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A Mão que Desceu dos Céus

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A Mão que Desceu dos Céus

Kael nem sequer imaginava o quão importante sua aparição seria para aquela seita.

Por enquanto, havia voltado ao quarto com sua pipoca e seu suco de maracujá para relaxar a mente.

Pegando sua arma de extermínio sobre a bancada, ligou-a brevemente.

Moveu-a suavemente pelo ar mais uma vez, soltando as articulações do ombro direito, pois, pela quantidade de pragas roxas voadoras, sabia que teria de fazer muitos movimentos bruscos.

Breves estalos ecoaram casualmente pelo ambiente.

“Espero que não acabe a bateria… ou perderei todo o meu prestígio diante dos meus futuros subordinados.”

Pensou antes de desligá-la e estender a mão para dentro da caixa, segurando a arma.

De volta ao mundo em miniatura, Feng Li já havia retirado seu pergaminho e escrevia algumas coisas com um olhar sério.

Crônicas do Supremo Deus dos Nove Céus

Notas de introdução: Estamos diante da antiga e majestosa Seita Dao Infinito. Pelo menos, era assim há quatrocentos anos. Agora, sua situação é miserável, quase à beira da extinção. Mas meu Mestre é um ser magnânimo para conosco, meros mortais.

Ele decidiu jogar no Mundo Imortal para lidar com o tédio constante de seus incontáveis anos de existência. Eu, particularmente, o entendo. Ser poderoso deve ter seus maus momentos. Provavelmente me sentiria assim também e sairia para brincar com as formigas.

Bem, voltando ao que importa.

A Seita Dao Infinito será uma de suas peças nesse grande tabuleiro de entretenimento.

Além de mim, Feng Li, sua segunda melhor peça, meu venerável Mestre recrutou uma deusa caída, a Divina Imortal da Pureza Radiante, uma antiga conhecida.

Diante disso, observo a escala desse jogo subir a um ponto em que até eu começo a me sentir pressionado.

Bom, sobre a Divina Imortal, não vou escrever o nome dela. Os motivos vocês já devem saber.

Nota explicativa: Sobre ela ser a primeira peça — eu, Feng Li, aprendi a ser humilde durante meu tempo de vida como serpente. Ainda que seja apenas uma alma divina, sinto que ela poderia me esmagar facilmente, quanto mais esmagar vocês, queridos leitores.

Nota de advertência: Dito isso, cuidado com os comentários quando estas Crônicas Divinas forem publicadas oficialmente.

Sejamos respeitosos! Principalmente com o meu Mestre. Estou de olho em cada um dos possíveis comentários maliciosos contra sua divina e inestimável pessoa.

Nota de ameaça objetiva: Estejam cientes de que caçarei pessoalmente seus autores e os farei experimentar algo pior que a morte, hehe… Minhas garras chegam a vibrar só de imaginar os infelizes gritando de dor.

Notas de estimativa: Eu, Feng Li, acredito que o Continente Demoníaco e todo o Continente Imortal logo terão rios de sangue escorrendo por todos os cantos. Será uma cena interessante. E, claramente, eu, como seu primeiro servo… mascote, estarei na linha de frente.

Notas de observação: Meu Soberano saiu momentaneamente. Ele disse que não valia a pena sujar as mãos com esses demônios imundos e foi buscar uma ferramenta mística de extermínio em massa, segundo suas próprias palavras. Estou ansioso para ver essa grandiosa arma divina nas mãos do Incomensurável dos Nove Céus.

O dragão ainda estava absorto, escrevendo freneticamente linha após linha, quando seus olhos se ergueram para o céu.

Havia algo descendo por entre as nuvens.

Era imenso, com vários milhares de metros de comprimento, quase tão grande quanto metade do braço dourado de seu Soberano.

Ele engoliu em seco.

Não havia nenhuma oscilação de Ki Verdadeiro, nem sequer uma deformação no espaço ao redor do objeto que seu Mestre segurava.

Naquela arma, não havia inscrições espirituais visíveis nem matrizes divinas incorporadas que pudessem ser vislumbradas. Todavia, sua estrutura era tão complexa que, paradoxalmente, parecia completamente comum.

Mas Feng Li sabia a verdade.

Aquilo era tudo, menos comum.

Ele sentia algo que não conseguia explicar.

Era como se, por trás daquela aparência simples, uma besta estivesse enjaulada — uma besta tão aterrorizante que nem mesmo este dragão imortal conseguia evitar tremer de medo e admiração.

Seus olhos se voltaram para o pergaminho e, rapidamente, ele fez um desenho da mão de seu Soberano descendo dos céus enquanto segurava aquela arma divina.

Não muito longe dali, Bai Suxian encarava a cena com uma carranca.

Ela não sabia o que era aquilo.

Em seus um milhão, seiscentos e vinte e seis mil anos de existência no Reino Daônico, nunca havia visto algo parecido.

Mas, mesmo sendo apenas uma alma divina sem corpo, ainda conseguia sentir que, dentro daquele objeto místico, havia um Dao profundamente violento e destrutivo.

De repente, nuvens escuras começaram a tomar os céus por centenas de milhares de quilômetros, cobrindo toda a região acima da fronteira entre os dois grandes continentes.

Não havia raios, chuva ou sequer trovões.

Tudo permanecia em silêncio.

As nuvens eram como súditos aguardando a chegada de seu rei.

— Essas não são as nuvens da Tribulação Celestial…? — murmurou Bai Suxian, sem entender.

Era difícil esconder a perplexidade em seu rosto.

Na Seita Dao Infinito, todos olhavam silenciosamente para o céu, completamente tomado por nuvens negras.

Mas não era aquilo que realmente chamava a atenção.

Havia uma mão gigantesca, completamente dourada, rompendo as densas nuvens enquanto segurava algo cuja simples visão fazia um arrepio percorrer suas espinhas.

De repente, uma figura voou da montanha que se erguia no centro da seita.

Era Xiu Ying.

Seus belos cabelos brancos balançavam sob o vento intenso que atravessava as rachaduras na matriz de proteção, enquanto seus olhos violeta encaravam aquela situação com grande temor e admiração.

Logo atrás dela, mais seis figuras se posicionaram.

Tanto ela quanto os demais permaneciam absortos e aterrorizados diante daquela visão.

— Mestra da Seita…

A voz da segunda anciã, Zen Yue, falhou brevemente, mas, após se acalmar, ela continuou:

— Um ser divino desceu ao nosso mundo, e seu alvo parece ser este lugar… Isso é bom ou ruim?

Ela não respondeu. Em silêncio, apenas encarou os céus com um olhar pensativo.

Mas, diferentemente dos demais, o medo que até então preenchia seu semblante desapareceu.

Xiu Ying sentia uma ligação com o dono daquela mão. Diante disso, ajoelhou-se em pleno ar.

Os anciões não entenderam, mas seguiram sua ação, prostrando-se silenciosamente.

A incansável luta entre os demônios que haviam invadido a seita e os discípulos cessou naquele momento.

Ninguém se atrevia a se mover.

Todavia, um discípulo após outro começou a se ajoelhar, seguindo o exemplo de sua Mestra da Seita e dos grandes anciões.

Já os demônios do Clã Zi Chi começaram a recuar lentamente em direção às aberturas na barreira dourada.

Logo, a voz de Xiu Ying rompeu o silêncio que havia tomado todo o ambiente.

— Poderosa divindade que ouviu o grito desta minha pequena alma — disse ela —, eu, Xiu Ying, e minha Seita Dao Infinito te saudamos!

Uma lágrima cristalina desceu lentamente por seu rosto cansado enquanto proferia aquelas palavras, mas sua voz permaneceu firme.

As vozes das dezenas de milhares de discípulos, novos e antigos, de uma seita que havia sobrevivido por séculos à opressão do Continente Demoníaco se sobrepuseram em uníssono, fazendo o Ki presente na atmosfera vibrar.

A Mestra da Seita sorriu, aliviada.

Foi exatamente como em seu sonho: aquela mão, aquele objeto estranho e aterrorizante e todos prostrados diante dele.

Diante de sua grandeza incomparável.

Ela tinha certeza, mesmo sem saber como, de que, apesar de ainda ser tão fraca, de alguma forma conseguira tatear o Dao do Destino, atraindo a atenção daquele ser incompreensível para mortais como ela.

“Mas… o que somos nós aos seus olhos para que se importe conosco?”

Refletiu Xiu Ying, sem compreender o motivo.

“O que temos nós a oferecer para que estendas a mão em nosso favor?”

Suas lágrimas caíram em direção ao solo da Seita, onde muitos já haviam perecido.

“Será que somos pelo menos um pouco dignos de que seu olhar recaia sobre nós?”

Ela refletia profundamente, mas não encontrava respostas para suas perguntas.

Contudo, uma coisa era certa: daquele momento em diante, nenhum deles teria mais direito sobre o próprio caminho, pois agora suas vidas pertenciam ao deus que lhes estendera a mão.