Capítulo 15 — O Desaparecimento de Luise
Capítulo 15 — O Desaparecimento de Luise
Após a luta contra Ryruka, pouca coisa aconteceu. Inclusive, neste meio tempo, Kamito e Ryruka passaram a se entender melhor. Poucos Carniceiros apareciam pela cidade, o que era um bom sinal, e os poucos que aparecia, serviam de treinamento. Fortalecendo o vínculo do trio.
Cerca de dois meses e meio se passaram desde que Akane e Kamito descobriram seus poderes, mas já haviam progredido bastante. Em uma manhã comum de terça, devido uma reunião urgente de professores, os alunos estavam de folga. Akane aproveitou sua folga para levar sua irmã Luise para a sua escola.
— Ei, Luise! Você não devia correr assim, é perigoso. — advertiu Akane, preocupada com o movimento da rua.
O trânsito estava mais movimentado que de costume.
— Você não está me ouvindo? Luise, é perigoso correr perto da rua. — questionou Akane segurando Luise pelo braço.
— Como você é chata! Eu estava tendo cuidado. Não sei o porquê veio comigo, sendo que eu mesma posso ir sozinha para a escola. — resmungou Luise.
Apesar da pouca idade, Luise gostava de sentir-se como uma adulta, zelava por sua liberdade. Inconformada, puxou seu braço, livrando-se das mãos de sua irmã, e voltou a caminhar. Apesar da raiva passageira, Luise sabia que Akane estava certa.
— Por que você não está com o Kamito? Vocês são namorados, deviam aproveitar esse tempo.
— Quê?! Kamito e eu… Nós não somos namorados. Você não devia falar uma coisa dessas assim!
Apesar de se envergonhar quando o assunto vinha à tona, Akane se perdia em seus pensamentos, imaginando algum dia estar namorando com Kamito.
— Mesmo que fôssemos, isso não tem nada a ver com você. Então não fale de algo que você não sabe.
— Certo, certo, mana. “O Kamito veio ao meu quarto hoje. Não pude conter a emoção. Achei que ele me tomaria em seus braços. Aqueles olhos vermelhos me encarando tiram meu fôlego”. — sorriu Luise com perversão.
Akane ficou vermelha instantaneamente, Luise citou uma frase que ela havia escrito em seu diário.
— Quer que eu continue? Se realmente gosta dele, por que não conta logo? Se não for rápida, aquela Ryruka vai tomá-lo de você.
— Eu?! Não… Não é tão simples assim… Eu não sei se ele… — Akane parou de caminhar, baixou a cabeça, com um olhar triste encarou seus pés.
Em seus pensamentos, ela sabia que realmente gostava dele, e que sempre estaria ao seu lado, não importava como, mesmo com insegurança, ergueu a cabeça e sorriu.
— Ainda não é o momento certo. E quem tem que expressar seus sentimentos primeiro tem que ser ele!
Luise, ao escutar as palavras de Akane, sorriu, e estendeu discretamente sua mão. Embora envergonhada por estar sendo tratada como uma criança, ela não poderia perder aquele momento com Akane. Durante o restante do trajeto, Akane aconselhava sua irmã sobre se empenhar nos estudos, já Luise, seguia com piadas relacionadas ao namoro deles.
Próximo da escola, Akane recebeu uma ligação, notou que era Suzumi. Atendeu a ligação às pressas.
— Akane, está muito ocupada? Preciso que você venha até o banco. Urgente.
— Tá, deixa eu só me despedir da Luise. — respondeu.
— O que aconteceu? — perguntou curiosa.
— Eu vou precisar ir agora. Surgiu um imprevisto.
— Tudo bem, eu me viro sozinha.
— Eu sei que sim, mas vá direto para escola, fui clara? Nada de pegar atalhos ou fazer paradas. — orientou Akane. — Eu venho te buscar mais tarde.
Ela se despediu e beijou a bochecha da irmã, saindo com pressa. Luise viu sua irmã se distanciando, sorriu envergonhada, e voltou a caminhar na direção da escola, quando esbarrou em um homem estranho.
— Desculpa, eu não prestei atenção. — disse o homem com um sorriso simpático.
— Tudo bem, também estava distraída.
Ela continuou seu caminho, sem notar que ele continuou observando-a com um sorriso estranho.
Enquanto isso, em outro lugar, Kamito e Raishi estavam conversando sobre os Carniceiros que apareceram na cidade e o trabalho de Kamito com eles. Raishi, ainda era misterioso, seguia sem revelar suas razões. Tantos segredos deixavam Kamito frustrado ao pensar que Raishi não confiava nele.
— Você não está me ouvindo, Raishi! Por que não me conta o verdadeiro motivo de ter nos treinado? Eu sei que tem algo além da nossa proteção!
— Kamito, tudo tem seu tempo. Você está adiantado demais, ainda não é o momento certo para lhes contar tudo. Seu treinamento ainda não acabou e já quer algo maior. Salvar vidas não é o suficiente?
Raishi olhava para as nuvens, sua tranquilidade contrastava com o pedido de encontrar Kamito em uma praça. Sem reações, sem troca de olhares, Raishi estava desligado do mundo.
— Você deveria aproveitar bastante o tempo e a oportunidade que estou dando para que você e a Akane vivam. Esse mundo é muito perigoso, especialmente para vocês. Por isso que a Ryruka não os aceitava. Vocês entraram nisso há pouco tempo. Suas vidas e escolhas são deste mundo. Vocês não são como eu, nem como ela, por isso que precisam aproveitar.
— Aproveitar a vida? Nunca vi você assim antes. Será que está começando a se abrir mais? — sorriu Kamito.
O garoto caminhou e se sentou no banco, levantou sua cabeça e também passou a observar o céu que Raishi tanto admirava.
— Falando nisso, onde a Ryruka está? Eu não a vejo há alguns dias. Nem dá para acreditar que vocês são irmãos. Tirando a aparência, vocês têm o temperamento totalmente diferente.
— Ela anda muito ocupada. Ser a aluna número um não é tão simples, sem falar a sua rotina de treinamentos. Ryruka pode ser mais forte atualmente, mas logo você a passará se continuar seguindo o que lhe digo.
Raishi observava o movimento pacato das nuvens com admiração, gostava daquilo, seu olhar neutro brilhava com paisagem desse mundo.
— Ah, então é aí que você está! Te procurei por todo lugar, Raishi. Por que não avisou que sairia? Você disse que me ajudaria com o treinamento! — apareceu Ryruka confrontando-o. — Por que estão com essa cara?! Por acaso eu atrapalhei alguma coisa? Vocês estão sentados como se não tivessem vidas. Deveriam parar com isso e serem mais responsáveis.
— Acho que você está pegando um pouco pesado. Não somos tão desleixados. Estávamos discutindo algo importante até você nos interromper.
Kamito olhou para Ryruka. A garota estava chateada com Raishi, seu olhar transpassava isto. Pensando em chamar a garota para a conversa entre os dois, Kamito é interrompido por uma ligação, era Suzumi.
— Alô? Suzumi? O quê?! Como isso aconteceu?! Não se preocupe, eu vou para lá agora mesmo!
As notícias não eram boas. Luise não compareceu a escola, a coordenadora ligou para saber o motivo da ausência. Porém, todos sabiam que a própria Akane a levou hoje. Kamito se levantou o mais rápido que pôde, encerrando a ligação, deixando Raishi e Ryruka sem entenderem o que estava acontecendo.
— Desculpa, aconteceu algo com a Luise! Eu preciso ir até a escola dela agora!
— Aconteceu algo com a irmã da Akane? Eu irei com você, quero ajudá-los. — Ryruka se ofereceu para ajudar, e Kamito topou sua ajuda, afinal, quanto mais pessoas estivessem em busca da jovem, melhor seria.
— Há pouco tempo senti uma movimentação de energia pela cidade. Não sei se isso tem relação com o que houve com a garota, então tomem cuidado. — alertou Raishi.
No entanto, algo estava diferente, o olhar neutro e misterioso desapareceu, Raishi estava com raiva, um olhar que assustou até mesmo Ryruka, sua irmã.
— Se isso for uma estratégia do inimigo, ele provavelmente estava procurando alguma forma de atraí-los e parece que finalmente conseguiu. Vão depressa para a escola. Eu tentarei descobrir mais sobre essa energia suspeita.
Kamito correu o mais rápido que podia, Ryruka o acompanhava. Por ligação, Akane estava perdida, abalada, sem saber o que fazer, sua voz trêmula e quase sem som transpassavam seu desespero, tentava explicar a última vez que a viu. O que teria acontecido com a filha mais nova da família Yagami?