Capítulo 88 – Um acordo com o diretor.
Capítulo 88 – Um acordo com o diretor.
Uma coisa que passa pela minha cabeça é apenas uma questão de memória: quem é Jio? Eu o vi em algum lugar? Tentou conversar comigo? Já nos encontramos alguma vez?
São tantas perguntas, mas com apenas uma resposta: Jio pertencia à sala onde estou agora, Blue Zenith.
Graças ao sumiço dele, consegui uma vaga nessa sala; infelizmente, foi por uma situação assim.
Mas como ele desapareceu e por que sumiu?
Será que é realmente verdade que foi ele quem me empurrou?
Perguntas e mais perguntas dentro da minha cabeça; mesmo sem respostas, continuo me questionando.
Ver pela tela um ser humano igual a mim, com aquela fantasia me empurrando me deixou completamente abalado; não acredito que estou vendo algo assim.
Além disso, o sonho que tive, onde mostra Itsuki me empurrando, não tem nada a ver com a realidade; isso prova que ela não está envolvida nisso.
E, ao mesmo tempo, responde à pergunta que fiz: quem pegou a pasta na sala de gravações?
Não foi nem o diretor, nem a secretária dele.
Qual é o objetivo do Jio?
O diretor desligou a tela e se virou para mim.
— E então, creio que com esse vídeo dá para ver nitidamente o que aconteceu e quem pode ter te empurrado.
— Sim, mas ainda assim não é uma prova concreta de que foi o Jio; ele pode ter pegado a fantasia, mas isso não significa que ele estava vestido nela.
Com um sorriso aberto no rosto e um olhar suspeito sobre mim, ele se virou, cruzando os braços e voltando para seu assento.
— Entendo, mas nesse momento, você tem alguma prova de que não foi ele? Pois nós temos uma prova de que foi ele, que é essa fantasia.
O diretor está determinado a colocar a culpa no Jio; por qual razão, não sei.
O que ele diz pode até ser verdade, mas ao mesmo tempo carece de fundamentos, pois qualquer um pode ter pegado a fantasia e usado… espera.
— Mas, diretor, você disse que a testemunha informou ter visto alguém vestido com essa fantasia quando saiu da sala de gravações; nesse caso, era o Jio? Creio que isso não pode ser, já que ele está desaparecido desde o mês passado, certo?
— Podemos dizer que sim, mas o que isso tem a ver?
Mesmo com um olhar afiado, ele assentiu.
— A questão é simples: se você afirma que era ele usando a fantasia na hora de me empurrar, mas a criança que usou a fantasia ontem não era o Jio, então isso torna possível que qualquer um tenha usado a fantasia na hora de me empurrar, tornando essa uma prova concreta desse fato.
O clima pesou por alguns segundos, uma onda de raiva preenchendo toda a sala ao mesmo tempo em que me prende na cadeira; isso está vindo do diretor?
— Entendo perfeitamente sua colocação, mas preciso refutar um pouco mais. Se o que você está dizendo for verdade, então quem mais poderia ter usado a fantasia ontem? Se essa pessoa está com a fantasia, então quer dizer que foi ela que te empurrou?
— Na realidade, diretor, vou retrucar sua pergunta com outra: se foi o Jio que me empurrou usando essa fantasia, quer dizer que a pessoa que usou a fantasia ontem é a culpada por trás do desaparecimento do Jio?
O olhar que era afiado se arregalou; suas mãos cruzadas, que estavam à mostra tampando a parte de baixo do rosto, se desprenderam lentamente.
— Será? O que me diz, detetive mirim? Consegue provar que é a mesma criança? E quais são suas motivações? Pois precisamos saber o porquê fizeram isso e com que finalidade, ou se foram coagidos a fazer isso por… terceiros.
Terceiros, é?
— Não sei se consigo, até porque eu não descobri por conta própria quem me empurrou. Mas vou tentar.
— Não quero que tente, quero ouvir que consegue fazer isso.
Suas palavras foram afiadas e com um enorme peso, mas com uma determinação que não posso negar.
— Certo, eu consigo resolver isso. Mas preciso dessa gravação que acabou de me mostrar.
— Oh, mas como você vai usar a gravação? Precisa de um computador ou desse tipo de televisão que só tem duas na escola. Então presumo que não irá conseguir usá-la.
Me levantei, mantendo meus olhos fixos nele.
— Tudo bem. Eu vou dar um jeito, pode me emprestar o dispositivo?
Com certo luto, ele assentiu.
— Certo, boa sorte, Yuki. E mais uma coisa: se você não resolver isso, infelizmente vou ter que te suspender por ter quebrado uma regra crítica da escola, entendeu?
Que pressão absurda é essa.
— Entendi, senhor diretor!
Firmei minha voz, deixando meu corpo firme e confiante.
— E mais uma coisa, diretor: você pediu para alguém ir ao depósito para ver quem tinha alugado a fantasia?
— Não, eu mesmo dei uma olhada no sistema, mas pedi para uns seguranças irem até o depósito para confirmarem se foi realmente você que pegou.
— Mas por que eu? Quem disse que fui eu que havia pegado a fantasia?
O diretor ficou alguns segundos em silêncio.
— Foi a testemunha que disse, e tenho uma leve impressão de que sua outra pergunta é para saber quem é a testemunha, certo? Infelizmente, não posso contar.
Faz sentido ele não poder contar, mas que testemunha é essa? Existe a possibilidade de a testemunha ter mentido sobre tudo isso.
— Vocês confirmaram o testemunho dela pelas gravações de ontem?
— Sim, o testemunho dele foi confirmado; vimos pelas câmeras alguém andando com essa fantasia levando uma pasta marrom.
Com isso, sei que não é uma mulher, já que induzi ele a dizer o pronome masculino após me referir à testemunha com pronome feminino.
Mas ainda assim, são muitas possibilidades, já que há muitos meninos aqui.
— Entendi, mas viram ele saindo da sala de gravações?
O diretor, após me entregar o dispositivo, voltou para sua cadeira, colocou um pouco de líquido em seu copo antes de tomar um gole.
— Bem, não poderia dizer isso a você, mas vou dizer, já que é meu detetive particular agora. As câmeras estão com defeito e, por alguns minutos, não estão filmando; por conta disso, não vimos esse suspeito saindo da sala de gravações, só o vimos indo para o conselho.
— E descobriram o motivo da causa?
Balançando a cabeça, negou minha pergunta.
Será que esse problema das câmeras tem a ver com a Emi? Já que mais cedo ela disse que não precisávamos nos preocupar com as câmeras.
— Por conta disso, temo que o culpado seja a causa do problema; ele deve ter mais cúmplices para ajudá-lo com isso; não creio que ele esteja fazendo tudo sozinho.
— Realmente, não tem como ele usar a fantasia e bagunçar as câmeras ao mesmo tempo.
Mas se a Emi sabia sobre esse problema das câmeras, o suspeito também sabia?
Isso está muito estranho; se ele sabia dos problemas das câmeras e usou isso a seu favor, então é próximo da Emi? Se é próximo, por que faria algo assim? E por que ela não me contou?
Minha mente está um caos.
— Yuki, o que vou te dizer aqui, fique apenas aqui. Entendeu?
Assenti com a cabeça, engolindo seco.
— Suspeito que a Emi esteja envolvida nisso. Nas câmeras, vimos ela andando de capuz ontem à noite, bem suspeito para uma simples mercadora. O mais estranho é que vimos várias vezes alguém andando de capuz durante a noite, o mesmo traje escuro, mas só ontem conseguimos ver seu rosto.
Então eles sabiam da Emi; obviamente, saberiam, ela anda por aí vestida daquele jeito estranho.
— Emi, né? Mas eu não posso ficar perto dela, então como vou investigá-la?
Tomando mais um gole, ele parou por alguns segundos para pensar.
— Quero apenas que mantenha a guarda levantada. Se vir algo estranho com ela de longe, me fale. Mas mantenha-se afastado dela.
Assenti com a cabeça, sentando-me de volta na cadeira.
— Estou um pouco confuso, diretor. Me conte o que realmente quer e o que pensa.
Preciso confirmar suas motivações e planos para poder passar para o grupo dos encapuzados.
— O que eu quero? Não é muito complexo ou longo; quero apenas que descubra logo quem te empurrou, já que esse suspeito é a peça-chave para descobrir sobre o desaparecimento do Jio. E acho que a Emi deve estar cooperando com esses suspeitos. Mas tenho algo mais complexo que isso.
— E o que é?
O diretor fez uma pausa dramática, olhando para o teto com a cabeça encostada na cadeira.
— Bem, suspeito que o Japão esteja envolvido nos desaparecimentos das crianças. E acho que a Emi seja uma das espiãs, ou apenas alguém cooperando com eles.
— Espera, me desculpe, diretor, mas espiões? Japão? Como assim?
Ele se levantou, se virando para a janela grande que estava atrás; realmente é um hobby dele apreciar a paisagem pela janela.
— Yuki, isso é um assunto muito restrito; infelizmente, não posso contar mais nada. Apenas fique alerta e não ande sozinho por aí; fez bem em ter ficado com a Itsuki e não ter deixado ela sozinha. Sobretudo, não fique sozinho, não ande sozinho à noite, entendeu?
— Sim…
— E mais uma coisa, Yuki. Não tente descobrir quem era a testemunha; não quero ter que te suspender por conta disso, entendeu?
Ele realmente não quer que eu saiba quem é a testemunha de forma alguma.
Ou ele está tentando proteger a testemunha por motivos institucionais ou por motivos pessoais.
— Eu não vou tentar descobrir, diretor. Mas está tudo bem para você mesmo as câmeras estarem com defeito?
— Elas já estão sendo trocadas uma por uma, então não se preocupe com isso.
Foram rápidos com isso.
— Certo. Então estou indo.
— Cumpra com nosso trato, Yuki. Estou contando com você — disse o diretor, enquanto eu me afastava dele.
Assim que saí da sala, Itsuki e Okawara estavam distantes, me esperando.
— Yuki!!! Você está bem? O que ele disse? O que vai acontecer com você? Vai ser expulso?
Itsuki, toda preocupada, segurava minha mão; já Okawara estava com a cara fechada e braços cruzados.
— Calma, Itsuki. Estou bem, hehe, e por enquanto não vou ser expulso; eles vão verificar certinho sobre o caso antes de tomarem qualquer medida.
— Ahh, uffa. Que bom, Yuki!
Ela me abraçou com uma certa vontade e força descomunal enquanto chorava, provavelmente descontando toda a ansiedade e medo.
— Yuki, provavelmente ele pediu para você não contar nada sobre o que conversaram; espero que cumpra isso.
Mesmo falando isso, o olhar do Okawara era compreensível; não era para eu falar nada, não aqui.
Mas em outro lugar.
Enquanto estávamos parados conversando ainda na diretoria, um homem passou por nós indo na direção da sala do diretor.
Um homem vestido com terno roxo escuro, usando óculos escuros mesmo estando em um lugar fechado.
Seu cabelo estiloso, com todo o seu volume para trás e uma única mecha roxa na frente.
Quando ele passou por nós, senti que seu rosto se virou alguns centímetros para mim.
Um sorriso leve e relaxado se abriu.
Que cara suspeito.
Só que, ao mesmo tempo, sinto que já vi esse homem em algum lugar.
Esse sentimento e esse cheiro estranho vindo dele são os mesmos que senti uma vez no ano passado.
Essa mecha roxa… bastante familiar.
Bem, não importa, tenho coisas mais sérias para resolver agora.
Assim que Yuki saiu da sala, o diretor Saulo Kobayashi continuou observando a paisagem pela janela.
— Meu plano está indo completamente de acordo com o esperado. Mesmo não acreditando que ele seja filho daquela mulher, ainda assim não posso descartar essa possibilidade. Preciso mantê-lo perto de mim e, ao mesmo tempo, camuflá-lo dos Cronwell. Um dia, com certeza, vou realizar meu objetivo e finalmente passarei toda a minha vida ao seu lado… minha querida.
Em lágrimas, Saulo colocou a mão sobre a janela, olhando fixamente para uma única direção.
A porta se abriu de repente, fazendo Saulo se ajeitar rapidamente.
— Ora, se não é o novo professor de dedução. Como está, Kaido?
O homem, de terno roxo e mecha roxa, retirou seus óculos escuros, direcionando seus olhos para o diretor.
— Estou bem, senhor autoridade. E como o senhorio está? Tranquilo?
Saulo se sentou em sua cadeira, soltando um enorme suspiro.
— Sim, estou bem. Mas o que deseja aqui, Kaido? Você só tem aula amanhã, certo?
— Correto. Mas estou aqui por um motivo maior e importante, senhor! Preciso lhe pedir um favor, posso?
— Mas é claro, pode falar.
Kaido desabotoou seu terno, sentou-se na cadeira, cruzou as pernas e colocou as mãos sobre elas.
— Bem, senhor diretor. Fiquei sabendo de um acontecimento de ontem e de um ocorrido no mês passado com um aluno, então pensei: que tal me deixar investigar isso tudo? Ou me deixar no comando de quem já está no caso?
Saulo deu uma risada estranha, arrumando o cabelo.
— Olha, Kaido, acho boa essa sua vontade, mas não precisa se preocupar com isso; já tenho três envolvidos no caso, então não será necessária sua ajuda.
— Oh, já tem três? Então creio que sejam os três melhores alunos de dedução da escola?
— Quase isso, mas temos sim o segundo melhor no ranking envolvido no caso.
Kaido descruzou as pernas, ajeitando-se adequadamente na cadeira.
— Entendo, e esse segundo melhor no ranking é o menino que está lá fora?
Saulo fechou a cara, restringiu sua expressão enquanto batia na mesa com o dedo indicador.
— Não, aquele menino é um suspeito do caso de ontem, apenas isso. Enfim, você pode se retirar agora.
Kaido ficou surpreso com a mudança de postura do diretor.
Com uma expressão diferente da que tinha ao entrar na sala, levantou-se, colocando os óculos de volta.
— Certo, me desculpe por me intrometer nos assuntos da escola assim do nada. Obrigado por me ouvir.
Kaido se retirou da sala do diretor, enquanto Saulo o observava sair com um olhar desconfiado.
— Foi isso que o governo do Horizonte mandou para mim? Que cara estranho! — disse Saulo.
Ainda assim, Saulo não tirou os olhos da porta, preso em seus pensamentos sobre esse homem chamado Kaido, o novo professor de dedução enviado pelo governo do Horizonte.
Arco: Investigação.