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Um Simples Palpite (2)

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Um Simples Palpite (2)

Se Yechen estava perplexo, recusando-se a acreditar na realidade diante de seus olhos, em contrapartida, escondida novamente na consciência dele, Bai Suxian assistia a tudo com certa admiração.

Até ela, em seu auge, teria perdido de vista alguém que escapasse usando tal técnica de fuga. Afinal, aquilo havia sido criado com o sacrifício de uma divindade muito poderosa, que usou sua Centelha Divina para dar esperança aos inúmeros mundos dos mortais.

Ela se recordava bem disso, pois havia acontecido poucos anos antes de seu corpo divino ser destruído. Já os mortais conhecem naturalmente esse fato ao alcançarem determinado reino de força.

Não deixar essa verdade se perder com o decorrer do tempo foi uma maneira de o Grande Dao recompensar tal sacrifício. Essa, por sua vez, era uma técnica que até mesmo o Grande Dao havia reconhecido, concedendo à Fuga de Sangue Divino o direito de se ocultar das diversas leis do Dao compreendidas por aqueles que trilhavam o caminho divino.

Entretanto, aqui estava aquele sujeito que ela suspeitava ser o júnior arrogante de seu passado.

Uma risada trovejante ecoou.

— Hehehe.

Kael estava verdadeiramente se divertindo naquele momento. A sensação de ser inevitável até mesmo para o cara que ele desconfiava ser o protagonista daquele mundo era nova e prazerosa.

Como um grande leitor vivendo aquele momento tão único, perguntava-se se não acabaria ficando viciado naquela sensação de poder.

Ele logo balançou a cabeça, jogando aqueles pensamentos traiçoeiros para longe. Não era certo deixar o poder subir à cabeça, pois terrível seria sua queda.

Focando sua atenção no tal Reverendo, voltou a incorporar seu personagem.

Sua voz surgiu estrondosa:

— Pequeno Radiante, o que aconteceu? — disse ele. — Por que fugiu deste Soberano? Será que é tão doloroso abrir mão dessa sua minúscula riqueza?

Yechen parou de tentar escapar daquela imensa mão dourada. Não tinha como fugir se nem sua técnica mística funcionava.

O que restava era confiar em sua mestra, uma de suas melhores cartas na manga para lidar com situações chatas.

De repente, um dragão negro desceu dos céus, parando a poucos metros dele e fazendo-o estreitar os olhos.

Aquele dragão, que antes estava todo ferido e lutando para resistir ao seu Ki Radiante, agora parecia ter renascido, chegando até mesmo a passar a impressão de ter ficado mais forte.

— Como… tão rápido?

Feng Li riu alto, completamente satisfeito com a expressão no rosto de seu antigo e detestável inimigo.

— Verme Radiante, eu apenas escolhi servir ao mestre certo, e meu futuro, guiado pelas mãos do meu Soberano, é inimaginável!

O dragão zombou em desdém, retornando à sua forma humanoide em seguida, assumindo a aparência de um belo jovem de longos cabelos negros e túnica preta, com dois grandes chifres e uma cauda.

— Agora, hehe, vamos — disse Feng Li, tentando conter um riso vitorioso com uma das mãos sutilmente sobre os lábios. — Entregue seu anel de armazenamento.

Fez breve silêncio e esboçou um olhar sério.

— E não pense coisas inúteis! — disse ele. — Meu Soberano é apenas um ávido colecionador das pequenas coisas dos mortais.

Enquanto seu mascote agia como cobrador de dívidas para um agiota, o maquiavélico Kael observava atentamente o rosto do Reverendo. E, quanto mais olhava, mais desconfiado ficava.

“Esse cara brilhante… O olhar dele está muito calmo para alguém encurralado.”

Coçou a cabeça com a mão que manteve fora da caixa ao refletir profundamente.

“Ele tem outra maneira de fugir? Uma carta na manga? Talvez uma pílula que o ressuscite dos mortos? Ou o velho clichê da alma de um misterioso mestre divino?”

Havia muitas possibilidades para se descartar qualquer uma delas facilmente.

“Devo jogar a isca e ver se fisgo algo. Certo, vamos tentar pelo mais clichê do catálogo.”

Com isso em mente, sua voz surgiu como um trovão.

— Pergunto-me se uma alma divina solitária tem tanta ousadia de pensar poder se esconder do olhar deste Incomensurável?

O silêncio tomou o ambiente repentinamente.

Assustado com a revelação que acabara de ouvir, Feng Li recuou rapidamente, observando ao redor na tentativa de encontrar essa suposta alma que se escondia.

Ao mesmo tempo, os olhos de Yechen tremeram levemente, revelando uma sutil intenção assassina na profundeza de seu olhar. Porém, Bai Suxian, em sua mente, sorriu, dizendo para ele não ser precipitado.

Disse que ainda tinha meios para ajudá-lo caso sua vida corresse real perigo e que ele apenas esperasse para ter certeza de que ela havia, de fato, sido encontrada pela outra parte.

Kael, completamente alheio a tudo aquilo, ficava ainda mais desconfiado ao observar a expressão do Reverendo, que se distorceu por um curto instante antes de voltar ao normal.

Sua intuição de leitor perito em clichês tinia constantemente, alertando-o. Se fosse comparar essa intuição a algo, seria ao sentido aranha.

Sabia que havia algo errado em tudo aquilo.

“Bem, vamos continuar a performance. Se eu tiver errado, improviso alguma coisa para Feng Li não desconfiar. Eu devo, no mínimo, tentar mais uma vez.”

Refletiu ao fechar os olhos por um breve momento. Quando tornou a abri-los, havia um sutil brilho investigativo neles.

Sua voz mais uma vez ecoou, porém, agora ainda mais absorto no personagem.

— O que é isso? — exclamou. — Você quer realmente testar a paciência deste Grande? — disse secamente. — Vai sair ou vai observar minha mão escorregando para esmagar o mortal que você escolheu?

Ao fim das palavras, por alguns segundos, houve apenas silêncio. Então, uma risada suave soou.

Em seguida, um brilho surgiu entre as sobrancelhas de Yechen, antes de algo se manifestar diante dele.

Para Kael, a princípio, parecia ser o holograma de uma mulher, mas, com seu conhecimento sobre romances, sabia que se tratava da alma de alguma Divina Imortal caída.

Apesar de já ter desconfiado dessa possibilidade desde o início, ainda sugou o ar, admirado — não apenas por sua suposição estar correta, mas pela figura que surgiu.

Puxou o ar lentamente e, enquanto ainda mantinha uma mão dentro do mundo em miniatura, esticou rapidamente a outra para pegar seu celular sobre a bancada. Abriu o aplicativo de gravação e, com sua mente, acessou as configurações da Caixa, ampliando a imagem da mulher que repousava naquele mundo.

“Caralho, ela é linda demais…” — Kael engoliu em seco. — “Eu nunca vi uma mulher de aparência tão sobrenatural.”

Ele balançou a cabeça, recuperando o raciocínio, antes de deixar escapar um suspiro.

“Se fosse uma imagem em uma rede social, com certeza diria que foi gerada por IA.”

Brevemente, gravou um vídeo e tirou algumas fotos rápidas de Bai Suxian, que não notou nada, embora percebesse vários clarões de luz ocasionais tomando os céus por alguns momentos.

Ela, porém, não deu muita importância, acreditando que fosse alguma reação do Dao Celestial daquele mundo contra aquele seu suposto conhecido.

Estreitando os olhos, levemente desconfiada, apenas manteve o silêncio, aguardando com certa curiosidade o que a outra parte lhe diria a seguir.

Enquanto isso, Kael esboçou um sorriso suspeito ao colocar as imagens e gravações em uma pasta secreta e selá-la com sua senha de leitor +18.

“Devo guardar essas provas para pesquisas mais profundas mais tarde, quando tiver tempo.”

Refletiu interiormente.

Contudo, com a aparição dessa bela mulher, que provavelmente era uma antiga deusa ou imortal poderosa e que, por coincidência do roteiro — ou melhor, “destino predestinado” —, acabou se tornando mestra desse Reverendo Radiante…

Sim, Kael acreditou ter entendido todo o possível cenário por trás do desfecho e até era capaz de deduzir quais seriam os próximos capítulos se aquilo fosse um romance e não a vida real.

Diante disso, sorriu maliciosamente, pois teve uma boa ideia para arruinar a relação entre mestra e discípulo.

“Como conhecedor dessas tramas, sei bem o que passa na mente desse cara, hehe… então vamos ver se consigo fazer a mágica acontecer.”

— Devo dar os parabéns — a voz de Bai Suxian surgiu com tranquilidade, tirando-o de seus pensamentos. — Você conseguiu encontrar minha Alma Divina escondida por meu Dao do Destino.

Seus belos olhos azuis demonstravam uma surpresa genuína.

— Isso é realmente impressionante! És o primeiro a conseguir tal façanha — completou ela, sem poupar elogios.

Se ela parecia verdadeiramente impressionada, para Kael aquilo estava vários níveis acima. Ele admirou o fato de que, apesar de encurralada, ela não parecia sofrer qualquer pressão real.

Ele a observou satisfeito.

A mulher não era apenas linda, mas também tinha a postura de uma digna cultivadora.

Isso aqueceu o seu coração de leitor solteiro.

Por um curto momento, Bai Suxian manteve silêncio. Então, seus olhos azuis fitaram as nuvens acima, como se pudesse vê-lo fora da caixa.

— Soberano dos Nove Céus — disse ela, com um sorriso sarcástico. — Parece que ainda usa isso…

Sua voz cessou brevemente, como se ponderasse sobre o que iria falar, mas, decidida, continuou:

— Me esclareça: você não só sobreviveu à grande guerra de dez mil anos atrás, como passou a governar os nove mundos divinos… Estou certa disso?

Seu olhar se tornou sério.

— Será que você é realmente aquele júnior arrogante que conheci?

Bai Suxian não gostava de rodeios. Era uma pessoa direta e quis confirmar logo suas suspeitas.

Mas, diante de sua fala, Yechen balançou a cabeça em completo desamparo.

Sua mestra sempre fazia isso, entregando informações importantes de forma tão ingênua, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Isso, para ele, era uma mania irritante que sempre trazia problemas desnecessários.

“Que merda de língua solta essa mulher tem. Será que seu cérebro não raciocina, por acaso?”

Pensou ele, desanimado.

“Às vezes me pergunto como ela sobreviveu tanto tempo no reino divino com essa mentalidade de mula…”

Enquanto o Reverendo parecia preocupado com o próprio futuro, Kael, por outro lado, estava refletindo sobre as informações que ouviu.

“Será que ela também decidiu atuar para tentar me enganar? Soberano dos Nove Céus é apenas algo que pensei por capricho, por precisar de um título fodão. É até diferente com o Supremo Deus no lugar de Soberano, mas…”

Ele fitou a Divina Imortal mais uma vez.

“Com essa seriedade nesses belos olhos azuis, fica difícil dar um veredito.”

“Bem, não importa. Se você quer jogar, eu não recuso um jogo que pode ser jogado por dois, ainda mais contra uma beleza, hehe.”

Um estrondo veio dos céus. Era a voz de Kael.

— Oh, que surpresa a minha, quase não a reconheci — disse ele com seriedade. — Apesar de me lembrar de sua bela aparência, não me recordo de seu nome.

Fez uma pausa dramática de dez segundos.

— Afinal, já se passaram dez mil anos. Ainda que seja pouco tempo, este Soberano tem andado muito ocupado durante esses milênios, sabe…

Ouvindo essas palavras, Yechen zombou internamente.

“É óbvio que ele não conhece a mestra e está cuspindo asneiras. Só um idiota cairia nisso.”

Ainda assim, a resposta de Bai Suxian foi bem diferente do que o discípulo esperava.

Ela mordeu levemente os lábios, inconformada por ter sido esquecida, mas logo se apresentou.

— Bai Suxian, Divina Imortal da Pureza Radiante. Isso lhe faz recordar de algo?

Ela colocou as duas mãos na cintura, endireitou a postura de forma mais orgulhosa e, em seguida, encarou os céus com um olhar frio e distante. Tudo isso na intenção de facilitar para a outra parte se recordar dela.

Fora da Caixa, um sorriso brincalhão tomou o rosto de Kael. Ele quase caiu na gargalhada, expondo sua farsa, mas conseguiu se segurar.

“Essa garota parece querer roubar meu coração agindo assim, hehe.”

Ele coçou o nariz levemente, apreciando a situação.

“Bem, você é bonita, mas não será tão fácil assim, pequena Bai.”

“Pergunto-me o que planeja, garotinha sagaz. Essa sua atuação para comprar tempo não me engana.”

Ele lambeu os lábios, apreciando a adrenalina do papel de Soberano.

“Não tem como alguém que provavelmente viveu centenas de anos ou mais ser tão ingênua.”

Kael não perdeu mais tempo e apenas continuou sua performance.

— Oh, sim! — disse ele, com um tom de desinteresse. — Agora, ouvindo esse nome, consigo me lembrar de algo.

Fez mais uma pausa dramática para impactar o coração dela, antes de continuar:

— Parece que você não teve muita sorte na guerra, hein, minha irmãzinha Bai!

No fim de sua fala, deixou escapar uma gargalhada alta, demonstrando todo o seu talento para a atuação, adquirido durante os gloriosos tempos em que fazia teatro no ensino fundamental.

Uma veia quase saltou da testa da antiga Divina Imortal Bai diante daquilo.

— No meu tempo, você baixava a cabeça e me chamava de sênior ou anciã divina… — ela murmurou, frustrada pelo tratamento.

Enquanto o desfecho se desenrolava entre os dois, Yechen pressionava uma mão contra o próprio rosto, tentando esconder a fúria visível em sua face.

“Maldita Bai Suxian… que mulher inútil, sem nada além da aparência e essência divina.”

Ele rangeu os dentes.

“Porra, corte logo minha cabeça fora se é para cair nessa merda comida e cuspida! Por acaso tem como eu, Yechen, ter uma vida longa e eterna com um encosto como esse por perto?”

“Não importa o quão talentoso eu seja ou quantas oportunidades surjam, se eu não colocar essa maldita em seu devido lugar, o meu fim será questão de tempo.”

Mordeu os lábios fortemente.

“Ter poder e não ter cérebro é como seguir um destino miserável.”

Yechen respirou fundo e aspirou, na tentativa de recuperar a compostura.

“Devo aguentar apenas por mais alguns séculos; então, essa puta não será nada além de minha escrava.”

Suspirou pesadamente.

“Até lá, tenho que apenas suportar com um sorriso no rosto, como sempre tenho feito.”