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Uma Estrela Deseja Voltar

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Uma Estrela Deseja Voltar

Enquanto Kael mantinha seu personagem para evitar perder o prestígio, uma mão completamente carbonizada se estendeu de uma profunda cratera.

Logo, uma cabeça ficou visível, seguida de um corpo moribundo e completamente tostado que se arrastou para fora da cova.

Era o general Murong Di, que, por ser um Imortal Dourado e possuir grande vitalidade, conseguiu sobreviver.

Dois soldados do Exército Zi Chi que o avistaram correram para pegá-lo e fugiram rapidamente daquele lugar.

Kael percebeu aquele movimento e ampliou a imagem, notando dois feiosos roxos carregando um feioso que havia passado do ponto.

“Esse cara era aquele ligeirinho de antes, certo?”

“Ele é o único que sobreviveu à minha raquetada…” Seu cenho se estreitou. “Parece que não é simples.”

Ficou bastante surpreso com a descoberta.

Até então, pensava que sua raquete elétrica era invencível abaixo do céu daquele mundo, mas não parecia ser o caso.

“Se alguém mais forte que aquele feioso aparecer, pode ser que nem surta efeito…”, deduziu ele com seriedade.

De todo jeito, Kael estava satisfeito com o resultado, mesmo que aquilo tivesse custado o restante da bateria de sua raquete.

“Ainda bem que mantive um perfil baixo”, refletiu solenemente. “Se eu tivesse simplesmente esmagado todos com minha grande mão, chamaria muita atenção…”

“Quem sabe não exista algum velho monstro escondido à espreita, como nos romances, apenas esperando o momento de me espancar?”

Kael respirou fundo, recobrando seu raciocínio modesto e humilde, pois tudo neste mundo era muito perigoso.

Logo em seguida, retirou a mão com a raquete elétrica sem dizer mais nenhuma palavra.

Fora do mundo em miniatura, pegou o carregador e colocou a raquete para recarregar. Provavelmente iria precisar dela mais tarde.

Afinal, sua casa tinha muitos mosquitos ainda mais terríveis que os de agora há pouco, então sua guerra contra aquela raça de sanguessugas ainda estava longe de acabar.

Em contrapartida, Feng Li escrevia freneticamente, com um sutil brilho no olhar, relatando linha por linha tudo o que tinha visto.

Ele estava fascinado.

Crônicas do Supremo Deus dos Nove Céus

Notas explicativas: Hoje, meu Soberano trouxe uma arma divina capaz de controlar as Tribulações Celestiais e, com um leve balançar de sua mão, aquela arma exterminou mais de três milhões de demônios roxos de olhos amarelos, uma raça guerreira do Continente Demoníaco.

São bem respeitados, apesar de serem considerados uma raça de nível médio por lá, mas parece que sua estética desproporcional e aparência pouco agradável não agradaram ao meu grandioso Mestre, pois ele estava decidido a dizimá-los de uma vez por todas da face do Mundo Imortal.

Isso, por si só, foi assombroso! Cheguei a suar frio ao assistir àquele massacre tão magnífico.

Entre os mortos, havia muitos com cultivos semelhantes ao meu, de Imortal comum, ou até mais fortes, e simplesmente foram transformados em fumaça.

Nem suas almas imortais permaneceram.

Também havia Imortais de Bronze e de Prata… Além disso, com um golpe, meu Mestre derrubou um Imortal Dourado.

Eu conheço aquele que foi esmagado. É um general do Clã Demoníaco Zi Chi, muito estimado entre eles. Quando eu, Feng Li, ainda era uma pequena serpente que nem sequer raciocinava direito, esse cara já era um talentoso Imortal de Bronze.

Nota declarativa oficial: Eu, Feng Li, seguirei o exemplo do meu Senhor e, a partir de hoje, esse Clã Zi Chi dos olhos amarelos será um inimigo mortal a ser pisado a todo custo.

Nota de reflexão: Também dou graças à minha linhagem de serpente do Clã Feng, pois, apesar de não termos muita força, somos bonitos por natureza.

Por dádiva do meu Soberano, minha aparência não mudou ao me tornar uma besta Imortal. Seja em forma humanoide ou draconiana, ainda sou belo.

Isso agrada muito mais ao meu Mestre do que a mim mesmo, mas é isso que realmente importa.

Eu sempre fui abençoado e nem sabia.

Nota de observação: Direi isso aqui, pois, quando lerem, já será um fato — futuramente, governarei minha raça de serpentes, elas querendo ou não, e farei do Clã Feng soldados diretos do meu Soberano, liderados por mim, para não desagradar seus santos olhos divinos.

Notas de autorreflexão: Realmente, gastei a sorte de todas as serpentes que vieram antes de mim ao me tornar servo… ou melhor, mascote do meu grande Mestre. Agora, devo me preparar para guerrear contra o Continente Demoníaco, que logo estará na palma da mão de meu Soberano.

Sem prestar atenção em Feng Li, que esboçava um sorriso cheio de loucura enquanto escrevia, Bai Suxian piscava várias vezes, tentando entender o que tinha acontecido.

O Grande Dao era o conceito supremo que regia todos os Daos; até mesmo os Nove Grandes Mundos Daônicos não escapavam de sua jurisdição.

Cada mundo estabelecido por este Supremo, fosse Daônico Divino ou mortal, era controlado por um Dao Celestial, criado pelo Grande Dao para manter a ordem e combater o Caos.

Em contrapartida, o Caos Celestial, estabelecido pelo Grande Caos, gerava a desordem e combatia o Dao, causando a corrupção das raças e dos mundos, exceto daqueles que este Supremo conceito caótico já havia estabelecido.

Diante desses fatos, Bai Suxian não conseguia compreender que tipo de objeto anormal era aquele, capaz de controlar os relâmpagos das tribulações como se fosse o rei entre eles e simplesmente gerar tamanha desordem celestial sem nem um vestígio das leis caóticas do Caos.

— O que… aconteceu durante esses dez mil anos? — murmurou a Divina Imortal, abismada. — Como Kamiel se tornou tão poderoso a ponto de ignorar até mesmo o controle do Grande Dao?

Seu cenho se estreitou.

“Será que ele está contra o Grande Dao?”, refletiu, sem compreender. “Mas, se for assim, por que o juramento em nome deste Supremo funcionaria?”

Balançou a cabeça lentamente, sentindo-se confusa.

— Nada disso faz sentido — murmurou baixinho.

Bai Suxian observou aquela mão e aquela arma mística desaparecerem além das nuvens.

A capacidade de gigantificação de Kamiel já era algo digno de admiração para ela, mas havia muito mais coisas que batiam de frente com tudo o que conhecia.

“Eu deveria ter te ouvido naquela época”, pensou ela com certo pesar. “Talvez, neste momento, também pudesse estar olhando para os inúmeros mundos aí de cima como você…”

Seus punhos se cerraram brevemente antes de relaxarem.

“Poderia, quem sabe, estar fazendo coisas como essas, que são tão confusas para mim… Talvez um dia eu ainda possa, quem sabe…”

Ela balançou levemente a cabeça mais uma vez, deixando esses pensamentos de lado.

Mesmo tendo seguido a compreensão e a manifestação do Dao do Destino, ainda fez escolhas erradas.

Afinal, algo não mudava: o destino estava muito ligado às escolhas. Ela simplesmente escolheu mal.

Seja sobre Yechen, que imaginou ser alguém leal e filial, ou até mesmo sobre seu tempo no Reino Daônico, Bai Suxian seguiu cegamente essas linhas que pavimentavam os passos de seu futuro.

Por mais de um milhão de anos, sempre funcionou sem erro algum; ela nunca esteve errada.

Pelo menos era o que acreditava. Porém, agora, no fim, nada saiu como esperado.

Aquele que o destino apontava como medíocre, sem grandes realizações, estava lá em cima, talvez governando, enquanto ela, que havia sido tratada como um gênio incomparável no Reino Daônico, caiu a um ponto tão baixo.

A Divina Imortal esboçou um sorriso amargo em seu belo rosto. Não adiantava lamentar; apenas precisava aprender com seus erros.

— Eu devo aprender a enxergar com meus próprios olhos desta vez…

Seus lábios se moveram.

— Assim como Kamiel sempre enxergou. Sim, um caminho moldável e não um destino fixo.