Capítulo 18 — Problema Canino
Capítulo 18 — Problema Canino
Diferentemente do clima descontraído entre Ryruka e Kamito, Akane e Yujiro seguiam em silêncio. Akane, em seus pensamentos, se perguntava porquê deu o tapa em Kamito, sentia seu peito apertar a cada vez que recordava do ocorrido. Ela tentava ignorar aquele momento, preferia pensar em como se desculparia ao fim de tudo. Mesmo que ele não aceitasse as desculpas.
Já Yujiro, a observava em silêncio, analisava a garota discretamente. Ele levantava sua cabeça e olhava para o céu, calculava e observava o sol para saber quanto tempo ainda possuía, ele estava muito interessado no sequestrador. E queria encontrá-lo logo.
— Eh, Yujiro? Falta muito para chegarmos? Quero encontrar logo a minha irmã. — perguntou Akane impaciente.
— Não muito. Não se preocupe, eu irei resgatá-la. Não deixarei aquele homem machucar a sua irmã. Você tem a minha palavra. — ele estava sério, parecia guardar rancor pelo sequestrador.
— Por que você não deixou a Ryruka cuidar disso? Ela também é bem forte. — perguntou Akane, curiosa com as motivações de Yujiro.
— Vai saber. Só sei que é o certo a se fazer. Eu já lutei contra ele uma vez, então o conheço bem. Além disso, a Ryruka é mais qualificada para lidar com vários inimigos de uma vez do que eu, por isso quis que ela e o garoto de cabelos azuis cuidassem dos cães. — Yujiro caminhava com pressa, buscava rotas mais desertas, não queria se atrasar.
Ele era ágil, e desviava das pessoas em seu caminho com facilidade.
— Então, qual a sua relação com o garoto de cabelos azuis? São namorados ou algo do tipo? Notei que trocavam olhares tímidos e mal se olhavam. Vocês brigaram?
— O quê?! Eu e o Kamito não estamos namorando… E depois de hoje acho que ele não vai querer mais. Fui uma idiota. Bati nele sem motivo e o culpei. — Akane ficou cabisbaixa, arrependida e sem saber o que fazer.
— Não se preocupe. Você parece realmente gostar dele e ele aparenta sentir o mesmo. Algo assim não estragaria o que vocês têm. Eu pude analisar isso. — Sorriu Yujiro.
No porto, Ryruka e Kamito se aproximavam do galpão que Yujiro comentou. Eles andavam com cautela, investigando o local.
— Tem certeza de que esse é o lugar? — questionou Kamito.
— Absoluta. A Manifestação do Yujiro é o Controle da Terra. Ele consegue identificar a localização do inimigo e criar um rastro através das vibrações da terra. — explicou Ryruka.
Kamito arregalou os olhos com a capacidade daquele rapaz. Ele não esperava que as Manifestações fossem tão versáteis a esse nível.
— Incrível…
— Sim, mas ele tem suas limitações. Assim como eu, Yujiro não consegue localizar pessoas sem energia. Pois a vibração delas não são detectadas. Nesses casos ele precisa seguir os resquícios de energia que encontra. — completou. — Provavelmente está usando os vestígios de energia da Akane que ficaram na irmã.
Eles caminharam até um galpão afastado.
— Esse é o local. Precisamos ter cuidado, esses cães são extremamente perigosos e capazes de rasgar Manifestações quando estão juntos. — Ryruka caminhou para a lateral do galpão, viu uma janela aberta, e com ajuda de tonéis vazios pôde alcançar e atravessar a janela.
— Acho que agora é a minha vez, espero não ter problemas com esses cães. — Kamito repetiu o caminho feito por Ryruka, se aproximou de onde a garota estava e ficou espantado ao ver que o galpão estava infestado de cães.
— Mantenha-se calmo, Kamito. Eu contei mais de 200. Provavelmente eles estão sendo alimentados para haver tantos. Isso nos dará muito trabalho. — sussurrava Ryruka.
A garota caminhou até uma rampa para fora da plataforma, tinha algo eficiente em mente e precisaria ser rápida.
— Cães malditos… Acabarei com vocês com um só golpe!
Ryruka concentrou sua energia, sua Vestimenta Espiritual ficou visível. A aura branca tomou seu corpo e o ar esfriou gradativamente. Ela estendeu os braços com os dedos para baixo, como se tocasse um piano.
— Symphony of the Storm!
Uma nuvem escura tomou conta do teto do galpão e despejou uma tempestade de neve sobre os cães. Era um poder incrível, o que era alcançado pela neve congelava de imediato. Ryruka abaixou os braços, achava que tinha terminado com os cães, mas um deles pulou de surpresa, atacando-a pelas costas. No entanto, ela se defendeu criando uma muralha de gelo.
— Ryruka! Parece que você não os matou com isso!
Kamito correu dos cães que iam em sua direção. O garoto ativou sua Vestimenta Espiritual e lançou uma onda de chamas que tomava toda a plataforma. O golpe atingiu alguns cães, e aquele que atacou a garota correu contra Kamito, mas foi atingido por uma estaca de gelo.
— Parece que estamos cercados! Você tem algum outro plano brilhante?
— Não enche! Eu tinha certeza de que esse golpe era o bastante para lidar com esses cães, mas alguém os alimentou o suficiente para resistirem. — Ryruka pulou para trás, ficou de costas para Kamito enquanto observava os cães os cercarem nas duas direções.
Mais cães surgiram no andar de baixo.
— Que droga! Esses cães são mesmo um saco como você tinha dito. Espero que a Akane e o Yujiro estejam se saindo melhor que a gente! — com o braço direito, Kamito criou uma lâmina de chamas.
Ele não queria matá-los, eram animais, mas eles não paravam de avançar e se adaptavam aos ataques. Encurralados, tudo o que podiam fazer eram lutar por suas vidas.
Em outro lugar, Akane e Yujiro chegaram em um prédio abandonado, o local caia aos pedaços. Mas o que chamava mais atenção era o cheiro podre.
— O cheiro vem daqui. — comentou Yujiro. — Acho que ele já sabe da nossa presença.
O rapaz abaixou e tocou o chão com a mão direita, fazendo o solo brilhar. Akane o olhava em silêncio, sabia que uma batalha estava prestes a começar.
No mesmo prédio, o Carniceiro os observava por uma janela, sorria ao vê-los, principalmente Yujiro. Afastou-se da janela, e caminhou até a jaula onde Luise e as outras garotas estavam.
De um lado, Kamito lutava contra cães do Extra-Mundo, e do outro, Akane enfrentaria o sequestrador se sua irmã. Ambos sabiam que suas vidas não seriam as mesmas desde o treinamento com Raishi, e por isso, fariam de tudo para proteger os que se envolviam em suas novas vidas.