LNCrawler

Um Simples Palpite (1)

O Mundo Na Caixa — illusia.com.br · All chapters

Um Simples Palpite (1)

A dor que sentia era tão difícil de descrever que Feng Li estava completamente absorto naquela sensação aterradora, a ponto de, por alguns segundos, ficar alheio ao que seu mestre dizia.

Em alguns momentos, era como se um veneno extremamente corrosivo penetrasse sua carne, suas feridas e até mesmo seus ossos. Em outros, causava um alívio inexplicável.

Não apenas isso: o Ki do Reverendo, que antes dificultava a cura de seu corpo imortal, estava sendo praticamente apagado pela torrente de uma energia vital incompreensível.

“Isso… é o Dao da Regeneração?”

Vislumbrando seu interior, Feng Li ficou perplexo com o que via. Suas feridas estavam sendo completamente limpas, sua carne, fortalecida, e seus tecidos, reconstruídos em uma velocidade absurda.

Onde quer que aquela vitalidade estranha passasse, seu corpo era destruído e, em seguida, regenerado e fortalecido. Era praticamente recriado após ser desintegrado.

“Não… Eu preciso selar essas memórias para meditar profundamente sobre isso no futuro.”

“Se eu compreender esse Dao antes de me tornar um Verdadeiro Imortal, serei praticamente indestrutível em meio àqueles que chegaram ao topo deste mundo.”

O dragão estava diante de um dilema profundo, mas tudo o que Kael observava era Feng Li se debatendo como uma minhoca em uma frigideira quente.

Sem suportar assistir àquela cena vergonhosa, ele desviou os olhos do mundo em miniatura por um instante.

Notou que havia recebido um e-mail da Academia de Despertos.

Clicando no ícone da mensagem, abriu-a.

《Prezado aluno Kael Soares, nossa academia informa que sua estadia começa na próxima semana, segunda-feira. Recomendamos que esteja preparado para passar a viver na academia pelos próximos oito anos de formação como cadete.》

Ele pareceu chocado ao ler aquilo.

“Porra, que desgraça. Isso não é um reformatório? Será que isso tem o dedo da minha tia? Veio um pouco depois daquela ligação…”

Ele refletiu, rindo em seguida.

“Talvez fosse apenas uma mensagem automática”, deduziu ele.

Era inegável que estava com câncer terminal, mas, ainda assim, haviam informado que passaria oito anos lá para se formar.

Na sua opinião, seria muita safadeza enviarem uma mensagem dessas.

“Hm… Talvez isso seja um bom presságio.”

Por um momento, Kael pensou profundamente.

Tinha algumas coisas com que se preocupar. Primeiro, sua cura do câncer; depois, precisava testar se o cultivo realmente seria capaz de solucionar o problema.

Segundo, havia a caixa contendo o mundo em miniatura, cujo segredo precisava ser mantido a qualquer custo, pois sua existência poderia até mesmo provocar uma guerra entre nações por sua posse.

Terceiro, ainda precisava resolver a situação do enorme rolo de pele de serpente pertencente ao seu mascote.

“Tenho que cuidar disso amanhã com minha tia. Quanto ao cultivo, devo começar hoje mesmo, sem demora, apesar de ainda não saber exatamente como.”

“Agora, sobre a caixa…”

Kael encarou o objeto quadrado e perguntou descaradamente:

— Ei, caixa-artefato… Você tem alguma função para se encolher ou se esconder em meu corpo ou em minha alma, algo assim? — Sei que deve ter. Não seja mesquinha — completou.

Lembrando-se dos romances, sabia que os artefatos divinos sempre tinham habilidades desse tipo. Ele realmente ficaria decepcionado se a caixa que guardava um mundo pequeno e tão extenso não tivesse algo semelhante.

A caixa-artefato pareceu bufar diante da fala presunçosa de Kael, mas, sem nem mesmo responder, apenas brilhou em um tom prateado intenso antes de se transformar em um raio de luz e voar em um flash na direção dele.

Então, desapareceu.

Diante disso, Kael apenas arqueou os lábios em um sorriso astuto.

Levantando o braço direito, viu o desenho de uma caixa. À primeira vista, não chamava atenção alguma.

“Parece uma tatuagem feita por uma criança…”

— Ai! Ai!

Ele segurou o próprio antebraço e soprou várias vezes sobre a tatuagem, pois uma sensação de queimação havia surgido naquele local.

Sua face escureceu.

— Hmp! Acho que você é fêmea, caixa-artefato — bufou. — Você é muito sentimental e vingativa… Você tem TPM?

Breve silêncio.

— Ai! Aaa… desgraça! Certo, parei. Tenha misericórdia deste mortal, grandiosa caixa.

Sentindo que a queimação finalmente cessou, ele suspirou pesadamente.

“Bem que você poderia falar mais comigo — pensou Kael com lágrimas nos olhos. — Estamos tão distantes para uma parceria por tempo indeterminado…”

‘Você é fraco.’

Kael sentiu uma resposta surgir em sua mente, fazendo-o estreitar os olhos.

— Certo, grande e poderosa caixa, este humilde vai se tornar poderoso e botar o pau na mesa. Nesse momento, até você terá que me respeitar.

Deixando sua conversa com a caixa-artefato de lado, ele tentou retirá-la do antebraço e fazê-la voltar para sua forma original de caixa.

Com um pensamento seu, houve um brilho prateado em seu braço, e a caixa apareceu magicamente diante dele.

“Isso é bem prático. Gostei.”

Sem mais demora, voltou seu olhar para o pequeno mundo.

Finalmente, seu dragão havia deixado todo aquele drama de lado. Agora, parecia um cachorro animado.

Kael tinha até mesmo a impressão de conseguir ver uma cauda balançando no ar.

“Pensei que dragões fossem mais durões e majestosos, mas Feng Li tem perdido muito prestígio desde que passei a cuidar dele… Será que estou mimando-o demais?”

Ele balançou a cabeça, deixando aquele pensamento de lado, e falou com seu dragão.

— É bom ver que você superou essa adversidade como o orgulhoso mascote deste Inestimável.

Kael interrompeu a fala por um momento.

Uma certa cauda de dragão balançando estava tirando sua concentração, mas, retomando a compostura, continuou:

— Não fique muito animado com algo tão simples, Feng Li. Eu lhe garanto: seguir-me foi a escolha da sua vida — disse ele com a convicção de um ator. — Então, acostume-se e demonstre a imponência e o orgulho de um verdadeiro dragão, para não me envergonhar.

Encerrando sua fala, encarou seu mascote e balançou a cabeça em desistência. A cauda de seu dragão só aumentava a intensidade de seus movimentos enquanto ele falava.

Feng Li mal conseguia suportar a alegria.

Depois de suportar uma dor quase como ter a própria alma rasgada, não apenas havia sido completamente curado, como seu corpo atual era pelo menos duas vezes mais resistente.

Até isso já seria motivo para cantar canções pelos quatro cantos do Mundo Imortal. Porém, o que fazia sua alma saltar de alegria era o fato de ter conseguido compreender um pouco do Dao da Regeneração que seu Soberano havia lhe revelado.

Se ele seguisse seu caminho de cultivo por esse Dao e se tornasse uma Divindade, como seu Soberano havia prometido, seria imbatível e praticamente impossível de matar, mesmo entre os deuses do mundo superior.

Uma oportunidade como aquela era algo que apenas os Filhos dos Céus receberiam.

Feng Li, que um dia havia sido apenas uma humilde serpente, agora possuía uma oportunidade dessas. Como ele poderia não estar animado?

Voltando à sua forma humanoide, ajoelhou-se no ar, com os olhos cheios de lágrimas.

— Grande Soberano dos Nove Céus, estou disposto a servi-lo por toda a eternidade. Eu juro em nome do Grande Dao!

Assim que terminou suas palavras, uma enorme corrente surgiu praticamente do nada, rompendo o vazio e enrolando completamente a alma do dragão. Em seguida, estendeu-se para além dos céus até Kael, ligando-se a uma de suas mãos.

Todavia, ele pareceu não perceber nada. Apenas Feng Li conseguia ver aquilo acontecendo.

Diante de tal juramento, Kael apenas sorriu, satisfeito.

“E daí que eu o tenha mimado? Quem tem um dragão tão bom e fofo quanto o meu? Além disso, sinto que seu coração está mais devoto a mim. Isso é um bom sinal de boa sorte.”

Sua mão voltou a entrar no mundo em miniatura e desceu até ficar a poucos metros acima do mar.

Logo em seguida, Kael abriu a palma sobre o oceano, cobrindo milhares de quilômetros.

Sua voz ecoou.

— Suba, pequeno Feng Li. Ainda tenho assuntos para resolver com o fugitivo brilhante.

Ele riu, passando a língua entre os lábios.

— Devo pegar aquele anel de armazenamento espacial no qual ele trabalhou tanto para esconder deste Inestimável.

Um sorriso perverso surgiu no rosto jovem e humanoide de seu dragão ao ouvir sobre aquele que o havia espancado.

“Eu te avisei, vermezinho radiante — pensou Feng Li, sentindo-se extasiado. — Você não deveria ter mexido comigo. Agora sofra nas mãos do meu mestre!”

Sem saber dos pensamentos de seu mascote, Kael concluiu sua fala para não haver mal-entendidos:

— Como um ávido colecionador, não posso deixar que os pequenos tesouros mortais que ele esconde escapem… Minha coleção deve ser única entre todos os deuses.

Feng Li apenas concordou em compreensão.

Seu mestre era um colecionador sem igual. Futuramente, como primeiro subor… mascote, ele deveria visitar alguns lugares para trazer mais riquezas para a coleção de seu Soberano.

Saltando sobre a palma de Kael, Feng Li voltou à sua forma de dragão negro imponente. Ainda assim, era como um minúsculo ponto preto naquela imensa mão.

“Isso ainda é muito surpreendente… — refletiu, admirado. — Quão imenso é meu Soberano? Será que o Mundo Imortal é como uma pequena caixa para ele, onde coloca a mão quando quer?”

Apesar de tentar entender, sabia que aquilo estava além de sua compreensão e que não deveria perguntar mais do que lhe era permitido.

Mesmo seu mestre sendo tão bom para ele, Feng Li entendia que esses seres divinos pensavam de formas profundas e excêntricas.

Ele temia irritar aquele ser imensurável que o havia escolhido.

Enquanto Kael se preparava para buscar o Reverendo Radiante, este já havia fugido por mais de um milhão de quilômetros em direção ao norte.

Seu corpo estava coberto por um brilho carmesim, formado por seu sangue e Ki Inato, enquanto ele parecia desaparecer e reaparecer como uma ilusão.

Sua velocidade por si só já ultrapassava a da luz, percorrendo o vazio do espaço.

“Droga… Cultivei desde os meus seis anos. Sempre fui considerado um gênio inigualável.”

Refletiu, sentindo-se indignado.

“Em pouco mais de mil anos, cheguei a um Imortal Dourado… Nem o protagonista teve tal feito.”

Seu rosto se contorcia diante daquela velocidade absurda, mas sua raiva era inegável.

— Mestre… aquele tal Soberano dos Nove Céus, você o conhece?

A voz de Yechen, o Reverendo Radiante, soou.

Então, uma marca em sua testa brilhou, e o que parecia ser uma pessoa translúcida surgiu diante dele.

Era uma mulher.

Seus cabelos eram dourados como o sol, e seus olhos pareciam duas estrelas azuis brilhantes. Sua aparência era praticamente divina, algo que não deveria existir entre os mortais.

— Pequeno Chen… Meio que me lembro de alguém durante a grande guerra de dez mil anos atrás — sua voz era suave e distante. — Mas ele era apenas um jovem júnior com pouco talento e bastante afundado em prazeres mortais.

Yechen ficou em silêncio por um breve momento, pensativo.

— O que te faz pensar que aquele Soberano é o mesmo júnior de quem você se lembra, mestre?

Ela riu divertidamente.

— Ele usa o mesmo título arrogante que aquele júnior. Eu o ouvi se vangloriar uma vez, naquela época, e quase o matei com um tapa.

Yechen ficou surpreso.

“Ele era tão fraco assim para morrer com um tapa?”

Lembrando-se do que havia presenciado, não conseguia mensurar aquilo.

— Bem… — a voz dela continuou, sem pressa e suave. — Ele disse que governaria os nove mundos divinos e, por isso, usava esse título, apesar de haver uma pequena diferença.

— Qual? — Yechen perguntou, curioso.

Ela zombou, embora seu olhar brilhasse com um toque de admiração.

— Era algo como: Supremo Deus dos Nove Céus. Bem arrogante, mas intrigante, caso este seja realmente o mesmo que conheci.

Ela permaneceu em silêncio por alguns instantes. Então, seus olhos se estreitaram.

“Será que você, que era tão fraco, realmente conseguiu, em míseros dez mil anos, unificar os nove mundos divinos?”

Bai Suxian, a Divina Imortal da Pureza Radiante, refletiu em silêncio.

Diante do silêncio de sua mestra, Yechen estreitou o cenho. Percebeu que havia muito mais por trás daquele período de guerra divina do que ela havia contado.

— Mestre, você acha que esse tal Soberano vai conseguir me rastrear?

Bai Suxian piscou os olhos brevemente, então sua atenção se voltou para uma certa direção.

— Ele não deveria ser capaz, mas…

Antes que ela terminasse suas palavras, uma imensa mão surgiu a centenas de quilômetros à sua frente.

Yechen tremeu ao ver aquela mão dourada colossal, que se estendia por vários milhares de quilômetros.

— Como é possível?

Os olhos dele quase saltaram das órbitas.

— Usei a técnica mística Fuga de Sangue Divino. Até sacrifiquei dois grandes reinos, chegando ao ponto de cair para o nível de um mero Imortal de Bronze.