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Capítulo 143: Oferta de Caos

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Capítulo 143: Oferta de Caos

A atendente havia chegado com os pratos fumegantes, deixando-os diante de nós naquela mesa. Shihei, claramente… mais alegre do que o normal, não esperou para atacar a comida.

— Ah! Que bom! — dizia, enquanto eu pegava meus talheres para comer também.

Por um instante, o foco da reunião foi voltado para a comida. Mas, mesmo comendo, aquela mesma sensação não desaparecia.

Eu não sabia como, apenas sentia que algo a mais viria. E não seria algo trivial.

— Oh… é realmente bom — murmurei, depois de dar uma garfada.

— Não é!? Se quiser mais, é só falar! — Shihei falou alto demais, já completamente bêbado.

Apenas assenti, enquanto ainda continuava na espera do momento em que a atmosfera fosse mudar.

E, depois de alguns minutos, finalmente aconteceu.

Vi Shihei colocar os talheres de lado, depois de terminar a refeição. Ele pegou o guardanapo e limpou a boca sem pressa alguma. Aquele sorriso alegre deu lugar a uma expressão mais calma e casual, ainda que o rosto dele estivesse vermelho por causa da bebida.

Eu sequer tinha notado, mas eu fiquei prendendo a respiração, esperando o que quer que ele fosse falar.

— Sabe, Shin… — ele finalmente começou, apoiando os braços na mesa e inclinando-se mais para mim. — A edição de natal da revista foi um sucesso absoluto. Até bem mais do que nós esperávamos.

Fui pego completamente de surpresa.

— Hã? Ah, sim… que bom.

— Pois é. E o motivo de eu ter te chamado para essa reunião foi por causa disso — O seu olhar se fixou nos meus, e eu comecei a ficar nervoso. — Quando o feedback dos leitores da revista começaram a chegar, notamos um certo padrão nele. Você.

Eu fiquei confuso no mesmo segundo.

Eu?

O que tinha eu?

— Como assim? — perguntei, genuinamente confuso e curioso.

— Os leitores demonstraram um interesse de verdade por você — Ele então sorriu. — A sua história curta na primeira página da revista foi uma das mais comentadas e elogiadas da edição.

Hein?

Eu?

A… minha história?

Comentada? Elogiada? Interesse?

Eu?

Meu coração acelerou no mesmo instante. O calor do restaurante parecia ter aumentado, e comecei a sentir um pequeno sorriso a se formar no rosto.

— S-sério…!? — Minha voz saiu levemente trêmula, enquanto eu ainda tentava assimilar o que ele tinha dito. — Isso é… incrível. Não sabia que as pessoas tinham gostado assim.

Ele então soltou uma risada alta, rindo de mim.

— Pois é, garoto. E não foram só eles. — Ele disse, atraindo minha atenção novamente. — O departamento editorial também gostou disso, e ficaram tão animados com os resultados dessa edição que me chamaram para ter uma conversa.

No mesmo segundo, prendi minha respiração sem perceber, novamente. O barulho das conversas do restaurante foram cessadas. Minha atenção voltou-se totalmente para as mãos de Shihei que se cruzaram na mesa.

Era aquilo.

Eu sentia que era aquele o momento.

Eu não sabia o que viria, mas eu sentia.

— Eles então propuseram dar um contrato de exclusividade para você, Shin — disse, mas continuou, com um sorriso claro no rosto. — Também querem que sua nova história não esteja em uma revista, mas sim em um livro.

…..

Eu congelei.

Livro?

Eu realmente tinha escutado certo?

Eu não estava sonhando, correto?

Não, não.

Parecia real demais para ser um.

Eu apenas fiquei incrédulo, completamente em choque. Minha mente permaneceu travada, enquanto eu me perguntava se eu realmente tinha escutado aquelas palavras sairem da boca de Shihei.

Um livro…?

Eu?

A minha nova história… em um livro de verdade?

Daqueles que se encontram nas bibliotecas?

Que poderia ser comprado por qualquer pessoa?

…Eu?

— Isso é sério!? Um livro meu!? — eu acabei por falar mais alto do que devia, enquanto quase pulei da cadeira.

Shihei olhou para mim por um segundo, e então soltou uma risada alta, se inclinando para trás ainda com o rosto vermelho.

— Sim. Um livro seu de verdade! — ele disse, voltando a me olhar sorrindo. — Se você aceitar esse contrato, se tornará um autor oficial de nossa editora. Isso é um passo gigante na carreira de qualquer um, e é o que muitos almejam.

Aquilo era realmente verdade.

Qualquer escritor gostaria de realmente ser um autor oficial de uma editora e ter um livro seu disponível em qualquer lugar do mundo.

Aquilo era um sonho.

Eu apenas continuei parado, olhando para ele de olhos arregalados.

Era uma oportunidade única.

Mas, no mesmo instante, o semblante de Shihei alterou. O sorriso no rosto deu lugar a uma expressão mais séria do que o normal.

— Mas, você precisa entender que isso é algo extremamente importante. Você deve pensar muito bem antes de me dar qualquer resposta — Sua voz parecia carregada de sinceridade. — Afinal, você ainda é um estudante. Juntando isso com suas novas responsabilidades de vice-representante, teria de equilibrar isso, os estudos, e a vida de autor.

As palavras dele… me atingiram em cheio.

Por um momento, a euforia do que ele havia falado começou a desvanecer lentamente.

— …..

Ele estava certo.

Aquilo não era algum tipo de brincadeira, algo que eu poderia responder sem pensar direito.

Se eu aceitasse, teria que conviver com as pressões de prazos, pressão e cobranças. Teria que conviver com as responsabilidades de vice-representante. Teria que conviver com os estudos importantes para as provas.

Tudo isso junto.

Encarei a comida no prato.

“…Será que vou dar conta?”

Eu realmente queria aceitar aquela proposta imediatamente. Queria poder dizer um sim logo para ele.

Mas eu também pensava se realmente deveria fazer aquilo.

Iria ficar tudo bem?

Nem tudo corre como o planejado. Falar é fácil, fazer é difícil.

Eu já tinha aprendido aquilo antes.

Aquilo não era algo que eu poderia, em algum ponto, simplesmente dizer que eu não queria mais e dar meia volta.

Eu… realmente deveria fazer aquilo?

No mesmo instante que as dúvidas e os medos me consumiam, eu me lembrei do começo de tudo.

De como eu tinha decidido ler um livro por curiosidade de Rintarou, e então decidi escrever algo tão tocante quanto o que tinha lido.

De como eu entrei em um concurso, fui arrogante mas acabei pagando quando vi que fiquei em sétimo lugar.

E então, de como eu prometi a mim mesmo, depois de ver o nome do Ryuuji em primeiro lugar, de que, um dia, eu teria uma história minha em uma biblioteca com o meu nome na capa.

“E quando esse dia chegar, eu vou ter superado não apenas meu rival, mas a mim mesmo”

O meu maior sonho estava estendido diante de mim, naquela mesa.

Com as mãos abertas, Shihei me entregava uma oportunidade única que eu sonhava desde o momento em que perdi pela primeira vez.

Era algo valioso que seria entregue.

Além disso, eu me lembrei deles.

Pensei nas palavras dele sobre como era valioso ter pessoas ao meu redor que me ajudassem.

Sim, sem sombra de dúvidas alguma em meu peito, eu sabia que eles me apoiariam. Eles sempre estariam lá por mim.

A vida de autor definitivamente não seria fácil. E a minha vida, tentando conciliar tudo ao meu redor seria um verdadeiro caos, mais caótico que a minha escrivaninha.

Mas, olhando por tudo que eu passei, era esse caos mesmo que eu desejava.

Inspirei fundo, enquanto senti um sorriso surgir na cara. Olhei para Shihei, que parecia ter uma expressão curiosa no rosto.

— Eu aceito.

Ele piscou algumas vezes, visivelmente surpreso. Acho que ele não esperava que eu fosse dar uma resposta tão rápida e direta. Mas logo em seguida, sua expressão surpresa deu espaço para uma alta risada que ecoou no local.

— Eu sabia! Tinha certeza de que você iria aceitar. — ele exclamou, estendendo a mão para o ar. — Atendente! Mais uma rodada, por favor!

Eu também acabei rindo com ele, sentindo uma felicidade percorrer meu corpo inteiro. Quando a atendente chegou com a bebida, Shihei estendeu a garrafa na minha direção. Peguei meu copo e fiz um brinde com ele.

Aquela decisão, depois de eu assinar o contrato, mudaria o curso da minha vida dali para frente, e eu tinha noção de que o caminho não seria algo fácil.

Mas estava tudo bem.

Eu não tinha mais dúvidas em mim.

Eu faria o meu melhor.

Como um futuro autor da Editora Kousei.