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Capítulo 131: Grande Sorte

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Capítulo 131: Grande Sorte

Continuamos andando até chegar na pequena loja de madeira, a loja que decidiria nossa sorte do novo ano naquele pequeno papel.

Chegamos no balcão, após enfrentar… mais uma pequena fila. Um a um, nosso grupo pagou e então começamos o ritual.

Primeiro veio a pequena caixa de madeira.

— Por favor, por favor… que venha algo bom… algo bom! — Seiji murmurava do meu lado, com uma cara preocupada até de mais.

Em seguida, a caixa foi balançada e saiu um pequeno palito de madeira.

— Eu preciso da Grande Sorte! — Akira também murmurava, com a mesma cara séria de Seiji. — Apenas a Grande Sorte!

“Apenas…?”

E então… vinha os números correspondentes.

— Oito… — murmurei para mim mesmo.

Quando fiz todos os procedimentos, meu olhar seguiu automaticamente o vendedor que se dirigia às gavetas.

Um a um ele entregava os papéis correspondentes, e, quando chegou a minha vez, eu fiquei nervoso por algum motivo que eu desconhecia.

“Por quê?”, eu me perguntava.

Eu não costumava levar aquilo tanto a sério.

Digo, eram apenas papéis. Não era como se aquilo fosse realmente decidir meu destino naquele ano.

— Não! Não! Não! — Akira começou a choramingar alto, atraindo a atenção do grupo. — Eu tirei treze! Eu… eu… devo ter tirado o Grande Azar…

“Logo o número do azar…”

— Tá falando sério!? — Aiko começou a rir. — Eu tirei vinte! Tenho certeza que vou pegar a maior sorte daqui, olha só!

Claro, mas nem todos pensavam assim.

No entanto, ao olhar para o papel na minha frente, meu estômago começou a embrulhar.

Rintarou foi o primeiro a abrir, como se ele também pensasse que não fosse nada de mais… ou talvez ele estava confiante.

Eu engoli mesmo com a garganta seca, e decidi fazer o mesmo.

— N-não… não pode ser… — uma voz cheia de agonia soou ao meu lado. — Pequena…?

Era… Seiji. Ele olhava para o papel como se tivesse recebido algo realmente terrível.

— Hm? Sorte Pequena? — Aiko leu por cima do ombro dele e explodiu na risada. — Viu só? Eu disse! Olha o meu. Sorte Média! Ganhei!

— Ei, seu idiota! — Akira agarrou Seiji pelo colarinho, quase chorando. — Do que… Do que você tá reclamando!? Eu tirei… o Grande Azar!

Seiji então parecia ter recobrado a consciência quando ele falou aquelas palavras.

— Hein!? Grande Azar!? — As bochechas dele começaram a inflar. — Talvez isso fosse um sinal de que a Yukari não era mesmo pra você!

— Maldito! — Akira se irritou, mas não tinha como revidar. Ele então se ajoelhou e colocou as mãos na cabeça. — Ah, tá tudo tão acabado! Meu ano acabou! Ah, ah!

Enquanto Takeshi, Aiko e Seiji riam dele, e Rintarou lia seu papel calmamente, eu ignorei tudo ao meu redor.

Meus olhos ficaram fixos ao papel, que abri com dificuldade.

Hã?

Eu realmente estava lendo certo?

Aquilo era realmente meu papel?

Se fosse… então por que ele dizia…

“Grande Sorte!”

— Mas que…

Eu fiquei parado por um segundo, e me virei para o outro lado, para abafar um pouco as risadas do grupo.

Meus olhos começaram a percorrer todo o papel no mesmo segundo. Ignorei todos os textos sobre trabalho, viagens, saúde ou qualquer outra coisa.

Nada daquilo importava no momento.

Mesmo que eu não levasse aquilo tanto a sério como os outros ao meu redor.

Eu ainda queria ver.

“Aqui!”

Meus olhos pararam na seção do texto que eu procurava.

Amor.

Novamente, engoli com a garganta seca e segurei o papel com mais força que o necessário.

“A pessoa que você estima apenas está esperando uma resposta sua. O sentimento é mútuo, não hesite.”

— Hã?

Por quê?

Por que aquelas palavras me lembraram tanto as mesmas palavras de Kaito?

“Esperando pela minha resposta? Sentimento mútuo?”

Eu suspirei e olhei para o horizonte, com o sol começando a atravessar as nuvens e clareando ainda mais a fila enorme que se formava no santuário.

— Hah…

Poderia aquilo ser realmente verdade?

Não.

Mas…

Poderia Yuki, a garota que sempre parecia estar a um passo à frente, realmente estar esperando por mim?

Aquela garota popular, desejada por muitos na escola, ter os mesmos sentimentos por… mim?

Era difícil de acreditar. Realmente difícil.

Mas então vários momentos com ela surgiram na minha mente.

As mãos dadas. Quando ela limpou meu rosto sem hesitar. Quando se apoiou em mim. Ou quando me presenteou com algo especial. Ou quando olhava para mim daquela forma. Até mesmo quando me ajudava sem eu pedir. Como parecia sempre ter as palavras certas para eu ouvir. O seu olhar quando nossos rostos quase se tocaram. As palavras de coragem quando eu hesitava. Como cuidou de mim quando fiquei doente. As bochechas vermelhas e os olhares tímidos comigo.

Isso tudo… o que era exatamente isso?

Era… amor?

E, se não era, o que seria aquilo?

Eu não conseguia pensar em outra coisa.

Mesmo com o medo de cometer o mesmo erro de confundir bondade com amor, eu não conseguia ver aquilo tudo como uma mera gentileza da parte dela.

Então…

— Ei, e você, Shin? Tirou o quê!? — Seiji falou alto, me tirando daqueles pensamentos.

— Hein? A-ah… — Amassei de leve o papel, escondendo tudo aquilo. — Sorte Pequena também, nada demais.

Rintarou me olhou de lado por um segundo, mas depois desviou o olhar para o grupo.

— Então acho que o Akira foi realmente o único a tirar azar! E ainda o Grande Azar! — Seiji caiu na risada.

— Isso não tem graça… — Akira resmungou, enquanto caminhava até o local onde os bilhetes de azar eram pendurados.

Mas ele parou no caminho, e virou subitamente.

— Ei, Shin.

Acabei me arrepiando de leve, mais por causa do frio.

— …Sim? — respondi, levemente nervoso.

— Você tem certeza de que tirou Sorte Pequena? — ele me encarou com um olhar mais sério e sem nenhum traço de brincadeira. — Você… não tá mentindo… tá?

Acabei hesitando.

— S-sim… apenas uma… Sorte Pequena também…

— Então por que você tava sorrindo quando leu o papel!? Hein!? — Ele agarrou meu pescoço. — Você tirou a Grande Sorte!? Vamos trocar de papel agora!

“Hein?”

Acabei deixando algo escapar… e não era daquela forma que os papéis funcionavam!

— Eh? Não sei do que você tá falando… — Me fingi de inocente, desviando o olhar. — Acho que você viu coisas, Akira…

— Hã!? Eu tenho certeza de que…!

— Não acho que trocar de papel vai mudar sua sorte, Akira — Rintarou disse, arrumando os óculos no lugar enquanto Seiji e Takeshi tiravam Akira de cima de mim.

Eu soltei um longo suspiro, com um leve sorriso no rosto.

— Eu só… vi algo interessante. Nada demais — respondi, e então começamos a andar.

Senti o vapor da minha respiração se dissipar no ar gelado. A manhã continuava fria, e ainda tinha muitos dias até a primavera chegar.

Mas, de alguma forma, eu não sentia tanto medo pelo que estava por vir.

Mesmo que antes eu não acreditasse, naquele momento eu realmente queria acreditar.

Aquele pequeno papel, comprado em uma pequena loja do santuário, me começou a dar esperanças.

Esperanças de que, em algum dado momento no futuro, aquelas mesmas mãos que aqueceram as minhas na última noite do ano, seriam minhas para segurar para sempre.

E que, mesmo em dias frios, elas manteriam meu mundo mais quente.