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Capítulo 125 — Pontas do Tridente

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Capítulo 125 — Pontas do Tridente

Em um lugar mais afastado, onde a vegetação era densa e a visibilidade era baixa, surgiu o restante do grupo. Tenebris encostou Elarion em uma árvore, atrás do portal, e verificou a gravidade dos ferimentos. Nenhum dos tiros foi fatal, felizmente. Ele então foi até Raya e Ryn para elaborarem um plano de contra-ataque. Quanto mais tempo perdessem ali, as chances de Capuz sobreviver diminuiriam. Somente quando chegou ao lado delas, Tenebris notou que seu portal ainda estava aberto.

— Por que ainda está aberto…? — ele estreitou as pálpebras.

Prestes a fechá-lo, rajadas de energia foram atiradas de dentro do portal. Com rapidez, Tenebris moveu os braços e criou outro que mandou os ataques para longe. Pouco depois, Darpan e seis tenentes saíram do mesmo e pararam diante deles.

— Vocês realmente acharam que poderiam escapar de mim? — Darpan esticou o braço direito, e uma longa foice de cabo prateado e lâmina vermelha se materializou na sua mão. — Eu havia dito que vocês fizeram a pior escolha das suas vidas. Agora não há como escaparem. Seu amigo ficou para trás para que vocês pudessem pensar em alguma forma de revidarem, mas ele se esqueceu das nossas Manifestações.

Ele os encarou seriamente enquanto girava sua foice. Depois, a segurou com as duas mãos e a apontou na direção de Tenebris. Os outros tenentes sorriram.

— O jogo acabou. Infelizmente não durou tanto quanto eu esperava, mas já foi o bastante para ver que vocês não passam de uma piada. Tudo o que fizeram até agora foi fruto da pura sorte. Hora de vocês dizerem adeus, Emota.

— Isso mesmo! É hora de dizer adeus! — exclamou Elarion. — Porque aqueles que subestimam tudo o que fizemos e o que somos merecem pagar com suas vidas! Não menospreze nosso grupo! Nós somos a chama de esperança para o povo!

Inusitadamente, três lâminas azuis perfuraram o peito de um tenente.

Os outros se viraram e se depararam com Elarion, segurando um tridente dourado de pontas azuis, atravessando um deles. Um dos tenentes avançou em sua direção, mas simplesmente retrocedeu até voltar para o mesmo lugar onde estava há pouco. Surpreso, não conseguiu reagir quando Elarion puxou o tridente e o golpeou com o cabo, mandando-o para longe. O rebelde sorriu.

— O que vocês estão fazendo parados aí?! — gritou Elarion. — Não me digam que se deram por vencidos só porque um cão imperial disse que esse seria nosso fim! Eu jamais abaixarei a cabeça para o Império de novo! Vamos, levantem-se!!!

— Odeio ouvir um sermão do Elarion, mas ele está certo. — Ryn se levantou confiante e elevou sua energia com rapidez. — Não são esses ferimentos que vão me fazer desistir. Se eu não tivesse ficado com medo, teria elaborado uma estratégia e esses idiotas não teriam feito nem metade do que fizeram conosco.

No mesmo instante, dois tenentes começaram a ficar sonolentos e lentamente fecharam os olhos. Logo depois, uma fina camada de fumaça os cercou. Sangue saía dos olhos, nariz, ouvidos e boca, e então caíram desacordados. Raya, com um cigarro na mão, era a responsável por soprar aquele gás.

— Você está certa, Ryn. — disse Raya, elevando sua energia. — O Capuz criou essa oportunidade. Não é justo nos dermos por vencidos agora! Nós voltaremos todos juntos para casa! Nem que seja carregando uns aos outros, venceremos!

De repente, o tenente que Elarion golpeou para longe surgiu atrás de Raya, mas o tridente do amigo passou a centímetros do seu rosto e acertou o inimigo. Mesmo surpreendida, a garota estufou o peito e cuspiu uma onda de gás ácido nos três tenentes à sua frente. Quando eles pularam para longe, Ryn invocou uma flauta verde e, ao tocá-la, fez dois deles ficarem paralisados no lugar.

— Tenebris, cuide do Darpan. Nós cuidaremos desses tenentes. Não precisa se preocupar, eu prometo que não seremos vencidos. Você é o nosso líder, então, por favor, faça ele pagar por ter entrado em nosso caminho! — disse Ryn, sorrindo, enquanto pegava o tridente cravado no corpo do tenente e o jogava para Elarion.

Os três se olharam e acenaram com a cabeça. Tenebris então abriu um portal atrás de Darpan e se lançou em sua direção. Ao agarrá-lo, atravessavam o portal.

O trio avançou contra os dois tenentes restantes, que logo assumiram suas posturas de luta. Um deles avançou contra Ryn, mas ressurgiu no ponto inicial. Confuso, foi pego por uma nuvem de gás venenoso antes que pudesse reagir. O tenente cobriu a boca com o braço esquerdo, porém seu braço retornou para a posição inicial. Antes de tomar providências, seu peito foi perfurado por Elarion.

O outro tenente pulou para longe. Mas, prestes a pousar, percebeu que o chão estava coberto por lava. Ele lançou uma corda numa árvore e se puxou até lá. Elarion arremessou o tridente, rompendo a corda e fazendo o tenente cair na lava. Contudo, tudo aquilo não passava de uma ilusão. Ele ainda estava no mesmo lugar, em transe, enquanto Ryn tocava sua flauta. Raya e Elarion avançaram para aplicar o golpe final, mas os tenentes golpeados antes por Elarion se levantaram.

Longe dali, Tenebris e Darpan surgiram em um lugar isolado. Rapidamente, eles se afastaram e trocaram olhares sérios. Seus grupos já não estavam mais ali para ajudá-los. Agora, a luta era um contra um.

Darpan avançou de imediato, girando a foice na direção de Tenebris, sem dar chance de reação. Assustado, Tenebris tentava se esquivar de forma desengonçada. No entanto, os golpes eram mais rápidos e alguns o acertavam de raspão.

— Qual o problema?! Isso é tudo que consegue fazer? — provocou Darpan. — Quando você avançou contra mim no começo, eu confesso que me surpreendi. Nunca pensei que um covarde daria o primeiro golpe. Mas agora, estou desapontado. Revide! Revide ou morrerá, maldito!

Os golpes, que vinham de várias direções, ficaram mais rápidos. Tenebris era pressionado para trás. Darpan se irritou ao ver que tudo que seu oponente fazia era se defender e esquivar. Então, ele girou a foice mais uma vez e, com a ponta sem lâmina, acertou o peito de Tenebris, mandando-o para longe. Em seguida, ele cravou a lâmina no chão e subiu no cabo da foice, equilibrando-se como provocação.

— Você me envergonha, sabia disso? — disse Darpan, desapontado. — Ambos somos líderes. Um, dos tenentes, e o outro, do principal grupo rebelde. Ainda assim, não consegue nem rivalizar em força comigo? É inaceitável que compartilhemos a mesma posição. Você é uma piada de mau gosto, e isso me irrita!

— Ainda bem! — respondeu Tenebris. — Eu me irritaria se eu agradasse alguém do Império. Eu posso não estar no mesmo nível que você, mas garanto que sairei vitorioso. Meus amigos estão contando comigo. Eles se sacrificaram para me dar esta chance, então eu honrarei os esforços deles acabando com você!!!

Tenebris avançou sem hesitar. Entrava e saía de portais, sempre em direções diferentes para confundi-lo. Darpan sorriu e, com o calcanhar direito, bateu no cabo da foice, lançou-a para cima e a pegou antes de tocar o chão. Ele se preparou para golpear Tenebris fatalmente, mas ele desapareceu e surgiu por baixo. Darpan se preparou para atacar, mas uma onda de golpes veio pelas suas costas, pegando-o totalmente desprevenido e lançando-o para a frente.

— Você não deveria ser tão confiante. — disse Tenebris. — Não é porque eu surgi em uma direção que meus golpes virão dali. Eu posso te atacar de qualquer lado enquanto você se preocupa onde meu corpo vai aparecer.

— Entendo… — Darpan se recompôs. — Então, sua Manifestação pode funcionar assim? Para um inútil como você, sua Manifestação pode ser bem situacional. Me pegou desprevenido, mas agora eu sei como isso funciona. Tente de novo!!!

Darpan avançou contra Tenebris, disparando lâminas de energia. Tenebris abriu um portal, desaparecendo instantaneamente. Darpan olhou em volta e, ao sentir uma leve manifestação de energia no ar, se virou e disparou um corte de energia no exato ponto em que o portal se abria. O impacto jogou Tenebris para longe. Ele saltou, com a foice acima da cabeça, prestes a dar o golpe final.

— Diga adeus à sua vida e aos seus amigos, Tenebris! Você não está nem perto do meu nível! Eu estou no nível de um Capitão, enquanto você não chega nem aos pés de um tenente. Você é patético. Morra agora!!!

Eis o clímax do combate. Tenebris arregalou os olhos e engoliu em seco. Não havia tempo suficiente para que ele pudesse reagir. Seu fim estava mais do que certo.