Capítulo 81 – Encapuzados: Parte 2.
Capítulo 81 – Encapuzados: Parte 2.
Okawara está prestes a nos revelar o verdadeiro motivo de sua ida à sala de gravações.
Existe uma pequena chance de ele nos contar uma versão falsa, mas não creio que ele tenha chegado a esse ponto.
— Vocês querem saber por que eu fui à sala de gravações, é isso? — indagou Okawara, me encarando.
— Sim. E também algumas outras coisas relacionadas. — disse Aikyo, tomando a frente na conversa.
Okawara está sentado em uma cadeira à minha frente, enquanto Aikyo e Katsu estão ao meu lado.
A ânsia por respostas afetava o comportamento de Katsu, que fazia movimentos repetitivos com a perna.
Seu olhar para Okawara era determinado, e sua vontade de obter respostas era bastante convincente.
— Vamos logo com isso. Aliás, já aviso que, se alguém ouvir nossa conversa, coisa boa não vai acontecer!
— Entendemos. Pode começar dizendo o motivo de você e Ayumi estarem na sala de gravações. — disse Aikyo.
— O motivo é simples: Ayumi estava passando mal, por isso o diretor me pediu para acompanhá-la na sala de gravações, local que ela mesma queria visitar.
— E o que ela viu na sala? — perguntei.
Okawara empinou a cabeça, franzindo as sobrancelhas.
— Ela queria ver algo interessante, que, na minha opinião, me surpreendeu. Uma gravação do dia anterior em que você quase… morreu!
Seu olhar intenso quase me desafiava, carregando o clima apenas com sua expressão.
— E o que vocês viram nessa gravação? — perguntou Aikyo, sentada na ponta da cadeira, bastante atenta a Okawara.
— Vimos a gravação da câmera das piscinas grandes: uma pessoa de capuz azul colocando algo na terra perto das árvores. Depois que Ayumi viu isso, sua situação piorou.
Não fiquei surpreso; entendi o motivo de ela ter piorado, e as meninas também compreenderam, pois expliquei a elas o contexto do broche falso.
— Cara de capuz… é? Já escuto isso novamente. — disse Aikyo.
— Sim, na primeira vez que vi um homem de capuz foi há algum tempo, nos primeiros dias em que acompanhei esse pirralho aqui na escola. Infelizmente, não prestei atenção, pois para mim não era nada demais.
Coloquei a mão sobre o queixo, relembrando o passado.
— Realmente, lembro desse dia; nunca esquecerei ele sorrindo para mim de forma estranha. Eu apenas vi seu sorriso de longe. — disse, olhando para Okawara.
— Mas estou curiosa com algo. Ayumi começou a passar mal a que horas? — perguntou Aikyo.
— E eu vou saber as horas? O diretor me pediu minutos antes de vocês chegarem lá também. Não ficamos muito tempo vendo as gravações, uns 25 minutos ou mais.
Levantei-me da cadeira, pensativo sobre o que ele acabara de dizer.
— Mas isso é estranho. Hoje cedo encontrei com ela e estava tudo bem. E agora são apenas cinco da tarde; se você ficou menos de uma hora com ela, então podemos dizer que o diretor te encontrou depois das quatro, certo?
— Sim, pela lógica faz sentido, mas por que essa linha de raciocínio? — perguntou Aikyo.
— Ayumi nos encontrou antes do meio-dia, passou mal antes ou depois das quatro, mas não depois das cinco. Okawara já estava no local para acompanhá-la, que estava doente. Não é coincidência?
— O que quer dizer com isso, pirralho? Que eu já sabia que ela iria passar mal?
Aikyo levantou-se da cadeira, me encarando e franzindo a testa, com uma expressão de quem entendeu meu raciocínio.
— Não é isso. Pelo horário estar próximo, faz sentido você saber que ela estaria passando mal e que o diretor pediria sua ajuda pelo seu porte físico. Mas a realidade é outra.
Katsu levantou-se rapidamente, olhando para nossos rostos com um olhar perdido.
— Como assim? Só eu não estou entendendo nada aqui?
Okawara, acompanhando Katsu, também se levantou, direcionando seu olhar para mim, indicando que a conclusão seria minha.
Aikyo pegou a mão de Katsu, trazendo-a para seu lado.
— Vocês estão pensando demais sobre o motivo. Tem certeza de que é certo me colocar como alvo? Há coisas mais importantes para focar, pirralho!
— Sim, tem razão. Mas sua presença repentina aqui no prédio dos professores indica que você já tinha o objetivo de ir à sala de gravações. Já que Ayumi não estava se sentindo bem, aproveitou para acessar a área, não estou certo?
Katsu arregalou os olhos, focando em mim com os olhos vibrantes e bochechas coradas.
Okawara franziu a testa, tensionando os dentes pelo movimento da mandíbula.
Por um breve momento, fez um sorriso de canto, desviando o olhar para o lado.
— E por que pensa isso? Nem faz sentido, moleque. Eu só vim até aqui porque sábado dou aula extra para alunos, simples assim!
— Aula extra? Você? Nunca vi isso! — disse Aikyo.
— Não acredita em mim? É só ir para a sala de reforço no sábado que verá minha presença. Além disso, você mesma viu os alunos saindo daqui quando vieram.
— Tsc… Esqueci desse detalhe… — murmurou Aikyo, fechando os punhos.
— E você, moleque! Não está se achando inteligente demais? Se coloque no seu lugar e fique calado; pense melhor antes de falar asneiras!
Okawara, desta vez transbordando confiança, começou a me encarar com um sorriso provocador.
Pelo momento, não parecia que haveria respostas ou réplicas vindas de Aikyo e Katsu.
Isso é um problema para mim; preciso insistir.
— Sim, vou pensar a respeito disso, Okawara! Mas, poderia me responder só mais uma coisa? — perguntei, olhando friamente para ele, retrucando seu olhar provocador.
— Hm? Que foi?
— Como ressalva, você disse que estava dando aula, que este foi o motivo de você ter sido tão rápido para ajudar Ayumi, certo?
— Sim, exatamente, qual é o problema agora?
Okawara, posturado como sempre, me encarava com expressão fechada.
Sinceramente, não sei o que posso perguntar, nem que assunto posso levantar para esclarecer dúvidas.
Estou pressionado, começando a suar por trás das orelhas.
Olhando para as irmãs, elas me observam com um olhar de esperança, confiando que posso resolver a situação.
Não posso perder essa oportunidade para ganhar a confiança de Aikyo.
— Entendi, obrigado por nos dizer isso. Agora faz sentido Itsuki estar aqui; você a trouxe junto da aula de reforço, já que se tratava da Ayumi.
Okawara riu, não acreditando que foi isso que quis dizer.
Voltou seu olhar para mim, agora tranquilo e não preocupado.
Sua postura ficou leve, pois antes estava em alerta.
— Realmente, isso foi bom até mesmo para a própria Ayumi, tê-la ao seu lado em um momento como este.
Aikyo murmurou, franzindo a testa.
— Que decepção!
Katsu virou-se para Aikyo, fechando a cara.
— Decepção por quê, irmã?
Negando com a cabeça, Aikyo não disse mais nada além de sentar-se na cadeira.
— Enfim, acabamos por aqui? Até porque essa conversa nem fez sentido. — disse Okawara, sentando-se novamente na cadeira.
— Não, fez sentido sim. Afinal, você confiou demais na sua mentira e agora está aliviado, né? Foi boa essa sensação breve de tranquilidade? — disse, com um olhar frio para Okawara.
— Ainda quer continuar com isso, moleque? Seu papinho não funciona comigo! Sente-se logo na cadeira.
— Papinho, é? Bem, primeiro você estava todo tenso e preocupado conosco, sendo que tinha um álibi perfeito para te proteger, que era a aula de reforço. Mas o que fez?
Aikyo, desmotivada, ergueu a cabeça novamente.
Okawara abriu um sorriso.
— Você não desiste mesmo, né, moleque?
— Segundo, como estava preocupado, assim que falei sobre Itsuki, você aceitou e usou isso como sobrevida para escapar da conversa. Mas usei isso para entender como reagiria, e foi um sucesso. Você se tranquilizou, mesmo tendo o álibi desde cedo. Engraçado, não?
Okawara parou de sorrir, engolindo seco.
— Faz sentido. Se ele tinha álibi, por que só depois de você acrescentar uma afirmação sem precedentes ele a agarrou sem pestanejar?
— Porque estava em apuros, então não argumentou sobre a resposta de Yuki sobre Itsuki. — disse Katsu, respondendo à pergunta de Aikyo.
— Exatamente. Você simplesmente aceitou o que eu disse e se tranquilizou quanto a isso, pois pensou estar salvo da sua mentira improvisada. Mas sabe muito bem que Itsuki não faz aula de reforço aos sábados.
Okawara fechou os olhos, apenas escutando o que estávamos falando.
— E se ela não faz reforço, então significa que você mentiu sobre estar dando aula.
Aikyo se aproximou de Okawara enquanto falava.
Aproveitei para me aproximar também.
— E não só isso. Para encerrar, se realmente você desse aula de reforço, não faria sentido continuar sentado na cadeira; deveria ter ido para o segundo turno de reforço, não? — disse, orgulhoso enquanto via o sorriso de Katsu para mim.
— Em vez disso, você ainda pediu para Yuki sentar-se na cadeira, sendo que o assunto estava encerrado. — disse Katsu.
Okawara fez uma pausa dramática, depois começou a bater palmas, enquanto sorria de olhos fechados.
— Uau. Como vocês são inteligentes, hein? Nossa! Ganharam o prêmio de dedução e leitura corporal, parabéns!
— Então admite que mentiu e que usou Ayumi para entrar na sala de gravações? — perguntei.
— Tsc… cansei dessa brincadeira! Há tempos eu queria entrar na sala de gravações, mas precisava de alguém para usar como máscara.
— Por quê? Não era só pedir ao diretor? Você é tipo o braço direito dele, né? — perguntou Aikyo.
— Não é bem assim. E não há motivos para eu entrar na sala de gravações do ponto de vista dele. Levantaria suspeitas sobre mim, que é melhor evitar.
— E para isso aproveitou a chance perfeita com Ayumi, né? Mas você sabia que ela queria ir à sala de gravações e que iria passar mal, por isso já estava aqui no prédio?
— Digamos que sim. Tenho fontes que me disseram sobre o desejo de Ayumi de ver as gravações, mas não sabia que ela estava passando mal. Eu apenas ia pedir um favor.
E essa fonte certamente é a câmera escondida no meu relógio.
— Foi pura obra do poder da coincidência. — disse Katsu.
— Então, já que chegamos a esse ponto, diga, por favor, o que você viu na sala de gravações.
Aikyo insistiu no assunto; agradeci por não ser o único aqui a querer tanto saber.
— Nada. Infelizmente, não consegui ver o que queria, pois a Toshiba estava conosco. Além disso, ela não tirava os olhos de nós, essa mulher estressante. — disse Okawara, com expressão de raiva.
— E você perdeu essa chance? Esperou tanto para chegar na hora e não fez nada? Que patético.
— Irmã! Para com isso já!
Katsu, como sempre, advertiu sua irmã ignorante. Surpreendi-me com a paciência dela.
— Não, ele está certo. Não fazer nada foi a melhor escolha, até porque seria uma perda total se fosse descoberto. Não teríamos mais chances no futuro. — disse, com tom confiante.
Aikyo fechou a cara para mim.
— Para mim tanto faz. Vou ter outras oportunidades mesmo. Só não quero o diretor enchendo minha cabeça de perguntas.
— E o que exatamente você quer ver que tomou tanto desejo seu nesses tempos? — perguntou Aikyo.
— Hmm… Esconder não vai adiantar nada, né? Então é melhor eu contar… Um tempo atrás, eu estava andando à noite com uma blusa de frio, quando uma criança me parou e perguntou se eu tinha conseguido encontrar o dono do sapato.
— Dono do sapato? Capuz? Quer dizer que essa criança conversou com o homem do capuz???
Aikyo, eufórica, questionou rapidamente; até me assustei com tal comportamento.
— Sim, essa criança conversou com ele… e por isso queria olhar as gravações. Para saber sobre os locais, passos e pessoas com quem essa criança conversou. Saber de quem é esse sapato.
Sapato… rapidamente liguei os pontos.
Esse sapato é meu, do dia em que o joguei pela janela para me ajudar a fugir do antigo depósito.
Então quer dizer que ele está com aquele meu sapato até hoje?
— Precisamos encontrar essa criança e perguntar de novo sobre esse homem. Você não perguntou na hora?
Entendo todo esse alvoroço de Aikyo; saber que há uma criança com alguma informação sobre esse homem é importantíssimo.
— Perguntei no dia. Mas não houve tempo para responder. Pensei que poderia conversar novamente depois… mas não é mais possível.
— Ham? Como assim não é mais possível? O que aconteceu? — perguntou Aikyo.
Está óbvio; por um momento fiquei aliviado ao saber dessa notícia, mas agora caiu a ficha.
Com certeza, o homem do capuz não deixaria a criança que viu seu rosto solta na escola.
— Porque… essa criança é o Theo.
O clima da sala pesou.
O ar ao nosso redor silenciou.
Todos entenderam o motivo de não ser mais possível.
Do porquê de Theo ter desaparecido da escola.
Foi o homem do capuz azul…
Arco:Investigação.