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Quando o Destino Muda

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Quando o Destino Muda

Kael assistiu a tudo com grande pesar no coração. Toda aquela seita, todos aqueles cultivadores, tudo logo seria dele, e doía muito ver seu futuro patrimônio sendo destruído.

“Será que é assim que um homem rico se sente ao ver vândalos destruindo seu patrimônio bilionário?”

Havia até lágrimas em seus olhos.

“Não, isso é inaceitável. As coisas não podem ficar assim!”, declarou em pensamento. “Devo me vingar, ou perderei meu prestígio entre eles!”

Em seguida, disse à Divina Imortal e ao seu mascote para não se envolverem na luta.

Feng Li até se ofereceu para enfrentar os demônios, mas Kael se manteve firme em sua decisão.

Ele já tinha seus próprios planos.

“Se Feng Li agir, não será ele quem receberá a admiração dos meus subordinados?”

Seu cenho se estreitou.

“Não posso permitir isso. Tenho que gravar a grandeza deste Soberano em seus corações desesperados.”

Retirando a mão da caixa, Kael foi até seu guarda-roupa e pegou algo.

Apertou o botão para ligá-lo e moveu o objeto rapidamente pelo ar. Um estalo surgiu, seguido por um leve cheiro de queimado.

— Hehe… nada melhor que isso para matar mosquitos demoníacos — murmurou, animado.

Se a outra parte fosse composta por humanos, ainda teria algum receio. Mas eram praticamente monstros, então seu coração estava em paz.

Voltando para a caixa, observou a situação de cima por mais um momento.

Em seguida, pegou seu bloco de notas e fez algumas anotações rápidas sobre suas experiências e certas coisas que ouvira de Bai Suxian para não se esquecer.

Depois, usando o celular, tirou algumas fotos e fez algumas gravações curtas, registrando a seita e o enxame de demônios que a atacava descontroladamente.

Aquilo era muito importante para manter sua performance perfeita.

Kael tinha certo medo de que alguém acabasse descobrindo algo por causa daqueles registros. Contudo, aquilo era uma necessidade temporária, pois planejava destruir qualquer prova que pudesse revelar seu segredo.

Fossem fotos ou vídeos, havia decidido dar um fim a tudo.

Provavelmente, ninguém descobriria nada mesmo que visse aquele material. Afinal, quem imaginaria que tudo aquilo havia sido gravado a partir de um mundo dentro de uma caixa?

Mas esse era Kael, o tipo de pessoa que sempre pensava no pior cenário possível e, de fininho, escapava pelos cantos.

Um covarde prestativo, talvez… ou uma mente brilhante… quem sabe.

Após colocar sua arma de extermínio sobre a bancada, desceu o que restava das escadas para pegar mais um pouco de pipoca.

Depois da experiência com a Coca-Cola Zero, decidiu pegar um pouco de suco no lugar do refrigerante. Assim, evitaria que outro rugido do Incomensurável lhe escapasse despercebidamente.

Em pouco tempo, retornaria à sua performance como Soberano dos Nove Céus.

Enquanto isso, a Seita do Dao Infinito enfrentava seus últimos momentos.

Em um pico elevado no centro da seita, uma mulher assistia a todo aquele caos quase sem esperança.

— Mestre… sua Xiu Ying não pode continuar seu legado… — Sua voz falhou brevemente. — Tudo logo estará perdido.

Seus olhos se ergueram para os céus, como se esperasse por algum milagre.

— Perdoe-me, Mestre… — disse ela, mordendo os lábios. — Perdoem-me todos… por deixar a longa história de nossa seita terminar comigo.

Xiu Ying murmurou aquelas palavras enquanto observava o número de demônios atravessando as brechas na matriz de proteção aumentar mais uma vez.

Atrás dela estavam seis anciões da seita, alguns já com lágrimas nos olhos.

Entre eles, duas eram mulheres que, apesar de aparentarem ter entre trinta e trinta e cinco anos, ainda carregavam uma beleza inegável.

Os demais eram homens de longas barbas brancas, deixando evidente sua idade avançada e vasta experiência.

— O que fazemos, Mestra da Seita? — Cang Lan, a vice-mestra, deu um passo à frente. — Temos suportado as investidas do Clã Demoníaco Zi Chi por mais de um século.

Ela fez uma breve pausa e respirou fundo. Seus punhos estavam cerrados.

— Não vamos durar nem mais uma semana…

Um pesado suspiro escapou dos lábios de Xiu Ying, fazendo os demais, que estavam prestes a falar, se calarem.

— Vamos aguardar — declarou ela, com a voz baixa e um pouco rouca. — Se o destino da nossa seita for perecer, então não há como evitá-lo.

Todos estremeceram diante daquelas palavras, mas esperaram que ela terminasse sem interrompê-la.

— Mas… talvez os céus sejam bondosos conosco.

Ela ficou em silêncio por um instante, como se tivesse se lembrado de algo.

— Quem sabe… — Seus olhos voltaram a encarar os céus. — Nunca se sabe. Talvez o destino possa mudar a qualquer momento.

A voz de Xiu Ying carregava melancolia. Era como se tentasse dar àqueles que a escutavam um pouco de esperança, mesmo que ela própria mal acreditasse no que dizia.

Cang Lan abriu levemente os lábios para falar. Porém, naquele momento, o quarto ancião, Jun Cheng, tocou seu ombro em silêncio.

Ela suspirou e balançou a cabeça.

Diante disso, a vice-mestra permaneceu calada.

Ali estavam os seis, colocando todo o peso sobre os ombros daquela mestra que havia liderado a seita por quatrocentos anos em meio a constantes conflitos contra o Continente Demoníaco.

Sem a liderança de Xiu Ying, a Seita do Dao Infinito não teria sobrevivido até aquele dia.

Mesmo quando muitos desistiam e fugiam apenas para morrer nas mãos dos demônios, ela sempre se levantava e assumia a frente de todos.

Os anciões sabiam disso muito bem.

“Provavelmente já teríamos sido destruídos há muito tempo sem você, minha amiga Xiu Ying…”, refletiu Cang Lan após um leve suspiro. “Mas até você chegou ao seu limite, ainda que tente esconder.”

Sua voz surgiu suave:

— Não vamos mais pressioná-la. Descanse, Ying…

Após dizer aquelas palavras, Cang Lan e Jun Cheng convenceram os demais anciões, que ainda insistiam em conversar com Xiu Ying, a deixar a Mestra da Seita descansar um pouco.

Mesmo relutantes, eles compreendiam a situação. No fim, decidiram sair e aceitar seus destinos.

Sozinha, Xiu Ying permaneceu no topo da montanha.

Seus longos cabelos brancos balançavam com a brisa enquanto ela encarava a enorme cordilheira à sua frente.

Seu olhar percorreu as inúmeras montanhas até alcançar o mar, a mil quilômetros de distância.

— Eu me pergunto se aquele sonho foi um presságio ou apenas uma ilusão da minha mente…

Um murmúrio escapou de seus lábios.

— Aquela imensa mão descendo dos céus, controlando relâmpagos… e aquela voz semelhante a um trovão. Aterrorizante, mas, ao mesmo tempo, tão confiável e desejável de ouvir.

Ela se recordou de um sonho que tivera dez anos atrás.

Naquele sonho, uma divindade descia dos céus para salvá-los.

Apesar disso, Xiu Ying não tinha muita esperança de que algo assim realmente acontecesse.

— Se, de fato, é você quem nos observa lá de cima e vier salvar a minha seita…

Ela se ajoelhou e ergueu as mãos em direção ao céu.

— Diante do Grande Dao, eu lhe entregarei toda a minha vida e lealdade!

De repente, o espaço tremeu.

Os olhos violetas de Xiu Ying se contraíram de perplexidade.

Uma corrente gigante e translúcida surgiu do nada e desceu dos céus. Enrolou-se ao redor de seu corpo antes de se estender pelo vazio, seguindo em direção a algum lugar desconhecido além das nuvens.

O corpo da Mestra da Seita começou a tremer.

Ainda ajoelhada na encosta do pico da montanha, sentiu uma lágrima escorrer por seu rosto.

Mas não era de tristeza.

Um novo brilho havia surgido em seu olhar.

— O Grande Dao reconheceu meu juramento? Não é possível que isso seja real, mas…

Engoliu em seco.

— Quando fiz o juramento antes, nada aconteceu… Por que agora é diferente?