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Capítulo 139 — Colhendo Informações

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Capítulo 139 — Colhendo Informações

“É bom ter uma companhia depois de tanto tempo. Comer em locais novos, arrumar brigas e pegar carona escondida. Isso traz uma nostalgia.”

Kamito e Aurea foram em direção à Cidade do Sul, onde tudo começou. Pretendiam descobrir informações sobre os Capitães, quais estavam vivos e mortos. Kamito não conhecia o caminho, então olhava para quase todas as direções tentando sentir alguma energia. Sabia que agora poderia sentir a energia de Akane a qualquer momento, mas ela não poderia reconhecer a sua, que estava diferente de antes.

Pouco tempo depois, no caminho do objetivo, eles chegaram numa pequena cidade onde poderiam descansar e coletar informações. Caminharam pelas ruas tranquilas. As pessoas estavam mais preocupadas com suas vidas do que com dois andarilhos. Kamito ajeitou o cachecol, que estava um pouco folgado, enquanto Aurea olhava os estabelecimentos ao redor.

Ela decidiu ir a um restaurante para jantarem antes de seguir viagem. Porém, não sabiam se tinham dinheiro para isso. A mulher escolheu um restaurante, e eles foram até o local. O lugar era bem modesto. Sentaram-se em uma mesa no centro do salão, observando o movimento dos clientes.

— O dia de hoje foi bem cansativo. Tive que deixar alguns suprimentos na arena de treinamento. Odeio ter que ir tão longe para entregar armas e armaduras. — reclamou um homem a duas mesas atrás deles.

Tais palavras chamaram a atenção da dupla, que prontamente ficaram atentos na conversa do grupo.

— O que?! Sério que você foi até aquele lugar?! O Velho Kairus estava lá?! Ele ainda está tentando treinar a desleixada da neta dele?! — exclamou outro homem, rindo enquanto bebia sua cerveja.

— Sim, o Capitão Kairus é bem persistente quando se trata de orgulho ou da neta. — respondeu o primeiro, debochando. — É uma pena que ele não percebe que ela é um caso perdido. A garota é desengonçada e sem foco. Isso até eu mesmo vejo.

Kamito apertou as mãos, contendo a raiva. Aurea tocou sua mão esquerda e, assim que ele a fitou, ela negou com a cabeça. O rapaz ficou um pouco mais calmo.

— Aquela garota nunca será uma guerreira. — continuou o homem. — Garanto que qualquer um que for naquela arena a venceria facilmente. Eu mesmo venceria.

— O Capitão Kairus fica na arena de Sanguis Griseus, não é mesmo? — perguntou o outro. — Podíamos ir lá desafiar a neta dele. Colocaríamos a mão dela em jogo e teríamos uma esposa linda sem qualquer esforço. Seria incrível demais.

Aqueles homens acabavam de lhes dar a localização de um dos Capitães sem nem terem ideia. Kamito olhou para Aurea, e ela acenou. Sem dúvidas era um dos alvos dos quais eles estavam em busca.

— Amanhã você vai para lá de novo, não é? — perguntou um dos homens. — Podemos desafiá-la e garantir a mão dela. Garanto que conseguiremos vencê-la.

— Você é louco? Ela é uma Manifestadora Espiritual. Mesmo sendo desajeitada, ela te venceria facilmente. — respondeu o outro. —  Mas, se quiser mesmo tentar a sorte, eu sairei às três da manhã. O caminho até lá é longo, então tenho que sair muito cedo.

O homem terminou de beber e observou os arredores. Ele notou a presença de dois desconhecidos, sendo um deles uma bela mulher. Então, se aproximou e puxou uma cadeira para se sentar ao lado de Aurea. Estava levemente bêbado.

— O que uma mulher linda como você faz com esse esquisito com o rosto coberto? — perguntou, em tom de flerte. — Ele parece uma múmia. Por que não se senta comigo? Garanto que te faço rir e se divertir a noite toda, diferente desse esquisito.

— Eu dispenso o convite, estou bem acompanhada pela “múmia”. — disse Aurea, sem olhá-lo, e afastou sua cadeira. — Pode se retirar? Estávamos prestes a pedir o nosso jantar quando você veio sem ser convidado e começou a falar idiotices.

O homem a segurou forte pelo pulso, insistindo na conversa. Outro deles se aproximou e se sentou na ponta da mesa, com o intuito de pressionar a mulher.

— Você não sabe ouvir um “não” de uma mulher? — questionou Aurea, com a voz firme. — Que tal ouvir o “não” de uma guerreira? Me solte agora, ou eu irei te incinerar!!!

— Não seja tão metida! Não se faça de difícil! — ele gritou, alterado. — Se está fazendo isso por causa do seu acompanhante, ele vai entender que você arrumou uma companhia melhor.

O homem fez um sinal para o amigo, que se levantou e quebrou uma garrafa na cabeça de Kamito. O rapaz apenas virou a cabeça e o fitou com tranquilidade.

— Mas o que é isso?! — exclamou, surpreso. — Ele não sentiu nada?! Impossível! Era para ele estar apagado agora! Esse cara é de ferro?!

— Você cometeu um erro gravíssimo! Ninguém encosta um dedo no meu aluno além de mim! — ela falou, com um sorriso perigoso. — Eu tentei ser boa, mas agora você vai entender o que um “não” de uma mulher significa e nunca mais vai insistir.

O braço dela começou a esquentar rapidamente e queimou a mão do homem, que a soltou às pressas e gritou de dor. O outro se afastou assustado ao ver que Kamito se levantou. Aurea sorriu e se aproximou deles.

— Qual é o problema, rapazes?! — provocou. — Desistiram de se divertir comigo? Ou por acaso vocês têm medo de mim só por eu ser uma Manifestadora?

— Não quero brigas aqui dentro! — gritou o dono do restaurante, aparecendo bem na hora. — Se continuarem com isso, chamarei os guardas! Vocês dois, seus idiotas, saiam já do meu estabelecimento!

Ele expulsou os homens às pressas e voltou até onde Kamito e Aurea estavam.

— Peço desculpas por causa daqueles dois, eles não sabem o que fazem. Não queríamos irritar você e seu amigo. Por favor, peçam o que quiserem. Vocês terão um desconto generoso. Eu nunca tive um Manifestador no meu restaurante antes, então, por favor, fiquem à vontade.

— “Desconto generoso”?! — murmurou Kamito. — Pensei que seria por conta da casa, mas fazer o quê? Nem tudo sai como o esperado. Obrigado pelo desconto.

O dono se assustou e o olhou. Ele lhes ofereceu outra mesa e, assim que se sentaram, entregou-lhes os cardápios e saiu. Kamito o esperou se afastar o bastante para não ouvir a conversa e voltou a olhar para Aurea.

— Arena Sanguis Griseus. Sabemos onde ele está e como ele se chama. O que pretende fazer? Vamos atrás do Capitão Kairus ou vamos atrás de outras informações? Eu não conheço o lugar, então a decisão é sua.

— Já temos um alvo, vamos atrás dele. Se ele está em uma arena de treinamento, significa que há vários soldados em treinamento por lá. Sem o Capitão e seus mentores, o Império não terá uma nova leva de soldados. Mas chegar até lá seria muito difícil. Sanguis Griseus é bem mais distante que a cidade do Sul. Levaríamos dois dias indo a pé, e não teríamos dinheiro. — ela explicou.

Aurea estava pensativa. Chegar lá não seria simples, a não ser que usassem o veículo daquele homem. Se ela pensasse em algo para convencê-lo a levá-los, seria excelente. Porém, após aquela confusão, ele dificilmente aceitaria ajudá-los.

— Eu já sei como iremos para lá. Antes das três horas, iremos procurar o transporte daquele homem. Ele disse que levará um carregamento para a arena. Podemos nos esconder junto com a carga e, na hora de descarregar, sairemos escondidos. Além disso, ele nos deve depois do que fez conosco.

— Tenho medo de ser seu inimigo. — brincou Kamito, desviando o olhar discretamente para a entrada do restaurante. — Ainda bem que somos aliados, porque eu odiaria ter que lutar contra você. Os treinos já são o suficiente para mim.

Ele queria poder tirar aquele disfarce e andar normalmente, mas não podia. Além de esconder a sua identidade, Aurea também disse que o cachecol escondia a sua energia, assim ninguém poderia senti-lo ou rastreá-lo.

— Já decidiu o que vamos comer? Não comi nada desde o almoço. Espero que tenhamos dinheiro suficiente para comprar algo decente. Se vamos lutar contra o Capitão Kairus, ao menos é melhor ter comido algo.

Ela olhou o cardápio, indecisa entre as opções. Kamito apenas observou. Ele passou um mês e meio com ela, e Aurea o tratava como se o conhecesse perfeitamente. Nem mesmo com Lília foi assim em tão pouco tempo. Kamito tinha tantas perguntas, mas não era o momento para fazê-las. Primeiro, precisava encontrar Akane. Depois, acabar com o Imperador. E só assim poderia ter as suas respostas. Aurea finalmente decidiu o que pedir e chamou o garçom.

O tempo foi passando, até chegar a hora de procurarem o carregamento para a arena. O rapaz vasculhava as ruas, enquanto Aurea procurava por cima dos telhados. Kamito foi em direção à área comercial e encontrou homens colocando algumas coisas em um caminhão. Ele então levantou o braço e disparou uma faísca para cima. Assim, Aurea soube que tinha encontrado a carona.

Kamito ficou escorado em uma parede, os vigiando até a chegada de Aurea. Após ele indicar o local, ela o analisou e percebeu que um dos homens estava com a mão enfaixada. Certamente era aquele que os incomodou mais cedo.

— Vamos esperar eles entrarem, daí nos escondemos. — ela sussurrou.

Logo aqueles homens entraram para buscar mais algumas caixas. A dupla correu até o caminhão e entrou no compartimento de cargas sem chamar atenção. Esconderam-se no fundo, onde ninguém poderia vê-los.

Após alguns minutos, o carregamento foi concluído e os entregadores se prepararam para partir. Seria uma longa viagem até Sanguis Griseus.

— Agora podemos relaxar um pouco. — ela tranquilizou. — Por que não descansa? Eu te acordo quando chegarmos.

— Tudo bem, eu estava mesmo precisando dormir. — respondeu bocejando.

Kamito encostou a cabeça na parede, tentando ficar um pouco mais confortável, e fechou os olhos. Precisaria descansar para o que estava por vir. Agora que estava de volta à batalha, não teria mais tantos momentos de calmaria, principalmente com o desafio que enfrentaria em poucas horas.