Capítulo I – Quem?
Capítulo I – Quem?
O ar gelado daquele lugar enchia meus pulmões e parecia rasgá-los por dentro. Aos poucos, gotas pousavam sobre minhas feridas e dificultavam a visão do que estava bem à minha frente. Cada ferida latejava; minhas cicatrizes pareciam queimar mesmo com o frio.
À minha frente, alguém que um dia chamei de amigo me encarava. O ódio em seu olhar era quase palpável; ele então levantou sua mão. No momento em que fez isso, senti uma grande energia se juntando, e uma névoa dourada envolveu seu braço, fazendo com que uma espada gigante, com ornamentos de um leão, aparecesse em suas mãos. Em resposta, uma serpente se enrolou em meu braço esquerdo, descendo até minha mão e fincando suas presas em minha palma. Quando fez isso, ela se transformou em uma grande lança de prata, com detalhes verdes ao longo da lâmina e do cabo.
Por um momento, foi como se todas as gotas de chuva parassem. Nossas respirações cessaram. O mundo inteiro ficou em silêncio. Então, avançamos.
Foi quando…
Pá!
Acordei caindo da minha cama. Por alguns segundos, fiquei ali, tentando entender onde estava. Meu coração parecia querer sair pela boca, e eu respirava como se tivesse acabado de cair de um prédio.
Quando finalmente percebi que tudo não passava de um sonho, soltei o ar e me sentei no chão. Ainda conseguia me lembrar da chuva e daquele olhar fixado em mim.
Depois de alguns segundos parado ali, consegui voltar ao normal e me levantar. Joguei o cobertor de volta na cama de qualquer jeito e fui até o banheiro para começar meu dia normalmente.
A luz fraca da manhã entrava por uma pequena janela e mal iluminava o lugar. Quando olhei no espelho, percebi que meu cabelo tinha ficado ainda mais cacheado. Passei a mão por uma das mechas, tentando ajeitá-la, mas só consegui deixá-la mais bagunçada. Aquilo ainda era estranho para mim, já que, até pouco tempo atrás, meu cabelo era praticamente liso.
Meus olhos também pareciam diferentes. O castanho estava tão claro que quase ficava dourado quando a luz batia, e minhas pupilas ainda estavam dilatadas por causa do susto. Minha pele estava meio rosada pelo frio da manhã, principalmente no rosto e nas pontas das orelhas.
Depois do banho, vesti minhas roupas de sempre: a camisa preta, as calças bem mais largas do que deveriam ser e as botas.
Quando finalmente saí de casa, percebi que o clima estava cinza. As nuvens tampavam quase todo o sol, deixando as ruas com uma aparência ainda mais triste do que o normal. O vento carregava o cheiro de terra molhada, fumaça e lixo acumulado. Tudo parecia meio morto.
Fechei a porta atrás de mim e comecei a caminhar. Olhando a rua, acabei me perdendo um pouco, pensando em como o lugar em que eu morava tinha mudado.
Tipo, nunca fomos nenhuma referência, já que, desde o início, éramos considerados o “pior bairro” da cidade. Mas, depois do Anúncio, tudo só piorou.
Algumas casas ainda mantinham parte da construção original. Outras eram praticamente montadas com pedaços de madeira, telhas de metal, tijolos diferentes e restos retirados de construções abandonadas. Em certos pontos, era difícil saber onde uma casa terminava e a outra começava.
As pessoas saíam cedo para trabalhar, carregando bolsas, ferramentas e marmitas. Quase todas andavam de cabeça baixa, desconfiadas de quem passava perto demais. Mesmo depois de tanto tempo, ainda era estranho ver todos seguindo suas rotinas como se aquilo fosse uma manhã comum.
A guerra realmente tinha acabado com a gente.
Olha, não é que eu não tenha gostado da ideia de o Anúncio ter dado os Espectros e seus poderes às pessoas. Uma parte de mim ainda achava muito foda sair de casa e encontrar alguém soltando fogo ou acompanhado por um Espectro animal que eu nem sabia que existia.
O problema era que os babacas que já estavam no poder agora realmente tinham “superpoderes”. Isso, sim, foi uma grande merda. Ainda mais com o nascimento daquelas Igrejas e dos idiotas que se consideravam os sucessores de Deus.
Mas, de qualquer forma, eu não tinha tempo para pensar tanto nisso. Hoje era um grande dia.
Continuei andando, desviando de sacos rasgados, poças de água escura e montes de entulho espalhados pelo caminho. Depois de avançar mais algumas ruas, finalmente cheguei à Rua 7.
Foi quando ouvi uma voz me chamando na esquina.
— Miguel! E aí, mano, suave?
Um rapaz muito alto, de uns 19 anos, tinha cabelo loiro raspado e olhos verdes, além de muitas tatuagens por todo o corpo. Conheci o Gui quando ainda estava no sexto ano; ele meio que me adotou ou alguma coisa assim. Desde então, nós viramos grandes amigos, mas, depois que ele resolveu entrar para o crime e abandonar a escola, a gente se distanciou um pouco.
— E aí, Gui! Tô bem, e você? Ainda tá com problemas com a Igreja?
— Ah, sabe como é, eles sempre estão tentando cortar nossos suprimentos e coisas do tipo, mas faz um tempo que não têm feito nada. Pra ser sincero, isso é até meio preocupante.
Quando Gui falou isso, um dos bandidos se levantou — o irmão mais velho dele, que apelidamos de Piquenote. Ele era o completo oposto do Gui: pequeno, moreno, com uma aparência muito mais desleixada, mas, em contrapartida, parecia bem mais intimidador.
— Que merda, Gui. Até quando vamos deixar esses paus no cu ficarem roubando a gente? Eu te falei, já devíamos ter matado esses filhos da puta há tempos.
— Não podemos entrar em guerra contra a Igreja. Eles iriam acabar com a gente, igual fizeram com todos os outros bairros.
— Quero que a Igreja se foda. Até o Miguel sabe que, se quiséssemos, já teríamos acabado com isso. Mas tanto faz, eu já falei que você não tinha peito para ficar na liderança!
Então, ele e mais um grupo de uns quatro saíram com seus cavalos. O Gui até tentou impedi-los, mas não adiantou.
— Você vai atrás dele, Gui?
— Não tem por que. Por mais que ele seja meio idiota, meu irmão é mais forte até que eu. Vai ficar tudo bem.
Depois disso, me despedi de todos ali e continuei meu caminho. Eu sinceramente não gostava dos absurdos da Igreja e de todo aquele papo de deixar um maluco randola virar o novo Deus, mas, naquele momento, não tinha muito que pudesse fazer.
Depois de andar mais algum tempo, cheguei a uma pequena loja. Sua entrada era rústica, com uma placa de madeira onde estava escrito: “Mercearia Hazman”. Era uma mercearia daquelas típicas de bairro. Óbvio que não tinha mais os itens industrializados de antes do “Anúncio”, mas ela ainda tinha coisas feitas à mão, frutas e algumas coisas do tipo. Um pouco à frente, no balcão, havia um velho senhor com um bigode consideravelmente engraçado. Seus cabelos eram grisalhos, e o topo da cabeça brilhava tanto que parecia polido de tão careca.
— Bom dia, Sr. Hazman — disse, acenando e me apoiando no balcão.
— Ora, bom dia, Miguel! Chegou no momento perfeito. Eu vou ter que sair, então a loja vai ficar sob os seus cuidados e os da Ashley.
— O senhor vai fazer o quê? — perguntei em um tom descontraído.
— Rapazinho curioso você! Isso não é da sua conta. A Ashley ainda não acordou, mas, assim que ela levantar, peça para ela repor as frutas; estamos com pouco estoque por conta dos novos impostos e das fronteiras da Igreja.
— Tudo bem, Sr. Hazman.
Depois que comecei meu turno, fiquei ali limpando as coisas e atendendo algumas pessoas. Quando deu por volta das 8h da manhã, consegui ouvir alguém descendo as escadas do fundo da mercearia; era Ashley. Então, de trás de uma pequena cortina que fazia as vezes de porta dos fundos da ferraria, saiu uma garota de cabelos castanhos bem claros, lisos e muito longos, que passavam da cintura. Seus olhos castanho-escuros combinavam com o tom do cabelo. Ela usava um vestido branco cheio de flores. Era uma velha amiga, tanto minha quanto do Gui.
— Bom dia, senhorita Ash. Dormiu bem?
— Ah, Miguel? Dormi, sim — ela respondeu enquanto bocejava.
— Seu vô te pediu para repor as frutas.
— Beleza, beleza, já faço isso.
— Ficou sabendo de algo novo, Ash? Tem alguma novidade?
— Nada demais, só a Igreja causando problemas como sempre. Fiquei sabendo que o líder deles já liberou seu Espectro.
— Ele deve ser bem forte, né? (Eu sinceramente sempre fiquei bem interessado com a ideia dos Espectros. Pessoas conseguindo fazer coisas sobre-humanas e ligadas a seres míticos que podiam literalmente te dar o poder para acabar com cidades era o tipo de coisa que fazia meu coração palpitar.)
— É provável.
A partir daquele horário, passamos algumas horas ali trabalhando, até cerca das 18h.
— Meu vô ainda não chegou, né? Isso é meio estranho.
— Ele falou que ia ter que sair, mas, quando eu perguntei pra quê, só desconversou.
Nesse momento, ouvi o sino da entrada badalando e uma sombra grande entrando. Ashley já foi se adiantando e falando sem olhar para a porta:
— Já estamos fechando, não vendemos mais depois das 18h.
Quando ela olhou para a frente, percebeu que era um homem enorme, de pele meio pálida e com uma grande cicatriz no rosto, que a encarava. Ele parecia usar o uniforme da Igreja. Não sei dizer o porquê, mas, no momento em que ele entrou, tive um pressentimento ruim, como se tivesse que me preparar para algo horrível.
— Vocês não negariam vender para um servo da Igreja, não? — disse ele com um sorriso medonho na cara.
Ashley travou quando olhou para ele. Eu então tomei a frente e disse para ela ir olhar os fundos enquanto eu atendia nosso cliente. Ele parecia não ter gostado da ideia, mas resolveu não fazer nada.
— E então, do que precisa?
— Eu só queria fazer umas perguntas. Fiquei sabendo que aqui trabalha um senhor chamado Arthur. Por acaso você conhece ele, garoto?
Eu automaticamente associei que ele estava falando do Sr. Hazman, mas não achei que seria uma boa ideia dar esse tipo de informação para a Igreja.
— Desculpa, mas não conheço ninguém com esse nome.
No momento em que falei isso, o soldado colocou a mão na espada em sua cintura, como se estivesse pronto para desferir um golpe, e disse:
— Tem certeza? Seria péssimo você se confundir e acabar passando informações erradas para a Igreja.
Eu me concentrei para não mudar de postura e só repeti que ele deveria estar se confundindo.
— Muito bem, então. Já que ele não está aqui, posso ir embora.
Antes de sair pela porta, ele pegou uma das maçãs que estavam em exposição e saiu enquanto a comia.
— O que foi isso? — perguntei quando ele saiu, sentindo minhas mãos suadas e meu coração acelerado.
Ashley saiu de trás da cortina, com o rosto pálido e os olhos arregalados.
— Miguel, acho que estamos em problemas. Por que a Igreja estaria procurando pelo meu avô?
— Não faço ideia. Mas aquele sujeito não parecia do tipo que aceita um “não” como resposta final.
Ela mordeu o lábio, hesitante.
— Meu avô… Ele tem passado muito tempo longe ultimamente. Às vezes, sai por dias e volta com machucados estranhos.
— Machucados?
— Cortes que parecem… Não sei, como se tivesse sido atacado por algo grande. Uma vez, vi marcas de garras em seu braço.
Comecei a organizar as últimas frutas na bancada, tentando processar essa informação.
— Ele nunca mencionou nada sobre ter problemas com a Igreja?
— Nunca. Mas ele sempre foi reservado sobre certas coisas, mesmo antes do Anúncio.
— Bom, isso é realmente bem estranho. Você quer que eu fique aqui com você hoje, para o caso de eles voltarem?
— Tem certeza? Não seria melhor você voltar para casa?
— Relaxa, não tem ninguém me esperando mesmo.
Então, fechamos a loja e fomos dormir.
Eu já tinha dormido ali algumas vezes, então seria tranquilo para mim passar a noite ali. Quando finalmente dormi, de repente, estava em um palácio. Ele era completamente branco; todo lugar era enfeitado com ornamentos de cobras, estátuas e uma tapeçaria em tons de verde. As janelas revelavam um infinito azul do lado de fora, como se aquele lugar estivesse no próprio céu. Depois de algum tempo olhando, precisei desviar o olhar — a visão me deixava enjoado.
Caminhando um pouco pelo corredor, cheguei a uma grande sala. Bem no centro dela havia um trono. Atrás dele, uma gigantesca estátua de serpente se erguia. A maior parte de seu corpo estava encoberta por uma escuridão que tampava quase tudo atrás do trono; era impossível ver onde seu corpo acabava. Sua boca estava aberta, como se estivesse prestes a engolir quem se sentasse ali. Ao me aproximar, senti como se algo me forçasse a continuar.
— Ó, meu pequeno, venha para mim — disse uma voz doce, mas que parecia esconder um grande mal.
Só de ouvi-la, senti um arrepio percorrer minha espinha. Era como se meu corpo gritasse para que eu fugisse dali.
A força que me puxava se tornava cada vez maior; eu a sentia como se me enforcasse. Quando finalmente me sentei no trono, os olhos da serpente se tornaram esmeralda, e ela avançou sobre mim.
Naquela noite, acordei suando frio. No outro dia, o Sr. Hazman ainda não tinha chegado. Estranhei isso, mas resolvi só me preparar e abrir a loja como de costume.
Mas, assim que a primeira cliente entrou, enquanto ela pagava algumas coisas que tinha comprado, acabou comentando algo comigo:
— Você é um rapazinho muito educado. Sorte que não é como aqueles marginais do Santa Mônica.
Eu agradeci enquanto dava um sorriso meio desconcertado (mal sabe ela).
— Aliás, acho até bom o que a Igreja fez com eles ontem.
Na hora em que ela falou isso, tive uma sensação ruim.
— A Igreja? Ela fez algo com o Santa Mônica?
— Não ficou sabendo? Ontem à noite, a Igreja invadiu o Santa Mônica e acabou com todos os marginaizinhos de lá. Ela até pegou aquele famosinho… O baixinho, sabe?
— Piquenote?
— Isso! Eles pegaram ele e vão executá-lo publicamente hoje às 14h. Eu sinceramente não gosto de violência, mas esses rapazes fizeram por merecer.
— Ah, entendi, senhora. Tenha um bom dia!
— Até mais, rapazinho.
Assim que ela saiu pela porta, senti um certo peso na mente. Por mais que não fosse tão próximo quanto o Gui, Piquenote foi um dos que mais me ajudaram desde que me lembro. Eu não podia simplesmente ignorar isso. Foi então que falei com Ashley para que trancasse a mercearia naquele dia e não abrisse as portas de forma alguma até seu avô voltar, porque eu precisava fazer uma coisa.
Corri até o Santa Mônica, tentando encontrar o Gui. Quando cheguei à Rua 7, estavam todos reunidos lá. Até pessoas que eu quase nunca via estavam reunidas em volta de uma mesa, discutindo algo. Gui estava bem no centro. Quando finalmente me aproximei o suficiente para ver, percebi que aquilo era um mapa da praça central da cidade; deduzi que era ali que Piquenote seria executado. Gui estava concentrado enquanto falava sobre seu plano:
— Então, três de nós atacarão pela direita, derrubando os cavaleiros dele, para que eu possa entrar e ir atrás do Piquenote.
Quando Gui percebeu minha presença ali, pareceu ficar ainda mais concentrado no plano. Enquanto ele explicava, um dos homens que estava ali — mais alto e velho, com uma aparência mais bruta, como se fosse algum tipo de ancião do crime ou alguma merda assim —, cujo nome era Leonardo, disse:
— Gui, você realmente quer arriscar a vida de todos aqui por conta de uma pessoa só? Nós sabemos que sua alma é forte, mas nenhum de nós consegue bater de frente com a Igreja. Nem Piquenote, que era o mais forte de nós, conseguiu. Para mim, você só está sendo um egoísta de bosta.
Gui apertou os punhos, com o rosto contraído de raiva. Eu nunca tinha visto aquela expressão nele antes.
— Egoísta? — ele cuspiu a palavra. — Piquenote é meu irmão, Leonardo. E é seu irmão também, por mais que você não queira admitir.
Os homens em volta da mesa se entreolharam. Leonardo cruzou os braços, seu rosto marcado por cicatrizes antigas se tornando uma máscara de desaprovação.
— Eu já perdi três homens para a Igreja. Três. E você quer que eu mande mais para a morte por causa de uma pessoa?
— Não estou pedindo sua permissão — Gui respondeu, com a voz mais firme agora. — Estou dizendo o que vai acontecer.
Leonardo soltou um riso amargo e se virou para os outros.
— Vocês realmente vão seguir esse garoto?
Eu observei Gui se encolher levemente com aquelas palavras.
— Por mais que você e ele sejam filhos do Carroça, minha lealdade era para ele, não para vocês!
Foi quando Gui se levantou e começou a discursar sobre tudo o que a Igreja fazia e sobre como eles não podiam mais aceitar aquilo.
— Nós já deixamos que eles pisem em nós por tempo demais! — Gui falou, sua voz ecoando pela sala. — Eles mataram nossa gente, nos tiraram nossa liberdade e agora vão matar meu irmão! Eu não vou ficar parado vendo isso acontecer!
A sala ficou em silêncio. Alguns homens baixaram a cabeça, enquanto outros trocavam olhares de incerteza. Leonardo se aproximou de Gui, colocando uma mão pesada em seu ombro.
— Menino, eu entendo sua dor. Mas não podemos nos meter com a Igreja. Eles têm Espectros que nós nem conseguimos imaginar. O Líder deles…
— Eu sei o que o Líder deles pode fazer — Gui o interrompeu, empurrando a mão de Leonardo. — Mas eu também tenho um Espectro, Leonardo. E vou usá-lo.
Aquilo fez o ar da sala mudar. Muitos dos homens ficaram visivelmente surpresos. Eu mesmo senti um frio na espinha. Gui nunca tinha mencionado ter um Espectro.
Naquele momento, a moral de todos ali pareceu crescer enormemente, e Gui conseguiu motivá-los. Leonardo não pareceu gostar da ideia, mas, talvez por pressão, tenha aceitado. Quando a conversa deles acabou, Gui veio falar comigo.
— Acho que você já sabe, né? Vamos ter que buscar ele. Não quero perder mais um irmão.
— Fica tranquilo, cara, eu vou te ajudar. Mas aquele papo sobre o Espectro… Você realmente conseguiu despertar o seu? (No fundo, eu sabia que aquilo provavelmente era mentira, mas ainda queria ter esperança.)
— Relaxa, moleque. Eu já te decepcionei antes? Vamos sair às 13h30, ok? E eu tenho um pedido especial para você: não quero que lute na linha de frente com a gente. Eu preciso que você entre por cima para poder soltar o Piquenote. Eu sei que é algo difícil, mas só confio em você para fazer isso.
— Pode ficar tranquilo, Gui.
Entre nós, eu sempre fui muito bom quando precisávamos escalar ou subir para invadir algum lugar ou coisa do tipo, então fiquei levemente confiante com isso. Depois disso, ele saiu e voltou a preparar os cavalos e as armas. Eu ainda estava preocupado com o Sr. Hazman e a Ashley, mas tinha algo para fazer antes.