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Capítulo 145: Labirinto da Névoa

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Capítulo 145: Labirinto da Névoa

A névoa era extremamente densa.

Eu não conseguia ver nada.

Era tão densa que era difícil de ver um chão ou qualquer coisa no meu horizonte. Eu tentava dar um passo, mas meus pés pareciam absurdamente pesados, até parecendo que algo me puxava para trás.

Foi então que uma figura cortou o cinza da névoa.

“…..!”

Seiji apareceu na minha frente, acenou com aquele sorriso despreocupado, e então correu para a esquerda, desaparecendo e não deixando rastro algum.

— Ei! Seiji! — tentei chamar, mas minha voz quase nem saiu.

O que era aquilo?

Antes que eu tentasse caminhar na direção que ele foi, Rintarou apareceu na minha frente. Ele me encarou por um segundo, com seu olhar calmo através de seus óculos, e seguiu por outra direção.

— Rin…tarou?

Kaori apareceu, completamente sorridente como sempre, e foi em outra direção.

Akira.

Takeshi.

Yuki.

E mais, e mais, e mais e mais.

O que era tudo aquilo?

Todos tinham um caminho para qual seguiam. Um destino tão claro, que nem uma névoa intensa conseguia os impedir de caminhar.

Eu estendi a minha mão, mas não havia nada que eu pudesse alcançar.

Para onde eles estavam indo?

Onde eu deveria ir?

Quem eu iria seguir?

Então a névoa desapareceu, deixando apenas um vazio e uma verdade em mim.

Diante daquela imensidão vazia, eu finalmente entendi algo.

Eu não tinha rumo.

Estava completamente perdido.

Então abri meus olhos, encarando o teto, iluminado pela luz da manhã, enquanto o despertador tocava.

— Foi só um sonho…

No entanto, eu me sentia exausto, como se eu realmente tivesse passado a noite toda correndo pela névoa densa.

Me sentei na cama, e esfreguei o rosto. As perguntas de Shihei continuavam claras e vívidas na minha mente, como se eu ainda pudesse escutar a voz dele.

“Deixa eu te perguntar uma coisa, garoto… por que você escreve?”

“Para quem você escreve?”

Eram perguntas tão simples. Perguntas a qual eu tinha a certeza absoluta de que conseguia responder. Mas se fosse o caso, por que motivo eu hesitei na noite anterior?

“…..”

— Preciso me arrumar logo… — murmurei, levantando-me da cama enquanto sentia o frio intenso me atacar.

Depois de tomar o café da manhã, abri a porta de casa pronto para sair. Diferentemente dos outros dias, era um dia mais ensolarado, ainda assim, cheio de ventos gélidos.

O caminho até a escola era o mesmo de sempre. Conversas triviais, enquanto caminhávamos por outros alunos na rua. Mas tudo ali parecia distante para mim.

Eu não conseguia me concentrar em nada, senão nas perguntas e no sonho que tive. Até caminhava um pouco mais atrás do que Rintarou, Seiji e Kaori, com o olhar fixo no chão.

— Terra chamando Shin. Terra chamando Shin — a voz da Kaori quebrou meus pensamentos, enquanto ela diminuía o passo para ficar do meu lado, com a cabeça levemente baixa e analisando meu rosto. — Que cara feia é essa? Tá parecendo um panda de novo!

Panda? Ah, eu tava com olheiras?

— Hã? Ah, não é nada não… — soltei um sorriso rápido, que acabou saindo meio torto. — Só acabei jogando bastante ontem de noite e fui dormir tarde…

Rintarou, que andava um pouco mais na frente, olhou pra mim por cima do ombro, mas não disse nada. Apenas manteve a mesma expressão neutra de sempre. Provavelmente tinha notado algo?

Kaori, por outro lado, era o exato oposto. Ela me encarava, apertando os olhos desconfiada.

— Jogando, é…? — Ela me encarou de canto.

— Isso é mentira.

“…..!”

Senti meu corpo congelar ainda mais do que já estava.

Seiji, sem nem se virar para trás, tinha me acusado de mentir com um tom de risada.

— D-do que você tá falando, Seiji? — tentei dissimular enquanto arrumava a mochila nas costas.

— Ahem. Eu passei a noite inteira jogando ontem! — Ele virou só pra me encarar, andando de costas e se colocando ao meu lado. — Você nem sequer entrou no jogo.

Ele deu uma risada, enquanto uma pequena gota de suor escorreu na minha testa.

— Gah! Ele te pegou no flagra! — Kaori e Seiji bateram as mãos, como se fossem detetives.

…Que idiotas.

Ainda assim, eu engoli com a garganta seca, tentando buscar algo pra me justificar.

— É que… eu acabei ativando a opção de ficar offline… pra ninguém me ver jogando, sabe?

Seiji deu apenas uma risada leve, como se tivesse finalmente me encurralado.

— Yamamoto… nem existe essa opção ainda.

“Ah, droga.”

Meus ombros se abaixaram no mesmo segundo, junto da minha cabeça enquanto eu me sentia derrotado.

Kaori deu uma risada baixa, Seiji ria da minha tentativa vergonhosa de enganar eles e Rintarou apenas olhava para trás e deu um leve suspiro.

Eu só queria evitar explicar a bagunça que eu tinha na minha mente. Eu sabia que eu poderia contar para eles, e talvez eles até me ajudariam.

Não. Com certeza eles iriam me ajudar.

Ainda assim, era mais fácil pra mim manter isso comigo mesmo. Não era algo muito simples de se colocar em palavras, e nem saberia direito por onde começar.

E eu só…

…Não queria jogar meus problemas para os outros resolverem.

Seiji então retomou a caminhada, mais uns passos a frente, como se fosse rir de algo. Eu apenas encarei as costas dele, mas… nada veio.

— Bom, se você não quer falar, não precisa — Ele me surpreendeu com um tom menos brincalhão. Ele olhou pelo ombro, e me deu um sorriso que… não era esquisito. — Afinal de contas, somos amigos, né?

Eu… apenas pisquei algumas vezes, sentindo uma leve onda de calor entrar no meu peito e me aquecer diante daquele frio. Dei mais alguns passos, e voltamos a caminhar lado a lado, e dessa vez, com a cabeça mais erguida.

— Valeu, Seiji — murmurei, coçando a bochecha. — Depois te pago algo pra beber ou comer.

Ah, que droga. Eu não deveria ter falado aquilo.

A reação dele mudou na hora. Os olhos dele começaram a brilhar na minha direção, e abriu um sorriso.

— Sério!? Já que você se oferece, eu vou querer aquele novo menu que lançou! Depois, a gente pode passar no…

— Ei, ei! Não exagera! — rebati na hora, erguendo as mãos em protesto.

— Já que você vai pagar, eu vou querer uma torta de… — Kaori se meteu no meio, com o dedo no queixo, parecendo pensar o que ela iria querer comer.

— Ei! — encarei os dois, totalmente incrédulo.

— Eu também vou querer um café e um… — Até… até o Rintarou entrou no meio.

…..

Era inacreditável.

— M-minha carteira… — murmurei, enquanto Kaori e Seiji ainda pensavam no que pedir, e Rintarou dava um pequeno sorriso.

Enquanto caminhávamos, atravessando o portão escolar, rindo e conversando em meio ao sol frio, ela não tinha ido embora por total.

A névoa não tinha desaparecido.

O labirinto ainda era extenso.

E eu não conseguia sair.