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Capítulo 123 — O Tridente da Liberdade

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Capítulo 123 — O Tridente da Liberdade

Após deixarem Tavasz, o grupo continuou indo de cidade em cidade, inspirando o povo a se rebelar contra o Império. Não importava o tamanho da cidade nem a influência que o Império exercia. O que importava era acender a pequena fagulha de esperança que o povo ainda tinha para apoiar sua causa.

A cada novo local que chegavam, suas palavras já haviam alcançado o povo — fosse de maneira positiva, através de apoiadores que espalhavam o que era dito, ou de forma negativa, por aqueles que repudiavam suas ações ou ainda tinham medo.

O último lugar onde visitaram foi a pequena cidade de Rêz Hegy, cuja economia se baseava na mineração de carvão e metais preciosos. Sua arquitetura era rústica e simplista. Embora pequeno, era o tipo de território que o Império mantinha posse devido aos recursos que abasteciam cidades produtoras de equipamentos e armas. Mesmo sob controle do Império, os cidadãos apoiaram abertamente a causa rebelde.

O grupo se reuniu na saída principal. Com o trabalho feito, seguiriam viagem. Todos estavam empolgados, mas também exaustos por terem visitado tantas cidades em um único dia. Pretendiam chegar à cidade mais próxima antes do anoitecer.

A estrada era de terra batida, e dos dois lados tudo o que se podia ver eram árvores e campos abertos, sem qualquer tipo de construção. Pouco mais à frente, se depararam com vários entulhos que dificultavam a passagem. Logo adiante, um enorme veículo tombado bloqueava totalmente o caminho.

Sem demora, a Emota foi investigar e se deparou com um homem de longos cabelos vermelhos e olhos azuis. Ele trajava um sobretudo preto, calça social azul escura e botas pretas. Estava sentado em cima do veículo tombado, encarando-os com um sorriso no rosto. O grupo entrou em estado de alerta.

— Então, finalmente deram as caras. Eu estava começando a pensar que não apareceriam por aqui, já que são os responsáveis por andar por aí incitando as cidades. — disse o homem, esperando alguma reação.

Mas, para sua surpresa, o grupo não tomou iniciativa — esperou ele agir primeiro. O homem parou de sorrir e os observou com seriedade, analisando-os para confirmar suas identidades. Assim que os identificou, voltou a encará-los nos olhos.

— Vocês chamaram muita atenção. Não foi tão difícil rastrear sua localização, especialmente agora que fizeram o favor de pintar alvos nas próprias costas. Realmente acharam que poderiam debochar do Império e saírem impunes? Lamento informar, mas seus discursos acabam aqui.

— Quem é você? — perguntou Tenebris. — Se for um batedor imperial, então nosso plano realmente funcionou. Nós queríamos mesmo chamar a atenção do Império, cedo ou tarde. O fato de você estar aqui comprova nosso sucesso.

Ele sabia que, cedo ou tarde, as atividades da Emota atrairiam a atenção do Império, mas não esperava que fosse tão cedo. Isso só mostrava o quanto a influência do grupo cresceu, a ponto de o Império querer silenciá-los.

— Lamento desapontá-lo, mas nós não pararemos aqui. Esse é apenas o começo de algo muito maior, e não será um batedor em uma emboscada que irá nos parar.

— Tenha cuidado, Tenebris. — interveio Ryn, até sua visão se fixar no sobretudo. — Isso está muito estranho, não acha? Até agora, fomos em cidades de pequeno e médio porte longe da capital imperial. Você não acha que ele fala e se porta diferente de um batedor? O jeito que ele nos provoca e a forma como age são muito estranhos.

Ela sentia que aquele homem escondia algo. Ryn olhou para os outros pelo canto dos olhos, esperando que também tivessem notado algo suspeito. Ryn sabia que batedores não fazem emboscadas nem se expõem em desvantagem.

— Quem você realmente é? Está mais do que claro que não é um batedor. Pode ter nos rastreado até aqui, mas um batedor jamais faria o que você está fazendo. Você se porta como alguém de alta patente do exército.

— Tem certeza, Ryn? Ele não parece ser tão ameaçador. Só se precipitou em querer nos capturar e armou essa emboscada sozinho, algo que qualquer lacaio do Império faria. — disse Elarion, convencido, parando ao lado de Tenebris.

Ele ergueu o braço direito e apontou para o homem, elevando sua energia na intenção de intimidá-lo. Os outros o olharam assustados, pois Elarion estava prestes a pôr o grupo em perigo se continuasse sendo arrogante.

— Por que você não se rende logo? — provocou Elarion. — Está na cara que você está em desvantagem. Estamos em cinco, e você está sozinho. Se for esperto, vai ouvir a razão e nos deixar passar.

— Elarion, ficou louco!? — exclamou Raya, confrontando-o por tê-los colocado em risco. — Como pode dizer tal coisa se nem ao menos sabemos nada sobre o inimigo? Você está tentando nos matar? Abaixe já esse braço e volte para cá. Deixe o Tenebris resolver isso. Você não é o líder do grupo.

Ela se aproximou do companheiro e, sem hesitação, abaixou o braço dele com rapidez, na esperança de evitar problemas. Raya o puxava para perto da lateral do veículo e percebeu que o homem os olhava fixamente.

— Viu o que você fez? Você deveria deixar de ser tão impulsivo e dar ouvidos à razão. Não é porque estamos em maior número que estamos em vantagem. A Ryn acabou de dizer que esse homem não se comporta como um batedor.

— As garotas estão certas. — o homem sorriu levemente e levou o braço direito até o peito para desabotoar o sobretudo. — Você não deveria ameaçar alguém que não conhece. Além disso, acha mesmo que está com a vantagem só porque está em maior número? Você se enganou.

Ele puxou o sobretudo, revelando roupas de oficial militar e, para a surpresa do grupo, um emblema de tenente imperial. Enquanto todos olhavam surpresos para ele, mais quatorze pessoas surgiram e os cercaram.

— Como eu disse antes, vocês chamaram muita atenção desnecessária, e agora irão pagar por isso. Por acaso se esqueceram de que vocês são inimigos procurados por todo o Império? Nós sabíamos de todas as suas movimentações desde o primeiro discurso em Tavasz.

— Tenentes? — Capuz fitava cada tenente que os cercavam e pensava em uma maneira de fazer o grupo escapar. — O Império está mesmo desesperado para nos calar. Em vez de mandar batedores ou mercenários, mandaram justamente tenentes, os únicos abaixo dos Capitães. Parece que eles nos levam muito a sério.

Ele demonstrava ansiedade, pois não esperava ver tantos manifestadores. Se fosse uma luta justa, eles poderiam reverter a situação, mas quinze Manifestadores desconhecidos contra cinco era uma luta perdida.

— Estamos sem saída. — disse Capuz, incrédulo. — Quinze contra cinco é suicídio. Eles sabem sobre as nossas Manifestações e como agimos e lutamos, nós não sabemos nem seus nomes. O que podemos fazer nesta situação?

— N-não pode ser… — murmurou Tenebris, assustado, e engoliu em seco. — Já esperávamos que o Império mandaria alguém atrás de nós, mas não esperávamos quinze tenentes. É desproporcional. Nem quando invadimos o palácio foi assim.

Ele sabia que a Emota chamaria atenção, mas não esperava que o Império fosse mandar sua segunda maior patente para emboscá-los na estrada qualquer.

— Não é de se espantar. O que vocês esperavam? Após a invasão ao palácio, atuamos ativamente contra o Império, nos aliamos à Ordem dos Cavaleiros Brancos, capturamos dois Capitães, incapacitamos um, invadimos uma das bases de operações do Império e matamos um tenente. Nós somos uma das maiores ameaças e estamos sendo tratados dessa forma. — disse Ryn, visivelmente nervosa.

Suas mãos e pernas tremiam, mas ela tentava manter a confiança. Aquilo foi algo que ela escolheu para si quando se juntou ao grupo e, por mais que a situação atual fosse desfavorável, ela acreditava que poderiam sair daquilo juntos. Ela olhou para cada um deles enquanto apertava os punhos com força.

— Mas então o que faremos? — Raya apertava o braço de Elarion enquanto olhava para os tenentes. — É suicídio lutar contra todos eles de uma vez só. Mesmo combinando nossas habilidades, é loucura. Se ao menos alguém da Ordem estivesse aqui… Eu não esperava que as coisas fossem acabar assim.

Ela se sentia como um animal indefeso e ferido, cercado por abutres que esperavam a oportunidade para avançar e se alimentar da sua carne. Raya olhou para Tenebris, esperando alguma resposta, mas ele permanecia em silêncio, olhando fixamente para o homem sentado diante deles.

— Acalmem-se. — disse o homem, finalmente se levantando.

Ao fazer isso, o grupo deu um passo para trás. Ele deixou um leve sorriso escapar.

— Não estamos aqui para lutar. Ainda. Estamos aqui para negociar os termos da sua rendição e para escoltá-los até o palácio, onde vocês terão um julgamento justo. Vocês possuem informações valiosas, além de estarem com dois de nossos Capitães. Só por isso ainda estão vivos. — ele pulou do veículo, parando diante de Tenebris.

Ao ajeitar sua postura, seus rostos ficaram próximos. O homem ergueu o braço direito, e então os outros tenentes deram um passo à frente e assumiram a mesma postura de combate.

— Se recusarem, aí sim teremos que matar vocês e levar suas cabeças até o Grande Imperador. Então, eu sugiro que vocês cooperem e se rendam pacificamente. Ninguém precisa morrer hoje, não concorda?

— De toda forma, seremos mortos no final, não é mesmo? — respondeu Tenebris, tentando manter a postura. — A primeira opção só adia nossa execução e tira nossa capacidade de resistir. A segunda opção nos deixa resistir, mas antecipa nossa morte. Porém, a segunda opção não é vantajosa para vocês. Se nos matarem, vocês perdem as informações que querem. É por isso que vocês não nos atacaram antes, correto?

Ao notar isso, Capuz olhou para os tenentes mais próximos e se preparou para entrar em combate. Tenebris estaria disposto a resistir se o grupo também estivesse.

— Não iremos a lugar algum, “tenentes”. — declarou Tenebris. — Já fomos longe demais para parar agora. Demos início a esta revolução e estaremos no final, quando o Império cair. Não importa em quantos números vocês estejam, nós venceremos um por um! Então é melhor você não ficar no nosso caminho!

— Palavras bonitas. — disse o homem, com ironia. — Mas lamento dizer que foram as palavras erradas. Sabe, tivemos toda esta conversa e eu acabei esquecendo de me apresentar. Eu me chamo Darpan Fél. Sou tenente da Divisão de Aniquilação do Império e líder de todos os tenentes quando eles não estão a serviço de seus Capitães. Agora entendem por que há tantos tenentes em um só lugar?

Assim que terminou de falar, Darpan abaixou o braço e imediatamente todos os tenentes elevaram suas energias em conjunto. Isso fez com que uma enorme pressão de energia caísse sobre a Emota, fazendo seus pés afundarem na terra. Darpan sorriu ao perceber que eles não estavam suportando aquilo e caminhou lentamente para trás, sem dar as costas para o grupo.

— Vocês escolheram a pior opção possível. Espero que não se arrependam, porque nós iremos matar cada um de vocês. As informações que vocês possuem não são tão valiosas quanto as suas cabeças. Além disso, podemos desmembrar um de vocês e mantê-lo vivo até nos dar o que queremos. Digam-me, Emota: vocês estão realmente preparados para lutar contra quinze de nós?

Darpan olhou para os outros tenentes e fez um sinal com a mão direita. Todos invocaram suas Relíquias no mesmo instante. Espadas, lanças, machados, rifles e arcos. O grupo jamais tinha visto tantas Relíquias juntas, e agora elas estavam empunhadas contra eles. Sem saída, os rebeldes assumiram posturas de combate e invocaram suas Relíquias, exceto Tenebris e Elarion. Em conjunto, elevaram suas Energias Espirituais. Qual destino aguardava a Emota? Poderiam todos sobreviver?