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Capítulo 56 — O Veneno da Víbora e as Garras que Cortam Tudo

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Capítulo 56 — O Veneno da Víbora e as Garras que Cortam Tudo

Era impossível acreditar até que ponto as coisas chegaram, e que um mero incidente numa praça os teria conduzido até ali. Poderes, vilões e até mesmo uma possível invasão de outro mundo, mas aquela era uma escolha que Kamito tinha feito para sua vida. E lá estava ele, ao lado da garota que amava, encarando os últimos membros da Ordem dos Cavaleiros Brancos. Prontos para o último confronto.

Akane estava tensa; havia se esforçado muito na luta contra Harpia. Kamito, por outro lado, sentia que sua energia beirava menos da metade, incapaz de fazer quase qualquer coisa. Só lhes restava torcer para que aqueles dois não fossem tão fortes.

— Por que essas caras de assustados?! — Cascavel provocou, sorrindo de forma sádica mostrando os dentes. — Pensei que vocês gostavam de lutar. Infelizmente, suas energias estão baixas… e isso é uma pena para vocês.

Ele lambeu os lábios de maneira lenta, encarando-os fixamente.

— Permitam-me me apresentar devidamente. — continuou, inclinando levemente a cabeça. — Eu me chamo Cascavel, e esse à minha esquerda é o Leopardo. Estivemos de olho em vocês dois há algum tempo… e finalmente poderemos nos deleitar com o desespero de vocês.

— Desgraçados, acham que podem nos intimidar assim?! — Kamito respondeu, sorrindo com confiança. — Mesmo com pouca energia, iremos acabar com vocês. O fim de vocês e da Ordem está próximo!

Ele assumiu uma postura de ataque, mas, ao olhar novamente para Cascavel, sentiu o corpo estremecer. A imagem daquele ser que compartilhava seu nome voltou à sua mente, gelando o peito.

— O que foi, jovem? — Leopardo zombou, dando um passo à frente enquanto arrastava as garras pela parede. — Parece um pouco perdido… não me diga que suas palavras foram vazias e agora você está com medo de nos enfrentar?

A máscara dele emitia um ar ameaçador, embora aparentasse ter outro propósito. Leopardo recolheu suas garras devagar, ajeitando a postura.

— Agora que estamos cara a cara, poderei vingar meu irmão. Talvez vocês não saibam de quem estou falando, mas, há cerca de três meses, vocês mataram um “Carniceiro” numa construção. Aquele era o meu irmão gêmeo.

— I-Isso não pode ser verdade! — Akane exclamou, chocada. — Você é irmão do homem que nos atacou?! Quer dizer que tudo isso é culpa de vocês?! S-Se aquilo nunca tivesse acontecido, o Kamito jamais teria se machucado tanto! Eu não permitirei que isso continue!

Sem hesitar, ela invocou seu arco e o apontou diretamente para Leopardo. Akane o encarou com firmeza; ainda não havia esquecido o incidente que mudou suas vidas para sempre, nem o perigo que ainda pairava sobre eles.

— Tudo que passamos foi por culpa de vocês! Vocês quase mataram a pessoa mais importante para mim! Que direito tem de querer se vingar se ele nos atacou primeiro?! Estávamos apenas nos defendendo! Isso acaba hoje!

— Ora, ora, a garota era mais valente do que você, Leopardo. Talvez suas garras não consigam cortá-la como imaginava… Por outro lado, o garoto parece assustado. Até parece que ele viu um fantasma. Isso será muito divertido. — comentou Cascavel, sorrindo, enquanto uma estranha saliva verde escorria de sua boca.

Em seguida, ele levou a mão direita até próximo da boca e lambeu os dedos cuidadosamente, repetindo o gesto com a mão esquerda.

— Agora, eu estou preparado. Não precisarei da minha Relíquia para cuidar de uns pivetes assustados. Kamito Takeda e Akane Yagami, dois humanos com poderes de Extra-humano e Manifestações Espirituais. Me mostrem o quanto vocês são fortes! Quero ver suas peles queimarem com o meu veneno!

Com rapidez, Cascavel avançou em zigue-zague na direção deles. Seus movimentos eram confusos e impossíveis de serem previstos, assim como os de uma cobra. Akane criou uma cúpula ao redor dos dois, protegendo-os. A ação revelava que Cascavel pretendia atacá-la pelas costas. Ao ver isso, Kamito mudou sua expressão e avançou contra ele. Imediatamente, Akane desfez a cúpula.

Enquanto Kamito se aproximava, ele invocou sua Relíquia e a puxou em direção ao Cascavel, fazendo a lâmina colidir com as garras cobertas de veneno.

Ele ficou surpreso ao ver que o inimigo havia parado seu golpe com as mãos nuas, ainda mais considerando o quanto Cascavel aparentava ser magro e fraco.

— Você é mais forte do que aparenta ser. Para ter conseguido parar minha Relíquia com as mãos nuas. — disse Kamito, forçando ao máximo sua espada contra ele, sem conseguir movê-la.

Quando Cascavel tentou empurrar a lâmina de volta contra Kamito, Leopardo surgiu ao lado deles e preparou um golpe. Akane ergueu uma barreira com rapidez, protegendo Kamito.

— Então vocês vão mesmo jogar sujo?! Eu devia saber disso desde o começo. Eu esperava que essa luta não fosse tão difícil, mas eu estava errado. — reclamou Kamito.

— Será que eu que sou forte, ou você que é fraco?! Foi burrice sua achar que seu inimigo jogaria limpo. Isso não é uma competição para ter regras, e sim uma batalha real onde os fracos caem aos pés dos mais fortes! — debochou Cascavel.

Ele empurrou Leopardo para o lado e cravou as unhas venenosas contra a barreira de Akane. O veneno escorria como sangue, e, aos poucos, as unhas começaram a penetrar na proteção. Akane arregalou os olhos, surpresa com a força dele.

— I-Isso não pode ser possível! O veneno dele está matando a minha barreira… Kamito! Tome cuidado com ele, a Manifestação dele é pior do que parece. — exclamou Akane, tensa.

Ela tentou fortalecer a barreira, mas a área atingida pelo veneno não reagiu, como se estivesse realmente sofrendo os efeitos de uma picada.

— Vocês são tolos, são apenas crianças e mesmo assim decidiram entrar no nosso caminho. Humanos são mesmo idiotas. Eu quero ver vocês gritarem. — declarou Cascavel, sorrindo com crueldade.

Leopardo criou dez lâminas, uma em cada dedo. Todas aparentavam ser extremamente afiadas e letais, aquela era sua Relíquia.

— Essa é a “Luva do Estripador”. Sintam-se honrados de serem mortos por ela. Para mim, não interessa se são crianças. Eu mato por prazer!

— Você me enoja! — retrucou Akane, dando um passo à frente, irritada. — Você consegue ser mais baixo do que o seu irmão! Por isso que precisamos pará-lo, porque ele matava crianças! Vocês são sujos!

Ela se preparou para atacá-lo. Akane esatva levemente transtornada por aquelas palavras; acima de tudo, ela não aceitava que pudessem existir seres capazes de machucar crianças indefesas.

— Quem é você para me julgar?! — gritou Leopardo, furioso. — Vocês mataram o meu irmão pelo simples fato de ele ter um problema! Acham mesmo que estão certos?! Muito pelo contrário, vocês também são baixos!

Ele já não conseguia mais se conter, tomado pela ira, preparou-se para atacar.

— Hora de sentir as minhas garras mortais!

Num piscar de olhos, Leopardo avançou e desapareceu da vista. Kamito percebeu que ele pretendia atacar Akane pelas costas assim como Cascavel tentou e, rapidamente, bloqueou o golpe com a espada. As garras colidiram contra a lâmina, produzindo diversas faíscas, o som do metal arranhando ecoou pelo corredor.

Eles estavam encurralados pelos dois lados e precisavam pensar em algo o mais rápido possível: de um lado, um sádico venenoso; do outro, um lunático armado com lâminas. Qualquer erro seria fatal. A dupla não poderia se dar por vencida, chegaram longe demais para serem vencidos agora.