Capítulo 126 — Cabeça e Base do Tridente
Capítulo 126 — Cabeça e Base do Tridente
O tenente estava prestes a finalizar o combate. Seria aquele o fim de Tenebris? Todos os seus esforços e os de seus companheiros acabariam ali? A cada instante em que o fio da lâmina se aproximava, o rapaz sentia algo dentro de si, como batidas de um tambor.
— Droga, droga! Não posso morrer! Eu ainda não libertei Eudora do Império! Não posso deixar as coisas acabarem assim!!! — pensou Tenebris, desesperado.
Tenebris ouvia seu coração bater. O som das batidas era quase ensurdecedor. Suas pálpebras ficaram pesadas e, aos poucos, seus olhos se fecharam. Com a foice prestes a acertar seu peito, ele abriu os olhos rapidamente e a lâmina foi parada por um bastão branco com ponta dourada.
— Francamente, eu tenho que resolver isso para você também?! — disse uma voz diferente, vinda do corpo de Tenebris, com desdém. — Se esse cara possui o nível de um Capitão, então o império só possui vermes fracos e incompetentes! Não se preocupe, Darpan, eu darei a morte que você busca.
Darpan arregalou os olhos. Suas informações sobre Tenebris não mencionavam nenhuma lança — tampouco, uma Fúria. O cabelo, antes branco, tornou-se negro. E os olhos ficaram amarelos.
— Mas quem é você? — Darpan recuou um passo. — Sua personalidade e aparência mudaram repentinamente. Você não pode ser o Tenebris. Os registros estavam incompletos? Sua energia também não se parece com a dos companheiros dele, como isso é possível?!
Ele analisava aquele ser, em choque. A Fúria sorriu e, num movimento inusitado, inclinou a lança e tentou acertá-lo com a ponta. Darpan pulou para trás, mas aquele homem surgiu atrás dele e o chutou, lançando-o para longe. Prestes a colidir contra as árvores, a Fúria ressurgiu, o segurou pela cabeça e o lançou de volta para onde veio. Dessa vez, ela reapareceu e perfurou suas costas com a lança.
— Droga! — Darpan rangeu os dentes. — Como isso foi acontecer? Eu conseguia prever onde os portais se abririam, mas com esse cara é diferente. Ele é bom, ele os usa muito melhor que o Tenebris. Como eu posso ter cometido um erro tão simples?
— É porque você só lutou contra um fraco. — respondeu o homem, com frieza. — Com alguém que não sabe como usar todo o seu potencial, só por isso que você foi pego de surpresa. Se aquele idiota realmente soubesse usar essa Manifestação, você teria morrido antes.
O estranho homem puxou a lança das costas de Darpan e a balançou para longe, jogando o sangue no chão. Ele então a girou e assumiu uma postura de combate, esperando o tenente se preparar.
Darpan virou-se com rapidez e o golpeou, mas a Fúria bloqueava cada ataque com o cabo da lança e revidava com facilidade. A ponta surgia de várias direções, acertando o tenente repetidamente e o fazendo sangrar por todo o corpo. Darpan, por sua vez, ainda tentava o primeiro acerto. Ambos continuaram trocando golpes. Numa ação rápida, a Fúria perfurou a mão direita de Darpan e jogou sua foice para longe.
— Acabou a brincadeira, tenente. — anunciou, com uma calma perturbadora. — O próximo ataque será fatal. Se me lembro bem, você disse que levaria nossas cabeças para o Imperador. Mas, se você não recuar agora, o que restar dos seus homens levará a sua cabeça.
— E eu cumprirei com a minha palavra! — declarou Darpan, tomado pela ira. — Eu levarei sua cabeça em uma bandeja de prata especialmente para o Grande Imperador! Eu não serei vencido em um lugar como esse, e para alguém como você!!!
Darpan pulou na direção onde sua Relíquia foi arremessada. Sem demora, ele avançou, preparando um golpe fatal. A Fúria suspirou, entediada, levantou a mão direita e estalou os dedos. Em uma fração de segundo, Darpan viu um corpo sem cabeça segurando uma foice. Não demorou muito para perceber que via o seu próprio corpo. Assim que o corpo e a cabeça caíram no chão, ele perdeu a vida.
— Eu avisei que o próximo ataque seria fatal. — disse o ser, olhando para o corpo caído com indiferença. — Eu não tive escolha. Se você tivesse recuado, quem sabe ainda estaria vivo, mas você escolheu o caminho da arrogância e do orgulho, e isso lhe custou a sua preciosa vida.
Ele olhou para a cabeça de Darpan uma última vez e a jogou na direção do corpo. O homem então olhou para o céu enquanto sentiu seu corpo pesar. As pernas já não obedeciam, e a respiração começava a falhar. Ele se manteve imóvel enquanto sentiu as pálpebras pesarem e as fechou. Já sabia o que estava prestes a acontecer.
— Espero que da próxima vez você resolva seus problemas sozinho. — murmurou ele, em um tom quase cansado. — Eu poderia ter te ajudado antes, mas queria que você ao menos uma vez andasse com suas próprias pernas. Seus aliados estão dispostos a morrerem por você, então lembre-se dos erros de hoje e não os repita de novo.
O restante do grupo enfim chegou ao local da luta e encontrou Tenebris caído. Logo à frente, o corpo decapitado de Darpan. Ryn e Raya especularam o que poderia ter acontecido, enquanto Elarion levantava Tenebris para carregá-lo.
— Não fiquem pensando nisso agora. Precisamos tirá-lo daqui e ir encontrar o Capuz. — disse Elarion, com a voz firme.
As duas concordaram com ele e foram ajudá-lo a carregar Tenebris.
Alguns minutos depois, voltaram ao lugar da emboscada. Tudo o que encontraram foi um local completamente devastado e sem um único sinal de vida. O grupo, preocupado, atravessou aquela destruição até finalmente encontrar o Capuz encostado em uma pedra. Sua cabeça estava baixa, como se estivesse dormindo.
Ryn se abaixou perto dele e tocou seu ombro direito. Isso o fez acordar assustado, mas logo se acalmou ao ver que se tratava de seus amigos. Ele se levantou, viu Tenebris sendo carregado por Elarion e perguntou o que aconteceu.
Após a explicação, o grupo concordou que o melhor era retornar o mais rápido possível para o esconderijo da Ordem. Assim, receberiam tratamento médico e poderiam relatar o ocorrido. Sabiam que, quando o Império tomasse conhecimento do que havia acontecido, seria impossível continuar com o plano inicial. A prioridade, no momento, era levar Tenebris para um local seguro.
E assim o grupo partiu para dentro da floresta. Seu objetivo era ficar fora de vista enquanto voltavam para o esconderijo, deixando para trás não só a chama da revolução nos corações das pessoas, mas também os vestígios de uma feroz batalha contra os tenentes imperiais. Dos quinze tenentes, apenas quatro saíram com vida. E foram eles os responsáveis por espalhar o que aconteceu. A notícia de que cinco pessoas venceram quinze tenentes inspirou ainda mais o povo. Mesmo estando em total desvantagem, o grupo manteve a única coisa que possuía em seus corações: a esperança.