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Capítulo 123: Operação Contagem Regressiva

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Capítulo 123: Operação Contagem Regressiva

Ponto de Vista de Seiji

Minha perna simplesmente não parava.

Ela subia e descia debaixo da mesa, praticamente sozinha, enquanto continuava entrando e saindo gente daquela lanchonete.

Eu olhava para o relógio na parede, enquanto sentia o forte cheiro de fritura, que quase me hipnotizava!

“…Tarde.”

— Tsc… — resmunguei, cruzando os braços. — Que demora! O que ele tá fazendo!?

Eu já começava a me estressar. Talvez eu devesse pedir um milkshake pra me acalmar?

— Ele quem? — Akira perguntou, com a boca cheia de batata frita. — Tá falando do Shin?

— Hein!? — Virei pra ele, quase no mesmo segundo. — Não! Sem chance! Ele nem pode saber que a gente tá por aqui!

Ele me olhou confuso.

— Hm? Por que isso?

Eu suspirei, sabendo que não adiantaria explicar. Peguei uma batata dele e mastiguei.

Do outro lado da mesa, Aiko e Mina trocaram um olhar curioso também. Takeshi levantou uma sobrancelha, e Yumi apenas cruzou os braços.

Eu olhei rapidamente para o pulso dela…

Sem a pulseira…

“Ah…”

Ah, espera aí. Eu não devia tirar conclusões precipitadas. Se bem que eu nem deveria pensar naquilo naquele momento!

Ainda assim, doía um pouquinho.

Balancei a cabeça, afastando aqueles pensamentos.

E então, finalmente, o sino da porta tocou.

Ele havia chegado. Rintarou veio, com o cachecol enrolado até quase cobrir toda a cara.

Claro, com aquela expressão de sempre.

Eu abri um sorriso, enquanto ele se aproximava da mesa e puxava uma cadeira.

— Eu já tinha falado que estava a caminho — ele começou, tirando o cachecol. — Não precisava ter enviado tantas mensagens.

Eu só ignorei completamente.

Limpei a garganta, e entrelacei os dedos, aproximando a mão no rosto.

— Certo… — comecei, mudando o tom para algo mais sério. — Imagino que vocês estejam se perguntando por que eu reuni todo mundo aqui.

“Igualzinho ao filme!”

— Óbvio? Você chama a gente do nada dizendo que era algo urgente… — Takeshi respondeu na mesma hora.

Ahem.

— Então… o Ano Novo tá chegando, né? — disse, tossindo de leve.

Eles assentiram, Akira levou o copo na boca e Mina deu um gole do suco dela.

— Isso significa… que veremos os fogos de artifício — completei, esperando que eles já entendessem.

Mas parecia que eu ainda estava sendo um pouquinho vago…

— Tá, e? O que tem os fogos? — Mina perguntou, já quase impaciente, como sempre.

Abri um pequeno sorriso, quase soltando uma pequena risadinha.

— É aí que eles entram! — inclinei-me um pouco pra frente e bati a mão na mesa. Eles seguiram o olhar. — Shin e Yuki!

Hm… talvez eles já tivessem entendido o motivo da reunião. Certo, certo!

— Hã? — Akira inclinou a cabeça. — O que eles têm a ver?

— Eu realmente tenho que explicar tudo, Akira!? — respondi, encarando ele.

Fala sério, que cabeça dura! Mas provavelmente o resto já tinha entendido.

Não é?

— Eu também não entendi, Seiji… — Aiko disse, o que me tirou do sério.

Era impossível.

Eu realmente tinha que desenhar num papel!?

Se bem que a Aiko era meio burrinha mesmo, precisava dar um desconto pra garota que só tinha músculos na cabeça.

“Certo, certo.”

— Ah… Ah…! Faz sentido agora! — Akira interrompeu, como se algo tivesse ligado na cabeça dele.

“Ainda bem, Akira!”

— Eles gostam um do outro, Aiko — Eu falei, olhando diretamente pra ela. — Todo mundo já sabe disso!

— Finalmente alguém falou em voz alta! — Yumi assentiu imediatamente, dizendo o que todo mundo queria dizer.

Eu sabia que podia contar com ela!

Diferentemente da Aiko…

— H-hein!? O quê!? — Ela arregalou os olhos, ficando vermelha. — Como assim!? Desde quando eles se gostam!?

As coisas começavam a clicar na cabeça.

Ela era o tipo que só tinha competições na cabeça, mas romance era seu fraco!

Heh, talvez aquilo jogasse ao meu favor no plano…

Abri um sorriso no mesmo segundo.

— Desde… sempre? — Mina respondeu, rindo de leve. — Provavelmente só eles dois que não sabem disso.

— E a Aiko também, mas agora ela sabe — Akira brincou, rindo dela.

Observei o grupo por um instante. Eles estavam todos na mesma página, ótimo!

Eu até tinha começado a me imaginar mentalmente:

Shin me agradecendo depois, dizendo que eu era um gênio e dizendo “Obrigado pelo seu plano, Seiji!”.

Sim, sim!

Talvez eu já devesse pensar no que cobrar dele.

“Talvez o novo menu daquela loja…”

Assenti pra mim mesmo, com um sorriso orgulhoso no rosto.

— Tá, mas o que a gente tem que fazer então? — Mina disse, curiosa e se inclinando depois de tomar mais um gole do suco.

Limpei a garganta.

— É bem simples. Vamos juntar eles dois naquela noite. Eles vão ficar sozinhos e tudo vai se desenrolar! — respondi, com um sorriso orgulhoso.

Akira ergueu o copo e bateu-o levemente na mesa.

— Já tava na hora! — ele declarou, com os olhos fechados e um punho cerrado. — Apenas comecem a namorar logo!

Eu assenti, balançando a cabeça.

Já tinha passado da hora de isso acontecer.

— E qual seria o plano? — Rintarou perguntou, enquanto olhava o menu. — Sem exageros, não devemos forçar nada.

— Relaxa, Rin! — falei, dando um tapinha nas costas dele. — Só confia em mim.

Ele me olhou, com aquele olhar que sabia que vinha algo por aí.

Peguei uma batata do Akira e depois puxei um guardanapo.

Me inclinei sobre a mesa, pegando uma caneta do bolso, que preparei especialmente para aquele exato momento.

— Eu chamo isso de… — comecei, fazendo uma pequena pausa dramática enquanto escrevia. — Operação Contagem Regressiva!

Mina me olhou com uma cara de decepção.

“…..”

— Não tinha um nome melhor?

— Isso não importa agora! Qual é o plano, capitão!? — Akira cortou ela, e se virou pra mim.

Tracei rapidamente o mapa do santuário, marcando só os caminhos e a área principal.

— Ainda bem que pergunta, sargento — comecei, e logo mudei o tom novamente. — A gente vai começar agindo normalmente. Andando pelas barracas, comendo e tal.

— E depois…? — Yumi perguntou, curiosa e estreitando os olhos.

Eu sorri.

— Depois… o plano entra em ação — respondi, desenhando um círculo perto do templo. — Quando faltar 10 minutos para a meia-noite, começa a primeira fase: Dispersão!

— Dispersão? O que é isso? — Aiko repetiu, confusa.

Sério?

Encostei as costas na cadeira, relaxando um pouco.

— A gente… se dispersa — continuei, colocando uma batata do Akira, novamente, na boca. — Um por um… até sobrar só eles!

O grupo parecia ter começado a entender o plano.

Bem, ele era bem simples, não tinha nada pra entender.

Se bem que a Aiko devia estar confusa.

— A Yuki não é boba assim, ela vai suspeitar disso — Yumi disse, com a mão no queixo.

— Relaxa, Yumi! Eu vou dar um jeito! — Akira respondeu, confiante.

Era disso que eu tava falando.

Ele levantou a mão e eu bati nela em um high-five.

— E aqui… — continuei, apontando para o círculo. — É uma colina do lado do templo. É o melhor lugar para ver os fogos!

— Então a gente só precisa garantir que eles dois cheguem lá… — Mina comentou, olhando a mesa.

— E esperar que eles se resolvam — completei, encostando novamente as costas na cadeira.

— E que eles comecem a namorar! — Akira terminou, animado.

Era isso!

Era um plano simples… mas simplesmente perfeito.

Não tinha como dar errado, eu tinha certeza absoluta.

— Já tô cansada de ver aqueles dois daquele jeito! — Yumi reclamou, e com razão. — Todo mundo percebe menos eles!

— Calma, Yumi — Mina tentou acalmar ela, colocando a mão no ombro. — Vai dar tudo certo. Eu acho…

— Hm… não sei… — Akira se intrometeu, com os braços cruzados e os olhos fechados. — O Shin é bem tapado mesmo… Será que isso funciona?

Eu ia dizer algo, tentando animar eles, mas Rintarou suspirou e ajeitou os óculos.

— Vai ficar tudo bem — ele disse, com aquele tom calmo mas com alguma certeza ali. — Eu vou ajudar.

— É isso, Rin! — puxei ele pra um abraço rápido.

E o grupo riu junto.

Eu me afastei um pouco e olhei pra janela da lanchonete.

Do lado de fora, o céu começava a ficar levemente mais escuro. O vento batia na janela, fazendo barulho.

Apoiei a cabeça nas mãos e suspirei.

Depois de tudo que o Shin passou… ele merecia isso!

Aquilo tinha que dar certo.

Não! Ia dar certo!

Ah, mas conhecendo o Shin…

…Talvez fosse melhor já deixar um plano B pronto.