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Arma Divina do Trovão Celestial

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Arma Divina do Trovão Celestial

Fora do mundo em miniatura, Kael havia ampliado a imagem por pura curiosidade para ver melhor seu futuro empreendimento, porém acabou por assistir a todo aquele desenrolar com agradável surpresa.

“Veja isso… Ainda nem fiz nada e já são tão comportados e humildes!”

Mais uma vez, perguntou-se por que os autores de romances descreviam os cultivadores como arrogantes e orgulhosos.

Aos olhos dele, isso era uma grande mentira digna de espancamento público.

Seu mascote, Feng Li, mesmo sendo um dragão que deveria ser orgulhoso por natureza, era, na verdade, um poço transbordante de obediência, sem que Kael sequer precisasse adestrá-lo.

Até chegou a pensar que isso se devia ao fato de seu mascote, na verdade, ser um dragão falsificado, já que antes era uma serpente e não seguiu a naturalidade de se tornar um Shenlong de carteirinha, mas isso era só um detalhe.

Não sentia que era preconceituoso com a escolha pessoal do seu mascote de ser um dragão ocidental semelhante a uma lagartixa preta com asas.

Considerava-se magnânimo o bastante para que isso não pesasse em seu coração.

Pelo menos, essa era a mentira que esse Kael cuspia para si mesmo.

A Divina Imortal Bai Suxian, por exemplo, era, na verdade, muito modesta, ingênua e parecia ter um bom coração, apesar do possível status que possuía antes de virar um fantasma terrivelmente sedutor.

O que seria isso… um súcubo divino?

Apesar de Kael desconfiar que ela estivesse atuando para enganá-lo, isso não importava muito para ele. A primeira impressão era o que valia.

Agora, sem que sequer notasse de antemão, aquela grande seita já havia se colocado voluntariamente sob seu comando.

Esse fato fazia seu coração esquentar.

Tudo era bem diferente do que seu grande conhecimento dos romances lhe dizia.

Kael franziu o cenho.

“Apenas uma coisa permanece igual: o protagonista ainda é o mesmo clichê de sempre, cheio de perigos ocultos e provavelmente impossível de matar.”

Uma barata, de fato.

Os demônios que cercavam a Seita Dao Infinito pareciam ter recebido uma ordem, pois todos começaram a se agrupar.

Observando aquilo, Kael deixou seus pensamentos de lado.

Afinal, era algo positivo: sem sequer perceber, os demônios já estavam facilitando sua grande performance diante de seus subordinados.

Sem pressa, ele moveu levemente o dedo, apertando o botão de sua imbatível arma.

Um barulho estranho percorreu o ambiente, fazendo todos abaixo sugarem o ar.

Zizzzzzz!

Em seguida, um intenso brilho azul e crepitante ascendeu aos céus, originando-se daquele grande objeto estranho.

Raios gigantes passaram a percorrer as nuvens como serpentes mortais, aterrorizando a todos.

O aglomerado de nuvens negras que tomava o céu sobre as fronteiras do Continente Demoníaco passou a girar em espiral, com aquela coisa no centro.

Então, um relâmpago cortante surgiu do objeto, disparando e perfurando as densas nuvens em espiral nos céus.

Em seguida, um estrondo ecoou.

Raios passaram a cair descontroladamente das nuvens em direção ao solo, acompanhados por dezenas de milhares de sons crepitantes, como se desejassem consumir tudo abaixo.

Isso gelou o coração de todos que observavam tamanha catástrofe.

Todavia, no momento seguinte, antes mesmo de chegarem próximos ao chão, os raios eram absorvidos pelo enorme objeto negro.

Kael não se surpreendeu tanto com o que via; apenas achou aquela cena bonita para os olhos de um homem de cultura como ele.

Depois da experiência com a sardinha e o Merthiolate, entendeu que, por algum motivo, tudo que vinha de seu mundo se tornava extraordinário naquele pequeno mundo.

Enquanto tudo aquilo era aterrador para os que assistiam, para Kael, as descargas elétricas que subiam de seu divino armamento em direção à sua mão eram como um leve arrepio sobre a pele.

Sem dizer uma única palavra, ele moveu o braço.

O alvo eram os milhares de demônios do Clã Zi Chi, reunidos a dezenas de quilômetros abaixo.

Eles nem tiveram tempo de reagir. A aproximação daquele objeto havia deixado seus movimentos lentos.

Pa!

Um estalo surgiu quando o primeiro demônio foi atingido. Não sobrou nada, apenas fumaça.

Pa…! Pa…!

Pa…! Pa…! Pa…!

Pa…!

Um estalo após o outro ecoava por todo o lugar, como pipocas em uma pipoqueira.

— Gahaha! Essa raquete é boa mesmo! — disse ele entre risos. — Realmente é de boa qualidade!

Kael sorriu de orelha a orelha, feliz por estar funcionando, e nem se preocupou se ouviriam sua euforia.

Mas, em contraste, Xiu Ying e os anciões assistiram de boca aberta.

Houve discípulos que até se mijaram, enquanto outros desmaiaram de pavor, aterrorizados com a facilidade com que seus poderosos inimigos eram dizimados diante deles.

Sem mais demora, Kael passou a mover o braço sem descanso pelo céu.

Ele estava amando aquilo.

Centenas, milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares… Vinte minutos mais tarde, milhões de estalos já haviam tomado os céus, sem qualquer sinal de que iriam parar.

Como fogos incessantes.

— Morram, mosquitos demoníacos! Como ousam tocar nos subordinados deste Digníssimo?

Ele bufou, sentindo-se insultado, antes de continuar.

— Pelo visto, meu prestígio neste mundo mortal realmente chegou ao fundo do poço…

Fez uma breve pausa dramática.

— Mas hoje, este Soberano deixará marcado em suas almas imundas o quão terrível é tocar no que é meu!

A cem quilômetros dali, um general demoníaco observava tudo com uma grande carranca.

Era Murong Di, um Imortal Dourado do Clã Demoníaco Zi Chi.

A fúria tomava conta de seu rosto enquanto todos os seus subordinados eram exterminados de forma tão aterradoramente patética.

Um após o outro, explodiam em pleno ar, fazendo seu coração sangrar a cada nova perda de seu precioso exército.

— Não tem como eu, o grande Murong Di, acreditar que de fato se trata de um ser do Mundo Divino… — disse entre os dentes.

Seus punhos se cerraram, fazendo o espaço ao seu redor ondular.

Respirando fundo para acalmar sua fúria, refletiu sobre a história da Seita Dao Infinito.

Foi então que compreendeu que, de fato, fazia sentido terem uma última carta escondida na manga.

— Maldita Xiu Ying! — murmurou secamente. — Isso deve ser alguma matriz de matança deixada por seu antigo mestre, que era um Verdadeiro Imortal.

Suspirou lentamente, desfazendo o aperto de suas mãos.

— Mas, diante de um Imortal Dourado, isso não é nada!

Como um flash roxo, ele cruzou toda a distância até aquela divina arma de extermínio em massa.

Levou menos de meio segundo para alcançá-la.

Kael estreitou os olhos ao ver um daqueles mosquitos demoníacos voando tão rápido.

“Hehe, tentando fugir de mim, hein? Você não sabe, mas eu já fui campeão de tênis de mesa no fundamental!”

Curvando-se levemente sobre a caixa, moveu o braço em sua velocidade máxima.

O espaço não suportou a força, quebrando-se em seguida e deixando um vazio exposto.

Relâmpagos tomavam seu grandioso armamento de matança, tornando os sons crepitantes ainda mais intensos.

O pequeno brilho roxo que avançava em sua direção com a ousadia de um suicida não conseguiu reagir a tempo.

Pa!

Um alto pipoco reverberou.

Mas, diferente dos outros, que simplesmente se tornaram fumaça, aquela pequena massa roxa foi rebatida, voando em alta velocidade e deixando um rastro de fogo e relâmpagos no ar antes de perfurar o solo por milhares de metros, atravessando sucessivas camadas de rocha até alcançar as profundezas, onde só parou ao se chocar contra um grande diamante formado sob extrema pressão.

— Se você tivesse mais dois milhões de anos, pequeno mosquito, talvez tivesse uma chance de escapar da investida deste Magnífico!

A voz de Kael estrondou pelo ambiente, pois ele havia aumentado as configurações sonoras para que sua pose fosse impecável.

Irrepreensível.

Diante daquela voz, era difícil encontrar alguém que não engolisse em seco.

Sem se importar se o demônio atingido por sua rebatida genial estivesse vivo ou morto, ele apenas continuou balançando a raquete elétrica sem descanso, ou melhor, a Arma Divina do Trovão Celestial, como Kael decidiu apresentá-la.

Seus movimentos eram rápidos e precisos, e os estalos incessantes, junto ao cheiro de carne queimada, tomavam todo o ambiente.

Porém, sem aviso, o brilho da raquete desapareceu, fazendo-o esboçar um sorriso amargo.

— Acho que descarregou — murmurou, decepcionado.

Encarando os constantes gritos dos demônios em fuga abaixo, deixou escapar um triste suspiro.

Passou pouco mais de meia hora movendo sua raquete de um lado para o outro. Aquilo o fez recordar seus tempos de escola, deixando-o nostálgico.

Quase podia ouvir os gritos das torcidas enquanto competia no tênis de mesa.

Kael estava cansado e com a respiração ofegante do exercício repetitivo. Seu ombro direito até doía um pouco, mas, só por experimentar novamente a alegria daquelas memórias, desejava um pouco mais daquela dose de adrenalina.

“Ainda bem que meu prestígio foi mantido em alta. Não posso deixá-los saber a verdade sobre a raquete”, pensou, ainda um pouco melancólico.

Ainda assim, assistindo àquele alvoroço abaixo, esboçou um sorriso.

Na sua opinião, mal havia feito alguma coisa, mas, vendo aquela fuga desesperada, sentiu que aquilo era estranhamente satisfatório.

— Espero que vocês, pequenos demônios, não se esqueçam do que acontece com quem toca nos servos deste Incomensurável! — Sua voz surgiu alta e estrondante.

Os demônios do Clã Zi Chi nem mesmo olhavam para trás enquanto fugiam.