LNCrawler

Capítulo 142: Diálogos Valiosos

Rebirth – O Despertar — illusia.com.br · All chapters

Capítulo 142: Diálogos Valiosos

O fim de semana havia finalmente chegado. Mas ao contrário do que deveria ser uma sensação de relaxamento, eu apenas me sentia agitado por dentro.

Enquanto eu me arrumava diante do espelho, não conseguia deixar de sentir meu estômago embrulhando e a ponta dos meus dedos ficando frias.

Mesmo que eu já tivesse várias reuniões com Shihei na Editora Kousei, eu tinha certeza que aquela seria algo diferente.

“Precisamos fazer nossa reunião para conversar sobre o rumo de sua história e algumas coisas sobre a editora. Pode me encontrar amanhã neste restaurante de noite?”

Peguei meu celular da mesa, vendo, novamente, a localização do local, e respirei fundo antes de abrir a porta de casa.

O restaurante ficava em um lugar bem conhecido, e, assim que entrei depois de confirmar se era mesmo ali, fui recebido pelo calor de dentro.

“Que bom…!”

O lugar era bem acolhedor, com uma iluminação suave e bons cheiros por todo o restaurante, junto do pequeno barulho das pessoas conversando por ali.

Olhei ao redor por alguns segundos, até ver uma mão erguida acenando para mim.

Era ele.

Shihei estava sentado em uma mesa levemente mais afastada do centro, com aquele humor leve de sempre no rosto.

— Ei! Garoto, aqui! — ele chamou, e eu logo me aproximei.

— Boa noite, desculpa o atraso.

— Que isso, eu também acabei de chegar. Vamos, sente-se — ele respondeu, enquanto apontava para a cadeira na frente dele.

Assim que me sentei, uma atendente se aproximou de nós com o menu, pronta para receber os pedidos.

— Uma cerveja bem gelada, por favor! — ele pediu primeiro, sem precisar olhar o menu.

— Uh… um suco de laranja, por favor — respondi, abrindo o cardápio para dar uma olhada enquanto ela anotava.

Hm… o que eu deveria pedir? Mesmo que Shihei tivesse dito que ele iria pagar…

— Garoto, pode pedir o que quiser. Eu não disse que era na conta da editora?

“….!”

Ele acabou percebendo os meus pensamentos… e então eu simplesmente assenti, timidamente.

Naturalmente, a mesa ficou um pouco mais quieta quando a atendente terminou de anotar os pedidos e sair. Mas aquilo mudou quando Shihei cruzou os braços e mudou para um tom mais casual.

— E então? Como as coisas tão indo na escola? — ele perguntou, e parecia genuinamente curioso.

Eu hesitei por um pouco.

— Eh…

Olhei para o prato vazio na minha frente, enquanto me perguntava se eu deveria falar sobre o que tinha acontecido recentemente.

Talvez não fosse a melhor opção.

Como ele iria reagir?

Até que suspirei.

— Na verdade… eu acabei virando o vice-representante da turma. Então, acho que vou ter um pouco mais de trabalho daqui pra frente… — respondi meio baixo, coçando a nuca, enquanto ainda me perguntava se deveria realmente ter falado aquilo.

Ele ergueu levemente a sobrancelhas, parecendo surpreso, e depois acenou com a cabeça.

— Vice-representante, é? Vai ter mais responsabilidades mesmo — Ele se inclinou na cadeira e soltou uma pequena risada. — Mas você não parecia o tipo de pessoa que queria ser isso.

Não mesmo.

Mas era tão notável assim?

— Pois é… inicialmente, eu não queria aceitar, afinal, aquilo seria mais trabalho pra mim e poderia atrapalhar a escrita. Mas as coisas acabaram acontecendo…

Bem, não tinha mais volta a dar. Eu apenas tinha que aceitar.

— É, isso pode acabar sendo um problema se você não se organizar bem — ele concordou com a cabeça, provavelmente assimilando as coisas.

Eu abaixei a cabeça levemente, sentindo o peso daquilo.

Era como imaginava que a reação seria.

Eu realmente deveria ter feito aquilo?

Eu sabia muito bem dos problemas que poderia causar, então por que…?

Logo, uma ponta de arrependimento começou a surgir.

Mesmo que o rosto dela inclinado aparecesse na minha mente, eu…

— Mas ei! Fica tranquilo. — Ele mudou o tom novamente, e eu ergui a cabeça. — Você não precisa se cobrar tanto, afinal de contas, é apenas um estudante. Isso é completamente normal!

Aquelas palavras acabaram trazendo um alívio imediato para mim, e ele parecia ter notado.

— Mas e a escrita? Como tá indo o seu manuscrito? — ele mudou de assunto, olhando para mim, novamente curioso.

Mais uma vez, eu parecia hesitar diante da pergunta.

Como eu deveria responder aquilo sem parecer que eu tinha… estagnado?

— Bom, acho que agora eu vou conseguir pegar melhor o ritmo. Eu tinha enfrentado um pequeno problema sobre uns personagens…

— Hm? Sério? E já resolveu?

— Ah, sim — respondi, mas um sorriso involuntário começou a surgir no canto do rosto quando me lembrei daquela cena. — Na verdade, meus amigos resolveram. Eles acabaram me ajudando, e me mostraram algo tão óbvio que eu tinha me esquecido.

Bem naquele mesmo instante, a atendente retornou com as bebidas, colocando-as na nossa frente.

Shihei… não perdeu um segundo. Ele pegou a garrafa e deu um longo gole, soltando um suspiro de satisfação e um sorriso mais alegre.

— Isso é bom, garoto! — ele começou, limpando a boca com a costa da mão. Ele sorria, enquanto o tom mudava de leve. — Ter amigos assim é algo extremamente valioso, Yamamoto. Especialmente no nosso meio, onde costumamos nos isolar dentro da nossa própria cabeça.

Eu olhei para o copo cheio, enquanto sentia um sorriso genuíno no meu rosto.

— É… você tem razão.

Levei o copo aos lábios, tomando alguns goles do suco gelado. Por alguns instantes, enquanto bebia, meus pensamentos se perderam e vieram os rostos deles na minha mente.

“Hah…”

Eu… era realmente alguém sortudo.

Como Shihei havia dito, aquilo era algo extremamente valioso.

Deixei o copo de volta na mesa, ainda sorrindo, enquanto ele… ria alto, provavelmente o efeito do álcool fazendo efeito.

— Aqui está o seu… e o seu… — A atendente tinha chegado com os nossos pratos, que vinham fumegantes, e preencheram a nossa mesa de jantar.

A noite estava apenas começando. As pessoas ainda conversavam baixo, a música ainda tocava, e o lado de fora ainda continuava frio.

Mas, em meio a isso tudo, mesmo que Shihei tivesse uma aparência leve e sorridente…

…Eu não sabia como, mas apenas sentia que aquela reunião tinha cara de que teria algum tópico mais sério por vir.

Algo que eu não poderia fugir.