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Capítulo VI – Entre Muros e Sombras

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Capítulo VI – Entre Muros e Sombras

O Petrini fechou a cara assim que o Piquenote e o Gui terminaram de contar tudo o que tinha rolado na praça do Santa Mônica, a execução pública e a traição nojenta do Leonardo. Ele passou a mão pelo queixo, encostando as costas no espaldar da cadeira de escritório.

— Porra… — murmurou o Petrini, a voz grave e pensativa. — A igreja realmente tá se passando ultimamente. Eles perderam o limite de vez. Como vocês puderam perceber, a gente teve que trancar tudo e aumentar a segurança aqui do Tamandaré lá em cima do teto até embaixo por causa de toda essa pressão e de tudo o que vem acontecendo.

O Gui cruzou os braços, soltando uma risada curta e debochada, com aquela pose folgada de quem nunca perde a marra:

— É, a gente percebeu os arqueiros dando boas-vindas na base da flechada lá embaixo, Petrini. Bela recepção de família, hein? — ironizou ele, abrindo um sorriso de canto de boca antes de fechar a expressão. — Mas agora falando sério. A igreja vai invadir o Santa Mônica daqui a dois dias. Se a gente não fizer nada, eles vão passar o cerco em cima de todo mundo. A gente precisa de apoio real de vocês para defender o bairro e dar um jeito naqueles desgraçados.

O Petrini olhou para os dois primos, respirando fundo e cruzando os braços. A expressão dele pesou.

— Eu queria muito ajudar vocês, de verdade… Vocês sabem que são como irmãos para mim — começou o Petrini, balançando a cabeça em negativo. — Mas eu não posso colocar todo o Tamandaré em perigo só por causa de outro lugar. A minha prioridade aqui é manter o nosso pessoal seguro, a nossa comunidade em pé. Se eu mandar meus homens para uma guerra aberta contra a igreja agora, a gente perde tudo o que construiu.

— Ah, qual é, Petrini?! — o Gui disparou na hora, descruzando os braços e dando um passo à frente, irredutível e sem baixar a cabeça. — Vai me dizer que o grande líder do Tamandaré agora virou um bunda-mole que tem medo de peitar a igreja? O Santa Mônica sempre fechou com vocês!

O Petrini levantou a mão, cortando a discussão com o cenho franzido. Ele não gostou da ousadia, mas conhecia o primo o suficiente para saber que o Gui não mudaria de ideia fácil.

O líder do Tamandaré desviou o olhar do Gui e do Piquenote, fixando os olhos em mim e na Ashley que estávamos mais atrás. A desconfiança brilhava no olhar dele. Ele claramente não conhecia a gente e não ia abrir a intimidade da facção na nossa frente.

— Olha… — disse o Petrini, voltando a olhar para os primos. — Vamos fazer o seguinte. Piquenote, Gui, sentem aqui. Quero trocar uma ideia com vocês dois em particular. Os seus amigos podem dar uma volta pelo morro, conhecer o lugar, esticar as pernas.

O Gui olhou para mim de relance, erguendo as sobrancelhas, mas logo relaxou a postura.

— Beleza, então. Miguel, você consegue dar uma volta com a Ashley por aí? — pediu o Gui, olhando para mim com um sorriso de canto. — O chefe aqui disse que a gente pode circular livremente pelo acampamento. Aproveita para dar uma relaxada, mano.

— Tranquilo, Gui. Eu entendo — respondi, mantendo a calma.

Toquei de leve no ombro da Ashley e fiz um gesto com a cabeça para sairmos. Deixamos o salão principal e descemos as escadas da casa-castelo, enquanto o Petrini fechava a porta para continuar a conversa privada com os dois irmãos.

Nós saímos para as ruas de paralelepípedo do Tamandaré. Conforme caminhávamos, dava para ver o contraste absurdo que aquele lugar era.

Passei pelos guardas da patrulha e comecei a reparar melhor na rotina da comunidade. Diferente do centro da cidade onde todo mundo andava com o pescoço encolhido de medo, aqui as pessoas pareciam um pouco mais vivas. Havia pequenas lojas de camelô improvisadas nas calçadas: gente vendendo roupas usadas, peças de metal remendadas, pedaços de lona e até algumas barracas de comida simples vendendo farinha e caldos ralos. Era um comércio pobre, mas pelo menos funcionava. As pessoas compravam, trocavam ideias, e dava para ver crianças correndo e rindo perto de um muro grafitado.

— É bem diferente do Santa Mônica, né? — a Ashley comentou, cruzando os braços contra o vento frio que descia do topo do morro.

— É… parece que sim — falei, olhando em volta e observando o movimento daquela parte mais alta.

Mas conforme nós fomos nos distanciando da praça central e avançando por ruelas cada vez mais estreitas, a estrutura do lugar mudou da água para o vinho. As construções bonitas de lajota sumiram de vez, substituídas por barracos de madeira podre, lonas rasgadas e telhados de zinco batido amarrados com arame. Sem perceber, nós tínhamos entrado na parte mais pobre e esquecida do morro.

O clima na rua mudou na mesma hora. As pessoas que passavam por ali andavam de cabeça baixa, com um olhar desconfiado e raivoso. Quase todo mundo parecia magro demais, com as bochechas fundas por falta de comida de verdade.

Enquanto andávamos por uma travessa de terra batida, vimos um casal passando na nossa frente: um rapaz de moletom desbotado e a namorada dele, que segurava firme na mão dele, assustada.

Bem na esquina, apoiados na parede de um barraco, havia três bandidos locais — caras armados com facões na cintura, com aquela marra típica de quem acha que manda em tudo.

Assim que a garota passou, um dos bandidos — um sujeito alto, com o braço coberto de tatuagens malfeitas — assobiou alto e olhou feio para ela:

— E aí, gatinha? Vai passar reto sem dar um alô para os crias? Quer vir dar uma volta com a gente?

A garota travou o passo, o rosto empalidecendo de pavor. Ela puxou o namorado pelo braço, com os olhos cheios de lágrimas:

— Ignora, amor… por favor, ignora e continua andando — sussurrou ela, com a voz tremendo.

O rapaz, sentindo a humilhação mas tentando manter a cabeça fria, abaixou o rosto e tentou apressar o passo. Mas o sujeito alto não quis saber de paz. Ele deu um passo para a frente, bloqueando a passagem dos dois.

— O que foi, corno manso? Ficou mudo foi? A mina é gostosa demais para andar com um Zé ninguém como você! — caçoou o bandido, rindo alto junto com os comparsas dele.

O rapaz parou de vez. O sangue subiu para a cabeça dele. Ele virou o corpo, encarando o cara com os olhos cheios de ódio:

— Qual foi a sua, irmão?! Fica na sua e deixa a gente em paz!

O sorriso no rosto do sujeito sumiu na mesma hora. Ele fechou a cara, avançando peito a peito contra o rapaz com uma expressão de pura loucura:

— Você tá achando que tá falando com quem, seu verme?! Tá de gracinha com a minha cara na minha quebrada?! Aqui é o crime, porra!

Antes que o rapaz pudesse sequer levantar os braços para se defender, o bandido alto desferiu um soco brutal direto na cara dele, seguido de uma rasteira violenta. O rapaz desabou com tudo no chão de terra, gemendo de dor e tentando proteger a cabeça enquanto o agressor começava a desferir chutes covardes nas costelas dele. A garota começou a gritar de desespero, ajoelhando-se ao lado do namorado:

— Para! Por favor, para de bater nele! Para!

A Ashley deu um passo para trás e apertou o meu braço com tanta força que as unhas quase cravaram na minha manga. Ela me olhou com os olhos arregalados, implorando em silêncio.

Soltei um suspiro pesado, dei dois passos à frente e entrei no meio da rua, levantando as mãos devagar. Por dentro, pensei rápido: se eu arrumasse confusão ali, ia estragar a negociação do Gui e do Piquenote com o Petrini lá em cima, além de trazer a guarda inteira do morro para cima da gente. E eu também não tava com a menor vontade de trocar soco por causa de um otário daquele, por mais covarde que ele estivesse sendo. Era melhor só conversar e apaziguar a situação.

— Ô, meu parceiro! Calma aí, calma aí! O cara já tá no chão, mano! Pra que isso tudo?

O bandido parou o pé no ar, tirando os olhos do rapaz machucado e focando em mim. Ele me encarou de cima a baixo com um olhar de puro nojo, enquanto os outros dois comparsas dele se aproximavam colando nas minhas costas.

— E quem é você, caralho? — rosnou o sujeito alto, cuspindo no chão perto da minha bota. — Nunca te vi por aqui, rapaz! Tá querendo bancar o herói aqui embaixo? Se coloca no teu lugar, seu moleque do caralho!

— Que isso, mano, relaxa a mente — falei, dando um sorriso fraco e mantendo o tom de voz tranquilo. — Eu não sou daqui, cheguei lá de cima agora mesmo. Só achei exagero o bagulho, o cara já tinha tomado a dele, tá ligado? Pra que sujar a mão com sangue à toa por causa de besteira?

O bandido estreitou os olhos, cruzando os braços grossos e medindo cada centímetro do meu corpo.

— Tu é conhecido de quem aí de cima, mano? Que que tu tá querendo?

— Conhecido de ninguém não, parceiro — respondi, inventando uma desculpa na hora para não arrumar problema. — Eu vim lá de Santa Mônica junto com a molecada. Depois que a igreja invadiu o nosso bairro lá embaixo, nós fomos os únicos que sobraram. Subimos para tentar achar um canto para ficar.

O sujeito abriu um sorriso torto e cínico, olhando para os comparsas dele.

— Ah, é? Tu é do corre de Santa Mônica? Os caras que tomaram pau da igreja?

— Quase isso, parça… quase isso — falei, balançando a cabeça para evitar atrito. — A gente tá só de passagem tentando sobreviver.

O bandido deu uma risada curta, dando um tapinha forte no meu ombro:

— Tá ligado! Pelo menos tu tem mais inteligência que aquele bunda-mole ali. O cara saiu correndo chorando. Se tu é dos nossos, então tá suave. Qualquer fita errada por aí, tu cola com os crias, fechado?

— Fechado, irmão — falei, dando um aceno seco com a cabeça.

— Anda, some daqui antes que eu mude de ideia sobre a tua cara — rosnou o sujeito, voltando a atenção para os amigos dele e deixando o casal ferido para trás.

O rapaz conseguiu se levantar com a ajuda da namorada, os dois mancando e chorando de raiva e humilhação, sumindo depressa por entre os barracos.

A Ashley e eu demos meia-volta e começamos a caminhar de volta para a parte mais alta do morro, deixando aquilo para trás. O silêncio entre nós dois era pesado.

— Você viu isso, Miguel? — a Ashley quebrou o gelo, a voz dela saindo trêmula de indignação. — Por mais que a igreja seja uma merda gigante… o pessoal daqui também não vale nada. São bandidos do mesmo jeito, maltratando os próprios vizinhos. Não dá para esquecer com quem a gente tá lidando.

Balancei a cabeça negativamente, enfiando as mãos nos bolsos do casaco e encarando a poeira da estrada.

— É… você tem razão, Ash — falei sério. — No fundo, parece que não tem nenhum lado realmente bonzinho nessa história toda. Todo mundo só quer pisar em cima de quem tá mais fraco para se sentir forte.

Continuamos subindo a ladeira, voltando para a rota principal do Tamandaré. A parte mais organizada do morro ia aparecendo de novo aos poucos, mas agora a nossa visão daquele lugar já estava manchada. A gente sabia muito bem que, por trás da fachada de forte militar seguro e das crianças brincando na rua, o Tamandaré guardava a mesma crueldade que destruiu o resto da cidade.

Enquanto a Ashley e eu subíamos de volta para a parte alta, avistei o Piquenote encostado no batente da porta de entrada da casa-castelo. Ele parecia impaciente, cruzando os braços e encarando o chão com o cenho franzido.

Acelerei o passo e me aproximii dele junto com a Ashley.

— E aí, Piquenote? O que pegou? — perguntei, parando na frente dele. — Você saiu de lá de dentro de uma vez.

O Piquenote estalou a língua no céu da boca, cuspindo de lado com raiva.

— Aquele bosta do Petrini — resmungou o Piquenote, balançando a cabeça. — Não quis mandar tropa nenhuma para ajudar a gente. Falou que o morro é prioridade e os caralho a quatro. Mas o Gui ficou lá dentro batendo boca com ele para ver se consegue arrancar pelo menos alguns cavalos e umas armas para a gente voltar.

Assenti com a cabeça, cruzando os braços.

— É, pra falar a verdade, a gente já imaginava que ia ser assim. Não dá para contar com esses caras — comentei, sério. — Aliás… Eu e a Ashley acabamos de passar por uma experiência horrível com alguns bandidos do Petrini lá na parte de baixo.

O Piquenote arregalou os olhos de leve, olhando de mim para a Ashley.

— Ué? O que aconteceu?

— Ah, deixa pra lá… Depois eu te explico os detalhes — desconsaí, sem querer estender o assunto ali na porta. — O importante é que a gente já resolveu.

Antes que o Piquenote pudesse insistir, a porta da sala se abriu e o Gui apareceu no alto da escada, descendo os degraus apressado. Ele trazia um mapa enrolado debaixo do braço e uma expressão séria, mas logo relaxou ao nos ver.

— Piquenote, mano… eu consegui desenrolar algumas coisas — disse o Gui, chegando mais perto. — O Petrini não vai mandar homens, mas liberou alguns cavalos e umas armas para a gente. Ah, o Miguel tá aqui? É o que eu acabei de falar para ele… o Petrini amarelou na hora de ajudar de verdade.

— Relaxa, Gui, a gente já esperava isso — falei. — Vamos ter que dar um jeito de voltar sozinhos de qualquer forma.

O Gui parou, olhou para a Ashley e depois fixou os olhos em mim, franzindo a testa com uma expressão de dúvida.

— Espera aí… Você ainda quer deixar a Ashley aqui depois de tudo o que aconteceu? Eu não sei se esse morro é um lugar seguro para ela, mano.

Olhei para a Ashley e balancei a cabeça em negativo.

— É, pensando bem, acho que é mais seguro ela continuar com a gente — falei decidido. — Mesmo que a nossa volta para lá acabe virando uma missão suicida.

A Ashley ajeitou a alça da bolsa no ombro, estufou o peito e nos encarou com firmeza:

— Podem ficar tranquilos, eu sei me virar sozinha.

Nesse momento, ela fez força e levantou a manga da blusa para tentar mostrar um músculo no braço — só que não tinha absolutamente nada ali, o braço continuava fininho. O Piquenote soltou uma risada nasal, e o Gui conteve um sorriso, achando a cena cômica no meio daquela tensão toda.

— Tá bom, braba, a gente confia em você — o Gui brincou, levantando as mãos em rendição. — Bom, o Petrini pelo menos deixou a gente passar a noite aqui. Amanhã cedinho os cavalos vão estar prontos e a gente parte.

Mais tarde, fomos acomodados em uma casa improvisada que a facção tinha arrumado perto da base principal. Era um espaço simples, mas que dava um teto para a gente dormir.

A divisão ficou meio apertada: o Gui ajeitou o corpo e deitou em um dos sofás da sala, enquanto o Piquenote ocupou o outro sofá cruzando os braços. Eu peguei um colchão velho e estiquei direto no chão, perto da parede, e a Ashley ficou com o quarto dos fundos, dormindo na única cama de verdade que tinha na casa.

A luz da sala estava apagada, e o silêncio só era quebrado pela respiração pesada dos meninos capotados nos sofás. Eu já estava quase pegando no sono quando escutei passos leves vindo do corredor. A porta do quarto se abriu um pouco e a Ashley enfiou a cabeça para fora, me chamando com um gesto discreto.

Levantei do colchão com cuidado para não fazer barulho e fui até lá. Ela me olhou e fez um sinal para sairmos um pouco para fora da casa, para respirar um ar fresco e fugir daquele abafamento.

Nós saímos em silêncio e paramos encostados no parapeito de madeira da varanda, olhando para a imensidão escura da cidade lá embaixo, com as luzes fracas piscando ao longe.

— Miguel… — ela chamou num sussurro quase inaudível, abraçando os próprios braços contra o vento frio da noite. — Você tá acordado? Desculpa te acordar, mas eu tô conseguindo dormir não.

Apoiei os braços na madeira do parapeito, olhando para ela de soslaio.

— Tá tranquilo, Ash. Eu tava quase pegando no sono, mas relaxa. O que foi? Aconteceu alguma coisa? — perguntei baixo.

Ela desviou o olhar para o horizonte escuro, com o rosto visivelmente tenso.

— Eu não consigo parar de pensar no meu avô, o vovô Hazman… — a voz dela falhou um pouco, carregada de angústia. — Será que aconteceu alguma coisa com ele depois que a gente saiu correndo da mercearia? E por que diabos a igreja tá indo atrás dele daquele jeito? Ele só era um velho que cuidava da lozinha dele…

Senti um aperto no peito ao ver ela daquele jeito. Eu sabia por cima de toda a história das cartas e da ligação do avô dela com o Alto Ministro, mas decidi que aquele não era o momento para despejar mais esse peso na cabeça dela. Era melhor tentar trazer um pouco de paz.

— Fica tranquila, Ash — falei, puxando o tom mais calmo que consegui e dando um tapinha de leve no ombro dela. — O seu avô é casca grossa, ele sabe se esconder e se cuidar melhor do que ninguém. A igreja só tá querendo achar culpados e espalhar o terror, mas isso não significa que pegaram ele. Vai dar tudo certo.

Ela soltou um suspiro longo, deixando a tensão dos ombros cair um pouco. Por um instante, o peso do mundo pareceu sumir dos olhos dela. Ela deu um sorriso fraco e, sem dizer mais nada, encostou a cabeça de leve no meu ombro, buscando um pouco de conforto e segurança naquele cenário de merda.

Fiquei estático por alguns segundos, sentindo o calor dela perto de mim, mas aos poucos relaxei e deixei o braço ali.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, apenas olhando para as luzes da cidade e curtindo a calmaria daquela noite fria. Aos poucos, o cansaço foi vencendo a gente de novo.

— Obrigada, Miguel… por tudo — ela murmurou baixinho, desencostando do meu ombro e me olhando com um sorriso sincero.

— Imagina, Ash. Tenta descansar agora — respondi, sorrindo de leve.

Demos boa noite, voltamos para dentro da casa e cada um foi para o seu canto. Me deitei de novo no colchão do chão e fechei os olhos, apagando em seguida para o que nos esperava no dia seguinte.