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Capítulo 44: Nathan 3-I.

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Capítulo 44: Nathan 3-I.

Ele abriu os olhos.

Estava sozinho, e o crepúsculo tingia o chão de vermelho. Seu corpo doía. Quando seus olhos baixaram, viu que ainda vestia aquela roupa azul colada. Sobreviveu à queda, então. Ele riu. Eram, de fato, roupas de super-herói.

Nem decidiu investigar o motivo de estar no Ciex, um estabelecimento construído nos áureos períodos da extração de borracha. “Devo ter vindo até aqui antes de apagar!” Foi o que pensou, e fez força para se levantar.

Como sabia que estava no Ciex? Ele já tinha entrado ali, junto dos amigos.

“Preciso ir pra casa, ou vou ficar sem jantar!”

E deu no pé.

— — —

A Blue Pill fazia dele um super-humano.

Correu tão rápido quanto uma moto, e rapidamente chegou em casa. Entrou no quarto e, assumindo que a roupa entendia inglês, pensou em possibilidades para desativá-la.

— Blue power, off!

Nada aconteceu. Ficou ali, parado no meio do quarto, sentindo-se bobo.

— Certo… que tal isso? Blue power, shut down!

Sem resposta.

— Tá… fazer alguma coisa em inglês seria do something … — Ele riu. — Não pode ser tão besta assim, né? Tá, vamo lá!

Ele uniu as mãos e as ergueu diante de si.

— Blue power, undo transform!

Seu corpo voltou a irradiar a luz índigo!

Sentiu como se mergulhasse em água morna. O corpo todo foi relaxando. Viu as luvas, as botas e a viseira sumirem sem demora. Segundos depois, estava com sua calça, all-stars e camisa vermelha outra vez.

— É, era isso mesmo!

— NATHAN, VEM COMER! — gritou sua mãe, lá da cozinha.

— Tô indo! — E foi.

Sua casa era modesta. Se alguém visse de cima, diria que era um retângulo, cujo menor lado era o da frente. Parecia espremida entre as casas vizinhas. Por dentro, um corredor conectava a sala, os quartos e a cozinha, sendo que esta ficava na parte mais interna.

Ele saiu do quarto e, ao passar pelo arco da cozinha…

— AdAn oD, mIsSa ReCeRaPa ApLuC-sEd!

No lugar da mesa, das cadeiras, da pia cheia de louças limpas, a mãe assobiando e o pai falando do trabalho, havia um lugar branco. Branco por completo.

No meio da branquitude, um cara de óculos escuros, barba por fazer e cabelos desgrenhados, estava de pé. Ele vestia um robe preto, e sua cara era de tédio.

— Estranho. Precisei te ensinar outra vez…

— O-o quê? — Nathan deu um passo para trás.

Quem era esse?

— Ah… ah, espera, eu, ah… ah… — Ofegante, tocou na parede mais próxima.

Aquele homem…

— Você… eu… vo-vo….

Ele o deixava nervoso.

— Quem…?

— Bem que eu estranhei — disse o homem, balançando a cabeça. — Você não faz ideia de quem eu sou, né?

— Já sei, a luta ainda não acabou — falou Nathan, com os olhos saltados e a voz trêmula. — Megamix deve saber usar magia sem a varinha. É, deve ser isso! Isso explica o fato de tudo ter ficado branco de repente!

O homem achou patético e impressionante, de alguma forma.

— Ela deve estar ficando sem mana! Se eu fingir que não percebi, alguma hora ela deve aparecer!

— Admiro o seu esforço em negar a realidade, garoto — disse a pessoa diante dele, ajustando o nó do robe. — Mas é quase triste. É quase um talento seu, essa coisa de me deixar triste…

— Esse cara deve ser um capanga dela!

— …Você está me escutando? Garoto, a Megamix foi derrotada. Você venceu e ganhou bem mais que uma luta. Isso não é magia dela.

Nathan deixou cair os ombros.

— Você sabe. É claro que sabe.

— É, mas… quem é você? Se você não está com ela… e, bem, você é homem, então não deve fazer parte das Femme Fatales. É algum outro inimigo dos Pill Rangers?

O homem ficou genuinamente surpreso.

— Sério, eu tô meio cansado pra brincar de herói…

— Você realmente não se lembra?

— Eu só sei que eu tenho medo de você…

O cara de óculos escuros coçou o queixo, avaliando o garoto.

— Você me dá arrepios…

— O Nathan que eu conheço nunca diria algo assim — afirmou a pessoa, balançando a cabeça, concordando consigo mesma. — Você perdeu as memórias, de algum jeito.

— O que você está dizendo, normalmente, seria um absurdo… mas eu sinto que faz sentido.

— Hum… certo. Então, inconscientemente você sabe quem eu sou, e que deveria tomar cuidado. Será que o último mundo foi tão ruim assim?

— Último… mundo?

Estava com a mão na barriga, quando se deu conta. O calafrio que sentia, mais do que lhe deixar ansioso, agora enjoava o estômago. Engoliu a saliva diversas vezes, tentando conter a ânsia.

— Que merda…

— Sim, que merda — concordou a pessoa, esfregando os cabelos. — Deve ter sido traumático. O seu corpo, ou a sua alma, devem ter guardado essas memórias. Deve ter sido mágica. Você aplicou magia em si mesmo…

— De qualquer forma… último mundo. Do que você está falando?

— Bem, você não conseguiu derrotar o Nogar. O Mago das Cinzas adquiriu o Grande Báculo do Caos e, não sabendo como usá-lo, acabou explodindo o mundo inteiro.

Seus olhos estavam sérios, atrás dos óculos escuros.

— Você sentiu a dor de ser destruído em pedacinhos. A sua habilidade da vez era Regeneração Constante, e ela não ajudou em nada. Você foi destruído e refeito, destruído e refeito, até que o poder do Báculo te superasse.

Aquilo fazia sentido…?

— Deve ter sido insuportável. Acho que é por isso que você não tem uma Habilidade de Mundo, e o Acaso te deu essa tal Blue Pill. Não sei que habilidade você tem, mas deve ter a ver com a sua falta de memórias.

Mesmo sendo estranho, mesmo sendo absurdo, Nathan sentia que aquilo não era loucura. Fazia sentido. Muito, muito sentido.

— Vamos ver… — como se visse através de Nathan, o homem fez um estudo. — É, é isso mesmo. Reality Denier, esse é o nome da sua habilidade da vez. Heh, inteligente. Engenhoso da sua parte.

— Reality… DenaiaaaaaaAAAAAAAAAAAAH!

Uma dor furiosa atingiu seu olho direito, deixando Nathan de joelhos.

— DROGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

Era como se água quente fosse despejada nele. Ardia, ardia como nunca havia ardido antes.

— FAZ ISSO PARAR!

— Eu… eu realmente acho engenhoso — disse o homem.

Os punhos dele se fecharam, apertando a pele com força.

— Muito inteligente…