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Capítulo 58. Agulhas do Deserto 4

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Capítulo 58. Agulhas do Deserto 4

Com os pés mal tocando o solo, Farath correu com uma velocidade surpreendente e, em um piscar de olhos, lançou um golpe em direção ao saqueador mais próximo. O homem previu a trajetória do primeiro golpe, firmou os pés e manobrou a espada em defesa, mas a mão de Farath parou um pouco antes do contato entre as lâminas, enquanto sua segunda faca, na mão esquerda, em um arco preciso, girou com o antebraço, desferindo um corte violento que carregava o peso do impulso do assassino que rodopiava o corpo no ar, atingindo a garganta do saqueador tão profundamente que o joelho esquerdo de Farath apenas chutou um homem já desprovido de qualquer resistência muscular.

O líder dos bandidos comandou aos berros que os seis companheiros fechassem o cerco, e ele mesmo, com uma explosão de ferocidade, aproximou-se rapidamente do assassino.

O vento forte açoitou os homens de Nolag, que engoliram em seco, em um misto de orgulho e raiva, o crepúsculo que os contornava.

Sem encarar o rosto de nenhum dos agressores, Farath apenas abaixou os braços e olhou em direção ao solo.

O movimento do rapaz fez o grupo de saqueadores redobrar a motivação e, com sede de sangue, coordenadamente, seis homens cercaram o assassino, impedindo qualquer rota de fuga.

Todos estavam munidos de espadas kaskaras e três deles traziam consigo também um escudo daraqa no braço esquerdo, para aparar ataques; calcularam o melhor momento para tomar a iniciativa, ao mesmo tempo em que esperavam o líder sinalizar.

No entanto, o sinal partiu do arqueiro ensanguentado que, apesar da profunda ferida no rosto, disparou um projétil certeiro pelas costas do assassino, mas, com um movimento imprevisível, Farath girou impetuosamente sobre os calcanhares, torceu o corpo para a esquerda, agarrando a seta em pleno movimento com a mão direita e, ao desfecho do giro, a arremessou para cima, deixando-a suspensa ao ar.

Os saqueadores investiram contra o corpo do assassino em estocadas e arcos cortantes de sincronia quase perfeita. No instante em que a primeira lâmina se aproximou milimetricamente de seu corpo, o assassino a desviou com a adaga na mão direita, deslizando-a, em atrito faiscante, do fim ao começo do gume da espada do atacante que, boquiaberto, apenas enxergou a revoada de mechas negras roçando sobre o seu rosto enquanto um punhal adentrava seu peito desprotegido.

Usando o braço do primeiro agressor, o assassino manobrou a espada, ainda firme na mão da vítima, para aparar um segundo ataque sobre as suas costas e aproveitou-se da proximidade para arremessar quase à queima-roupa a faca que acabara de retirar do coração do primeiro homem, atingindo com precisão o pescoço do segundo.

Nesse mesmo instante, usou a mão esquerda, agora livre, para puxar a espada do segundo agressor, desarmando o saqueador e empurrando o corpo do primeiro homem para bloquear o terceiro ataque. A espada do terceiro saqueador perfurou profundamente as costas do amigo, e atingi-lo não lhe trouxe apenas surpresa e culpa, mas também o impacto de uma empunhadura sobre a lateral do rosto.

Farath abaixou o corpo e se aproximou do homem, ainda aturdido, esfaqueando com a lâmina da mão direita a axila desprotegida do saqueador que, como resultado, soltou a espada cravada no corpo do companheiro.

Sem sequer olhar para cima, o assassino ergueu a mão esquerda ao alto, capturando a flecha que lançara instantes antes em plena queda e, para surpresa do líder dos saqueadores, o projétil imediatamente foi arremessado em sua direção. Mas, devido a um ato de puro reflexo, a seta apenas ricocheteou no daraqa preso em seu braço.

Impotente frente à punhalada do assassino em sua axila direita, o terceiro homem resistiu à dor profunda e, com a mão esquerda, tentou agarrar por trás o pescoço do rapaz à sua frente, mas encontrou apenas o ar, enquanto este abaixou-se e girou ao redor de seu corpo, sacando com a mão livre a faca da bainha presa em seu cinto e, como uma maldita serpente, enfiou a lâmina roubada profundamente nas costas do dono.

Os dois saqueadores restantes hesitaram perante a cena aterradora. Não conseguiam desviar o olhar do Agulha à sua frente, e, com as mãos trêmulas, esperaram as palavras do líder.

— A dança da morte — sussurrou o homem, incapaz de proferir qualquer comando.

Costurando velozmente a distância curta até o saqueador mais próximo, Farath golpeou o homem indefeso, puxando a adaga horizontalmente de um lado ao outro de seu abdômen e, pela nona vez, esquivou-se de mais uma flecha lançada em sua direção. Os joelhos do saqueador destripado cederam, mas, em desespero agonizante, sua mão conseguiu agarrar o calcanhar do assassino. Percebendo a brecha única, o líder dos saqueadores avançou em um golpe violento, explodindo toda a força e habilidade em esgrima que possuía.

O arco amplo mirou o tronco do Agulha, momentaneamente impedido de sair de onde estava, mas utilizando a própria energia esmagadora do golpe, ele aparou a lâmina da espada com as duas adagas paralelas ao antebraço, permitindo que a parte inferior de seu corpo fosse arremessada no ar e, com um controle preciso do próprio peso e do eixo de equilíbrio, realizou uma cambalhota aérea semelhante à de um felino, comprimindo o corpo e posteriormente pousando quase no mesmo lugar.

O assassino esticou o corpo, respirou fundo e desviou da investida do outro saqueador, bem menos impactante que o ataque anterior. O impasse estava instaurado; a morte parecia inevitável.

— Maldição — gritou o líder, erguendo a espada para desferir mais um golpe, mas no instante em que suas vestes obstruíram seu campo de visão por um breve momento, ao retomar o foco, a lâmina do Agulha já estava adentrando a carne de seu pescoço.

O homem cambaleou dois passos para trás, observando com o canto dos olhos o colega ser apunhalado três vezes no peito antes que ambos caíssem de costas no chão.

Farath começou a caminhar em direção ao arqueiro distante, que, em pânico, jogou o arco no chão, virou as costas e começou a correr. No entanto, segundos depois, uma linha o surpreendeu, enrolando-se ao redor do pescoço momentos antes de este ser separado do corpo.