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CAPÍTULO 70 – A DANÇA ÉLFICA

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CAPÍTULO 70 – A DANÇA ÉLFICA

Elias sorriu.

“Como quiser.”

Eliandris não lhe deu a chance de terminar de saborear aquelas palavras.

Ela não estava paralisada pelo medo. Desde o instante em que Elias derrotara Grim, a elfa havia entendido uma coisa assustadora: aquele homem não precisava conjurar da forma convencional. Não havia cânticos, gestos ou o breve intervalo que um mago comum necessitava para reunir mana e ativar uma magia.

Se ela lhe concedesse sequer um segundo, seria o bastante para morrer.

Uma aura amarela explodiu ao redor de seu corpo.

A pressão da magia [Gravidade Aumentada] pareceu diminuir por um instante, afastada pela energia liberada pela artista marcial. Eliandris inclinou o corpo para a frente e avançou.

A ponta de sua rapieira surgiu diante de Elias.

Foi uma estocada simples, direta e precisa.

Ainda assim, apenas aquele movimento bastava para revelar sua habilidade. Seus pés deslizaram entre os escombros sem desperdiçar força, e seu braço se estendeu com uma leveza que fazia a lâmina parecer quase sem peso. Não havia tensão desnecessária em sua postura, tudo nela era calculado para que o golpe alcançasse o alvo no menor tempo possível.

Elias não se moveu.

Uma barreira translúcida se formou diante de sua garganta no exato instante em que a rapieira chegava até ele.

Crack!

O escudo se despedaçou, mas a estocada foi interrompida.

[MAGIA IRREGULAR DE 1º CICLO – ESCUDO DE FORÇA]

Eliandris não recuou.

Sua lâmina mudou de direção imediatamente e desferiu uma segunda estocada, seguida por uma terceira, uma quarta e uma quinta. A rapieira avançava de ângulos diferentes, buscando os olhos, o pescoço, o coração e as articulações de Elias. Cada ataque era preciso, mas não havia rigidez na sequência.

Parecia uma dança.

Os movimentos da elfa se conectavam uns aos outros com uma fluidez hipnotizante. Seu corpo girava, avançava e recuava em passos curtos, enquanto a lâmina desenhava linhas prateadas no ar. Era uma forma de luta tão bela quanto letal.

A esgrima élfica era conhecida por isso.

Seus golpes não eram apenas eficientes. Eles eram belos.

E, nas mãos de alguém como Eliandris, também eram poderosos.

Oliver observava tudo com os olhos arregalados.

Era a primeira vez que via sua mãe lutar de verdade. Mesmo ferida e esmagada pela gravidade aumentada, Eliandris se movia com uma elegância tão impressionante que, por alguns segundos, ele esqueceu o medo que sentia.

Então percebeu algo ainda mais aterrorizante.

Crack!

Crack!

Crack!

Um novo [Escudo de Força] surgia a cada estocada.

Cada barreira era criada exatamente onde a rapieira acertaria em seguida. Os escudos se quebravam sob a força dos golpes de Eliandris, mas um novo tomava seu lugar antes que a lâmina pudesse alcançar Elias.

O mago não recitava encantamentos.

Não movia as mãos.

Não demonstrava sequer esforço.

Ele apenas permanecia parado, com o cajado apoiado ao lado do corpo, enquanto bloqueava todos os ataques com uma precisão fria e absoluta.

Oliver tentou acompanhar a sequência.

Uma estocada no pescoço.

Outra no peito.

Duas contra o abdômen.

Mais golpes vieram de cima, de baixo e pelos dois lados. Eliandris se tornou um borrão dourado diante de Elias, e o som dos escudos se partindo passou a preencher a sala destruída.

“Foram cerca de 20 golpes?” Oliver murmurou.

Ele apertou os dedos contra o assoalho e tentou contar mais uma vez.

Em cinco segundos, Eliandris havia atacado aproximadamente vinte vezes.

E todas as estocadas tinham sido bloqueadas por um [Escudo de Força].

Oliver sentiu a garganta secar.

No mesmo intervalo, ele talvez fosse capaz de conjurar dois escudos. E isso apenas se estivesse em condições normais, concentrado e sem precisar se preocupar com a pressão esmagadora daquela magia.

Elias, no entanto, havia bloqueado completamente uma artista marcial de Rank 4 usando apenas uma magia de 1º Ciclo.

“É só isso?” Elias perguntou, com uma risada cheia de desdém. “Estou decepcionado. Sua esgrima é bela, mas não é poderosa.”

Eliandris se afastou com um salto curto.

Sua respiração estava pesada. O seu ferimento, causado pela alma do dragão, continuava aberto, e o sangue escorria por sua pele até alcançar a sua cintura. A aura ao redor de seu corpo tremulou por um instante.

Mesmo assim, seus olhos não deixaram Elias.

Ela inspirou profundamente.

Então ajustou a postura.

O pé da frente apontou para Elias, enquanto o outro se posicionou atrás, sustentando o corpo com firmeza. A rapieira desceu até a altura de sua cintura, e sua aura dourada começou a se concentrar ao longo da lâmina.

Oliver reconheceu a mudança imediatamente.

Aquilo não era um ataque comum.

[5ª TÉCNICA DE ESGRIMA ÉLFICA – ESPADA ILUSÓRIA]

Eliandris desapareceu.

Não de verdade.

Mas sua velocidade ultrapassou o limite que os olhos de Oliver conseguiam acompanhar. A figura da elfa surgiu diante de Elias e, no instante seguinte, outras duas imagens apareceram ao seu lado.

Três Eliandris avançaram ao mesmo tempo.

Uma atacou pela esquerda. Outra pela direita. A terceira surgiu diretamente à frente, com a rapieira apontada para o coração do mago.

Pétalas amarelas começaram a cair pelo ar.

Eram ilusórias, criadas pela técnica, mas pareciam reais enquanto flutuavam pela sala destruída. Elas dançavam ao redor das três figuras de Eliandris e acompanhavam cada estocada com uma delicadeza quase encantadora.

Por um breve momento, não parecia que alguém estava lutando.

Parecia que Oliver assistia a um espetáculo.

Então as lâminas se moveram.

As três imagens atacaram de direções diferentes, em uma enxurrada de golpes velozes demais para serem contados. Cada estocada carregava a força da aura de Eliandris e visava um ponto vital. Não havia espaço para fuga.

Os olhos de Elias se arregalaram por um instante.

Pela primeira vez, sua expressão perdeu a tranquilidade.

Uma pequena esfera invisível surgiu ao redor dele.

[MAGIA IRREGULAR DE 5º CICLO – DOMO DE FORÇA]

Bang!

A primeira estocada atingiu o domo.

Bang! Bang! Bang!

As seguintes vieram logo depois. A superfície invisível ondulava sob os impactos, revelando-se apenas quando a lâmina a atingia. Rachaduras finas se espalharam pela barreira a cada golpe, enquanto as pétalas amarelas continuavam a cair ao redor dela.

Eliandris não diminuiu a velocidade até o fim da técnica.

Quando a última imagem desapareceu, a verdadeira elfa surgiu atrás de Elias e desferiu uma estocada final contra suas costas.

Crack!

O [Domo de força] se encheu de rachaduras.

Mas não se quebrou.

A ponta da rapieira parou a poucos centímetros das roupas de Elias.

O silêncio que se seguiu foi sufocante.

Eliandris ficou imóvel por uma fração de segundo, ainda com o braço estendido. Seu peito subia e descia depressa, e o ferimento em seu braço latejava sob o esforço extremo.

Elias olhou para a rachadura diante de si.

Então sorriu.

“Isso é algo digno de nota”, disse ele. “Mas cansei de brincar com você.”

A mão de Elias apertou o cajado.

A gema verde em sua ponta brilhou, e uma pequena estrela branca se formou acima dela. Sete pontas se abriram ao redor do centro luminoso, emitindo uma luz intensa que fez Oliver prender a respiração.

Eliandris reconheceu a magia.

Era a mesma que havia perfurado o peito de Grim.

[MAGIA IRREGULAR DE 6º CICLO – ESTRELA DA ALVORADA]

A estrela desapareceu.

Um raio branco, fino como uma agulha, atravessou o ar em direção ao peito de Eliandris.

Mas ela estava preparada.

Eliandris lançou o corpo para o lado, usando sua aura para escapar. O raio passou por onde seu coração estivera um instante antes e atingiu a parede destruída atrás dela, abrindo um pequeno buraco fumegante na madeira.

Ela havia conseguido.

Ou era o que pensou.

O raio mudou de direção.

Oliver arregalou os olhos.

A linha branca curvou-se no ar como se possuísse vontade própria. Antes que Eliandris pudesse recuperar o equilíbrio, a magia retornou por trás dela.

O raio perfurou suas costas.

“Mãe!” Oliver gritou.

Eliandris arqueou o corpo.

Sangue escapou de sua boca e caiu sobre os escombros. Sua rapieira deslizou de seus dedos, batendo no assoalho com um som metálico. A aura laranja que a envolvia vacilou mais uma vez antes de desaparecer por completo.

Ela caiu de joelhos.

Oliver tentou se levantar.

A gravidade aumentada esmagou seus músculos, mas ele forçou os braços contra o chão. O medo em seu peito havia se transformado em pânico. Eliandris estava diante dele, ferida, incapaz de erguer a própria rapieira.

Elias caminhou na direção deles.

Passou pela rapieira caída sem sequer olhar para ela. Seus passos eram tranquilos e casuais.

Ele parou diante do garoto.

“Aqui se vai o último impedimento.”