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Capítulo 148 — Convidado Indesejado

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Capítulo 148 — Convidado Indesejado

“Não esperava encontrar essa maldita cobra de novo. Dessa vez, vou fazer com que ela nunca mais rasteje.”

Algumas horas depois, eles chegaram nas proximidades do palácio. Kamito usou sua habilidade e conseguiu sentir diversos Manifestadores. Entre essas energias, ele reconheceu algumas familiares. Eram claramente as energias dos membros da Ordem e de alguns membros da Emota. Sorriu animado ao sentir a energia de Akane. Ela estava mais forte do que ele se lembrava. Abriu os olhos e disse a elas sobre o que havia sentido: que eles realmente estavam no palácio.

Precisavam se apressar para ajudá-los com os Capitães restantes. Aurea não disse nada e começou a caminhar. Segundo o plano, entrariam pela passagem da área residencial, já que ela deveria ser evacuada caso houvesse um ataque.

Enquanto se aproximavam da entrada, ouviram diversas explosões e gritos. Aquela guerra realmente havia chegado ao seu ápice. Encontraram a entrada e finalmente adentraram o local. Havia muita correria e desespero. Ninguém notaria a presença deles enquanto corriam por suas vidas, e isso era bom. Caminharam afastados da multidão, seguindo-os para a saída daquele local. Precisavam encontrar o caminho que os levava diretamente até o palácio.

Estranhamente, um gás foi jogado na direção das pessoas, e elas começaram a cair no chão tendo convulsões intensas. Eles olharam sem entender até ouvirem uma risada rouca e sádica que se aproximava dos cadáveres. Kamito observou atenciosamente aquela pessoa e, ao sentir a sua energia, lembrou-se exatamente de quem se tratava. Ele realmente havia sobrevivido à sua luta: a víbora que traiu a Ordem dos Cavaleiros Brancos, Cascavel.

— Tudo certo por aqui. — Cascavel lambia os lábios sorridentes, enquanto pisava nos corpos. — Agora eu só preciso relatar que os rebeldes assassinaram todos os parentes dos nossos homens. Isso deve enfurecê-los e fazer com que suas investidas sejam ainda mais fortes. Manipular peões é fácil demais.

Sua aparência grotesca era de aterrorizar qualquer pessoa. Cascavel então começou a gargalhar no meio daqueles corpos e parou após sentir algo.

— Ora, ora, parece que temos intrusos por aqui. Eu sinto o cheiro de medo vindo de algum lugar. Posso sentir a presença de três indivíduos. Vamos, apareçam imediatamente antes que eu envenene todo o local!

— Parece que nos encontramos de novo. — disse Aurea, revelando-se e indo em direção a ele enquanto o encarava seriamente. — Eu reconheceria a sua energia asquerosa em qualquer lugar. Quem diria que você seria um rato imperial.

Ao reconhecê-la, Cascavel começou a rir, fazendo-a ficar ainda mais irritada. Lentamente, suas Vestimentas Espirituais tomaram conta do corpo dela.

— Há anos você me humilhou e quase me matou. — disse Aurea. — Eu irei lhe devolver em dobro tudo o que você me fez passar naquele dia, seu maldito.

— Então, a garota quase morta conseguiu sobreviver? — provocou Cascavel. — Eu tentei fazer um favor te livrando daquele sofrimento, mas você não quis morrer.

Cascavel deu um passo à frente, e no mesmo instante Kamito apareceu ao lado de Aurea. O rapaz estava visivelmente confuso.

— Espera aí, vocês se conhecem?! Desde quando?

— É uma longa e péssima história. Mas, resumindo, horas depois da queda da Ordem, eu tive o desprazer de encontrá-lo. — ela explicou. — Eu lutava para me manter em pé enquanto tinha um ferimento aberto na barriga. Foi quando esse desgraçado desprezível me atacou desprevenida. Nós lutamos ferozmente, mas eu já estava prestes a morrer e precisei fugir.

— Meu orgulho como predador nunca foi tão ferido como naquele dia. Como eu pude deixar uma vadia quase morta escapar?! Eu ansiei pelo dia em que teria outra chance de matá-la. — o Capitão completou.

Cascavel deu um passo à frente, analisando o rapaz. Ele não conseguia sentir nada, mas, ao encarar os olhos de Kamito, logo começou a sorrir.

— Eu reconheceria esse olhar em qualquer lugar. — disse Cascavel. — Kamito Takeda, o desgraçado que quase me matou. Graças a você, perdi metade do meu corpo. Quem diria que você estaria logo com ela?! É melhor assim, porque eu poderei revidar o que você e ela fizeram comigo de uma vez só.

— Venha, se for capaz! — Kamito assumia lentamente sua postura de batalha, e sua Relíquia se formava na mão esquerda. — E convenhamos que essa aparência combina mais com você, seu desgraçado. Você deveria ter morrido com aquele golpe.

Ele o encarou seriamente, bem nos olhos, enquanto a Relíquia terminava de se formar.

— Não importa. — disse Kamito. — Acabarei com isso aqui mesmo. Dessa vez, vou garantir que você não sobreviva! Prepare-se para morrer, Cascavel!!!

— Nada disso. — interveio Aurea, tomando a frente e impedindo Kamito de finalizar a sua Relíquia. — Eu cuidarei dele. Você ainda é o nosso trunfo nessa guerra. Não podemos deixar que todos tomem conhecimento do seu poder agora. Mesmo que você vá atrás da garota, você não pode se revelar agora.

Ela então invocou as suas Relíquias e assumiu sua postura de batalha.

— Você e Yuffine sigam adiante. Eu alcanço vocês quando acabar com esse verme. Eu nunca me esqueci do que ele me fez no passado.

— Tudo bem. — respondeu Kamito, olhando para ela normalmente, pois sabia o quanto ela era forte. — Você pode lidar com ele muito bem sozinha. Não irei discordar da sua decisão. Yuffine, vamos agora mesmo.

Ele voltou a olhar para Cascavel, que o encarava com aquele olhar morto de uma cobra. Parecia que ele iria atacar a qualquer momento.

— Uma pena que não vou poder acabar com você. — disse Kamito. — Mas você não teve nem um pouco de sorte de ter que enfrentar logo a minha mestra.

— Obedeça a mulher. — enquanto Cascavel estralava o pescoço, duas serpentes saíam das mangas da sua camisa. — Ela não está de brincadeira, e muito menos eu. Depois que eu a matar, irei atrás de você. Considere isso uma vantagem

Kamito se afastou de Aurea enquanto chamava Yuffine para saírem de lá. Cascavel os ignorou por completo.

— Você guarda muita raiva pelo passado? — perguntou Cascavel. — O Falcão guardava. Ele te odiava muito. Uma pena que ele morreu. Eu gostava dele.

— Não dou a mínima para o que aconteceu ao Falcão. Ele teve o que mereceu, assim como você também terá. Você morre hoje. — Aurea criou asas de fogo e avançou na direção dele.

Essa oportunidade serviu para Yuffine e Kamito seguirem em frente. Aurea girou rapidamente como um turbilhão e acertou Cascavel em cheio, mas ele resistia.

— Dessa vez eu não estou sem energia e nem à beira da morte! — gritou Aurea. — Você finalmente vai poder sentir todo o meu poder! Alguém como você não merece estar respirando, e eu farei um favor ao Extra-Mundo te matando!

— Então eu não mereço estar vivo só por ser quem eu realmente sou?! Nesse caso, uma vagabunda como você também não merece viver!!! Matar uma serpente para não ser picado por ela é aceito, mas matar um coelho para que ele não destrua sua plantação é desnecessário. Vê como esse mundo é hipócrita e injusto?! Por isso os mais fortes prevalecem!!!

Enquanto a bloqueava com o braço esquerdo, ele lambeu a mão direita, lambuzando-a de veneno, e tentou acertá-la. Aurea recuou e, então, Cascavel correu em sua direção enquanto as cobras em seus braços se preparavam para dar o bote.

— O mundo não é justo com os mais fracos! — ele exclamou. — Por isso eu sou o mais forte! Nesse mundo, só sobrevivem aqueles que realmente possuem a capacidade de resistir a tudo e a todos, e eu sou uma dessas pessoas!!! Ou você se torna um predador, ou morre como uma presa inútil que viveu agarrada na covardia de uma vida miserável e falsa por não ter poder!!!

Aurea manteve as chamas ao redor do corpo enquanto se virava e o via se aproximando rapidamente. As cobras saltaram dos braços dele e vinham em sua direção, mas ela intensificou suas chamas e as incinerou de uma única vez. Isso fez com que ela o perdesse de vista por um momento. Então, Cascavel apareceu ao lado dela e tentou acertá-la com um chute.

Por sorte, Aurea o notou a tempo e usou os braços para se defender. Ela foi levemente empurrada para trás, mas o segurou pela perna e o jogou na direção de uma casa. Em seguida, pulou atrás dele e arremessou várias bolas de fogo. Cascavel desviou das bolas de fogo e cuspiu veneno contra ela, mas ela esquivava facilmente.

Os dois ficaram próximos de novo e começaram a trocar vários socos e chutes ainda no ar. Eles passaram por algumas casas, destruindo algumas delas graças aos poderosos golpes. Aquela luta parecia ficar cada vez mais intensa, pois suas energias estavam crescendo gradativamente e tentando se engolir.

Aurea pulou para um telhado e começou a girar os braços com rapidez. Assim, criou dois redemoinhos de fogo e os lançou contra Cascavel. Ele sorriu e começou a correr rapidamente, movimentando-se como uma cobra de verdade. Ele evitou as chamas com facilidade. De repente, Cascavel pulou próximo a ela e arremessou diversas agulhas envenenadas.