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Capítulo 196 – Prazos e Ausência.

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Capítulo 196 – Prazos e Ausência.

Elenys respirou fundo.

— Tudo começou na chegada da comitiva a Cervalhion.

Sua voz se espalhou pela sala oval.

As paredes de pedra se erguiam ao redor do Círculo, parte delas ainda marcada pelas linhas irregulares da rocha de onde haviam sido esculpidas. A luz das lamparinas e dos cristais presos às paredes não alcançava todos os cantos, deixando algumas das cadeiras mergulhadas em uma leve penumbra.

No centro, a mesa lembrava uma lua crescente de pedra escura. As cadeiras do Círculo estavam dispostas ao redor de sua curva, sobre o estrado elevado que separava os membros da assembleia do restante da sala.

Elenys sentia todos os olhares sobre ela.

— As negociações não foram simples. Havia desconfiança dos dois lados, mas não houve uma agressão quando chegamos. Apenas um atrito leve entre o rei e a Rainha.

Vaeryn ergueu ligeiramente o queixo.

— Atrito?

Elenys voltou os olhos para ela.

— Palavras duras. Discordâncias sobre os termos da reunião. Nada que justificasse um confronto.

Malrik apoiou os braços sobre a mesa.

— E Ian?

— Estava presente.

— Então ele participou da discussão?

— Sim.

— E foi isso que provocou a reação de Cervalhion?

— Não.

A resposta veio rápida.

Malrik assentiu, mas não insistiu.

Ydrine continuava imóvel.

Elenys prosseguiu.

— Antes disso, porém, preciso lembrar a todos que havia uma razão para estarmos em Cervalhion.

Alguns membros do Círculo trocaram olhares.

— Os três reinos haviam se reunido para discutir o aumento das grandes bestas — continuou ela. — Não apenas o número de ataques. O comportamento delas também havia começado a mudar.

Seralyth ergueu os olhos.

— As criaturas que estavam surgindo fora dos registros?

— Sim.

— E a criatura encontrada em Cervalhion?

Elenys assentiu.

— Foi apresentada durante a reunião.

Vaeryn franziu o cenho.

— A mesma que atacou vocês?

— Não.

A resposta veio imediatamente.

— Mas havia semelhanças.

Ydrine inclinou a cabeça.

— Que tipo de semelhanças?

— Era uma criatura que não pertencia a nenhum registro conhecido. Havia surgido de um túnel recém-formado, aberto de dentro para fora. E, ao contrário das bestas que conhecemos, demonstrava comportamento estratégico.

Seralyth apoiou os dedos sobre a mesa.

— Então a ameaça já era conhecida antes do ataque.

— A ameaça, sim. Aquela criatura específica, não.

Ydrine observava Elenys com atenção.

— E o que isso tem a ver com a comitiva?

— Tudo.

A resposta fez alguns rostos se voltarem para ela.

— A reunião terminou com um acordo entre os reinos de investigar a origem desse fenômeno. Vocês já sabem que os nossos estudiosos acreditavam ter localizado um ponto relacionado à energia da barreira nas montanhas centrais.

Malrik ergueu as sobrancelhas.

— Vocês pretendiam ir até lá?

— Sim.

— A comitiva?

— Ela faria parte da investigação.

Seralyth estreitou os olhos.

— E Ian?

Elenys olhou para ela.

— Principalmente Ian, Elandor mandou sua própria guardiã e Cervalhion enviaria o próprio Danurem com membros dos caçadores de magos e o príncipe Herdeiro.

Um breve silêncio tomou a sala.

— Então eles ainda não haviam partido para as montanhas — concluiu Malrik.

— Não.

Elenys deixou as mãos repousarem sobre a mesa.

— A expedição sequer havia começado.

Ydrine se inclinou lentamente para a frente.

— E foi então que a criatura apareceu.

— Durante as negociações?

— Não exatamente. As discussões já haviam terminado. Estávamos nos preparando para a movimentação da comitiva.

Seralyth franziu o cenho.

— E não houve nenhum sinal antes do ataque?

Elenys pensou por um instante.

— Não tivemos tempo para perceber de onde ela veio.

Ydrine finalmente perguntou:

— E Cervalhion?

Elenys voltou os olhos para ela.

— O que quer saber?

— Como eles agiram quando a criatura apareceu?

— Eles mobilizaram os Caçadores de Magos. O próprio Aedin participou.

Um murmúrio baixo percorreu a mesa.

Vaeryn franziu o cenho.

— O próprio Rei?

— Sim.

— Então estavam preparados para enfrentá-la.

— Não foi o que eu disse.

— Mas foi o que pareceu se o próprio rei participou.

— Vaeryn — interveio Thalien —, isso significa apenas que reagiram ao aparecimento da criatura.

Thalien manteve a voz controlada.

— Não sabemos se estavam preparados para ela.

Vaeryn recostou-se na cadeira.

— E isso não lhe parece estranho?

Thalien respondeu antes que Elenys pudesse fazê-lo.

— Estranho seria ignorar uma criatura criando o caos dentro dos muros.

Ydrine lançou um olhar breve para Thalien.

— Ou talvez já soubessem que ela apareceria.

— Por quê? — perguntou Thalien.

Ydrine voltou-se para ela.

— Os Caçadores de Magos sempre ficaram espalhados pelo reino. E, de repente, um grupo deles estava disponível na capital para responder a uma criatura que surgiu no meio da cidade.

Elenys franziu ligeiramente o cenho.

— Não foi de repente.

Ydrine voltou os olhos para ela.

— Não?

— Não. Eles estavam na capital por causa da própria cúpula.

Alguns membros se entreolharam.

Elenys continuou:

— Os três reinos haviam enviado seus representantes de maior importância para Cervalhion. Reis, Guardiões e forças de elite estavam reunidos na mesma cidade. Seria estranho se os Caçadores de Magos não estivessem concentrados na capital para proteger o encontro.

Vaeryn ficou em silêncio.

Ydrine não pareceu convencida.

— Ainda assim, a resposta foi rápida.

— Não tenho como afirmar que estavam preparados para aquela criatura — respondeu Elenys. — Mas a presença deles na capital não é suspeita. Era exatamente onde deveriam estar.

Ydrine sustentou seu olhar por alguns segundos.

Nenhuma das duas desviou os olhos.

Gil moveu levemente uma das mãos sobre a mesa.

— Pode continuar.

Elenys desviou os olhos de Ydrine.

— O confronto aconteceu rápido demais. Houve pouco tempo para entender quem estava fazendo o quê. Nós tentamos proteger os nossos e sobreviver.

Ela baixou os olhos por um instante.

— Alexia morreu durante o confronto.

Elenys sentiu o peito apertar.

Ydrine foi a primeira a quebrar o silêncio.

— Por causa da criatura?

Elenys passou o dedo pela aliança brevemente.

— Não tenho certeza.

— Isso não responde.

— Porque eu não tenho uma resposta melhor.

A voz de Elenys saiu mais baixa.

— Eu não vi quando ela caiu.

Ydrine recostou-se.

Vaeryn desviou os olhos por um instante para a cadeira vazia.

Seralyth permaneceu observando Elenys.

Malrik perguntou:

— Você estava perto dela?

— Sim.

— E não viu o que aconteceu?

Elenys levantou os olhos.

— Havia uma criatura maior que uma carruagem atacando tudo ao nosso redor, Malrik. Eu estava tentando manter os outros vivos.

Malrik não respondeu.

Thalien baixou os olhos para a mesa.

Por um instante, ninguém pareceu disposto a pressioná-la mais.

Então Ydrine perguntou:

— E Ian?

Elenys respirou fundo.

— Ele enfrentou a criatura, junto com outro Guardião.

Seralyth ergueu os olhos.

— Você viu o que aconteceu com ele?

— Vi quando ele foi ferido.

— Gravemente?

— Sim. Um corte grande em um dos braços. Depois ele caiu inconsciente.

Malrik se inclinou um pouco sobre a mesa.

— E depois?

Elenys hesitou.

— Outro Guardião o levou.

— Para onde?

— Não sei.

— Você viu quem era?

— Não conheço todos os Guardiões de Cervalhion.

Malrik pareceu considerar a resposta.

— Então Ian estava vivo quando você o viu pela última vez.

— Sim.

— E não sabe onde ele está agora.

— Não.

Malrik abriu a boca, mas Vaeryn falou antes.

— Espere.

Elenys voltou os olhos para ela.

Vaeryn apoiou as duas mãos sobre a mesa.

— Estamos falando de Ian.

Ninguém respondeu.

— O Guardião do Norte — continuou ela. — Um dos nossos. Ele foi ferido diante de uma comitiva de Altheria, levado por um Guardião de Cervalhion e nós simplesmente fomos embora sem saber para onde?

— Não foi assim — respondeu Elenys.

— Então diga exatamente como foi.

A fala veio mais dura.

Elenys manteve a postura.

— Houve uma batalha dentro da cidade. Alexia estava morta. Outros estavam feridos. A situação ainda não estava sob controle.

— E isso explica por que deixamos Ian para trás?

— Eu não disse que o deixamos para trás.

Orven entrou na conversa.

— Então o que foi feito para encontrá-lo?

Elenys permaneceu em silêncio por um instante.

— Foram feitas perguntas, mandamos guardas em sua busca.

Vaeryn soltou uma pequena risada, sem humor.

— Perguntas?

— Exigimos saber onde ele estava.

— De quem?

— Dos responsáveis pela segurança de Cervalhion.

Malrik estreitou os olhos.

— E a resposta?

— Que ele havia sido levado para receber atendimento.

— Onde?

Elenys apertou os dedos contra a madeira.

— Não souberam me dizer.

Vaeryn recostou-se lentamente.

— E mesmo assim retornamos.

— A comitiva precisava sair.

— A comitiva, talvez. Mas Ian?

Elenys sentiu o peso da pergunta.

— Eu não tinha como encontrar alguém que já havia sido levado para dentro de uma cidade em caos.

— Ele não é alguém, Elenys.

A voz de Vaeryn saiu baixa.

— É o Guardião e não qualquer um.

O silêncio que se seguiu foi diferente dos anteriores.

Até Ydrine pareceu não ter uma resposta imediata.

Malrik olhou para Elenys.

— Você tem certeza de que ele estava vivo?

— Eu o vi ser levado.

— Então, até aquele momento, havia uma coisa que sabíamos.

Elenys sustentou o olhar dele.

— Que ele estava vivo.

— E agora não sabemos onde está.

— Não.

Malrik recostou-se.

— Então desaparecido é uma palavra bastante conveniente.

Elenys sentiu a acusação.

Thalien baixou os olhos por um instante.

Depois ergueu o rosto.

— E foi por isso que Lysvallis permaneceu.

Ydrine voltou-se para ela.

— Por causa de Ian?

— Por causa de tudo o que aconteceu — respondeu Thalien. — Mas Ian certamente fazia parte disso.

Elenys assentiu.

— E Lysvallis?

A sala pareceu ficar menor.

Elenys sentiu os olhos de Thalien sobre ela.

— Ela permaneceu em Cervalhion.

Thalien se mexeu na cadeira.

— Por decisão dela?

— Ela é a Rainha.

— Ela ao menos explicou o motivo?

— Precisava de mais informações sobre a besta e das compensações pela perda da nossa Matriarca, que estava sob proteção deles.

Thalien permaneceu em silêncio.

Ydrine então falou:

— Enquanto uma de nossas Matriarcas estava morta, um Guardião havia desaparecido e nossa Primeira não retornou com os demais, nem mesmo para prestar seus respeitos?

Elenys ergueu o rosto.

— Lysvallis não abandonou a comitiva.

— Não foi isso que eu disse.

— Ydrine não precisa falar com meias palavras. Todos aqui sabem da sua desavença com a Rainha.

Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Ydrine.

— Vamos nos ater apenas ao que foi dito, por favor.

Ela olhou rapidamente para os demais.

— Sim, não sou a maior apoiadora de Lysvallis. Mas sei que um líder deve tomar a frente em momentos sombrios. No entanto, cá estamos: uma das nossas está morta, um dos nossos Guardiões desapareceu e a nossa Primeira não retornou com os demais, nem mesmo para prestar seus respeitos.

Thalien respondeu dessa vez.

— Ela nunca faltou com suas funções.

Ydrine voltou os olhos para ela.

— Isso foi antes, Thalien. Antes dos problemas de família e do retorno do Guardião.

Thalien ficou imóvel por um instante.

— Tem certeza de que quer ir por esse caminho, Ydrine?

— E me resta outro? — ela perguntou, gesticulando para os presentes. — Porque eu estou apenas tentando entender a decisão.

— Minha irmã não precisa da minha permissão para tomar uma decisão.

— Nem estou duvidando disso.

Thalien sustentou o olhar de Ydrine.

— O que exatamente está sugerindo?

— Não estou sugerindo… — Ydrine fez uma pequena pausa. — Estou perguntando por que ela não voltou.

A troca deixou o ambiente ainda mais tenso.

Elenys interveio antes que a discussão crescesse.

— Ainda havia perguntas sem resposta.

Ydrine voltou a atenção para ela.

— Perguntas?

— Sobre a criatura. Sobre o ataque. Sobre o que aconteceu com Ian.

Elenys fez uma breve pausa.

— E sobre a investigação que deveria ter começado nas montanhas.

Ydrine ficou alguns segundos em silêncio.

— A investigação não pode começar.

— Não.

— Então não havia motivo para Lysvallis permanecer.

Elenys sustentou o olhar dela.

— Havia.

Ydrine esperou.

— Porque foi em Cervalhion que o ataque aconteceu. E se a besta que atacou dentro de Cervalhion, com tanta precisão, puder aparecer aqui?

Thalien assentiu discretamente.

Elenys continuou:

— Retornar sem entender o que aconteceu significaria trazer mais perguntas do que respostas para Altheria.

Ydrine recostou-se.

— E quando ela pretende retornar?

— Em poucos dias.

Ydrine repetiu as palavras, pensativa.

— Poucos dias…

Elenys não respondeu.

— Então talvez não tenhamos um problema — disse Ydrine.

Thalien ergueu os olhos.

— Talvez não.

— Mas, se ela pretende retornar tão cedo, não vejo razão para nos opormos a uma pequena precaução.

— Que precaução? — perguntou Malrik.

Ydrine apoiou uma das mãos sobre a mesa.

— Enviar alguém para Cervalhion.

Thalien franziu o cenho.

— Para fazer o quê?

— Encontrar Lysvallis.

A resposta pareceu simples demais.

— E trazê-la de volta — acrescentou Ydrine.

Thalien se ajeitou na cadeira.

— Ela não precisa ser buscada.

— Talvez não.

Ydrine não elevou a voz.

— Mas, depois de tudo o que aconteceu, acredito que seria prudente que o Círculo soubesse exatamente onde está sua Rainha.

Elenys sentiu a frase pesar.

Não havia nada de abertamente hostil nela.

Era justamente esse o problema.

— Uma comitiva diplomática — disse Ydrine. — Pequena. Sem soldados. Sem autoridade para interferir em qualquer assunto de Cervalhion. Apenas representantes de Altheria acompanhando nossa Representante de volta para casa.

Thalien manteve os olhos sobre ela.

— E se ela decidir permanecer?

Ydrine inclinou levemente a cabeça.

— Então teremos ouvido isso dela.

A resposta fez Thalien apertar os lábios.

Elenys percebeu o movimento.

Ydrine não estava tentando buscar Lysvallis.

Estava criando uma situação na qual Lysvallis precisaria escolher publicamente entre retornar ou permanecer em Cervalhion. E qualquer uma das escolhas poderia ser usada contra ela.

— Não vejo necessidade de enviar ninguém — disse Thalien.

— Sua irmã pode retornar sozinha.

— Pode.

— Então não deveria se opor a uma comitiva.

Thalien abriu a boca, mas hesitou.

Ydrine continuou antes que ela respondesse:

— A menos que exista alguma razão para acreditarmos que ela não retornará.

A provocação foi sutil.

Ainda assim, alcançou o alvo.

— Não há razão alguma — respondeu Thalien.

— Ótimo.

Ydrine recostou-se.

— Então não teremos nada com que nos preocupar.

Elenys percebeu que a conversa havia mudado.

Até aquele momento, todos discutiam se Lysvallis deveria ou não ser buscada.

Agora Ydrine havia transformado a recusa de Thalien em uma possível demonstração de desconfiança.

Malrik passou a mão pelo queixo.

— E quanto tempo essa comitiva teria para encontrá-la?

Ydrine voltou-se para ele.

— Quatro semanas.

Thalien soltou uma pequena risada, sem humor.

— Quatro semanas para quê? Ela deve retornar em poucos dias.

— Justamente.

Ydrine apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Se tudo ocorrer como Elenys acredita, quatro semanas serão mais do que suficientes.

— E se não ocorrer?

A pergunta veio de Seralyth.

Ydrine ficou alguns segundos em silêncio.

— Então precisaremos descobrir o motivo.

— E se a comitiva não conseguir encontrá-la? — perguntou Malrik.

— Teremos de considerar que alguma coisa impediu seu retorno.

— Alguma coisa? — Orven perguntou.

Ydrine voltou os olhos para ele.

— Cervalhion, talvez.

O ambiente mudou.

Vaeryn se inclinou ligeiramente para a frente.

— Está propondo que tratemos a ausência de Lysvallis como um ato de hostilidade?

— Não.

Ydrine respondeu sem pressa.

— Estou propondo que não sejamos ingênuos.

Gil cruzou as mãos sobre a mesa.

— Existe uma diferença entre prudência e provocação.

— Concordo.

Ydrine olhou para ele.

— Por isso a comitiva será diplomática.

Seralyth permaneceu pensativa.

— E se descobrirmos que Lysvallis está viva, mas não pode retornar?

— Então teremos uma explicação.

— E se Cervalhion disser que ela decidiu permanecer?

— Então ela mesma poderá confirmar.

Thalien respirou fundo.

— Você quer colocar minha irmã contra o próprio Círculo.

— Não.

Ydrine inclinou ligeiramente a cabeça.

— Quero que o Círculo saiba onde está sua líder.

Thalien não respondeu.

Elenys observou as duas.

Era uma resposta impossível de atacar sem parecer que Thalien tinha algo a esconder.

Foi então que Elenys falou:

— A comitiva será pequena.

Ydrine voltou os olhos para ela.

— Naturalmente.

— Poucos soldados.

— Concordo.

— E ninguém terá autorização para negociar qualquer questão além do retorno de Lysvallis.

Ydrine assentiu.

— Isso me parece razoável.

Elenys estreitou os olhos.

Ydrine estava aceitando tudo com facilidade demais.

— Thalien escolherá os membros da comitiva — acrescentou.

Dessa vez, Ydrine demorou um instante antes de responder.

— Se é isso que o Círculo deseja.

Thalien encarou Ydrine.

— Eu escolherei.

— Muito bem.

Ydrine se recostou.

— Então temos um acordo.

Elenys não gostou daquela palavra.

Acordo.

Ainda não havia votação.

Ainda não havia decisão formal.

Mas Ydrine já falava como se tivesse conseguido o que queria.

Seralyth quebrou o silêncio.

— E o que acontece depois das quatro semanas?

Ydrine olhou para ela.

— Se não tiver…

Ela deixou a frase morrer por um instante.

— O Círculo se reunirá novamente.

Vaeryn assentiu lentamente.

— Para decidir uma resposta.

— Exatamente.

Orven franziu o cenho.

— Inclusive uma resposta militar?

Ydrine não respondeu imediatamente.

Olhou para Elenys.

— Se houver evidências de que Cervalhion está impedindo o retorno de nossa Primeira, acredito que seria irresponsável excluir qualquer possibilidade.

Elenys sustentou o olhar de Ydrine.

Não era uma declaração de guerra, mas já era mais do que uma simples precaução. O Círculo havia aceitado um prazo e, com ele, a possibilidade de transformar a ausência de Lysvallis em motivo para uma nova reunião.

Thalien baixou os olhos para a mesa. Malrik permaneceu pensativo, enquanto Seralyth parecia cada vez mais incomodada com o rumo da conversa. Vaeryn, por outro lado, não demonstrava qualquer oposição.

Elenys sentiu um peso se formar no peito.

Quatro semanas.

Ydrine não precisava convencer o Círculo de que Cervalhion era culpado. Bastava que Lysvallis não retornasse. Depois disso, cada dia de sua ausência poderia ser usado para sustentar a suspeita que acabavam de deixar sobre a mesa.