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Capítulo 119 — Ainda Há Fé?

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Capítulo 119 — Ainda Há Fé?

Ryruka e Yujiro olharam para trás. O som de líquido caindo os fez imaginar que o Andrus não estava sozinho. De repente, tentáculos de tinta passaram por eles e acertaram os tentáculos do Capitão inimigo.

Edgar estava de joelhos no chão, segurando um pincel. Foi ele o responsável por aquele ataque. Ele sorriu e desenhou fogo ao redor dos tentáculos, fazendo-os se incendiarem assim como no desenho.

— Ótimo trabalho, Edgar! A versatilidade da sua Manipulação da Tinta é surpreendente. — disse Ryruka, já alterando seu arco e o deixando mais longo. Ela o girou até o deitar como se fosse um teclado. — Vamos acabar com ele o mais rápido possível! Não podemos deixar que ele revide ou escape. A Manifestação dele é perigosa demais para não irmos com tudo! Ainda estamos em vantagem!

— “Ir com tudo”, você disse? — Erika sorriu e invocou dois leques, um azul e um vermelho. — Nesse caso, só precisamos impedir que ele se mova, e eu já sei bem como fazer isso! Finalmente vou poder usar meu trunfo!

Ela fechou os olhos, respirou fundo e, ao abri-los, abanou os leques com toda força. Isso desencadeou duas correntes de ar na direção de Andrus, uma fria e uma quente. Aquela ventania o fez se proteger.

— Vamos pôr um ponto final nisso! É hora de ele pagar por ter matado o Senhor Baltar! Vamos atacá-lo ao mesmo tempo!

— Você nem precisava dizer isso, Erika. — Edgar já desenhava tentáculos mais grossos e com espinhos, que se prenderam em Andrus e impediram seus movimentos. — Você gosta mesmo de se exibir, mas pela primeira vez eu concordo com você. Vamos fazer isso juntos!

Edgar desenhava ataques elementais de diversas formas enquanto sorria.

— Essa será a minha obra de arte perfeita! Isso é por você, Baltar! Farei esse desgraçado pagar pelos crimes que cometeu! Morra, Andrus!!!

— Não me subestimem!!! — Andrus se debatia loucamente. — Eu jamais perderei para lixos tão fracos como vocês! Eu vou matá-los! Eu vou matar cada um de vocês! Eu vou matar um por um!!!

Linhas negras começaram a cortar seus olhos e bochechas enquanto linhas em formato de veias surgiam em seu pescoço e braços.

— Vocês vão morrer! Vocês vão morrer! Ninguém fica no meu caminho! Ninguém! Morram, criaturas inferiores!!! — seus tentáculos se moviam com muito mais violência.

— Isso não é bom! Edgar, Erika, fujam! Ele está se transformando em uma Fúria! — alertou Yujiro. — Se isso sair do controle, seremos os responsáveis pelo fim desta cidade! Peguem as irmãs e o Bispo e saiam imediatamente daqui!

Yujiro já havia enfrentado uma Fúria e conhecia seus perigos. Então, chicoteou o chão, abrindo uma cratera, e o tocou com a mão esquerda.

— Esperava nunca mais ter de usar isso, mas não tenho escolha. Divine Gorge of the World!!! Com isso, o seu sofrimento será encerrado!!!

— Não, Yujiro! Não faça isso! Se você usar essa técnica, gastará toda a sua energia! Se você falhar, ele vai te matar! Não vou permitir!

Ryruka girou o arco e disparou uma enorme flecha para o céu. O clima começou a mudar. O céu ensolarado deu lugar a várias nuvens carregadas de chuva.

— Se você quer ir para o tudo ou nada, vamos fazer isso juntos! — Ryruka então encarou Andrus com seriedade. — Symphony of the Divine Storm!!!

— Eles são só adolescentes e estão nesse nível absurdo de poder. — disse Ângelo, impressionado. — Se o Império tivesse conhecimento deles anos atrás, eles certamente seriam Capitães. Esses poderes são mesmo incríveis, e dignos de serem chamados de divinos. Eu tenho certeza de que o Andrus não terá chance.

Antes, Ângelo os via apenas como jovens em busca de justiça. Agora, tinha certeza de que eles conseguiriam o que almejavam e que poderiam vencer o Império. Mas algo estava errado. Ele, como Capitão do Império, conhecia a Energia Espiritual de Andrus. Estava mais forte, quase descontrolada. E então, Ângelo sentiu calafrios. Ele percebeu, com um olhar de desespero, que aqueles jovens não poderiam vencer.

— Vocês não podem morrer aqui! A jornada de jovens como vocês não pode acabar assim! Os deuses não permitirão isso! Eu não permitirei!

— E-ei! O que você pretende fazer?! — gritou Pombo, tentando impedi-lo. — Volte já aqui! É extremamente perigoso! Ângelo, não vá!!!

Mas já era tarde. Ela o viu correndo na direção de Ryruka e Yujiro.

— Droga, Pombo! Como deixou ele voltar?! Ele vai morrer! — disse Harpia.

Ângelo parou a alguns metros dos jovens, no momento em que Andrus lançou inúmeros tentáculos, e ativou sua Manifestação. O avanço dos tentáculos trazia uma cortina de fumaça densa. O chão tremia como num terremoto. Nesse momento, Yujiro e Ryruka perceberam que apenas seus poderes não seriam o suficiente. Por instinto, ambos se abraçaram e fecharam os olhos.

E então, o impacto.

Sem arranhões. Não foram atingidos, e não entendiam como. Só entenderam o que houve quando ouviram os gritos de Erika. Ao olharem para trás, viram Ângelo estático e coberto de sangue. Ele foi perfurado diversas vezes pelos tentáculos.

Incrédulos, ambos olharam para o outro lado, temendo que Andrus estivesse ileso. Quando a densa fumaça se dissipou, perceberam que Andrus não estava mais lá, tampouco sua energia podia mais ser sentida.

Eles então caminharam até Ângelo, que estava sendo deitado por Edgar e Harpia. Ele ainda estava vivo, mas lhe restava pouco tempo. Ângelo os olhou com um leve sorriso no rosto. Parecia que ele queria dizer algo, mas não conseguia.

Erika segurava a mão direita dele enquanto ele lentamente fechou seus olhos para nunca mais os abrir. Ryruka se zangou e virou o rosto, pois sentia que havia falhado. Ela garantiu que iria protegê-lo, e no final foi ele quem os protegeu e pagou muito caro. Yujiro cuidadosamente ajeitou o corpo, colocando suas mãos junto ao peito, sem dizer uma palavra.

— Não acredito que ele morreu. — Harpia os olhava seriamente, mas logo desviou o olhar. — Nunca pensei que um imperial daria a própria vida para salvar um grupo de rebeldes que ele mal conhecia. Foi bem nobre da parte dele. Ele era mesmo um homem de fé. Que ele tenha um descanso tranquilo ao lado dos seus deuses.

Ela olhou para a irmã, ainda chateada com o ocorrido, e começou a repensar seus próximos passos. Deveria ficar com esse novo grupo ou voltar para a Ordem?

— Yujiro, Ryruka, precisaremos conversar, mas não agora. Após o que houve, todos precisam de um descanso. Por isso, o que eu tenho a dizer pode esperar.

— Pela sua expressão, suponho que você está cogitando voltar para a Ordem, correto? Não se preocupe, podem voltar no momento que quiserem. Eu também acho que está na hora de voltarmos. — respondeu Ryruka, pensativa.

— Tem certeza? Você parecia bem decidida a não voltar. — comentou Harpia.

— Não quero fazer isso, honestamente, mas é preciso. As coisas estão ficando mais perigosas e só esse grupo não será o bastante. — ela suspirou. — Faz dias que não temos contato com eles. Encontrá-los não será fácil, mas tenho certeza de que você e Pombo conseguirão. É hora de dividir as informações que conseguimos.

— Fico surpreso com sua decisão, Ryruka — Yujiro se levantou. — Não pensei que você voltaria tão cedo, mas você entendeu a gravidade da situação. Infelizmente, não temos poder nem pessoas suficientes para avançar dentro do território inimigo.

Ele parecia animado com a ideia de se reunir com os outros, pois poderia rever seus amigos, principalmente a Camily, já que ele a estava treinando.

— Vai ser bom rever a Akane e o Kamito depois de tudo que aconteceu. Mal posso esperar para pôr a conversa em dia. Aposto que você também, pode admitir. Querendo ou não, eles são nossos amigos, nosso time, e nós os deixamos. Agora temos nosso time, mas não é a mesma coisa de antes. — ele concluiu.

— Podemos ir? Ainda queremos derrubar o Império e, como você disse, somos um time. Eu gostaria de continuar ao lado de vocês, não importa o que aconteça. Neste grupo, sinto que minha vida tem um propósito, assim como eu me sentia quando estava ajudando o Baltar. Não quero ficar sem fazer nada. Somos o Esquadrão D, então devemos estar sempre unidos. — disse Edgar. Erika concordou. — Eu sei que não fizemos muito hoje, mas vocês viram do que somos capazes. Agora que sabemos de toda a verdade, temos a total certeza do que queremos. Estamos dispostos a pôr um fim no Império e a cumprir todos os desejos e objetivos do nosso esquadrão. Então, por favor, nos levem com vocês.

Yujiro sorriu e aceitou. Um time sempre fica unido, por isso que eles voltariam para os seus amigos — enfim, entenderam que precisariam de toda a ajuda possível. Edgar e Erika se animaram, mas Yujiro logo cortou o clima. Ouviu guardas vindo para a catedral. Infelizmente, teriam que deixar o corpo de Ângelo ali, sem um enterro digno. Saíram ao mesmo tempo em que os guardas chegaram ao local.

Foi um dia difícil e uma batalha mais difícil ainda, mas isso serviu para mostrar a eles que estava na hora de buscar seus antigos companheiros.

Embora Eudora tivesse perdido algumas cidades e vários rebeldes, o Império perdeu vários de seus Capitães e qualquer resquício de boa reputação.

Com a adição do grupo de Ryruka, Raishi teria um pequeno exército de extra-humanos para seu plano. Muitas dúvidas ainda estavam no ar, mas as respostas estavam aparecendo aos poucos. Agora, precisariam quebrar a estratégia do Império para dar início à sua e vencer de vez essa guerra.