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Capítulo 17 — Um Novo Aliado Misterioso

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Capítulo 17 — Um Novo Aliado Misterioso

O tempo passava normalmente e eles seguiam sem pistas. A aflição aumentava a cada minuto que passava, afinal, eles não sabiam quanto tempo Luise ainda teria. Já próximo ao ponto de encontro, restava apenas quinze minutos para o relógio indicar duas horas, e até aquele momento, eles apenas correram de um lado para o outro e brigaram entre si.

Após cinco minutos, eles chegaram em frente à cafeteria. O local era lindo e bem organizado por fora, com várias mesas na parte externa, mas eles não poderiam se dar ao luxo de admirar o local. Ryruka olhava pelas mesas, procurava por Yujiro, e não demorou para que o encontrasse. Um jovem de cabelo vermelho, olhos azuis, usava óculos.

— Ele está ali. Deixem que eu converso. Provavelmente aceitará ajudar se eu explicar tudo.

Ryruka apontou para um homem que lia um livro em uma mesa mais reservada. Ela seguiu em silêncio até ele.

— Yujiro? Tem tempo para conversar, não queremos te atrapalhar. — confirmou Ryruka.

O rapaz concordou com a cabeça, mas não tirou os olhos das páginas.

— Essas são as pessoas que te falei, Kamito Takeda e Akane Yagami. — Ryruka apontou para a dupla que a acompanhava. — Eles também são Manifestadores Espirituais. Nós precisamos de ajuda.

— Eu sei quem eles são. Sinto as energias de longe desde que despertaram suas Manifestações. Eles também são estudantes da nossa escola. — respondeu Yujiro sem olhar para o grupo.

A sua calma e concentração em seu livro, fez Kamito pensar que ele não os ajudaria.

— O que um Manifestador de fogo, uma de gelo e uma defensiva estariam fazendo para precisar da minha ajuda? Três Manifestadores seriam o suficiente para qualquer tipo de trabalho. — disse Yujiro arrumando os óculos em seu rosto.

— Minha irmã… Minha irmã mais nova foi sequestrada e suspeitamos que seja um Carniceiro. A Luise não tem poderes. Por favor, nos ajude a encontrá-la! — Akane implorou.

— Uma humana sequestrada por um Extra-Humano? Interessante… Não é algo que se vê todos os dias. — Yujiro fechou o livro e o colocou sob a mesa. Olhou para Akane, analisando-a. — A sua irmã não é sensível ao Véu. Então, se ela realmente foi raptada por um Extra-humano, há uma possibilidade de ele ter sido atraído pelo seu cheiro que estava impregnado nela. Vocês têm algo do local? Qualquer coisa que ligue a Luise ou ao acontecido?

— Eu usei minha caixa de gelo para coletar a amostra do cheiro que estava pelo local. Por algum motivo, o cheiro era tão forte que mudou a cor da caixa. — Ryruka mostrou o objeto para Yujiro, a coloração escura lembrava a morte. Yujiro olhava para a caixa de gelo, ele parecia saber do que se tratava.

— Interessante… Essa cor, essa forma… Se parece bastante com a Manifestação de um Carniceiro que eu investiguei há um tempo. Então parece que ele ainda está vivo. Quem diria.

Com a mão esquerda, Yujiro segurou a caixa, e com a direita, abriu. O cheiro saiu da caixa e ele analisou os vestígios de energia, procurava algo de importante. Seus dedos brilhavam enquanto ele separava o cheiro em três.

— Encontrei. Há três tipos de cheiros aqui: um humano, que provavelmente é da sua irmã, um com energia e um animal. Mas esse animal não é deste mundo… Quem diria que isso estaria relacionado.

— Você parece surpreso. Agora que temos o rastro da Luise, vamos salvá-la! Não temos mais tempo a perder, nos diga a localização. — disse Kamito preocupado.

Agora que eles possuíam uma nova pista, podiam agir. Kamito encarava Yujiro esperando uma resposta sobre a localização, mas o olhar fixo e centrado do rapaz quebrou as expectativas dele.

— Não é assim que as coisas funcionam, jovem de cabelos azuis. O animal que me referi são cães do Extra-Mundo, não sei como esse homem os trouxe para cá, mas eles são uma praga. Posso dar a localização, mas será a dos cães. Eu mesmo irei resgatar a garota enquanto vocês cuidam desse problema. Tenho assuntos inacabados com esse homem. — Yujiro pegou seu livro, e surgiu atrás de Kamito.

O garoto se virou as pressas e ambos trocaram olhares sérios. Não estavam dispostos a negociar ou ceder, e Ryruka sabia disso.

— Essa é a minha proposta. Se ele for o homem que suspeito que é, nós quatro chamaríamos atenção. Sua Manifestação Espiritual é o odor. Ele nos notará se nos aproximarmos muito. Portanto, eu sou o único que pode lidar com ele.

— Tudo bem, mas ao menos leve a Akane com você. Você precisará dela caso algo aconteça. Kamito e eu cuidaremos dos cães. Nos diga a localização. — sugeriu Ryruka.

— Acho que não terá problema em levar uma defensiva comigo. Os cães estão num galpão ao sul do porto. O rastro vem exatamente de lá. Tomem cuidado. — Yujiro chamou Akane e saiu, caminhando em silêncio.

Kamito observou o rapaz caminhar sem pressa e, logo em seguida, Akane segui-lo. Vê-la partir ao lado dele fez seu peito doer. Não houve despedidas; ele sequer o conhecia direito para simplesmente deixá-la ir.

Inconformado, cerrou os punhos com força.

— Não se preocupe, Kamito. Yujiro é forte. Eu sei que ele protegerá a Akane a qualquer custo. Mas não vamos pensar nisso, temos uma praga para eliminar! Vamos nessa Kamito! — disse Ryruka caminhando para a direção oposta enquanto o puxava.

Poucos minutos depois, a dupla já se dirigia em direção do local. Porém, Kamito não deixava de pensar na Akane e na briga que tiveram.

— Acho bom você se recompor logo. — advertiu Ryruka. — Esses cães são uma praga no Extra-Mundo, lutar contra eles distraído é suicido. Então eu preciso que me obedeça quando a hora chegar.

— Tudo bem. — murmurou Kamito.

Ryruka suspirou desacreditada, nem mesmo ser mandona funcionou. Ela olhou em volta e avistou uma pequena sorveteria. Pensou que talvez isso o alegrasse um pouco.

— Que tal tomarmos um sorvete?

— Não, obrigado. Estou sem vontade

— Você se preocupa demais com ela, não é? — questionou. — Tenha calma, Akane não está com raiva, ela só está confusa com toda essa situação.

— Eu… Eu não sei…

— Confie em mim, tem minha palavra. Ela mesma me disse, mas não diga que fui eu que te contei. — garantiu Ryruka.

As palavras da garota finalmente o acalmaram, dissipando toda a preocupação que sentia com aquela situação. Ela sorriu e repetiu a proposta que havia feito antes. Motivado, Kamito concordou e a seguiu até a sorveteria. Se iriam lutar contra criaturas de outro mundo, uma sobremesa antes da batalha não faria mal.