada ou até mesmo ser um lugar para descanso.

Após alguns segundos, alguém abriu a porta.

— Vocês de novo?

— Ah… professor Okawara. Queríamos conversar com você, podemos? — perguntei, juntando as palmas das mãos em um gesto de oração.

— Eu? Mas agora? Estou ocupado aqui, vocês viram a situação da Ayumi, não viram? Preciso ficar aqui!

— Eu entendo. Vamos ficar aqui com ela também. Não vamos atrapalhar. Por favor, senhor Okawara.

— Mas por qual motivo querem tanto assim? Espera, vocês entraram na sala de gravações? Eu falei que não era para terem entrado… Yuki!

Ele me olhou de uma forma que só tinha visto poucas vezes; o nervosismo dele nesse nível é complicado de disfarçar.

— Eu… sei, senhor… mas você precisa ouvir o que temos para falar. É muito, mas muito… importante, senhor! Diria que envolve até aquilo.

Okawara ficou me encarando, alternando o olhar entre mim e as duas atrás.

Sua mão segurando a porta demonstrava uma raiva intensa enquanto apertava o duro material, o barulho de sua respiração ofuscando o ar durante uma briga silenciosa entre nossos olhares.

Óbvio que não está feliz; a raiva reina sobre ele mais que tudo, porém sempre cede se insistirmos.

— Ah… moleque irritante. Entrem logo!

— Aeee… obrigado, senhor Okawara hehe! — disse, entrando na enfermaria.

— Você sabe que não é proibido entrar na enfermaria, né? Então não precisávamos da sua permissão. — comentou Aikyo, enquanto passava pelo Okawara.

Eles trocaram olhares, mas Katsu puxou Aikyo, não dando brechas para o pior.

Entramos e fomos guiados até onde Ayumi estava pelo Okawara.

Para minha surpresa, assim que entrei no quarto de descanso, meus olhos se direcionaram seletivamente para apenas um canto entre as quatro paredes.

A doce e linda garota de cabelos vermelhos, cujo cheiro e presença me deixam totalmente em paz.

Itsuki, com uma postura abatida, expressão abalada e olhos mórbidos.

O que senti naquele instante ao vê-la foi apenas dor e preocupação.

Mas, a partir do momento em que ela me viu, seus olhos ganharam vida, misturados com lágrimas que desciam pelo rosto.

Sua vontade de correr até mim para me abraçar era forte, mas a de segurar a mão de Ayumi era maior.

— Yuki!

Um grito de alívio e desespero vindo dela tocou meu coração.

Por algum motivo, acabei derramando algumas lágrimas…

Sentindo o líquido escorrendo pelas bochechas enquanto meu coração era profundamente apertado.

Por quê?

— Yuki? Por que você… está chorando? — indagou Katsu, tocando meu ombro.

Não resisti, não pude ficar parado esperando que ela viesse me abraçar.

Andei lentamente, mas com certa rapidez, até ela, que me encarava a cada passo.

Enfim, em meus braços ela se jogou, me abraçando com força.

— Conte-me, o que aconteceu? Itsuki?

Seu coração acelerado pulsava numa velocidade que me preocupava.

O medo de perder Ayumi é tão forte assim? Afinal, ela foi a única que a apoiou desde que chegou à escola.

Faz sentido…

Soluçando, forçando a falar mesmo com voz trêmula, disse: — Ela… ela… está… a Ayumi…

— Calma… Itsuki. Não precisa se forçar a falar nada. Está tudo bem. Como eu disse, sempre estarei com você, então pode se acalmar… eu estou aqui!

Comecei a acariciar sua cabeça, com leves carinhos lentos e delicados.

Balançando os fios de seu cabelo vermelho na mesma direção.

Pude sentir aos poucos seu coração se acalmando.

A força que usava para me abraçar agora era mediana.

Com um movimento de cabeça, claramente enxugando suas lágrimas em minha blusa.

Que bom que pude, mais uma vez, acalmar esse doce coração.

— A professora Ayumi… ela está muito melhor agora. Estou tão…, mas tão feliz…, mas ao mesmo tempo muito… preocupada.

— Preocupada? Isso significa que já aconteceu antes?

Assim que disse isso, ela ergueu a cabeça, revelando uma expressão assertiva, confirmando o que eu havia perguntado.

Se isso ocorre, o que poderia ser?

— Desculpe atrapalhar o momento dramático de vocês, mas a Pinkrine precisa olhar a Ayumi. Então, saiam de perto dela! — disse Okawara, apontando para a sorridente e corada Pinkrine ao seu lado.

— Oh… Me desculpe de verdade, crianças, por atrapalhar esse momento tão fofo de vocês. Mas realmente preciso dar mais uma olhadinha na Ayumi, pode ser? — disse Pinkrine, juntando as mãos em sinal de perdão.

Não fiquei sem graça nem nada do tipo, mesmo com os olhares tortos das irmãs Yagame; continuei sério com a situação.

Apenas segurei as mãos de Itsuki, levando-a para perto de Okawara.

— Não, está tudo bem! Precisamos conversar com o Okawara mesmo. — disse, enxugando as lágrimas do rosto.

— Ham? Comigo? Conversar o quê, moleque?

— Isso, por favor, Okawara, converse com os pombinhos na sala de espera, certo?

Pinkrine disse isso com certo ânimo, carregando um sorriso no rosto, afastando Okawara para fora do quarto como se fosse poeira.

Okawara, sem fazer nada, apenas resmungou com as mãos no bolso.

— Argh… que chatice. Vamos logo então, fedelho, o que quer conversar?

— É algo importante, deve ser discutido em segredo.

Fomos até a sala de espera; não havia ninguém por perto, apenas nós três.

Itsuki preferiu ficar ao lado de Ayumi; entendi os motivos dela, então preferi não insistir.

Já na sala de espera, Okawara segurava um copo de plástico com água filtrada.

— E então? Vai abrir a boca agora?

Okawara, inquieto e ansioso, sentou-se na cadeira, tomando um gole da água.

Katsu e eu nos sentamos nas cadeiras em frente a ele.

Aikyo ficou em pé ao lado da irmã, com os braços cruzados e a expressão fechada de sempre.

O céu estava nublado, o clima úmido e leve.

Como as janelas estavam abertas, o frio nos acompanhava nesse clima pesado que nos envolvia.

— Vou ser direta e objetiva, professor Okawara. Não sei se você sabe ou não sobre meu envolvimento com Emi Satoru, mas o que me importa é… você também está envolvido com ela?

Realmente foi direta ao ponto. Não sei se isso foi bom ou não.

Okawara continuou com o olhar intenso para nós, mas em segundos focou totalmente em mim.

— Espera… eu sei o que você está pensando…

Antes que eu terminasse de falar, Okawara se levantou rapidamente, amassando com força o copo de plástico na mão.

— Sim, isso mesmo. E você deveria saber que não pode falar sobre isso num lugar como este, você é idiota, garota?

— Ham? Ah… sim, eu sei. Mas aqui, bem, não tem ninguém por perto…

— As paredes têm ouvidos! Droga! Esse assunto está encerrado por enquanto. Amanhã é domingo, venham para meu quarto.

Okawara começou a suar; esse é um assunto bastante delicado para ele.

— C-certo! — disse Aikyo.

Ela sentou-se após isso, com expressão abatida.

Acho que as palavras de Okawara foram duras… Na verdade, acho que ela está assim por ter entendido sua falta de noção ao entrar num assunto crítico em um lugar como este.

— Enfim. Agora, fala, moleque, o que queria falar comigo?

Okawara foi ao bebedouro pegar mais água.

Aguardei ele voltar enquanto isso.

— Vai ficar me encarando em vez de perguntar? — indagou Okawara, sentando-se novamente.

— Ah… eu estava esperando você sentar primeiro…

— Pronto. Já estou sentado. Desembucha logo!

— Certo! É sobre o motivo de vocês terem saído da sala de gravações hoje. Foi, na minha opinião, bastante curioso. O que estavam fazendo lá?

— E por que diria isso a você? Um mero aluno!

— Então vai ser assim, professor?

— É óbvio que não seria fácil. Esperava o quê? — disse uma voz misteriosa.

Vou ter que fazer algo a respeito, se não, ficarei sem respostas.

— Bem, você está certo. Não ganho nada falando com você sobre isso, além de perder tempo e lábia.

— Yuki? — murmurou Katsu.

— Exatamente. Não faz sentido contar algo a você. Se compreende, vamos encerrar isso aqui também.

Okawara estava prestes a levantar, mas o impedi.

— Entretanto, acredito que, se você me contar o motivo, posso te ajudar muito mais do que imagina com essa investigação secreta.

Ele desistiu de levantar-se após me escutar, mas a expressão do rosto não mudou.

— Me ajudar? E como faria isso? Acabou de chegar na escola, não tem influência alguma nem amigos habilidosos, só está com as Yagame para investigar o que te aconteceu.

— Eu sei, obrigado pelas doces palavras. Mas você está enganado. Posso não ter influência, mas os poucos amigos que tenho são altamente inteligentes e têm contatos também.

Okawara cruzou os braços, franzindo a testa.

— É? Esses poucos amigos que está citando são Sasori e Fuutaro? Ah, me poupe. São apenas as sobras da sua sala. — disse Okawara, rindo.

— Eles têm influência, têm contatos, além de Fuutaro ser do conselho. Também cito Arushi.

Okawara arregalou os olhos, surpreso.

— Arushi? E por que ele?

Entendi o motivo do espanto, mas não engoli essa reação; ele sabe muito bem da capacidade de Arushi.

— Ele é inteligente, minha carta na manga. Além disso, tem contatos bastante inteligentes, como York e Gojo.

Assim que disse isso, a reação de Okawara mudou abruptamente de surpresa para susto.

— O quê? Espera, como assim Arushi tem contato com York e Gojo? Como você sabe disso?

Não só Okawara, mas Aikyo e Katsu também ficaram tensos.

O clima na sala, que era ameno, parecia esquentar por conta da situação.

Dava para ver o suor descendo na testa de Okawara.

A pegada forte de Katsu na coxa, a mordida no lábio a cada fala nossa.

A respiração pesada de Aikyo aumentando a cada batida do coração; dava para ouvir os incômodos na sala.

— Como eu sei não importa. O que importa é que eles têm utilidade para vocês, não? Eles conseguiram pegar todos os volumes da origem das partículas ONI sem que ninguém percebesse.

Como sonhei com eles, presumi que poderiam ter ajudado Arushi com os livros, mesmo sem ter certeza se conseguiram pegar.

Apostei citando o nome deles para ver a reação; como ficaram tensos, acreditei que são crianças especiais.

— Você está falando sério, pirralho? Por que eles arriscariam o futuro para pegar aqueles livros? Isso nem faz sentido!

— Claro que faz, eles são amigos de Arushi, que é meu amigo! Um ajuda o outro, entendeu? Isso se chama via de mão dupla, né?

— Mas isso não significa que eles irão nos ajudar na investigação, e não podemos abrir nosso grupo para qualquer um. — disse Aikyo.

— Isso está indo longe demais para um lugar como este… vamos terminar a conversa amanhã…

Okawara estava bastante incomodado; de que medo ele tem?

— Precisamos decidir agora: você vai me contar a verdade sobre sua ida à sala de gravações em troca da ajuda minha e dos meus amigos?

Continuei pressionando, aproveitando o incômodo para persuadi-lo.

— Tsc… você realmente não entende nada, né, pirralho? Por não ter sofrido e nem passado pelo pior aqui, não sabe o que pode acontecer se descobrirem sobre nós! Então cale a boca!

— Então preciso passar pelo pior para entender a situação? É por isso que estou aqui implorando para você me contar! Assim vou compreender tudo melhor.

— Não me venha com esse papinho de companheirismo. Já estou me arriscando muito falando disso aqui e ainda chamando vocês para meu quarto amanhã. Se tem um pingo de neurônios, trate de me escutar e ficar quieto!

Aikyo se colocou na minha frente, com olhar intenso.

— Escute ele, revoltante! Vamos conversar sobre isso amanhã!

Katsu, ao meu lado, pegou minha mão, olhando-me preocupada.

— Sim, Yuki. Fique calmo, amanhã resolveremos.

Levantei-me da cadeira, afastando-me delas.

— Olha, estou calmo! Mas preciso muito de respostas. Okawara, peço que, se realmente quer saber a verdade dos desaparecimentos, entenda minha situação também.

Olhei dramaticamente para ele; mesmo com sua expressão de raiva, o encarei de cabeça erguida, postura firme e peito estufado.

Okawara, já no limite da raiva, rosto vermelho e testa suada, não demonstrava que aceitaria.

Colocou a mão direita na testa, limpando o suor.

Aikyo e Katsu ficaram em silêncio atrás de mim. Mesmo do lado de Okawara, elas também queriam saber a verdade o quanto antes.

— Entendo você, sei o quão ansioso está para saber a verdade, mas precisa entender que faço isso para seu bem, não por mal! — disse Okawara, diminuindo o tom de voz.

Fiquei alguns segundos em silêncio, observando a postura abatida de Okawara.

— Como você disse, professor, sou apenas um aluno, não seu filho. Estou aqui para aprender, não para ser repreendido. Se quero saber a verdade e está relacionada à minha investigação, cabe a você, como professor, me contar tudo!

— Contar tudo? Você acha que professor tem obrigação de revelar segredos a alunos só porque pedem? Realmente está perdendo a lógica e se apegando à emoção!

Dei mais um passo à frente, ficando mais perto de Okawara.

— Não tem a ver com lógica ou emoção; o que importa é meu envolvimento com esse grupo secreto seu, me fazendo entregar coisas em segredo com Emi. Por isso mereço mais atenção!

Os olhos de Okawara desviaram para o lado.

Katsu colocou a mão em meu ombro, enquanto Aikyo cruzou os braços.

Okawara estava com os dedos sobre os olhos, tentando pensar no melhor caminho.

Não sei se escolhi o melhor caminho nessa conversa; me arrisquei muito colocando Arushi no meio disso.

— Mas que droga! Sabia que isso poderia acontecer um dia. Você realmente se envolveu demais comigo.

Ele se jogou na cadeira, respirando profundamente.

— Pois é! Você me envolveu em tudo isso, me moldou para esta escola, é sua culpa eu ter chegado até aqui, então assuma a responsabilidade e me conte a verdade!

— Cala a boca! Meu Deus, estou cansado de ouvir sua voz irritante.

— Okawara… — murmurou Katsu.

— Se não quer ouvir minha voz, então conte, que eu me calo por agora. — disse, me colocando na frente de Okawara.

— Escute aqui, moleque, trate de fazer com que Arushi traga Gojo e York, entendeu?

— Certo! Vou cumprir minha palavra!

Okawara fechou os olhos, acalmando-se um pouco.

— Parece que você conseguiu, e nem precisou da minha ajuda! — disse a voz misteriosa.

Sentei-me na cadeira, assim como as irmãs Yagame.

Finalmente ele vai me contar a verdade: se pegou o dispositivo de gravação ou não, e o motivo de estarem na sala de gravações.

Arco:Investigação