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Capítulo 13. A Luz que Desperta 4

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Capítulo 13. A Luz que Desperta 4

— Sabe, Wood… — disse Roset, chamando-lhe a atenção.

— Vejo que é um garoto peculiar.

Enquanto falava com o rapaz, Roset ergueu as mangas do vestido e mergulhou a mão na pia do balcão de pedra.

— Aqui — ela indicou o local, batendo com os dedos bem ao centro do próprio peito.

— Tome cuidado, tá! — aconselhou.

Wood ouviu, imitando o gesto de Roset e refletindo sobre o que falar.

— E você, querido — continuou a mulher, agora se dirigindo a Bart.

— Esse joelho vai ser um problema. — Fez uma pausa e, com um sorriso doce no rosto, Roset sussurrou: — Precisamos perder um pouco de peso, viu!

O homem, incomodado, franziu a testa, mas qualquer contrariedade se dissolveu de seu rosto ao se deparar com o olhar mais encantador que já presenciara em toda a sua vida.

— Não vou dizer que discordo — respondeu por fim, sorrindo como alguém que descobriu um propósito ao qual se devotaria por toda a vida.

Agraciado pela imagem do casal lavando juntos a louça, Wood aproximou-se.

— O que achou do balcão de pedra? — perguntou. — Aqui embaixo você coloca a lenha; ela aquece a parte superior e, mudando esse conector, pode escolher para onde a água flui — explicou, apresentando o mecanismo.

— De onde vem a água? — perguntou Roset, que investigou a estrutura, mas não desvendou o mistério do mecanismo.

Bart moveu a manivela cilíndrica e, como um inventor, orgulhoso de sua própria engenhoca, explicou:

— Do lado de fora há uma cisterna. Toda vez que giramos aqui, ela bombeia a água armazenada do outro lado.

A mulher testou o mecanismo, colocou a mão sobre a manivela e, ao girar — como se estivesse abrindo um registro —, a água era puxada pela estrutura modular de madeira até o bocal entalhado por onde se despejava na pia à sua frente.

— Lá em casa é diferente — confessou, ainda intrigada.

— Na cidade utilizam cristais de fluxo, sei bem como é — disse o homem e completou: — O moinho empurra a água do rio vila adentro; o cristal controla a vazão constante, e o encanamento faz todo o resto. Muito prático — atestou —, mas estamos a mais de uma hora de viagem da cidade e, montanha acima, então temos que dar um jeito.

…

Roset acariciava Cavam ao lado do estábulo. Um cavalo cinzento com manchas brancas. Ele tinha quase o dobro da altura da mulher, que não era necessariamente baixa. Animado, Cavam trotou com as patas sobre o chão de terra, balançando a crina e movendo a cauda, para depois — com um pedido sutil — abaixar a cabeça e oferecer o massivo pescoço para ser abraçado. Ela, assim como o vestido dourado que usava, reluzia ao sol da tarde como uma flor.

A moça caminhou pela propriedade acompanhada do equino, enquanto Wood e o pai observavam da varanda, surpresos com o animal — normalmente arredio — apresentar tamanha docilidade perante a mulher.

— Quem é essa? — divagou Wood em voz alta.

Bart reclinou-se na cadeira de balanço feita por suas próprias mãos: — Espero que minha esposa — confessou.

— Quer que eu prepare o banho, Roset? — chamou Bart. — Se quiser, já acendo o fogo para esquentar a água — informou.

Aproximando-se da varanda, a pretendente — ainda acompanhada do grande equino — recostou-se sobre o parapeito e respirou lentamente, deixando o sol aquecer-lhe as costas.

— Adoraria, meu bom senhor. — Roset girou o corpo. As montanhas ao longe amparavam o astro que descia das nuvens; o laranja da luz adentrava as árvores da montanha escarpada, acalentando a despedida de mais um dia.

— Não vai encher a casa de fumaça? — questionou ela, lembrando-se subitamente da estrutura do balcão.

O rapaz levantou-se da cadeira, adentrou o quintal e acariciou o animal que acompanhava Roset.

— É só fechar o fogareiro. Tem um bloco que encaixamos ali, mas é um pouco pesado — relatou, guiando Cavam. Ele retirou-se brevemente do local.

O homem continuou observando as costas da moça, apreciando a inédita experiência do brilho dourado e dos fios avermelhados que dançavam, ofuscando completamente o pôr do sol que, como um vassalo diligente, retirava-se do palco.

…

O fogo crepitava abaixo da estrutura da pia. Wood acoplou o cano de madeira que conduzia a água, por debaixo do assoalho, até a banheira no canto oposto do cômodo. Ao fundo da pia escavada de pedra, um orifício estava selado.

— Quando perceber que a água já está bem quente, Roset, é só puxar esta corda que a tampa libera a água. Para encher completamente a banheira, precisa repetir isso ao menos seis vezes — explicou o Rubro. — Pai, quantos litros tem mesmo a pia? Quarenta ou cinquenta, certo?

Bart, que descascava legumes com uma faca, confirmou, balançando a cabeça.

— Não tem como esquentar toda a água necessária de uma única vez? — perguntou a mulher.

— Bem… — começou o rapaz, mas foi interrompido pelo homem.

— Sim, tenho que construir um tanque d’água com isolamento — relatou Bart. — Mas não temos a madeira certa para isso — completou Wood.

Roset imergiu a mão na água morna e constatou que esquentava bem rápido.

— Tem que ser de madeira? — perguntou com um tom inocente. E nesse momento recordou-se do dia anterior, quando se banhava com o fluxo constante de água, aquecida dentro do tonel metálico externo à casa.

O homem endireitou o corpo, encarou a pretendente com um olhar penetrante e, pela primeira vez desde que foram apresentados, ela sentiu o receio acelerar pelos nervos. Todos os pelos do corpo se eriçaram perante a autoridade intensa do lenhador, enquanto, secretamente, o útero dela recebia a mensagem.

— Sim — respondeu Bart, sem qualquer fibra de dúvida contaminando a voz.

Wood, por sua vez, virou o rosto, tentando conter a risada. Coitada.

Mal sabia Bart o preço que sua resoluta fidelidade ao recurso vegetal sagrado cobraria.

— Precisamos mesmo de um tanque — confessou Rubro, apaziguando a tensão.

Seguindo a deixa do rapaz, a senhorita Medelin, sondando um vasilhame de cerâmica próximo, abordou a tampa que selava o conteúdo.

— Carne em conserva? Certo? — Dentro encontrava-se, imerso em farinha, nacos volumosos de músculos.

— De cervo! — afirmou Bart, destensionando os ombros. — O mesmo que preparei para o almoço.

— E sabão, vocês têm? — perguntou a mulher. Coletou uma raiz do balcão e requisitou a faca do lenhador.

Wood caminhou até um baú próximo à cama e abriu-o.

— Tem aqui — informou —, mas não sei se é o que normalmente usa.

Com o canto dos olhos, ela fitou a barra que o jovem segurava. — Qualquer coisa, compramos depois — disse, enquanto concentrava-se em descascar o tubérculo.

— Melhor acender a lareira, pai, está escurecendo.

Bart assentiu, levantou-se e seguiu até a estrutura ao fundo da cabana, pegou as pedras e ajeitou o capim seco para iniciar a chama, mas, antes de efetivar a ação, perguntou:

— Roset, consegue ver a luz? — perguntou o homem, curioso.

— Que luz? — questionou ela, em retorno.

— Essa aqui — indicou Wood. — Consegue ver?

Ela deixou os olhos vagarem pelo cômodo do chão ao teto; a penumbra tardia adentrava a residência, mas para além da fraca luminosidade que as janelas permitiam, nada mais encontrou.

— Não — respondeu. — Não sei a que luz estão se referindo — confessou.

Bart levantou-se. — Eu também não consegui ver de primeira. Foque o olhar ali — apontou.

Wood fez o mesmo. Ambos indicaram para que ela concentrasse a atenção no espaço entre o teto e o batente da porta de entrada. Roset comprimiu os olhos, ainda sem compreender o que estavam dizendo para enxergar. — Concentre-se — disse o rapaz.

No espaço, como se o ar despisse o véu do desconhecido, uma tênue e lânguida luz se apresentou. Um ponto discreto que mal iluminava a si mesma.

— Ah — espantou-se a moça. — O que é isso? — Medelin levantou e aproximou-se do pequeno ponto brilhante. — Não é um inseto? Que luz é essa? — Os olhos dela lampejaram por um instante. Um calor vibrante cobriu-lhe o estômago e subiu pela sua garganta. — Magia. — Foi a palavra que seus lábios vermelhos sussurraram.

Wood e Bart, que não compreendiam exatamente o que era aquela luz, nada disseram.

— Ela sempre esteve aqui? — perguntou Roset.

O Rubro balançou a cabeça em negativa. — Acho que sim, mas não me lembro desde quando. Talvez desde sempre.

— A luz acompanha meu filho — afirmou o homem, retornando à tarefa pendente.

— Ela te segue, Wood?

— Está sempre comigo — confirmou.