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Meta: Domínio Infinito do Trabalho

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Meta: Domínio Infinito do Trabalho

O crachá pendurado no pescoço virou sua nova maldição, e o sistema de ponto eletrônico é o inimigo mais implacável que ele já enfrentou. Ele olha em volta e vê o exército de CLTs: olheiras profundas, dedos calejados de tanto digitar planilhas, sonhos dissolvidos no café frio da copa. Gente que nunca conheceu uma maldição sobrenatural, mas que acorda todo dia pra lutar contra o maior feitiço de todos — o capitalismo.  A galera do escritório fica em choque, porque no primeiro dia ele chega flutuando, atravessando as mesas com o Infinito só porque achou engraçado. o pessoal já percebe que Gojo não é "normal" . Gojo ri. Não ri porque acha graça. Ri porque entendeu a ironia:

Ele, o mais forte, agora está preso no mesmo loop de Segunda a Sexta. Não importa quanta energia amaldiçoada ele tenha, não há Jujutsu capaz de quebrar o feitiço do boleto que vence dia 5.

Sim, crachá, vale-refeição e VT. Entrando às 9h, batendo ponto eletrônico com a mesma cara de quem derrotaria Sukuna no café da manhã. A função dele? “Analista de Processos Plenos” . Ele não tem a menor ideia do que isso significa, mas já decorou a frase padrão:

— Estou revisando fluxos.

Ninguém questiona, porque parece importante. O estagiário deixa cair cinquenta caixas de arquivos. Em um piscar de olhos, todas já estão empilhadas, etiquetadas e digitalizadas no drive. A coordenadora olha assustada e pergunta como ele fez.

— Gestão ágil. - Ele responde, enquanto coloca o óculos escuro de volta.

No almoço, todo na mundo fila pro bandeijão e Gojo lá, testando se o arroz consegue ultrapassar sua barreira. No fim, ele come mesmo é o pudim da sobremesa, usando teletransporte pra roubar da bandeja do estagiário.

O gerente chama atenção:

— Satoru, você não pode usar técnicas amaldiçoadas pra organizar o estoque!

— Mas eu já fiz o inventário, a logística, a auditoria e ainda curei sua dor nas costas.

— Mesmo assim, isso não tá na CCT (Convenção Coletiva de Trabalho).

Nos corredores da empresa, ele vê colegas que acreditam que a “promoção” é uma libertação. Gojo sabe que é só outra cela mais dourada. O VR e o plano de saúde são as correntes mais elegantes que já inventaram. A cada reunião inútil, ele percebe: o capitalismo não precisa de monstros pra devorar as pessoas, basta KPI e metas trimestrais.

Gojo dá de ombros e pensa: pelo menos aqui não tem maldições me dando trabalho , só prazos. No cafezinho, a fofoca rola solta:

— Você viu que o Satoru nunca pega trânsito?

— Claro, ele dobra o espaço-tempo.

— Isso não dá justa causa?

— Se desse, já teriam mandado embora o cara que dorme na impressora.

No fundo, Gojo se diverte. Porque diferente dos outros, ele sabe que pode sair a qualquer momento. Ele poderia abrir uma fenda no espaço e nunca mais voltar. Mas não faz. Prefere ficar ali, rindo do espetáculo. É como assistir um circo: o palhaço é a CLT, a plateia somos todos nós, e o chicote invisível é o medo da demissão.

E então, ainda na pausa pro café, alguém pergunta:

— Gojo, por que você tá sempre sorrindo?

Ele responde, ajeitando os óculos escuros: — Porque descobri a maior piada do mundo. A gente achava que maldição era coisa sobrenatural… mas, no fim, o verdadeiro feitiço é trabalhar oito horas por dia.

E, ironicamente, ele vira o funcionário do mês. Porque claro, ninguém nunca atrasou um relatório com o cara que dobra o espaço-tempo pra entregar tudo antes do prazo. O RH tenta entender, mas não existe norma trabalhista que proíba ser absurdamente eficiente.

Gojo também descobre os verdadeiros inimigos da CLT:

1º - O sistema de ponto que trava sempre às 18h.

2 ° - A meta de produtividade que muda toda semana.

3º - A tia da copa que não suporta gente que pede café fora de hora.

E adivinha só: nenhuma dessas ameaças pode ser exorcizada. Ele pode derrotar Sukuna, mas não consegue convencer o financeiro a reembolsar os R$ 14,90 do Uber porque “faltou a nota fiscal completa”.

No fundo, Gojo até gosta da rotina CLT. Ele nunca teve colegas normais que reclamam de boleto, do chefe e da vida. É quase terapêutico. Mas claro, ele não consegue deixar de ser quem é: já usou a técnica ilimitada pra segurar o elevador eternamente aberto, só porque o estagiário tinha esquecido a mochila. Virou lenda interna.

E o melhor momento : festa da firma. Gojo bebeu tanto energético que abriu um domínio só de luzinhas coloridas. O pessoal achou que era DJ contratado. Quando chegou a hora do amigo secreto, ele deu um Playstation 5. E recebeu… uma caneca escrito “Funcionário do Mês”.

Ele riu. Porque no fundo, o mais forte continua sendo o mais forte, até quando está de crachá.

A grande piada? Gojo agora ganha Vale Refeição, mas nunca usa, porque os restaurantes não aceitam “moeda amaldiçoada” como forma de pagamento.

Dando-se conta, ele ri, a risada dele ecoa pelo escritório como um lembrete cruel: o mais forte não é quem derrota as maldições. É quem consegue viver com elas.