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Eternidade Branca — www.spiritfanfiction.com · All chapters

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Yuna não lembrava do que havia feito para merecer a queda. Às vezes pensava que era a pior parte — não o impacto no chão, não a dor das costelas abertas, não o barro afundando seu corpo, do buraco, mas o fato de que, em algum lugar acima dela, devia existir uma razão. Imaginou que talvez Deus tivesse escrito seu pecado em alguma página que ela não alcançava, entre os nomes dos anjos e as coisas que os homens jamais deveriam saber; Miguel sabia, Gabriel também, os serafins de seis asas e olhos incontáveis a observavam do alto, girando em seus círculos de fogo ao redor daquele ponto luminoso que Dante um dia chamaria de Deus. Yuna só sabia que havia caído. E que, quando abriu os olhos, o céu não era branco. Havia azul. Havia vento. Havia sujeira sob suas unhas. Havia sangue onde antes existia apenas luz. Diziam que os anjos não deveriam desejar, porque desejar era uma espécie de movimento, e tudo no Paraíso deveria permanecer ordenado: as nove esferas, os nove coros, as rodas dentro das rodas, cada criatura em seu lugar, cada asa obedecendo ao mesmo movimento invisível. Mas Yuna lembrava de ter desejado algo. Não sabia o quê. Talvez silêncio. Talvez a ignorância. Talvez olhar para o céu sem que o céu olhasse de volta. Porque eram olhos demais. Olhos que não piscavam e que conheciam cada pensamento antes mesmo que ele nascesse. E havia algo de terrível em ser eternamente conhecida. Então vieram as mãos — não eram mãos, mãos tinham dedos — longas coisas firmes e negras, tentáculos que se enrolavam em seus tornozelos, em sua cintura, entre as penas das asas, como serpentes de alguma parte do abismo que existia antes do verbo. Apertavam-na não para matá-la, mas para fazê-la ficar. Fique. Fique. Fique. Ela despencou. Caiu. Caiu. Caiu. Horas caindo, anos, eras. Caiu através das esferas como uma estrela esquecida, atravessou o fogo, atravessou a música, atravessou tudo aquilo que havia sido chamado de eternidade. Desde então, acordava esperando ouvir o coro dos anjos acima das nuvens, esperando que aqueles milhares de olhos viessem buscá-la. Nada acontecia. O céu permanecia distante. E Yuna, pela primeira vez, podia fechar os olhos. Podia não saber. Podia ser apenas uma menina deitada sobre a terra, as costas abertas, as trinta e três vértebras expostas. Talvez seu pecado fosse ter cansado da eternidade branca.