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Além das Leis

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Além das Leis

Alheio ao que seu mascote fazia em meio a murmúrios e sorrisos suspeitos, Kael aguardou pacientemente a resposta de Bai Suxian.

A voz dela soou:

— Você vai me ajudar a voltar para o Reino Daônico e a reconstruir meu corpo divino? — questionou ela.

Diante daquela pergunta, Kael só pôde manter sua velha cara de pau e responder com confiança:

— Claro, minha irmã Bai. Talvez eu possa fazer até melhor que isso — disse ele. — Este Incomensurável não é mesquinho com seu próprio povo.

Fez uma breve pausa, pois havia esquecido a próxima fala, mas logo pensou em outra.

— Saiba que nem tudo serão flores. Você vai ter que escalar de baixo até o topo novamente, degrau por degrau. — Fez outra breve pausa antes de completar: — Vou ajudar, mas o mérito de subir será seu.

Ela sorriu, satisfeita com o que ouviu. Em seguida, jurou pelo Grande Dao exatamente como Kael havia dito.

Não era como se a pobre mulher acreditasse cem por cento nele, mas, iludida pelas boas palavras da outra parte e convencida pela capacidade que ele já havia demonstrado, a Divina Imortal decidiu confiar naquela pessoa duvidosa.

Novamente, assim como aconteceu com Feng Li após ele fazer seu juramento, uma corrente translúcida surgiu do vazio.

Ela se enrolou em Bai Suxian e se estendeu até um dos dedos da mão de Kael, envolvendo-o como um anel antes de desaparecer.

Ele, porém, não viu nada de especial. Apenas sentiu certa ligação com a garota, algo como uma certeza indescritível de que ela nunca o trairia. Fora isso, não houve nada, o que o deixou um pouco decepcionado.

Deixando aquilo de lado, Kael já estava prestes a falar com Feng Li e se preparar para seguir até a Seita do Dao Infinito quando a voz suave e feminina surgiu mais uma vez.

— Kamiel… obrigado. E me perdoe pela forma como tratei você no passado! — disse Bai Suxian com certa dificuldade, como se não tivesse o costume de se desculpar.

Kael a encarou de fora da caixa.

“Droga, que matadora silenciosa… Ela é totalmente o meu tipo de mulher. Tão bonita e imponente.”

Coçou levemente o nariz com a mão que estava fora da caixa.

“Será que tem alguma maneira de dar certo? Ela é tão minúscula, a não ser…”

Rapidamente, balançou a cabeça diante dos próprios pensamentos suspeitos.

“Ela é muito perigosa para arriscar. Quem sabe um dia…”

— Não pense demais, pequena Bai — respondeu ele com firmeza. — Agora você é minha júnior, e cuidarei de você!

Terminando aquelas palavras, desviou sua atenção da garota.

Ele, porém, não notou o belo sorriso que surgiu por um momento no rosto de Bai Suxian após ouvi-lo.

Era um sorriso de alívio e conforto.

Fitando seu dragão, que parecia ocupado com coisas desnecessárias, Kael pediu que mantivesse, por enquanto, os anéis de armazenamento do Reverendo. Pegaria todos em outro momento para sua coleção.

Então, moveu sua imensa mão dentro da caixa, deixou a palma virada para cima e falou para seu mascote e Bai Suxian subirem.

Os olhos de Feng Li brilharam.

Sem demora, voltou à sua imponente forma de dragão e voou até a mão de seu Soberano em velocidade máxima.

Ele já havia experimentado aquela divina maneira de viajar e estava ansioso por uma segunda rodada.

Em contrapartida, a Divina Imortal observava curiosa, imaginando o que ele faria.

Na perspectiva dela, não seria grande coisa simplesmente abrir uma passagem no vazio do espaço até onde quisesse ir, mas talvez fosse algo diferente.

Em silêncio, desapareceu de onde estava e, no mesmo instante, surgiu de pé sobre aquela gigantesca mão, antes mesmo de Feng Li, que só apareceu dezenas de milésimos de segundo depois.

Enquanto os dois repousavam sobre a palma de sua mão — um como um pequeno ponto preto e o outro nem sequer sendo possível de visualizar —, Kael procurava pela Seita do Dao Infinito.

Ele pensou no nome da seita, e mais de cem imagens com nomes semelhantes surgiram.

“Que merda… eles estão realmente no fundo do poço. Outros até copiaram o nome do seu empreendimento.”

Deixou o ar escapar entre os lábios.

“Acho que não deve existir direito autoral neste mundo…”

Lembrando-se das informações que Feng Li lhe dera anteriormente, pensou em uma Seita do Dao Infinito localizada na fronteira com o Continente Demoníaco.

Só então, mais de cem imagens desapareceram, restando apenas uma.

“Hehe, acredito que seja essa.”

Ele ampliou a imagem para observar a situação, e seus olhos se arregalaram.

À primeira vista, parecia um enorme enxame de abelhas atacando a seita. No entanto, ao focar mais de perto, percebeu do que realmente se tratava.

“Oh… então esses são os demônios?”

Eles tinham pele roxa, olhos amarelos e chifres que se projetavam de suas cabeças. Também possuíam duas grandes presas e eram bastante feios.

Kael não conseguia contar quantos eram, mas pareciam dezenas de milhares ou até milhões.

Como uma praga, espalhavam-se pelo céu e pela terra ao redor da seita, localizada em uma cordilheira de montanhas com um extenso oceano por detrás.

Aqueles demônios atacavam freneticamente, como se não fossem descansar enquanto não a destruíssem por completo.

Kael bufou em desdém.

“Como esses mosquitos feios se atrevem a tocar nos meus futuros subordinados?”

“Não, isso não pode ficar assim!”

Seus olhos se estreitaram.

Já estava pronto para dizimá-los quando se lembrou de sua intenção de manter um perfil baixo.

Um sorriso tomou seu rosto.

Ele teve uma ideia brilhante que não o deixaria exposto naquele mundo perigoso.

— Bem, então vamos nos mover.

A voz de Kael veio dos céus como um trovão.

Feng Li, que acabou de retornar à sua forma humanoide, sorriu animado.

Bai Suxian, por outro lado, piscou algumas vezes, curiosa para saber como seria aquela viagem.

No momento seguinte, porém, seus olhos demonstraram perplexidade.

Eles não se moveram de onde estavam.

Era o contrário.

O próprio cenário — ou melhor, a própria realidade — simplesmente mudava ao redor deles, mantendo-os no centro enquanto ela e Feng Li permaneciam sobre a mão de Kael.

Era como observar inúmeras paisagens mudando e surgindo do nada em uma velocidade absurda.

“Como ele fez isso?”, pensou ela, com a boca levemente aberta. “Ele não abriu uma passagem no vazio do espaço, nem mesmo nos teleportou para onde queria ir…”

A Divina Imortal tentou entender que tipo de Dao era aquele.

“Não é o tempo nem o espaço. Tudo ainda flui…”, pensou ela. “É algo como manipular a realidade, distorcê-la e obrigá-la a mudar.”

Bai Suxian era apenas uma alma divina. Se ainda possuísse um corpo, seu coração estaria acelerado.

“Isso deveria ser algo sobre o qual apenas os dois conceitos Supremos, o Grande Dao e o Grande Caos, possuiriam autoridade…”

Suas pupilas se contraíram.

“Pelos registros, nem mesmo os Senhores Soberanos poderiam fazer algo assim.”

Em pouco mais de cinco segundos, chegaram ao destino.

Kael deixou Feng Li e Bai Suxian sobre uma montanha a dezenas de quilômetros da Seita do Dao Infinito.

A Divina Imortal já parecia ter recuperado um pouco da compostura. Ao lado de Feng Li, encarou a situação miserável da seita.

Pelo que os dois podiam observar, tudo indicava que ela seria destruída em mais um ou dois dias.

Uma enorme matriz formava uma barreira dourada ao redor da propriedade, protegendo-a dos ataques do exército demoníaco. No entanto, inúmeras rachaduras já se espalhavam por sua superfície.

Em alguns pontos, fendas haviam se aberto, permitindo que os demônios invadissem a seita e travassem lutas sangrentas em seu interior. Dezenas de discípulos eram mortos durante essas invasões, antes que os próprios demônios fossem eliminados pelos anciões.